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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, 2010
Excerto da Mensagem da directora geral da Unesco, Irina Bokova

“Este ano, a décima quinta edição do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, celebra-se no âmbito do ano Internacional para a Reaproximação de Culturas. O dia 23 de Abril dar-nos-á a oportunidade de determinar o papel atribuído ao livro num mundo em constante mudança. Os responsáveis políticos, os editores, os educadores e a sociedade civil em conjunto devem interrogar-se sobre quais as melhores formas de promover o livro, instrumento insubstituível do conhecimento.

O livro fornece-nos o conhecimento dos outros e das suas ideias, e nessa medida, permite uma melhor compreensão do universo. (…)

Os livros são simultaneamente obras de arte e ciência, e transmissores de ideias. Encarnam de modo magnífico a diversidade criadora. Conduzem ao conhecimento universal e participam no diálogo entre culturas. São instrumentos de paz. (…) ”

Tradução: Miriella de Vocht

Clique aqui para ler o texto na íntegra

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O livro electrónico: mudança de suporte ou mudança de paradigma?

Ribeiro, Fernanda, O livro electrónico: mudança de suporte ou mudança de paradigma? In Revista Portuguesa de História do Livro, ano XI, nº 22 – 2007, pp. 333-353

O livro que conhecemos tem uma existência longa e é parte integrante da vida de todos nós. É veículo de informação e de conhecimento, objecto de cultura, de trabalho e de lazer e, ao mesmo tempo, um produto que se comercializa e se fabrica em contexto industrial, afigurando-se, por isso, também, como objecto de consumo e com fins lucrativos.

Em plena Sociedade da Informação e acompanhando o desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação, o “livro” mudou de aspecto, surgindo-nos hoje como algo quase imaterial, e em permanente dinamismo, por oposição à performance estática do livro tradicional. Estamos hoje perante uma nova realidade, o chamado livro electrónico ou e-book.

Fernanda Ribeiro, professora da faculdade de Letras da Universidade do Porto, reflecte neste artigo sobre o conceito, usos e funcionalidades do livro, conduzindo-nos a uma pergunta legítima: Será que o livro electrónico é ainda um livro? Ou representa apenas uma mudança de suporte?

Leia este artigo na íntegra ou consulte outros números da Revista Portuguesa de História do Livro na Biblioteca Municipal de Arganil.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Eduardo Lourenço em entrevista à Ler

Eduardo Lourenço, ensaísta português, nasceu a 29 de Maio de 1923, em S. Pedro de Rio Seco, Almeida. Formado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, onde foi professor entre 1947 e 1953, leccionou depois em várias universidades, como a da Baía, no Brasil, e nas Universidades de Hamburgo, Heidelberg, Montpellier, Grenoble e Nice.

É conhecido pela sua constante presença na reflexão sobre os acontecimentos, a literatura e a vida, sobre Portugal e a Europa, tendo ao longo dos seus 86 anos de vida dado um grande contributo “para pôr Portugal a pensar”.

Em entrevista à revista Ler: livros & leitores nº 72 (Setembro 2008), Eduardo Lourenço faz o balanço de uma vida dedicada a ler a obra dos outros e a pensar o passado e o destino de Portugal. Da entrevista destacamos o seguinte pensamento:

«… Nós somos muito menos livres em relação à imagem do que éramos em relação ao livro. No livro a gente pode voltar atrás, andar para a frente. Também podemos fazer isso com a imagem, provavelmente, mas há sobretudo esse tempo que é transportado fisicamente pelos livros. Esse pó que fica nos livros. O pó do tempo. Nos novos instrumentos não haverá pó. É só o que lhes falta. Esse pó quer dizer o tempo, a própria essência da nossa vida.»

Eduardo Lourenço em entrevista a Carlos Vaz Marques, revista Ler n.º 72.


Se desejar ler a entrevista na íntegra visite a Biblioteca Municipal de Arganil!

Se desejar obter mais informação sobre Eduardo Lourenço visite a página oficial!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Biblioterapia: uma abordagem do conceito

Cruzei-me há poucos dias com o termo Biblioterapia. Era completamente novo para mim e estando ligado a uma das minhas maiores paixões: o livro e a leitura, a curiosidade de o desvendar despoletou. Pesquisei em livros e revistas da especialidade e por fim recorri às novas tecnologias. Digitei a pesquisa no Google e fui analisando os resultados, seleccionei alguns dos textos encontrados e por fim mergulhei na sua leitura, a fim de compreender este conceito.

