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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Novidade na Biblioteca: Remédios literários


No livro Remédios Literários, escrito por Ella Berthoud e Susan Elderkin, as autoras recomendam livros de A a Z, para problemas desde “abandono” a uma “zanga com o melhor amigo”. São mais de 750 referências para tratar uma série de problemas: ressonar, baixar a tensão arterial, combater pesadelos, superar um divórcio.

ESTE LIVRO É UM MANUAL DE MEDICINA – COM UMA DIFERENÇA.

Primeiro que tudo, não faz discriminação entre a dor física e a emocional; pode encontrar-se nestas páginas tanto a cura para um coração despedaçado como para uma perna partida. Também inclui problemas comuns que se lhe podem deparar, como uma mudança de casa, estar à procura do Homem/ Mulher Certo/a ou ter uma crise de meia-idade. Os maiores desafios da vida, como perder um ente querido ou tornar-se mãe ou pai solteiro/a, também estão aqui. Quer esteja com dor de dentes ou com uma ressaca, com medo do compromisso ou falta de sentido de humor, nós consideramos tudo isso uma maleita que precisa de remédio.

E também existe outra diferença. Os nossos remédios não são dos que se encontram na farmácia mas nas livrarias, na biblioteca ou que podem ser descarregados no seu aparelho eletrónico de leitura. Nós somos biblioterapeutas, e as ferramentas para o nosso ofício são livros.

Excerto da introdução

Para saber mais sobre o livro e as suas autoras consulte:

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

Leia, porque ler é um prazer!

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Biblioterapia: como é que os livros curam?

A biblioterapia é geralmente tida como um método que utiliza a leitura como coadjuvante no tratamento de pessoas acometidas por alguma doença física ou mental. É aplicada como educação e reabilitação em indivíduos de diversas faixas etárias, e entre outros assenta no pressuposto de que a leitura é um processo dinâmico, sempre em alteração e movimento. Ou seja a leitura é susceptível de provocar a mudança. 

Embora ainda de forma embrionária, em Portugal esta forma de terapia complementar começa já a ganhar adeptos, como se pode ler no artigo "Biblioterapia como é que os livros curam?" de Catarina Lamelas Moura na edição online do jornal Público.

O aproveitamento da leitura para fins terapêuticos vem do tempo dos gregos e dos romanos. Ao longo da história, há relatos de médicos que utilizavam passagens da Bíblia para ajudar à cura e, ao longo do século XX, começaram a surgir os primeiros estudos nesta área. Um dos grandes impulsionadores da prática foi o filósofo Alain de Botton, que em conjunto com outros colegas, fundou, em 2008, The School of Life (...) Num dos vídeos do YouTube, que soma mais de 2,6 milhões de seguidores, é explicado em menos de cinco minutos por que é que a literatura é importante para o ser humano: “Dá-nos um leque de emoções e eventos que levaríamos anos, décadas, milénios, para sentir directamente.” Ou seja, é um “simulador de realidade” que nos permite de forma segura sentir na pele, por exemplo, como é passar por um divórcio, matar alguém e ter remorso e abandonar o emprego para fazer uma viagem à volta do mundo.
 Para saber mais sobre este assunto pode ainda consultar:

A leitura como tratamento: diversas aplicações da biblioterapia/ Geyse Maria Almeida
Biblioterapia: estado da questão/ Ana Cristina Abreu; Maria Ángeles Zulueta, Anabela Henriqes
A Historical Review of Bibliotherapy/ William K. Beatty
A leitura como função terapêutica/ Clarice Fortkamp Caldin

Leia, porque ler é um prazer!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Biblioterapia: uma abordagem do conceito

Cruzei-me há poucos dias com o termo Biblioterapia. Era completamente novo para mim e estando ligado a uma das minhas maiores paixões: o livro e a leitura, a curiosidade de o desvendar despoletou. Pesquisei em livros e revistas da especialidade e por fim recorri às novas tecnologias. Digitei a pesquisa no Google e fui analisando os resultados, seleccionei alguns dos textos encontrados e por fim mergulhei na sua leitura, a fim de compreender este conceito.

O que é então a biblioterapia?

Em 1949, Caroline Shrodes, na sua tese Bibliotherapy: a theoretical and clinica-experimental study (Biblioterapia: um estudo teorético e clínico-experimental) formulou o conceito de biblioterapia como sendo “um processo dinâmico de interacção entre a personalidade do leitor e a literatura imaginativa, que pode atrair as emoções do leitor e liberá-las para o uso consciente e produtivo.” Para a Autora, “a literatura ficcional é a mais indicada para garantir uma experiência emocional do leitor, efectivando a terapia de introspecção capaz de efectuar mudanças”.

Muitas outras definições foram surgindo ao longo dos anos, mas até à data o estudo de Caroline Shrodes continua a ser o referencial teórico básico das pesquisas sobre biblioterapia.

É no entanto ponto comum entre os vários estudos que a leitura constituiu uma forma de terapia na medida em que esta é um processo dinâmico, sempre em alteração e movimento. Ou seja a leitura é susceptível de provocar a mudança.

Mas como pode a leitura provocar mudança?

De acordo com Alice Bryan (SHRODES, 1949) “a leitura implica uma interpretação - que é em si mesma uma terapia, posto que evoca a ideia de liberdade - pois permite a atribuição de vários sentidos ao texto”. O leitor rejeita o que não aprecia e valoriza o que lhe agrada, dando vida e movimento às palavras, numa contestação ao caminho já traçado e numa busca de novos caminhos. Ou seja, o efeito terapêutico da leitura reside no seu processo narrativo/ interpretativo. Este processo permite ao leitor verificar que há mais de uma solução para o seu problema; ajuda o leitor a comparar as suas emoções com às emoções dos outros; auxilia o leitor a pensar na experiência de vida em termos humanos e não materiais; proporciona informações necessárias para a solução dos problemas, e, estimula o leitor a encarar sua situação de forma realista de forma a conduzir à acção.

Isto significa portanto, que a biblioterapia não contempla apenas a leitura, mas também o comentário que lhe é adicional. Ou seja esta terapia não consiste no simples acto de reconhecer as letras e as palavras, mas implica, a sua interpretação. É necessário transformar a mera informação em conhecimento, processo que envolve reflexão.

Citando Alberto Manguel “para chegar mais longe e de uma forma mais profunda, para ter a coragem de enfrentar medos, dúvidas e segredos ocultos, para questionar o funcionamento da sociedade, necessitamos de aprender a ler de outra maneira, de forma diferente, que nos permita aprender a pensar.”

É certo que esta terapia terá com certeza mais eficácia nos problemas de foro psicológico, porém há muito tempo é defendido que a saúde física está intrinsecamente ligada à saúde psicológica. Já desde a época de Sócrates muitos filósofos e intelectuais defendiam que não é possível curar o corpo sem primeiro curar a alma, lugar de onde tudo fluí. Sócrates defendeu que a alma deve ser tratada mediante certos conjuros, esses conjuros são os discursos belos. E estes certamente, poderão ser encontrados nos livros.

Todos podemos portanto praticar a biblioterapia para aliviar as tensões diárias. As pessoas devem familiarizar-se com o livro não apenas como um objecto de trabalho. Ele é muito mais do que isso. O leitor deve deixar que as letras formem frases significativas e encantem os momentos do seu dia. Desta forma, estará ao mesmo tempo a receber e a transmitir experiências, que o conduzirão num processo de crescimento mútuo gerado pelo efeito do encontro entre o leitor e o conteúdo do livro.
Miriella de Vocht
12 de Junho de 2009