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quinta-feira, 30 de julho de 2026

"M#rda! Amo-te" de Pedro Chagas Freitas

 

Alfragide: Oficina do Livro,2024
ISBN: 978-989-660-690-9

Saberemos mesmo quem somos? Conhecemos mesmo a pessoa que amamos? E, afinal, o que somos capazes de fazer por amor? Uma história de amor arrepiante, viciante, emocionante.
Uma escritora de livros infantis e um humorista são os protagonistas de um romance que não vai conseguir parar de ler.

«Amo-te. Amo-te acima do que possas imaginar, acima do que eu conseguiria imaginar. Amo-te acima de tudo e preciso que fiques acima de tudo. Preciso que fiques para mim, para ocupares o espaço que egoisticamente reservei para ti. Ouve-me. Ouve-me bem. Ouve-me e percebe a dimensão da minha falha, a largura incomportável da fenda que nos separou tantas vezes. Não quis magoar-te. Nunca quis magoar-te. Só quis proteger-te, salvar-te de mim. Sou demasiado humano para que alguém como tu me ame. Julguei-me capaz de te fugir e cada vez ia ficando mais perto de ti, mais dentro de ti. Não te amo, posso dizer. Não te amo porque o que te sinto é como o que sou. Amo-me e tu és parte do que eu sou. Amo-te porque és eu, pode ser esta a definição que consigo agora. Desculpa.»

Fonte: Contracapa do Livro

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

Leia, porque ler é um prazer!

quinta-feira, 23 de julho de 2026

"Prometo Perder" de Pedro Chagas Freitas

 

Alfragide: Oficina do Livro,2024
ISBN:978-989-581-287-5

Em mais uma viagem intimista e desconcertante, Pedro Chagas Freitas caminha, em Prometo Perder, até ao interior da emoção: da saudade ao desejo, da rebeldia à submissão, da dor ao amor, nada ficará por tocar. Deixe-se sentir.

Prometo perder.
Prometo por vezes fraquejar, por vezes cair, por vezes ser incapaz de ganhar. Nem sempre conseguirei superar, nem sempre conseguirei ultrapassar. Nem sempre poderei ser capaz de ir tão longe como tu me pedes, de te dar exatamente o que merecias que te desse. O que desesperadamente te quero dar. Nem sempre conseguirei sorrir, também.
Prometo perder.
Prometo ainda manter-me vivo depois de cada derrota, resistir ao peso insustentável de cada impossibilidade. Há de haver momentos em que sem querer te magoarei, momentos em que sem querer tocarei no lado errado da ferida. Mas o que nunca vai acontecer é desistir só porque perdi, parar só porque é mais fácil, ceder só porque dói construir.
Prometo perder.
Porque só quem ama corre o risco de perder; os outros correm apenas o risco de continuar perdidos.
Prometo perder.
Porque só quem nunca amou nunca perdeu.

Fonte: Contracapa do Livro

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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terça-feira, 14 de julho de 2026

"Queres Casar Comigo Todos os Dias?" de Pedro Chagas Freitas

 

Alfragide: Oficina do Livro,2024
ISBN: 978-989-581-066-6

Uma história de amor intensa, inesquecível, escrita a duas vozes.

O que é o amor?
O que estamos dispostos a fazer por ele?

Um livro que tem tanto de poesia como de prosa, tanto de sonho como de realidade.
Uma viagem envolvente, emocionante, que vai levar cada leitor ao destino mais profundo e mais assustador de todos: aquilo que sente.

Ela chegou, pousou a mala.
Ele, no sofá, olhou-a.
Sorriram.
Ela aproximou-se dele.
Passou-lhe a mão pelo rosto.
Sorriram.
Ele abriu os braços, aconchegou-a como se aconchega a vida.
E viveram.
Fonte: Contracapa do Livro

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quinta-feira, 5 de março de 2026

António Lobo Antunes (1942–2026)

Foto de António Lobo Antunes, via Wikimedia Commons (CC BY‑SA 3.0)

Partiu hoje uma das vozes maiores da literatura portuguesa contemporânea. Médico de formação e escritor por vocação, António Lobo Antunes construiu ao longo de décadas uma obra literária singular, profundamente marcada pela memória, pela história recente de Portugal e pela complexidade da condição humana.

Autor de romances incontornáveis, distinguiu-se por uma escrita intensa e exigente, que conquistou leitores em Portugal e além-fronteiras, afirmando-se como uma referência maior no panorama literário e cultural português.

Embora nos tenha deixado, permanece o seu legado: uma vasta obra que continuará a desafiar, emocionar e acompanhar gerações de leitores.

