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segunda-feira, 4 de junho de 2018

"Saudades..."


Tenho fome dos sorrisos de sol a iluminarem-me a brancura da pele e da preguiça do vento a agitar a folhagem ao lusco-fusco de um fim de Junho quente, embalando os afazeres esvoaçantes dos pássaros antes do recolher. Das falaças e gargalhadas das gentes, que, de ferramentas ao ombro e cestas à cabeça, enchiam os caminhos por entre pinhais e veredas a cheirarem a erva fresca. Da embriagante languidez do entardecer, espraiando-se sob os campos de trigo doirado, quase maduro. Dos dias cálidos a prometerem sinfonias de grilos, de cigarras, de ralos e de rãs noites adentro. Tenho saudades do bailado ondulante das borboletas na Primavera, beijando todas as flores e do verde fluorescente dos luzecus na parede do meu quintal. Dos gafanhotos saltitantes que me deliciava a tentar apanhar nas ervas secas junto à eira onde se malhava o centeio e se estendia o milho ao sol. Tenho ainda frescos na memória, os lírios que enfeitavam o jardim abandonado, em frente à casa alta de xisto da prima Augusta, na mesma rua da minha avó e em cujo telhado de lajes quentes, me sentava junto dela e me demorava a ouvir as suas histórias de encantar, que me contava por entre costuras de dedal e agulhas difíceis de enfiar.
Lembro-me das dálias rubras sem canteiro, nascidas da terra, junto ao corrimão das videiras. Das tangerinas que salpicavam o chão de cor-de-laranja em volta da tangerineira e das outras que colhíamos com a escada da azeitona. Dos abrunhos de frança junto à passagem da casa, a pingarem de mel... das abelhas gulosas e da bilha de barro onde se guardava a água fresca que nos matava a sede quando em tardes de trabalhos intermináveis e longe das nascentes onde bastava pousar os lábios sobre a água corrente da levada.
Tenho saudades dos enfeites e das festas, da música e do largo cheio de alegria e de gente...!


Texto da autoria de Cleo (Lurdes Dias), 
natural da aldeia de Pai das Donas

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Pedaços de ontens


De vez em quando, coisas despropositadas a povoarem-me a memória. Restos de colecção de tempos de outrora a intrometerem-se e a misturarem-se com as coisas de agora. Não roupas nem móveis. Episódios longínquos e inconformados, porque atirados ao vão do esquecimento. Por exemplo, uma cesta de verga à cabeça de uma mulher, tapada com um pano de xadrez branco e encarnado a surgir lá ao longe no caminho em que fetos altos a engolirem-lhe o corpo. Apenas a cesta apoiada na rodilha de trapos e à medida que se aproximava, uma nuvem invisível com cheiro a guisado a poluir o aroma dos pinheiros. Seria perto do meio-dia, porque ao meio-dia horas de almoço para quem ao romper da aurora se tinha já feito ao caminho. Isto, porque o lugar onde as heranças das terras de cultivo, perto das nascentes da serra numa fartura de águas porque as sementeiras e o renovo a carecerem de amiúdes regas, mas, está visto, que distantes das casas da aldeia. Portanto, meio dia de trabalho no corpo e sonoros roncos a protestarem do vazio do estômago. De maneira que, chegada a cesta, um outro ânimo a iluminar o rosto onde o suor em bica e que um lenço puxado do bolso se apressava em limpar. Toalha estendida no chão de uma assentada de sombra e coisas que se tiravam da cesta a encherem-na de farturas variadas para além do guisado de bacalhau que já se havia antes anunciado. E num instante, todos sentados de roda do farnel e entre uma garfada e um pedaço de broa molhado no molho cor de laranja por causa do colorau, uma estória ou uma chalaça a puxar o riso fácil de quem, para ser feliz, não precisava de muito mais que a dureza da vida herdada de geração em geração desde tempos ancestrais. Não conheciam nem ambicionavam outra visto que aquela já lhes ocupava a quase totalidade da existência. Aliás, a história do "Corecho" que a minha avó me contava vezes sem conta, era um bom exemplo disso mesmo - nem tempo para arranjar uma esposa o pobre do homem tinha - pois que da sementeira até à recolha do renovo, era uma trabalheira que ninguém fazia ideia! Ele era o sacho, a assenta e a rega... os molhos de mato para os currais onde o estrume... a azeitona... as batatas... as videiras... os feijões e o milho...

Texto da autoria de Cleo (Lurdes Dias), 
natural da aldeia de Pai das Donas

terça-feira, 11 de março de 2014

No ano Internacional da Agricultura Familiar planifique a sua horta

2014 foi proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas como o Ano Internacional da Agricultura Familiar com o objectivo de garantir a alimentação, o bem-estar, combater a pobreza e proteger a biodiversidade.

A Agricultura Familiar inclui todas as actividades agrícolas de base familiar e está ligada a diversas áreas do desenvolvimento rural. 

Este tipo de agricultura é importante a nível ambiental, socioeconómico e cultural. A agricultura familiar e de pequena escala estão intimamente ligadas à segurança alimentar mundial e contribui para a preservação de alimentos tradicionais, bem como para uma alimentação rica e equilibrada. Este tipo de agricultura é também importante para combater a fome e a pobreza e contribui para o desenvolvimento sustentável.

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A Primavera está a chegar e com ela os dias mais longos propícios a actividades ao ar livre, tais como a jardinagem e a agricultura.

Assim aproveitamos a ocasião para destacar alguns livros que poderão ajudar o leitor a planificar a sua horta, aproveitando o espaço, o tempo e os recursos disponíveis, decidindo sobre o que plantar e que actividades desenvolver no processo de cultivo.



Muitos são os processos de cultivo das plantas desde a simples sementeira às estacas de caule ou raiz, à enxertia, à divisão. De todos eles nos dá conta, completa e pormenorizadamente o “ABC do cultivo das plantas” da autoria de H. G. Witham Fogg.





Este manual fornece a todos os agricultores os conhecimentos técnicos básicos necessários ao desenvolvimento da agricultura, abordando aspectos tais como o clima, o solo, a fertilização e a calendarização hortícola. 







Se gostava de ter uma horta mas não sabe como começar, este livro indica-lhe o processo, apresenta-lhe os fundamentos para uma horticultura bem sucedida e ensina-lhe a decidir o que plantar, a planificar a horta, a cavar e a amanhar, a fertilizar e a regar, entre outros. 






Neste livro o horticultor encontra a indicação, para cada mês do ano, de quais as espécies hortícolas e variedades que deverá plantar e os melhores processos de o fazer, no sentido de obter os melhores resultados em quantidade e qualidade.






Este manual foi concebido a pensar naqueles que, dispondo apenas de alguns metros de terreno, estão interessados em iniciar o cultivo de uma pequena horta ou em melhorar a que já têm. Nele o leitor encontra informações de carácter geral sobre a laboração do terreno, assim como informações detalhadas sobre as várias famílias de plantas hortícolas.



Aceda ao catálogo em linha das Bibliotecas do Concelho de Arganil para saber que outros livros temos sobre esta temática!

Para saber mais sobre o Ano Internacional da Agricultura Familiar consulte:



Leia, porque ler é um prazer!