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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Reggae jamaicano é Património Imaterial da Humanidade

Foi hoje inscrita na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade a música reggae jamaicana.

De acordo com um comunicado divulgado hoje, a UNESCO destacou "a contribuição" desta música para a consciência internacional "sobre questões de injustiça, resistência, amor e humanidade".

O reggae "preserva toda uma série de funções sociais básicas da música - sujeita a opiniões sociais, práticas catárticas e tradições religiosas - e continua a ser um meio de expressão cultural para a população jamaicana como um todo", sublinha-se no mesmo comunicado.

Bob Marley and The Wailers foram os ícones mais importantes e influentes da música jamaicana e da sua difusão pelo mundo.

Se pretende saber mais sobre este tema consulte:
Na Biblioteca Municipal de Arganil temos disponíveis:

DVD Marley Magic Live in Central Park at Summerstage (1996)
DVD Catch a Fire
No women no cry: a minha vida com Bob Marley
De Rita Marley com Hettie Jones
Cruz Quebrada: Casa das letras, 2006

quarta-feira, 21 de março de 2018

Dia Mundial da Poesia 2018


Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Poesia

A data foi instituída na 30ª Conferência Geral da UNESCO a 16 de novembro de 1999. 

No Dia Mundial da Poesia celebra-se a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação. Neste dia convidam se as pessoas a fazer uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas de cada pessoa, e sobre a forma como a poesia contribui para a percepção e compreensão do mundo.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Feliz Dia Internacional da Mulher


O Dia Internacional da Mulher foi instituído em 1910, na Dinamarca, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, embora só tenha sido oficializado pela ONU em 1975. 

A instituição desta data foi precedida por mais de 100 anos de luta por direitos de igualdade. 

No final do século XIX as mulheres começaram a sair à rua para pedir mais direitos. Organizações femininas dentro dos movimentos operários protestavam contra as 15 horas de trabalho diárias e os salários baixos. 

As origens do Dia Internacional da Mulher chegam a 1857. A 8 de março um grupo de trabalhadoras da indústria têxtil organizou uma marcha em Nova Iorque para exigir melhores condições de trabalho e direitos iguais para homens e mulheres. 51 anos depois, a 8 de março de 1908, um outro grupo de trabalhadoras em Nova Iorque escolheu a data para avançar para uma greve, homenageando as antecessoras. Lutavam pelo fim do trabalho infantil e o direito de voto. 

O primeiro dia consagrado às mulheres e aos seus direitos surgiu um ano depois, assinalando essa greve. Nos Estados Unidos, a 28 de fevereiro de 1909, o Partido Socialista da América instituiu o Dia Nacional da Mulher. No ano seguinte, na Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910, em Copenhaga, na Dinamarca, foi aprovada uma resolução que propunha seguir o exemplo norte-americano, dando-lhe um carácter universal. O Dia Internacional das Mulheres nasceu aí e as comemorações foram-se estendendo pela Europa, até que em 1975 a efeméride foi oficializada pela ONU, passando a ser assinalada anualmente, a 8 de Março.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O homem das castanhas

Na Praça da Figueira,
ou no Jardim da Estrela,
num fogareiro aceso é que ele arde.
Ao canto do Outono,à esquina do Inverno,
o homem das castanhas é eterno.
Não tem eira nem beira, nem guarida,
e apregoa como um desafio.

É um cartucho pardo a sua vida,
e, se não mata a fome, mata o frio.
Um carro que se empurra,
um chapéu esburacado,
no peito uma castanha que não arde.
Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado
o homem que apregoa ao fim da tarde.
Ao pé dum candeeiro acaba o dia,
voz rouca com o travo da pobreza.
Apregoa pedaços de alegria,
e à noite vai dormir com a tristeza.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor p'ra casa.

A mágoa que transporta a miséria ambulante,
passeia na cidade o dia inteiro.
É como se empurrasse o Outono diante;
é como se empurrasse o nevoeiro.
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
ardem no fogareiro dores tamanhas.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais amor p'ra casa.

O Homem das Castanhas – letra de José Carlos Ary dos Santos, 
música de Paulo de Carvalho, 
interpretação de Carlos do Carmo.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Tempo para a poesia XIX

Letra de Fernando Araújo Muralha, música de Ferrer Trindade
In: A Comarca de Arganil nº 3639 (09.05.1950), p. 2

(clique sobre a imagem para aumentar)

quarta-feira, 15 de março de 2017

Serão dos amigos de ler dedicado à palavra "Vento"



Poemas e música apresentados pelo autor, Eduardo Gonçalves, 
no serão dos Amigos de Ler, no dia 13.03.2017

“Amigos de Ler” é um clube de leitores livres e apaixonados pelas suas leituras. Reunimos-nos na segunda segunda-feira do mês, às 21:00 horas, na Biblioteca Municipal de Arganil | Miguel Torga, com os mais variados pretextos – uma ideia, um autor, uma cor, uma página... Memórias dos textos que temos lido. Com chá, licores e muitos livros em cima da nossa mesa.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Celebrar a música com poesia


O Dia Mundial da Música - 1 de Outubro – foi instituído em 1975, pelo Internacional Music Council, organização fundada pela UNESCO, sob proposta do grande músico e violinista Yehudi Menuhin.
Nesta data enaltece-se o valor da música e destaca-se o seu papel na promoção da paz e da amizade.