Hoje é também um convite à leitura — ou à releitura — dos seus livros, onde a sua voz continua viva, nas páginas que nos deixou.

Ler António Lobo Antunes é manter viva a sua memória.

Clique aqui e descubra quais as obras do autor disponíveis na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Sugestão de leitura: "Três mulheres no beiral" de Susana Piedade



Alfragide: Oficina do Livro, 2022
ISBN 978-989-661-415-7

Três mulheres no Beiral, de Susana Piedade, foi finalista do Prémio Leya em 2021. A autora apresenta-nos um romance cujos temas são muito pertinentes e atuais: a especulação imobiliária, as relações familiares e o envelhecimento.

A ação decorre na baixa do Porto, numa rua emblemática onde a octogenária Piedade reside desde que se lembra, e onde a sua vida, a das suas amigas e familiares, é impactada quando confrontada com proprietários e investidores que não olham a meios para se verem livres dos velhos inquilinos.

Como resistir? Como evitar represálias?

"Três Mulheres no Beiral" é um livro que nos faz pensar e sentir sobre o significado de uma vida. O que resta quando esta termina. O que fica, depois da despedida.

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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sexta-feira, 25 de abril de 2025

Tempo para a poesia: "Conquista" de Miguel Torga

 



Conquista

Livre não sou, que nem a própria vida
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!

Miguel Torga, in 'Cântico do Homem'

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Fundo local enriquecido: "Pó do Açor" de Tonito do Solheiro


"Pó ao Açor" é um livro da autoria de Tonito do Solheiro, pseudónimo literário de António Gouveia Coisinha.

O autor, natural da aldeia de Sobral Magro, onde passou a sua infância, cedo rumou para Lisboa. Não obstante a Serra do Açor faz parte da sua identidade, realidade que transparece nas páginas da sua obra poética.

Maria de Lourdes Martinho, autora do prefácio, diz-nos que "cada poema é um pedaço do coração do autor", sendo que "a Serra do Açor não é apenas cenário: é personagem, confidente e, acima de tudo, fonte inesgotável de inspiração".

Pó do Açor

Nascido no Solheiro, do pó do Açor,
Serra da canseira, no centro da Beira,
Sete no viveiro, último sonhador,
Com berço na leira, vista na ribeira.

O viver certeiro, fazendo de pastor,
Em cada ladeira, topada ligeira,
O dia inteiro, brincando com amor,
Pico da silva, é tirado na eira.

Do Coição vezeiro, ao Covão do valor,
Com erva cidreira, a cura que cheira;
A ver do outeiro o gémeo sabor,
Enxada certeira da vida inteira.

In: Pó do Açor

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Novidade na Biblioteca: O homem que escrevia azulejos de Álvaro Laborinho Lúcio

Lisboa:Quetzal, 2016
ISBN 978-989-722-322-8

A Cidade e a Montanha vigiam-se mutuamente, num jogo de espelhos e de contrários, numa geometria de centros e periferias, num enredo de poderes e de ocultações, onde muitas são as maneiras de viver a clandestinidade e muitas são as clandestinidades: escondidas, distantes; umas, vividas; outras, à vista de todos. Dois homens, Marcel e Norberto, atravessam, juntos, todo o tempo de uma vida. Escolheram, para viver, a ficção, e é nela que são clandestinos. Com eles vêm encontrar-se João Francisco e Otília. Ele, violinista e professor de música, ela, a sua jovem neta, ambos na busca incessante do sublime, também eles recusados pela realidade. Um homem que escrevia azulejos - que reencontrou a utopia e gostava da sátira - reparou neles e pintou-os com palavras.

O Homem Que Escrevia Azulejos, de Álvaro Laborinho Lúcio, debate e ilumina-se das grandes ideias da modernidade, enquanto observa, não sem algum detalhe pícaro, a falência das sociedades em que vivemos. Um romance culto e empenhado sobre o poder, e o poder redentor da arte e do amor.

Fonte: quetzal

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quarta-feira, 19 de março de 2025

Tempo para a poesia: "A memória" por Duarte Peixoto

Lisboa: Chiado Editora, 2014
ISBN 978-989-51-1347-7
 A memória

A memória é de todos os livros o mais antigo
E é também aquele escrito por mais autores
Todos nele deixaram pensamento, voz, cores
Ela tem coisas que entender eu não consigo!

A memória é epopeia, drama, crónica, artigo
Com páginas não só escritas pelos escritores
Nela há toda a espécie de cheiros e sabores
Com relatos vivos do abastado e do mendigo

A memória é mãe das mais sacras escrituras
Elaboradas e conhecidas da humana mente
Dos Vedas, Maias, Bíblia ao Corão em Meca

É ao lado dos sigilos das Celestiais criaturas
Uma inacabada obra na estante bem presente
Na do Criador. Divina e universal biblioteca.

