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terça-feira, 24 de junho de 2014

Contar histórias


Contar histórias. O seu poder não deve ser esquecido. A narração de histórias tem sido, talvez, o mecanismo mais vital na transferência de conhecimentos desde que os humanos desenvolveram a linguagem. 

A invenção da escrita, da imprensa, do processamento automatizado de informação e a proliferação de computadores e da Internet colocaram à nossa disposição novos métodos para aceder ao conhecimento, mas não inviabilizam ou tiram importância ao poder da narração.

As crianças gostam de ouvir histórias e a expressão “Era uma vez…” continua a ser uma fórmula mágica capaz de despertar a atenção e a vontade de descobrir o que acontecerá a seguir.

A leitura de histórias gera expectativas diversas, tais como entretenimento e encantamento, e as histórias, em particular os contos de fadas, são valiosas para ajudar as crianças a lidar com os seus conflitos internos e para a transmissão de valores universais.

Para além destas razões, outras se podem enunciar para atestar a importância da narração de histórias: 
  • As histórias motivam, desafiam e são agradáveis, podendo contribuir para desenvolver atitudes positivas; 
  • As histórias são um exercício para a imaginação. As crianças podem envolver-se na história na medida em que se identificam com as personagens e tentam interpretar a narrativa das ilustrações. A ligação entre a fantasia e a imaginação é também um estímulo para o desenvolvimento da criatividade. 
  • A narração de histórias para grupos ou em contexto de aula oferece a partilha de uma experiência social. O enredo provoca reacções como riso, tristeza, excitação e antecipação, para além de proporcionar um agradável momento de lazer, podendo ajudar a reforçar a confiança da criança e encorajar o seu desenvolvimento social e emocional. 
  • As crianças gostam de repetição. De ouvir vezes e vezes a mesma história. Esta repetição ajuda a desenvolver a linguagem e a capacidade de memorização, bem como de antecipação, encorajando a participação na narrativa. 
  • Ouvir histórias ajuda as crianças a tomar consciência do ritmo, entoação e pronunciação da linguagem. 
  • Os livros de história espelham o ambiente e a cultura dos seus autores, providenciando assim oportunidades ideais para apresentar informação cultural e encorajar o entendimento intercultural. 
Por tudo isto não devemos esquecer o poder da narração de histórias! A narração de histórias deve ser uma prática regular cheia de magia e encantamento, em que todos independentemente da idade podemos mergulhar!

Leia, porque ler é um prazer!

Bibliografia consultada:

FERRAZ, Marta Maria Pinto - Literatura na escola: os contos maravilhosos, contos populares e contos de fadas. [Em linha]. São Paulo: SPLeituras, 2012. [Consult. 12 Jun. 2014]. Disponível em www:http://www.aprendersempre.org.br/arqs/contos_maravilhosos.pdf

ELLIS, Gail; BREWSTER, Jean - Tell it Again! The Storytelling Handbook for Primary English Language Teachers [Em linha]. [S.l.]: British Council, 2014. [Consult. 24 Jun. 2014]. Disponível em http://www.teachingenglish.org.uk/sites/teacheng/files/D467_Storytelling_handbook_FINAL_web.pdf
ISBN 978-0-86355-723-1

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Algumas considerações sobre os Contos de Fadas

Ouvir histórias é um acontecimento tão prazeroso que desperta o interesse das pessoas em todas as idades. Se os adultos adoram ouvir uma boa história, a criança é capaz de gostar ainda mais, já que a sua capacidade de imaginar é mais intensa. Uma boa história pode levar a criança ao fundo do mar, acima das nuvens, a países distantes, ao futuro e ao passado.

Todos nós, em algum momento da nossa infância, já vivemos sob os encantos dos contos de fadas ou dos contos maravilhosos. Eles existem há milhares de anos, em diversas culturas e continentes. De acordo com Márcia Kupstas, autora de Sete faces dos contos de fadas, os contos de fadas são de origem celta e surgiram como poemas que revelavam amores estranhos, fatais e eternos. Por volta do século II a.c até o século I da era cristã, o povo celta acrescentou, a tantas histórias bem antigas, a presença forte das fadas, que seriam mulheres iluminadas capazes de prever o futuro de outra pessoa, normalmente alguém especial a quem elas protegiam. A partir do século XVII, essas narrativas foram sendo reunidas e recontadas por escritores, como Perault, La Fontaine e os irmãos Grimm, que lhes deram um estilo mais elegante e as traduziram da tradição popular para como as conhecemos hoje.

Os contos de fadas pertencem ao mundo dos arquétipos, são míticos, simbólicos, e mantêm uma estrutura fixa e simples. Histórias claras e personagens bem definidos fazem com que este género de literatura atinja facilmente a mente da criança, entretendo-as e estimulando a sua imaginação, contribuindo assim para a formação e a transformação da sua personalidade. Os contos de fadas têm não só importância em contexto educativo, mas também no desenvolvimento psico-emocional da criança. Através das suas personagens boas e más, dos obstáculos que estas enfrentam e os desfechos nem sempre felizes as crianças começam a perceber o mundo em que estão inseridas.

Na verdade os contos de fadas, as fábulas, os mitos e outros, deixaram de ser vistos como fantasias, para serem pressentidos como portas que se abrem para verdades humanas ocultas. A par da sua componente lúdica e mágica, os contos de fadas falam de amor, de abandonos, de esquecimentos, de morte. De situações que vivemos na realidade e isso incentiva uma reflexão sobre os desafios que temos que enfrentar no dia a dia.

Sendo tão fascinantes, os contos de fadas, abrem as portas para a compreensão do mundo através dos olhos dos autores e da vivência fantástica das personagens. É neste sentido que eles podem conter elementos decisivos para a formação da criança em relação a si mesma e ao mundo à sua volta.

De acordo com Bruno Bettelheim autor da obra Psicanálise dos contos de fadas não cabe ao adulto que conta modificar a história retirando lhe detalhes violentos ou aterrorizantes, tal como não lhe cabe inculcar na criança a sua interpretação. Isso seria destruir o encantamento da própria história e à criança "roubar-lhe a oportunidade de sentir que ela, por sua própria conta, através de repetidas audições e de ruminar acerca da história, é capaz de enfrentar com êxito uma situação difícil."

Miriella de Vocht

Se quer saber mais sobre esta temática consulte:

BETTELHEIM, Bruno - Psicanálise dos contos de fadas. 4ª ed. Venda Nova : Bertrand, 1991. 421 p. ISBN 972-25-0017-1

Oliveira, Patrícia Sueli Teles de – A Contribuição dos contos de fadas no processo de aprendizagem das crianças. [documento em linha] Disponível em:

FARIAS, Francy Rennia Aguiar de; RUBIO, Juliana de Alcântara Silveira - Literatura Infantil: A contribuição dos contos de fadas para a construção do imaginário Infantil.[documento em linha]