Mostrar mensagens com a etiqueta sociedade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sociedade. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Sala Jovem: Temas atuais

Ao longo de 2019 muitas foram as aquisições de livros para a Sala Jovem da tua Biblioteca. Ficção de autores portugueses e estrangeiros não tem faltado. A par dos romances, thrillers, policiais entre outros, tem também havido a preocupação de enriquecer o fundo documental com livros cujo conteúdo remete para os temas em destaque na atualidade. 

Aqui fica a apresentação de alguns desses livros:

ADICHIE, Chimamanda Ngozi - Todos devemos ser feministas
3ª ed. Alfragide : Dom Quixote, D.L.2017.
ISBN 978-972-20-5743-1


Neste ensaio pessoal - adaptado de uma conferência TED - Chimamanda Ngozi Adichie apresenta uma definição única do feminismo no século XXI. A escritora parte da sua experiência pessoal para defender a inclusão e a consciência nesta admirável exploração sobre o que significa ser mulher nos dias de hoje. Um desafio lançado a mulheres e homens, porque todos devemos ser feministas.

Fonte: contracapa do livro

YUN, João Lin - Como arrefecer o planeta
1ª ed. Lisboa : Presença, 2008
ISBN 978-972-23-3955-1
Nos últimos tempos tem-se assistido ao debate em torno do planeta Terra, da sua sustentabilidade e preservação num futuro próximo. (…) João Lin Yun faz uma análise ao equilíbrio da Terra e à sua relação com o sol em termos energéticos, aborda o efeito de estufa, o papel regulador dos oceanos e aponta soluções como reduzir as emissões sem parar a economia, reflorestar, o recurso a novas fontes de energia e sugestões para arrefecer o planeta. O autor termina com os riscos que Portugal já está a sofrer e como irá sair afectado com o aquecimento e conclui com um capítulo onde incentiva a reflexão e mudança de postura de cada um de nós. Uma obra vital e incontornável para o bem-estar e continuidade de todas as espécies.

Fonte: contracapa do livro
MELO, Rui - O poder dos adolescentes, o poder das escolhas. 
2ª ed. Lisboa : Guerra & Paz, 2017
 ISBN 978-989-702-333-0
Estar na adolescência é como ser turista numa das fases da vida. Só que esta em que estás é a mais especial de todas. Tu tens o poder das escolhas. Sabes o que queres para ti? E o que não queres? Este livro vai ajudar-te na maravilhosa aventura de descoberta do teu caminho.
Encontra os poderes da sensibilidade, do desejo, da coragem, da palavra, do elogio... e tantos outros que podem tornar a tua vida melhor.
Os teus pais e avós já foram adolescentes, o autor deste livro também, mas tu és um adolescente mais bem preparado, um cidadão do mundo global. Dá uso aos teus poderes e descobre a felicidade que há em ti. És um ser único, és um ser fantástico.

Fonte: contracapa do livro

Livros disponíveis para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

Lê, porque ler é um prazer!

terça-feira, 16 de julho de 2019

Tempo para a poesia LIV

In: A Ideia: revista de cultura libertária nº 84/85/86

"A ideia é uma revista que faz da cultura o seu campo de acção. Através da criação poética e plástica, da expressão filosófica, da pesquisa social, da investigação histórica, da abertura a uma ciência humanizada. desligada dos interesses lucrativos do dispositivo industrial/militar, a publicação visa criar as bases dum espírito livre, criativo, gratuito e solidário, contributo efectivo para a realização plena de todos os seres vivos. (...)"

Excerto do editorial da revista

A revista A Ideia está disponível para consulta na Biblioteca Municipal de Arganil e pode também ser consultada gratuitamente no site A Ideia.

Leia, porque ler é um prazer!

sexta-feira, 28 de junho de 2019

1984 de George Orwell

Há 70 anos, a 8 de Junho de 1949, numa Europa brutalmente dividida após a II Guerra Mundial, George Orwell publicava o seu mais famoso romance Nineteen Eighty Four - 1984 - que tem estado continuamente na lista de bestsellers da Amazon, continuando a fascinar leitores de todas as idades.