                Duarte Peixoto in Rasgos de Memória

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Recordando Maria Teresa Horta – “Eu sou a minha poesia”

 

A escritora Maria Teresa Horta, a última das "Três Marias", faleceu no passado dia 4 de fevereiro, aos 87 anos.

Nascida em Lisboa em 1937, Maria Teresa Horta licenciou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e trabalhou como jornalista no jornal A Capital. Iniciou a carreira literária na poesia, na década de 1960, mas acabaria por se expandir também para o romance e o conto.

Na poesia, é autora de Espelho Inicial, Poemas para Leonor, Ambas as mãos sobre o corpo, Anunciações, entre outros, e co-autora, com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, das internacionalmente reconhecidas Novas Cartas Portuguesas (1972).

No final do ano passado, a escritora foi incluída na lista da estação britânica BBC das mulheres mais influentes e inspiradoras de todo o mundo, ao lado de cientistas, artistas ou ativistas.

Recebeu diversos prémios literários e foi agraciada, em 2004, com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2022, com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.

Para saber mais consulte:

sábado, 15 de fevereiro de 2025

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Novidade na Biblioteca: "Ama, mas cuidado com quem amas" de João da Silva

Alfragide: Oficina do Livro, 2024
ISBN 978-989-581-178-6

"Ama, mas Cuidado com Quem Amas" é o primeiro romance de João da Silva, cronista do jornal Público. Através desta história, o autor pretende dar voz às mulheres que sofreram (ou sofrem) de violência doméstica.

A história, que acompanha a vida de Aguinalda, vítima do marido Manuel, passa-se no Alentejo, mas poderia passar-se em Lisboa, no Algarve ou no Porto. “A violência doméstica é transversal ao nosso país.”

A história é contada em diversas dimensões temporais e abrange várias gerações, mostrando que é difícil quebrar o ciclo da violência.

Leia aqui as primeiras páginas. Gostou?
Requisite na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

1 de janeiro - Dia do Domínio Público

 

Segundo a lei nacional, as obras entram para o domínio público setenta anos após a morte dos seus criadores.

Significa que os direitos patrimoniais da obra cessam, deixando de ser necessário autorização para partilhar e reutilizar esses conteúdos, que passam a fazer parte do património cultural da sociedade.

Confira nos links abaixo a lista de autores portugueses, e não só, cujas obras a partir de janeiro de 2025 passam a estar em domínio público:

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Fundo local enriquecido: "O torno e o altar" de Luís Martins Ferreira




Em meados do século XX, em resposta ao abandono da fé cristã pelas classes trabalhadoras, alguns padres arriscaram assumir a condição operária, partilhando assim plenamente da experiência daqueles que desejavam evangelizar, fazendo-se pobres com os pobres. Luís Martins Ferreira foi um dos que, em Portugal, abraçaram esse caminho.

Nascido em 1943, em Arganil, ingressou nos Filhos da Caridade em 1971, após um período formativo em Paris, que o levou a participar nas greves e manifestações do Maio de 1968, episódio recordado num dos capítulos do livro O Torno e o Altar – Memórias de um padre-operário (Paulinas Editora), onde também evoca a novidade e a importância do movimento dos padres-operários em França.

Depois da passagem por França, Luís Martins Ferreira foi viver para a Península de Setúbal, região profundamente industrializada. Trabalho como fresador e torneiro mecânico em empresas como a Standard e a Equimetal, onde conheceu o drama dos salários em atraso e dos despedimentos.

Animado de um inabalável sentido de justiça, envolveu-se ativamente nas lutas dos trabalhadores e participou na fundação do Movimento de Esquerda Socialista (MES) (...)

O livro O Torno e o Altar é um poderoso testemunho de vida vivida de mangas arregaçadas, ao serviço daqueles que, vezes demais, a Igreja e o poder descuraram, e uma inspiração nestes tempos em que se interrogam os modelos de evangelização herdados e se busca uma nova forma de mostrar a proximidade de Jesus aos homens e mulher de hoje.

