terça-feira, 12 de novembro de 2024

Tempo para a poesia: "Castanho" de Manuel Couto Viana




Castanho

Já não voam besouros no ar quente.
Foi-se o Verão embora.
É Outono agora,
tudo está diferente.

É castanha a terra
onde a pá se enterra.

É castanha a folha
que a chuva já molha.

O avô Inverno chega das montanhas,
com os bolsos repletos de castanhas,
e vai sentar-se ao lume da lareira,
fumando o seu cachimbo de madeira.

E para o imitar
(vejam o disparate!)
o neto põe-se a trincar
um pau de chocolate.

António Manuel Couto Viana, Versos de Cacaracá, Litexa Portugal, 1984.

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