O que é então a biblioterapia?

Em 1949, Caroline Shrodes, na sua tese Bibliotherapy: a theoretical and clinica-experimental study (Biblioterapia: um estudo teorético e clínico-experimental) formulou o conceito de biblioterapia como sendo “um processo dinâmico de interacção entre a personalidade do leitor e a literatura imaginativa, que pode atrair as emoções do leitor e liberá-las para o uso consciente e produtivo.” Para a Autora, “a literatura ficcional é a mais indicada para garantir uma experiência emocional do leitor, efectivando a terapia de introspecção capaz de efectuar mudanças”.

Muitas outras definições foram surgindo ao longo dos anos, mas até à data o estudo de Caroline Shrodes continua a ser o referencial teórico básico das pesquisas sobre biblioterapia.

É no entanto ponto comum entre os vários estudos que a leitura constituiu uma forma de terapia na medida em que esta é um processo dinâmico, sempre em alteração e movimento. Ou seja a leitura é susceptível de provocar a mudança.

Mas como pode a leitura provocar mudança?

De acordo com Alice Bryan (SHRODES, 1949) “a leitura implica uma interpretação - que é em si mesma uma terapia, posto que evoca a ideia de liberdade - pois permite a atribuição de vários sentidos ao texto”. O leitor rejeita o que não aprecia e valoriza o que lhe agrada, dando vida e movimento às palavras, numa contestação ao caminho já traçado e numa busca de novos caminhos. Ou seja, o efeito terapêutico da leitura reside no seu processo narrativo/ interpretativo. Este processo permite ao leitor verificar que há mais de uma solução para o seu problema; ajuda o leitor a comparar as suas emoções com às emoções dos outros; auxilia o leitor a pensar na experiência de vida em termos humanos e não materiais; proporciona informações necessárias para a solução dos problemas, e, estimula o leitor a encarar sua situação de forma realista de forma a conduzir à acção.

Isto significa portanto, que a biblioterapia não contempla apenas a leitura, mas também o comentário que lhe é adicional. Ou seja esta terapia não consiste no simples acto de reconhecer as letras e as palavras, mas implica, a sua interpretação. É necessário transformar a mera informação em conhecimento, processo que envolve reflexão.

Citando Alberto Manguel “para chegar mais longe e de uma forma mais profunda, para ter a coragem de enfrentar medos, dúvidas e segredos ocultos, para questionar o funcionamento da sociedade, necessitamos de aprender a ler de outra maneira, de forma diferente, que nos permita aprender a pensar.”

É certo que esta terapia terá com certeza mais eficácia nos problemas de foro psicológico, porém há muito tempo é defendido que a saúde física está intrinsecamente ligada à saúde psicológica. Já desde a época de Sócrates muitos filósofos e intelectuais defendiam que não é possível curar o corpo sem primeiro curar a alma, lugar de onde tudo fluí. Sócrates defendeu que a alma deve ser tratada mediante certos conjuros, esses conjuros são os discursos belos. E estes certamente, poderão ser encontrados nos livros.

Todos podemos portanto praticar a biblioterapia para aliviar as tensões diárias. As pessoas devem familiarizar-se com o livro não apenas como um objecto de trabalho. Ele é muito mais do que isso. O leitor deve deixar que as letras formem frases significativas e encantem os momentos do seu dia. Desta forma, estará ao mesmo tempo a receber e a transmitir experiências, que o conduzirão num processo de crescimento mútuo gerado pelo efeito do encontro entre o leitor e o conteúdo do livro.
Miriella de Vocht
12 de Junho de 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Lançamento do livro de Adriano Pacheco “O Rasto dos Barrões”

Vai ser lançado no dia 25 de Junho pelas 18.30, no auditório da Biblioteca Municipal de Arganil o mais recente livro de Adriano Pacheco: "O rasto dos “barrões”

Natural da Vila de Alvares no concelho de Góis, Adriano Pacheco nasceu a 18 de Janeiro de 1939. Começou a desenvolver a actividade literária aos 50 anos de idade, como colaborador da Imprensa Regional, colaborando com O Jornal de Arganil, A Comarca de Arganil e O Varzeense.