A vigilância é o tema central desta obra, e mais de que nunca é esta que lhe confere atualidade. Conforme se pode ler no Jornal de Letras nº 1271 de 19/06/2019 "no Ocidente, já não é apenas o Estado que vigia, censura e manipula, mas também empresas privadas e interesses financeiros e ideológicos...", citando Ana Saldanha "o que assusta é que continua tão atual que poderia ter sido escrito hoje".

Se ficou com curiosidade de ler este livro requisite-o na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

Leia, porque ler é um prazer!

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação

O objetivo do Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação (WTISD) é ajudar a aumentar a consciência das possibilidades que o uso da Internet e outras tecnologias de informação e comunicação (TIC) pode trazer para as sociedades e economias. A data também tem como objetivo ajudar a reduzir a exclusão digital.

O dia 17 de maio marca o aniversário da assinatura da primeira Convenção Internacional do Telégrafo e a criação da União Internacional de Telecomunicações. 

Durante as últimas três décadas, a Internet transformou-se num recurso mundial sem paralelo, que engloba os mundos do saber e do lazer. Com milhões de utilizadores no mundo inteiro, é um meio de comunicação que não para de se desenvolver. Está na base das nossas sociedades cada vez mais interdependentes e interligadas, estimula a economia mundial, incentiva as trocas e o comércio e contribui para a melhoria dos cuidados de saúde, da produção alimentar e da educação. 

Também na literatura, quer seja de ficção ou não ficção, esta temática tem estado presente, e são cada vez mais os autores que nas suas obras se debruçam sobre as potencialidades e desafios das novas tecnologias na vida das sociedades e dos seus cidadãos. 

Eis algumas das nossas sugestões:

Em Negócios à velocidade do pensamento: com um sistema nervoso digital, o presidente da Microsoft, Bill Gates, defende que a tecnologia contribui para uma melhor gestão das empresas e assegura que, num futuro próximo, revolucionará a natureza das actividades comerciais. O êxito, diz Bill Gates, será alcançado por todos aqueles que criem um «sistema nervoso digital», capaz de unificar a gestão de operações, vendas e informação, permitindo uma maior rapidez na tomada de decisões e na adopção de estratégias e optimizando a aprendizagem.

Fonte: www.bertrand.pt
Ganhar com o Facebook de Brian Carter
Hoje em dia as pessoas não se limitam a "estar" no Facebook. Na verdade, é um dos lugares onde estão mais envolvidas.
O marketing no Facebook já não é opcional - mas a área está cheia de exageros, tolices e soluções falsas que não dão resultados. Este livro dá-lhe o que realmente precisa: um plano completo, passo a passo, para maximizar o seu retorno no Facebook.

Fonte: www.bertrand.pt

O círculo de Dave Eggers

No dia em que Mae Holland é contratada para trabalhar no Círculo, a empresa de Internet mais influente do mundo, sabe que lhe concederam a oportunidade da sua vida.

Através de um inovador sistema operativo, o Círculo unifica endereços de e-mail, perfis de redes sociais, transações bancárias e códigos de utilizador, construindo uma identidade virtual única no sentido da criação de uma nova era de transparência.

Mae Holland entusiasma-se com a atividade da empresa e sente-se feliz por nela participar. No entanto o que começa como uma fascinante história de ambição profissional e idealismo depressa se transforma num romance de suspense que coloca algumas das mais entusiásticas questões da atualidade: o papel da memória, o passado, a privacidade, a democracia e os limites do conhecimento.

Fonte: adaptado da contracapa do livro

Jogos de Raiva de Rodrigo Guedes de Carvalho
Um homem levanta a voz acima da algazarra de conversas. E pede que ponham mais alto o som do televisor do restaurante. É então que todos reparam no que ele vê. Não percebem ou não acreditam. E na rua, no bairro, na cidade, no país, homens, mulheres e crianças vão-se calando. Está por todo o lado, a imagem horrível e hipnotizante. O homem que pediu silêncio leva as mãos à cara e pensa: como chegámos aqui?

A era da comunicação global trouxe inimagináveis maravilhas. Partilhas imediatas de ensinamentos, denúncias e solidariedades. Mas permitiu também que saísse das cavernas uma realidade abjecta. Insultos, ameaças, ironias maldosas. Nunca, como hoje, a semente do ódio foi tão espalhada. 

