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sábado, 3 de março de 2018

Amor


Não me proponho dissertar sobre o tema. Amor é o título que Teresa Nunes deu à sua terceira apresentação de desenhos, expostos, até final de fevereiro, no átrio da Biblioteca Municipal Miguel Torga. 

O homem exprime-se através da arte desde os tempos mais remotos. 

A arte é comunicação. Comunica até o incomunicável. 

Teresa Nunes perante folhas em branco fez surgir vários desenhos. São o espelho de qualquer coisa: de si própria, de um estado de espírito ou simplesmente a procura de um caminho. 

Todos somos habitados por uma ou outra quimera. Afastá-las nem sempre é fácil. Há que amansá-las e conviver com elas. Ousar a magia de convertê-las em arte, qualquer que ela seja, talvez signifique libertação ou a aventura de um sentido para um labirinto de ideias. 

Ninguém está completamente seguro do percurso a seguir, nem das escolhas a fazer. Por vezes a arte percorre vias sinuosas que nem o autor sabe explicar. Nem precisa. 

Nas duas primeiras exposições Teresa Nunes construiu um diálogo inquietante e viajou pelo interior do seu próprio mundo. 

Desta vez colocou em cada traço uma linguagem única: a do amor. 

Parece-me estar perante uma renovação, uma metamorfose e crescimento. 

A arte pode ser um consolo para a mente. 

A busca de novas fontes de inspiração resulta, quase sempre, da escutação e observação do que nos rodeia. São os fios condutores de um esboço moldado no silêncio da alma. Depois de interiorizada e retocada a imagem surge a qualquer momento. 

Um dia Miguel Torga após visitar uma exposição de arte disse: 

Não vou muito mais rico. Levo praticamente o que trazia. Um quadro não muda um homem. Falta às artes plásticas a graça da palavra. Impressionam mas não dizem. Não implicam o esforço conjunto de todas as nossas faculdades. 
Num verso sim, se é genial há nele uma carga emotiva e um fascínio intelectual tão denso e coerente que pode virar o leitor do avesso… 

Talvez entenda a linguagem de Miguel Torga por também ser mais de palavras do que de artes plásticas, mas acredito na força da imagem, na sua beleza e na intensidade emocional que algumas nos podem transmitir. 

A interpretação da linguagem de qualquer processo criativo é um desafio à imaginação e à inteligência. 

Em cada um dos desenhos de Teresa Nunes pode existir toda uma história. Uma comunicação que foge às palavras. Um apelo aos sentidos de quem observa. 

Entrar pela porta do amor exige sempre ousadia. 

A autora está, em crescendo, a acreditar nela própria. Atitude fundamental e indispensável para uma abertura à criatividade. 

O caminho faz-se caminhando. O segredo é não desistir. 

Maria Leonarda Tavares 

Visite a exposição "Amor" de Teresa Nunes na Biblioteca Municipal Miguel Torga

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O fogo na floresta

O fogo na floresta

Adormecidas paisagens
Sombras de nostalgia;
Os mortos não são viagens
Nem os silêncios magia.

Trágica contemplação
Os sentidos vagabundos;
Olhos rasos de emoção
E os campos moribundos.

Assaltaram as serras
Maus ventos em chama
Arderam pessoas e terras
Secou a água, ficou a lama.

O negro veste os valados
A alma coberta de urtigas;
Nos penedos nús e calados
Já não se ouvem cantigas.

Carlos Maia Teixeira

O Fogo na Floresta, poema da autoria do Dr. Carlos Maia Teixeira, serve de introdução ao catálogo da exposição “Pintura solidária” e transmite em palavras simples a dor que ficou depois dos incêndios do dia 15 e 16 de Outubro.

A exposição “Pintura Solidária” é uma feliz iniciativa da Editorial Moura Pinto que chega até nós pela mão do artista benfeitense Carlos da Capela e do Presidente daquela Associação o Dr. Carlos Maia Teixeira, com a colaboração da Câmara Municipal de Arganil.

O que faz desta exposição algo muito especial é o facto de o valor da venda dos quadros reverter inteiramente a favor das Comunidades afectadas pelos recentes incêndios que destruíram 92% da área florestal do concelho de Arganil, destruíram casas e levaram várias pessoas à morte.

Composta por 18 quadros de vários artistas ligados ao ATELIER 26 no Porto, a exposição está patente até dia 30 de Novembro em dois locais distintos: Biblioteca Municipal de Arganil – Miguel Torga e Biblioteca Alberto Martins de Carvalho em Côja.