Publicou o primeiro livro “Tempestade na Alma” em 1999. A este seguiram-se “Lenda de Alvares”, “Sina do Sinhel”, “A queda do teu reino”, “O povo ratinho”, “Silvos do vento”, “Febre no Rabadão”, “Umbrais dos Penedos”, “Dez reis de gente” e mais recentemente “O rasto dos Barrões”, que foi lançado em Góis no mês de Maio.

Em “O rasto dos Barrões” Adriano Pacheco levanta "novas questões e interrogações na procura de reconstituir presente e passado mediante o recurso e o apelo à memória dos personagens." Memórias que são de acordo com as palavras da nota de abertura “o elo mais forte na consolidação da identidade do ser humano”.

Não falte, compareça ao lançamento na Quinta-feira, pelas 18.30 horas!

Excerto:

“(…) Mas o Raimundo era um rapaz decidido e a cidade não o seduzia pela sua beleza, mas sim pelas oportunidades que gerava à volta dos que queriam singrar num meio onde todos os serviços eram pagos. Apercebeu-se disso, quando se lhe deparou um homem que tinha, como modo de vida, vender água e uma mulher que apregoava fava-rica, ou alguém que engraxava sapatos, ou simplesmente fazia recados às madames, ali ao virar da esquina. Não haja dúvida, o mundo foi e será sempre dos espertos.

Para quem foi habituado a trabalhar que nem um danado, arrancar torga debaixo duma torreira de calor e fazer carvão, abastecer-se de géneros, cozinhar a sua magra refeição e dormir ao relento à beira dum forno durante a queima, mal podia entender esta vida fácil da cidade onde todos dependiam de todos e havia sempre lugar para mais um, fosse quem fosse.

Esta vida fácil feita de biscates, dava-lhe a volta ao miolo, sentiu por isso que tinha ali a sua oportunidade. (…)”

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O que seremos no Futuro?

Há dias detive-me a olhar para as estantes da sala de adultos da minha biblioteca e lembrei-me do texto de Karen M. Drabenstott e Celeste M. Burman “Revisão analítica da Biblioteca do Futuro”. O texto está já um pouco apanhado pelo tempo perspectivando no futuro mudanças que são já presente. Mas não deixa de ter interesse e a verdade é que me fez olhar as estantes com outros olhos. Sem dramatismo, é verdade, mas dei comigo a pensar, que vivemos uma época de grandes mudanças tecnológicas. O saber encerrado em todos aqueles livros, que ocupam alguns, muitos, metros de estantes, poderia estar reunido numa grande base de dados que ocuparia um espaço real mínimo. Disponível on-line estaria acessível a todos os interessados sem problemas de horário ou de acessibilidades.

Seremos as mesmas pessoas nesta biblioteca do futuro que é já presente? Faremos a mesma leitura dos textos? Ou o facto de acedermos a eles obrigatoriamente, num ambiente imerso em novas tecnologias da comunicação vai mudar a imagem cerebral que hoje construímos, ao ler em formato papel?

Poderemos pensar, afinal qual é a mudança? Neste momento já utilizo essas tecnologias, já acedo a bibliotecas digitais e ainda faço as mesmas leituras! Farei? Olhando para trás será que sou a mesma pessoa ou eu própria estou a mudar?

O contacto com as novas tecnologias pode levar-me a construir novos modelos de pensamento. Representações que antes não existiam e que passam a fazer parte do quotidiano.

Mudanças lentas, das quais não temos uma consciência muito nítida, mas que vão construindo um caminho novo que as gerações vindouras vão percorrer conhecendo-o cada vez melhor e por esse motivo tendo-o já como seu.

Entretanto o fácil acesso à informação banaliza-a, toda ela parece importante. Olhando melhor verificamos que se repete, é superficial, em muitos casos enganosa e isso representa um perigo para todos aqueles que não desenvolveram um espírito crítico e têm dificuldade em discernir entre, o que é importante e o que não acrescenta nada à sua biblioteca interior levando-os a naufragar num mar de informação que os pode aniquilar como seres pensantes transformando-os em meros receptores de informação.

Por este motivo há uma necessidade cada vez maior de saber seleccionar a informação procurando a que verdadeiramente interessa.