É sobre este pano de fundo que se conta a história de uma família. Três gerações a olhar para um futuro embriagado num estado de guerra. Uma família que esconde, enquanto puder, um segredo. 
Jogos de Raiva traça duros retratos sem filtro sobre medos e remorsos, sobre o racismo, a depressão, a sexualidade, o jornalismo, a adopção, a arte e a amizade. E o poder das histórias. 
É sobre a urgência da confiança, da identidade e do amor. 
É um livro sobre todos nós, à deriva num novo mundo.

Fonte: contracapa do livro

Livros disponíveis para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

Leia, porque ler é um prazer!

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Opinião de Leitor: O Senhor Ventura de Miguel Torga por Eugénio Fróis

Este romance de Miguel Torga fala-nos de um alentejano que, inicialmente pastor passou a traficante, a foragido procurado pelas autoridades, correndo meio mundo, encarnando assim o nosso espirito de improvisação. O português errante por terras do Oriente é uma figura com longa tradição na literatura portuguesa que encontramos em Os Lusíadas de Luís de Camões, na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto ou no Mandarim de Eça de Queirós e aqui em Miguel Torga. 

A obra constitui uma releitura que me foi sugerida por três aspectos sobre os quais incidirei a minha análise. 

1) O espirito de aventura e improvisação, que nos é tão identificativo. 

2) O relativo distanciamento de Miguel Torga em relação a este romance, escrito em 1943. A 2º edição só acontece em 1985. 

3) Agrada-me ainda analisar nesta obra o chamado “ Ascensor Social” tema de grande atualidade, cujo significado define a grande dificuldade de subida na pirâmide social, que estudos recentes falam em 125 anos para uma família pobre mudar para a classe média. 

A obra no fundo é a odisseia de um Português que na peugada de muitos antecessores ilustres abandona o seu Penedono no Alentejo e vai à descoberta do mundo. Desentendimentos e incompreensões na noite Lisboeta obrigam-no a ir para Macau. A sua ansia de liberdade e a sua vontade de descoberta levam-no a desertar do exército e a embarcar num navio que se dedica ao tráfico de ópio no mar da China. 

Alguma irresponsabilidade faz com que mate um funcionário da alfândega que pretendia revistar o barco. A sua paixão pela descoberta e a sua fúria de viver levam-no a lançar ancora em Pequim, onde vem a travar conhecimento com o Pereira um minhoto de quem viria a tornar-se sócio e com quem viria a partilhar as mais espectaculares aventuras. 

Mais tarde ele e o grande amigo Pereira tornam-se sócios numa casa de pasto e aceitam a tarefa quase impossível de transportar 200 camiões para a Mongólia. “O que essa temeridade foi não cabe aqui. Só mesmo um homem de carcaça de ferro e coração com pelos é que era capaz de fazer chegar aqueles confins os duzentos carros do contrato. Primeiro a travessia da China, por caminhos onde Deus Nosso Senhor nunca passou; depois o deserto imenso, escaldante, a secar a água a gasolina e o próprio sangue de quem incautamente se lhe abandonava.” 

Durante um assalto ao arsenal o amigo Pereira é morto. “No silêncio da noite e em pleno deserto, sob um céu escuro onde só uma estrela bruxuleava, o senhor Ventura recebeu então no mais profundo da alma o último suspiro do companheiro. E pela primeira vez a sua humanidade teve consciência do mistério da vida e da morte, e das forças cósmicas que aproximam os homens e os fazem amar-se uns aos outros” 

A determinação do Senhor Ventura é forte. Enterra o amigo e regressa a Pequim onde encontra uma mulher russa de seu nome Tatiana, adepta da vida noturna, por quem se apaixona e por razões que a “razão” desconhece, pede em casamento. “Mas Tatiana não queria pensar de modo nenhum na parte que lhe iria caber na associação. Sobretudo, na que ele iria certamente exigir para além do que pedia já ardentemente com os olhos em brasa”. 