Não queremos deixar de assinalar esta data pelo que fizemos uma selecção de poemas em que a música tem um papel de destaque.

Ode à música

Melodia, melodia…
Como é simples e tu vens!
Como nasces da harmonia
Das formas que nunca tens!

Como vive a eternidade
Na fugidia presença
Da tua realidade
Irreal logo à nascença!

Não se vê quem te levanta
Nem quem tece o teu destino;
Mas alguém te desencanta,
Te revela e te faz hino
Do nosso amor, melodia!

Vai cantando!
Vai passando e vai durando,
Asa branca deste dia!

                                 Miguel Torga in Poesia Completa

Música

Vem do salão a música discreta
de Schubert… É velhíssimo o piano,
mas sinto nele um não sei quê de humano…
Serão as teclas rimas de um poeta?

E à sombra azul que o «abat-jour» projecta
e tudo veste de mistério e engano,
eu penso, comovido: há quanto ano
se ouviu, nele, o primeiro, a «Incompleta»?!

Quanta voz se prolonga assim no mundo!
Tanta harmonia esparsa pela vida:
- sonho de náufrago que vai ao fundo!

Quem sabe se o regresso dessa voz
é a música vaga, indefinida,
Que nós ouvimos quando estamos sós…

                              Adolfo Simões Muller in Moço, bengala e cão

 Homenagem a Chopin

Como é profundo!
O poeta músico no seu mundo.

Prelúdios, mazurkas, nocturnos,
Dão-nos momentos profundos.

No seu piano toda a melodia é um encanto,
Chopin foi sem dúvida um romântico.

Escuta e sente a melodia,
Chopin poeta de alma dorida

Saudades da sua terra,
Da Polónia veio para a França por causa da guerra.

Chopin queria ser feliz,
Escreveu as suas valsas em Paris.

Chopin poeta do tristemente belo,
Sua alma é do céu e não do inferno.

                                     José Maria Castro Ribeiro in Mais-Valia

Músico ambulante

Tocar é o seu destino.
Toca mal, com as pobres mãos doridas
De velhice e miséria.
Mas que importa? Tocar é o seu destino,
Tocar é uma coisa muito séria.
É velho e toca violino.

Passa na minha rua ao pôr-do-sol,
e quando a tarde é calma,
pára e abre a porta da gaiola
ao trémulo e cansado rouxinol
que tem na alma.

O cego toca violino
e não sei que mundos ouve
nesse estranha dissonância,
mas no seu rosto há destino
mas no seu rosto há distância
quando toca violino.

                                   Fernanda de Castro in 70 anos de poesia

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Evocar José Afonso 25 anos após a sua morte

Do homem para quem um amigo era "maior que o pensamento" ficaram mais do que belas canções. Vinte e cinco anos depois da morte, o cantor que se tornou um símbolo da revolução de Abril ascendeu ao estatuto de lenda. A mensagem política superou o músico e o poeta.

José Afonso foi juntamente com Adriano Correia de Oliveira, um dos mentores da canção de intervenção em Portugal; para além de ser um autor-intérprete notável, soube conciliar a música popular portuguesa tradicional com a palavra de protesto.
Zeca Afonso é admirado não só pela sua música mas também pela sua personalidade e forma como procurou estar na vida. "Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia-a-dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão, seja a que nível for".
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, que ficou conhecido por Zeca Afonso, nasceu em Aveiro a 2 de Agosto de 1929. Depois de ter passado por Angola, Moçambique e Belmonte, fixou-se em Coimbra, onde frequentou a Faculdade de Letras e integrou o Orfeão Académico de Coimbra e a Tuna Académica da Universidade.

Paralalamente à actividade musical, desempenhou funções de professor.

Entre 1964 e 1985 gravou 15 álbuns.
 
José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987, aos 57 anos, em Setúbal, onde morava. Sofria de esclerose lateral amiotrófica, doença neurodegenerativa progressiva e fatal que o afastou dos palcos a partir de 1983.

Na Biblioteca Municipal de Arganil pode recordar esta grande personalidade portuguesa escutando a sua música ou lendo os seus textos e canções.

Para saber mais consulte: http://www.aja.pt/

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Os livros vistos por Caetano Veloso

Do disco “Livros” editado em 1998, vencedor de um Grammy na categoria World Music.

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.

Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ¬ o que é muito pior ¬ por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:

Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.