As grelhas de avaliação de páginas web podem ser uma boa ajuda e a sua divulgação e utilização deve passar a fazer parte do serviço de referência de qualquer biblioteca pública ou escolar.
Margarida Fróis

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Nascer a ler

Decorreu no passado dia 21 de Março a primeira sessão da actividade que a Biblioteca Municipal Miguel Torga vai desenvolver com bebes dos 0 aos 3 anos. A consciência da importância de que se reveste a criação de hábitos de leitura, desde a mais tenra idade levou-nos a pôr de pé um projecto que está a ser muito bem aceite pelos pais e que conta com a ajuda preciosa das Educadoras da Casa da Criança de Arganil.

“Nascer a Ler” é pois um projecto em que acreditamos, por vários motivos, entre os quais a possibilidade de os pais serem apoiados e aconselhados nas escolhas de livros para os seus bebes, o contacto com variados livros de literatura infantil e a prática da leitura em voz alta fundamental para que a leitura se torne um prazer para quem ouve, neste caso para que os bebes ouçam com atenção as palavras bem ditas, com uma boa dicção, num ambiente propício ao intimismo, condição necessária para que o projecto funcione.
Na sala da hora do conto da Biblioteca Miguel Torga brinquedos misturam-se com livros, os livros têm palavras e imagens coloridas que atraem a atenção dos bebes e os levam a “folhear” as suas páginas.

Com os pais, as conversas sobre leituras para eles e para os seus bebes, vão preenchendo o espaço deste fim de tarde que queremos relaxante e agradável.

Um livro, um mundo

“O mundo que se revelava no livro e o livro em si não eram nunca separáveis. Assim, em cada livro, também o seu conteúdo, o seu mundo, estavam palpavelmente lá, à mão. Mas, da mesma forma, este conteúdo e este mundo transfiguravam cada parte do livro. Ardiam dentro dele, resplandeciam dele; localizados não apenas na capa ou nas ilustrações, estavam encerrados nos títulos de capítulos e capitulares, parágrafos e colunas. Não se liam livros de ponta a ponta; vivia-se, residia-se entre as suas linhas e, ao voltar a abri-los após um intervalo, era-se apanhado de surpresa no lugar onde se tinha interrompido a leitura.”

Walter Benjamin
In: Uma História da Leitura/ Alberto Manguel

quinta-feira, 28 de maio de 2009

XVI FEIRA DO LIVRO DE ARGANIL


Arrancou hoje a XVI Feira do livro de Arganil.

PROGRAMA
Dia 28

10H00 – Abertura da Feira
10H30 – Histórias com Livros (visita das crianças à Feira)
14H00 – Histórias com Livros (visita das crianças à Feira)
21H30 – Contos ao Serão com Clara Haddad
23H00 – Fecho da Feira

Dia 29

10H00 – Abertura da Feira
10H30 – Histórias com Livros (visita das crianças à Feira)
14H00 – Histórias com Vanda Freitas da Editora 7 Dias 6 Noites
21H00 – Abertura da Exposição sobre Alves Coelho
23H00 – Fecho da Feira

Dia 30

10H00 – Abertura da Feira
18H30 – Lançamento do Livro “Maestro Alves Coelho” de Luciano Reis
23H00 – Fecho da Feira

Dia 31

10H00 – Abertura da Feira
22H30 – Encerramento da Feira
23H00 – Fecho da Feira

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Para reflectir

“Não leiais para refutar ou contradizer, para aceitar ou aquiescer, para perorar ou discursar, mas para ponderar e considerar. Certos livros devem ser provados; outros engolidos; uns poucos mastigados e digeridos. Quer dizer: devemos ler certos livros apenas parceladamente; outros incuriosamente, e uns poucos da primeira à última página, com diligência e atenção. Alguns livros podem mesmo ser lidos por terceiros, que nos farão deles um apanhado, mas isso somente no caso de assuntos desimportantes, e de livros medíocres, pois livros resumidos são como água destilada: insípidos. O ler faz um homem completo, o conferir destro, o escrever exacto. Bem por isso, se alguém escreve pouco, deve ter boa memória; se confere pouco, muita sagacidade; se lê pouco, muita manha para afectar saber o que não sabe.”