Desta ligação resultou o filho, Sérgio. Tatiana ambicionava desafogo económico a fim de fazer a vida de libertinagem que tanto lhe agradava e acaba por influenciar o Sr. Ventura a melhorar a situação económica, que entretanto era boa com vários negócios que arranjara. Assim acaba por se envolver no negócio de contrabando de heroína que havia de lhe trazer grandes problemas que vão condicionar o seu final de vida. “O negócio da heroína foi, de todos aqueles em que o alentejano se meteu, o menos feliz. Mal as primeiras remessas começaram a sair, alguém correu a denunciar o dono e o local da fábrica. O Governo premiava bem essas notícias. E quando o Sr. Ventura, certa noite pulverizava no seu sossego os preciosos cristais, entra-lhe pela porta dentro a polícia, acompanhada dum perito e dum representante consular português. Para um filho de Confúcio, era a cadeia e até a pena de morte o castigo de semelhante crime. Demais a mais com todas as provas à vista: a droga, os garrafões de ácido para tratar os alcaloides, peneiras, tudo.” 

O governo Chinês estava cansado do Alentejano. E, para não ir mais longe, além da multa pesada, exigia o regresso do Sr. Ventura a Portugal. Com este currículo: foragido, contrabandista, traficante e assassino, é finalmente repatriado. Regressa ao amado Alentejo sem Tatiana e sem o seu querido Sérgio, prolongando a sua estadia por uns longos 5 anos. 

No Alentejo aluga a quinta onde tinha trabalhado na sua juventude procurando numa luta com grande determinação o sucesso e recompensa do seu investimento, situação que não iria acontecer. O aluguer dessa quinta foi um mau negócio para o Senhor Ventura na perspectiva de alguns antigos colegas de profissão conhecedores de Penedono e em particular do “Farrobo”, não lhe augurando sucesso. O tempo difícil e as terras exauridas inviabilizaram o investimento. 

O conhecimento de que o dinheiro que deixou a Tatiana com o objectivo de contribuir para a educação do filho, não estava a ser bem aplicado, fez nascer nele um desejo de vingança fortalecido pelo conhecimento que a mulher o traia com Pequim inteira. 

Regressa à China, percorre léguas, dorme em abrigos, esconde-se nos comboios, partilha com os pobres uma sopa de misericórdia, mas não descobre a mulher. Doente, faz desse o seu principal objetivo. Varrida em vão Pequim, sem faltar um só bairro, o Sr. Ventura iniciou então uma longa peregrinação por toda a China seguindo o rasto da mulher. Primeiro Cantão, de Cantão a Xangai, de Xangai a Hong Kong. Não têm conto as terras que percorreu febrilmente. Sem dinheiro já ia nas levas dos infelizes que fugiam, viajava escondido em comboios nocturnos, andava léguas sem fim obstinado e doente. 

Uma tarde, porém encontrou-a. Encontrou-a? Não encontrou-o a ele Tatiana, em Xunquim, num pobre leito onde morria. “À vista da mulher, os olhos mortiços ainda se iluminaram de ódio. Mas foi tudo quanto a sua vontade pôde. O corpo, vencido, já nem sequer estremeceu. 

Era tarde demais para outra coisa que não fosse um rosário de adjectivos cruéis, opressos, a apagarem-se segundo a linha dos seus lábios febris. Não falava do filho que estava guardado no colégio de Santo António em Lisboa, nem do adultério, que não inquietava mais a sua pobre natureza, nem do dinheiro que já não lhe fazia falta ali. 

Falava simplesmente dela, duma traição humana para lá de tudo quanto uma alma sem amor podia entender 

A mulher silenciosa, escutava-o. Há muito que tinha conhecimento da perseguição que ele lhe fazia. E, por um impulso que não quis consciencializar, resolvera ir ao seu encontro quando o soube moribundo. E assistia calada aquele fim. Era uma expiação muda” 

Mãos estranhas enterraram no dia seguinte o corpo mirrado do pobre aventureiro. 

Como o colégio de Santo em Lisboa, onde o senhor Ventura havia deixado o pequeno Sérgio, deixou de receber as mensalidades, foi este despachado em 3ª classe para Penedono. O Senhor Gaudêncio tendo pena dele, pô-lo a guardar as ovelhas no “Farrobo”. 

Pastor, foi por onde o Senhor Ventura começou! 

Como comentário final direi que este romance, apesar de escrito numa fase inicial da vida do autor, ainda assim, é evidente alguma amargura com um final que nos deixa interiormente vestidos de um cinzento-escuro. 

O regresso do Sérgio ao Farrobo diz-nos aquilo que todos sabemos: que a evolução social é um processo lento e que por vezes alguma disponibilidade económica pontual não tira as pessoas da pobreza.

Eugénio Fróis