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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Tempo para a poesia XXXIII



Primavera

Evapora-se a noite grávida
de sombras cativas na escuridão
que fugira da serra com vida
acordando as flores por condão

o leve amanhecer do sol era o farol
no novo falar da nova manhã
em que os galhos das árvores com sede de sol
choravam comovidos de uma forma pagã

no curvo beiral da Primavera
os xistos esmagados pelo céu azul
cercados de humidade antiga e hera
brilhavam nas encostas viradas a sul

no mundo da serra os recortes verdejantes
juntaram nessa manhã toda a passarada
a cantar poemas reciclados mutantes
e velhos como o tempo em desgarrada

toda a vida carregava mais vida
e cada vida trazia mais pujança
na servidão de uma palavra consumida
na Primavera que é sinónimo de esperança

Jaime Lopes in Barco de Memórias

sexta-feira, 18 de março de 2016

Anunciando a chegada da Primavera com poesia (V)

Primavera

É primavera agora, meu Amor!
O campo despe a veste de estamenha;
Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto, todo em flor!

Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
Da vida… não há bem que nos não venha
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!

Também despi meu triste burel pardo,
E agora cheiro a rosmaninho e a nardo
E ando agora tonta, à tua espera…

Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos…
Parecem um rosal! Vem desprendê-los!

Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...

Florbela Espanca in Poesia 1918-1930

quinta-feira, 17 de março de 2016

Anunciando a chegada da Primavera com poesia (IV)

(Lisboa: Editora LG, 1998)

Primavera

Olha o Sol que meigo está!
E como beija as olaias
Quem parecem tuas aias,
Esperando que saias de casa!...

Aquece; mas não abrasa…
E faz sair dos abrigos
Aves e insectos. E os trigos
Como são verdes e riem!

A serra até se espreguiça;
E abre os braços ao sol!
- Tocaram sinos à missa –
Mas o céu é manso e mole;
Pra que os pastores assobiem
E se oiçam na distância…

… Olho teu rosto; a infância
Dos teus olhos me sorri
E a tua boca seduz…

Primavera!
Primavera!...

Como nos beija esta Luz!

                                             Francisco Bugalho in Poesia

quarta-feira, 16 de março de 2016

Anunciando a chegada da Primavera com poesia (III)

Ode Primavera

Em Março surge a leda madrugada
do advento solar da Primavera,
bênção do Sol à Terra despertada
depois do frio Inverno que lhe dera

Bênção do Sol à Terra Mãe vestida
de múltiplos floridos e verdura,
noiva eterna no altar da vida
num amoroso ciclo que perdura

Beijos de luz o Sol à Terra envia
através dos seus raios fecundantes,
que transformam a térrea face fria
em pomar de promessas deslumbrantes!

Oh luzes da manhã abençoada
P’la Primavera que nos dá esp’rança,
uma esp’rança bela, renovada,
que nos envolve o riso de criança
e nos perfuma a alma serenada,
quer tenhamos ou não a confiança!

Como a noite que volve madrugada,
de nós morremos
e renascemos
em cada despontar da alvorada
e novo sonho,
belo, risonho,
nos devolve a esp’rança foragida,
que por encanto,
num meigo canto,
nos reanima a alma para a vida!

Só o corpo, que morre, envelhece
e nos adunca,
mas não, ou nunca,
a nossa alma quando se engrandece
com infinito
Amor convicto!

Oh luzes da manhã abençoada
p’la Primavera que nos dá esp’rança,
uma esp’rança bela, renovada,
que nos devolve o riso de criança
e nos perfuma a alma serenada,
quer tenhamos ou não a confiança!

Vieira de Barros in Este Sol que nos aquece

terça-feira, 15 de março de 2016

Anunciando a chegada da Primavera com poesia (II)

Equinócio da Primavera

Da noite a aragem, tépida refrescando vem
surpreender as luzes, que interiores, se apagam
lentamente, uma após outra, como em madrugada
ao longe as luzes de outra margem – rio
descido pelas águas tenuemente crespas,
sombras passando, e escorre matutina,
ainda sem brilho, a vibração das águas,
enquanto rósea apenas de uma aurora ausente
a crista das montanhas reverdece.

Por sobre a plácida e pensante aragem física
das violações diurnas, de amarguras,
vilezas vistas e traições sonhadas,
notícias de jornal e desafios,
guerra eminente ou, mais que dolorosa,
cravada nas imagens de uma paz sombria,
perpassa a noite véus de primavera,
glicínias que amanhã estarão floridas,
e folhas verdes, muito frágeis, tenras,
e o azular-se o mar, o distanciar-se o céu
na crua luz que juvenis sorrisos,
traços ligeiros de alegria funda,
devora lentamente, e as rugas ficam..
– ao longe as luzes de outra margem, rio
onde a noite se esconde até à morte.

Jorge de Sena in Poesia - I

segunda-feira, 14 de março de 2016

Anunciando a chegada da Primavera com poesia (I)


Soneto da Primavera

Nos bosques, nas florestas, na devesa
A Primavera esbanja a luz gloriosa,
Que cintila por toda a Natureza
E a alaga em ondas de maré radiosa.

Rejubilam as águas da repesa,
Em amena cantiga descuidosa,
E os jardins engrinaldam-se em beleza,
Numa ressurreição maravilhosa.

Exultação do Sol omnipotente
E criador do verme e da semente,
Espírito imortal do verbo ser.

E dos astros à mais rasteira planta,
Tudo num esto de alegria canta,
Numa ansiedade imensa de viver.

Afonso de Castro in Antologia Poética