Francis Bacon, in "Ensaios Civis e Morais"

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A honra de ser leitor

Aqui não se fazem castelos no ar, não é meus alunos? Às vezes quereis, às vezes pedinchais por vossos belos castelinhos sem nenhum alicerce, belas mofinas mendes que me saís, convencidos de que a «honra» é um «brial de escarlata». Mas não, de certeza que não é assim, meus alunos. Coisas destas também as vamos aprendendo ao ler os nossos gil vicentes e camões e vieiras e garrettes e eças e camilos e até senas e ferreiras e alegres e sophias e torgas e… e…

Ler! Ora aí está. Ora aqui está outra coisa que não vos é fácil. Como vos é difícil apreender a honorabilidade de ler! A honra de ser leitor. Quem vos dera, meus queridos alunos, que ler fosse um modo de trazer coisas recortadas que basta colar para que sejam lindas. Pois assim não é. Pois não tem a banalidade fácil de um copy-paste, esse artesanato ilusivo do saber. Tendes sonhos vãos, meus alunos. O sonho de que ler fosse olhar para a bela capa de um livro, como quando olháveis para as ilustrações dos livros da infância, e, in promptu, ficar ele recortado e colado na vossa alma. Fresquinho, recente, memorado, para que dele pudésseis falar sem medo, sem defesa, sem resistência, como se fôsseis apenas um medium. Mas não.

In: Carta de uma professora aos seus últimos alunos
(texto de Maria Almira Soares)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Que futuro para o livro?

“[…] the shape of the new «knowledge media»
is still uncertain and largely undefined,
making this a time of incredible opportunity and change.”

Saunders 1993

A publicação de livros em formato digital existe desde os anos 90 do século XX, tendo vindo a desenvolver-se cada vez mais; paralelamente nascem ferramentas como, por exemplo, os e-books, pequenos computadores com o tamanho de máquinas de calcular que permitem descarregar da Internet livros digitalizados e cujo ecrã permitem uma nova forma de leitura.

A força das novas tecnologias e facilidade de publicação leva a que a produção intelectual seja cada vez maior. A internet facilita a publicação de livros pela sua condição de casa que acolhe todo o tipo de autores; por outro lado a globalidade da rede facilita o acesso.

Existem muitos autores que, voluntariamente ou por dificuldade de acesso às editoras tradicionais, encontram na Internet a possibilidade de publicar o seu trabalho. No entanto e apesar de serem cada vez mais os livros publicados em suporte electrónico, estes formatos ainda não são muito valorizados nem vulgarizados; a cultura é ainda reconhecida e tem mais visibilidade, sob a forma palpável, levando grande parte dos autores e dos leitores a optar preferencialmente pelo formato impresso. Porém, as tendências são oscilantes e existem editoras de renome com oficinas de livro virtual, e algumas revistas de grande circulação passaram a ser publicadas em formato electrónico.

De facto, a Internet alterou a indústria editorial com a possibilidade de se aceder a um livro descarregável a qualquer hora ou em qualquer parte do mundo, acessível a toda a gente, sem depender da sua reprodução em papel. Existe um pouco por todo o mundo um esforço por parte de organismos ligados à informação e cultura de transformar a Internet numa imensa biblioteca. Iniciativas como o Projecto Gutenberg ou A Biblioteca Digital Mundial disponibilizam on-line um vasto acervo documental, aproximando a informação e a cultura às pessoas. No entanto continua a ser mais fácil encontrar na internet os clássicos, cujos direitos de autor são já do domínio público, de que obras mais recentes.

Por enquanto o formato impresso sobrepõe-se ao digital. Até quando? Serão eles complementares? De um lado, a partilha do conhecimento numa rede global potencialmente gratuita, do outro, os direitos de autor e as razões económicas. No entanto, a produção de livros digitais, é para já pouco relevante. As pessoas não perderam ainda o gosto pelo papel, pelo cheiro dos livros, nem deixou de ser apreciada a sua existência física. O prazer de ler está estritamente ligado com o manusear e folhear do livro como tradicionalmente o conhecemos.

Ao longo dos tempos o livro sofreu alterações quanto ao suporte, mas identificou-se sempre como objecto material e intelectual que possui em si uma unidade. O texto electrónico revoluciona as percepções, as estruturas de suporte da cultura escrita e sobretudo as práticas de leitura. As obras, frequentemente deixam de ser vistas como um todo, a leitura facilmente passa a ser descontínua e fragmentada o que perturba esta prática e pode levar à adulteração da obra literária como criação artística.

É certo que o livro electrónico e o impresso irão coexistir durante muito tempo, tal como aconteceu com o livro manuscrito e o impresso. A questão que fica no ar, é Qual o futuro do livro? Até quando sobreviverá o livro como tradicionalmente o conhecemos?

Miriella de Vocht


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