Texto adaptado a partir da badana do livro

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Tempo para a poesia: "Ao leitor" de Paulo Ramalho

Ponta Delgada: Letras Lavadas, 2024
ISBN 978-989-735-571-4
Ao leitor

Excelentíssimo leitor
solicito a sua melhor atenção
para a possibilidade de poema
que esta página tão arduamente nega
De todos os temas que habitualmente
dão sentido aos meus versos
nem o silêncio lhe posso hoje oferecer
porque o outono me traz
de mãos enregeladas
ocupado com coisas tão melancólicas
quanto podar roseiras
ou limpar as folhas do jardim
Mas também sobre isso nada será dito
enquanto o trabalho não terminar

Paulo Ramalho in Órbitas elípticas em torno do silêncio

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil


terça-feira, 26 de novembro de 2024

Tempo para a poesia: "É tão fundo o silêncio..."

Lisboa: Livros Horizonte, [1970]

É tão fundo o silêncio...

É tão fundo o silêncio entre as estrelas!
Nem o som da palavra se propaga,
Nem o canto das aves milagrosas.
Mas lá, entre as estrelas, é que se ouve
O íntimo rumo que abre as rosas.

            José Saramago in Provàvelmente Alegria

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

"Admirável Mundo Verde" de Filipa Fonseca Silva

Lisboa: Suma de Letras, 2024
ISBN 978-989-787-923-4

Num futuro não muito distante, um grupo de activistas pelo clima radicaliza-se e decide derrubar o sistema. Dotado de uma eficaz máquina de propaganda, que lhe garante o apoio popular, consegue chegar ao poder e impor uma sociedade totalmente verde. Mas a que preço?

Depois do sucesso de “E Se Eu Morrer Amanhã?” e de “O Elevador”, nomeados para melhor livro do ano e em adaptação para filme, Filipa Fonseca Silva traz-nos um romance distópico electrizante, que levanta questões incontornáveis, como a emergência climática e a polarização de uma sociedade à deriva.

Fonte: contracapa do livro

Leia aqui as primeiras páginas.

Gostou, requisite na Biblioteca Municipal de Arganil

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Tempo para a poesia: "Castanho" de Manuel Couto Viana




Castanho

Já não voam besouros no ar quente.
Foi-se o Verão embora.
É Outono agora,
tudo está diferente.

É castanha a terra
onde a pá se enterra.

É castanha a folha
que a chuva já molha.

O avô Inverno chega das montanhas,
com os bolsos repletos de castanhas,
e vai sentar-se ao lume da lareira,
fumando o seu cachimbo de madeira.

E para o imitar
(vejam o disparate!)
o neto põe-se a trincar
um pau de chocolate.

António Manuel Couto Viana, Versos de Cacaracá, Litexa Portugal, 1984.

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Tempo para a poesia: Dia de Todos os Santos

 

The Forerunners of Christ with Saints and Martyrs de Fra Angelico

Dia de Todos-os-Santos

Supõe que morri
(Aos mortos se escreve também algumas vezes).
Não sou de cá.
O que me dizem estranho
E ouço o que não há.
Assim, talvez, como estrangeiro,
Encontres palavras que me interessem,
Saibas dar-me o que me tarda...
coisas perdidas que procuro
e talvez se possam dar
aos que partiram e esqueceram
e, por isso,
se lhes oferece o resto de tudo
sem mesmo se saber
que alguma coisa é dada.

Supõe que morri e diz
todas as verdades que se dão aos mortos
o que se confessa a quem não ouve
e espera resposta de ninguém ...

Dizem que os deuses morreram:
Sou da raça deles
à espera de Deus.

                                José Blanc de Portugal

Amor constante para além da morte

Pode fechar-me os olhos a derradeira
sombra que de mim leva o branco dia,
e livrar de tudo o que prendia
a alma ansiosa, a hora que se abeira;

mas não deixará na margem da ribeira
a memória dos sítios onde ardia:
minha chama nada na água fria
e a dura lei enfrenta altaneira.

Alma de que todo um deus foi prisão,
veias onde tanto fogo foi gerado,
medulas em gloriosa combustão:

o corpo deixará, não seu cuidado;
cinzas hão-de ser, mas com coração;
serão pó, sim, mas pó apaixonado.

                        Francisco de Quevedo (1580-1645)
                        Tradução: António Simões

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Um poema para assinalar o Dia do Idoso

autor: Narinbg

O Dia Internacional do Idoso comemora-se anualmente a 1 de outubro. Este dia foi instituído em 1991, pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de sensibilizar a sociedade para as questões do envelhecimento e a necessidade de proteger e cuidar da população mais idosa.

Singelamente e como forma de assinalar esta data partilhamos um poema de Fernanda de Castro, conhecida poetisa portuguesa, que reflete um pouco do que é chegar a uma idade avançada…

Alma Serena

Alma serena, a consciência pura,
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.

Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.

Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.

Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente.

Fernanda de Castro, in "Ronda das Horas Lentas"