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quinta-feira, 12 de março de 2026

Sugestão de leitura: Chuva Braba, de Manuel Lopes

Entre as leituras associadas ao tema “Tempestade”, destaca-se o romance Chuva Braba, de Manuel Lopes, publicado em 1956 e considerado uma das obras marcantes da literatura cabo-verdiana.

A narrativa decorre na ilha de Santo Antão e acompanha o quotidiano de uma comunidade profundamente marcada pela seca. Entre dificuldades económicas, o trabalho árduo da terra e o sonho da emigração, as personagens vivem numa permanente tensão entre partir em busca de melhores condições de vida ou permanecer na terra onde nasceram.

Neste contexto, a natureza assume um papel determinante. A ausência de chuva condiciona não apenas a agricultura, mas também as escolhas, os medos e as esperanças da população. A vida coletiva é moldada por um clima incerto, que define o ritmo das estações e o destino das pessoas.

Curiosamente, neste romance a tempestade não surge da forma mais habitual na literatura — associada ao excesso de chuva ou à violência dos elementos. Em Chuva Braba, o drama nasce precisamente da falta de chuva. A seca prolongada domina a paisagem e transforma a chuva num acontecimento quase milagroso, aguardado com ansiedade por todos.

A chuva torna-se, assim, muito mais do que um fenómeno natural: é esperança, sobrevivência e promessa de renovação. A terra espera-a, as pessoas esperam-na, e todo o quotidiano parece suspenso nesse desejo coletivo.

Ao longo da obra surgem também passagens particularmente expressivas, como a comparação entre a abundância das águas do Amazonas e a realidade árida da ilha de Santo Antão, evidenciando de forma marcante o contraste entre dois mundos.

Chuva Braba é, acima de tudo, um retrato profundo da relação entre o ser humano e a natureza e um testemunho literário sobre resistência, identidade e esperança.

Miriella de Vocht

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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segunda-feira, 17 de março de 2025

Sugestão de leitura: "Rosinha, minha canoa" de José Mauro de Vasconcelos

Lisboa: Dinapress, D.L. 1997
ISBN 972-576-8202-01-6

Sempre acontecia assim: Zé Orocó sorria porque acabava de lembrar que a vida era pai d'égua de bonita.

Foi por isso que o remo deu um chape-chape tão suave que a água do rio quase virou música e a canoa deslizou macia como se voasse.

O sol morno e sonolento escondia-se nas nuvens e começava a descer rebocando a tarde. Jaburu, na praia branca do rio, conversava uma eternidade de silêncio, caminhando de lá para cá e, voltando as pernas longas, retornava ao ponto de partida. Bicho tão feito e desengonçado ao caminhar, no vôo não havia ninguém que lhe tivesse a elegância.

Veio um vento friinho, friinho, que lhe arrepiou as costas sem camisa. Mas até aquilo era bom. Anunciava a grandeza do frio do verão.

Rosinha, a Canoa, leva Zé Orocó pelas águas do rio Araguaia, nos sertões de Góias, transportando-o por um mundo onde quem manda é a mãe natureza. E o autor conduz-nos para um mundo onde quem manda é a emoção e a sensibilidade, na história do homem simples e incompreendido por uma sociedade que o acusa de ser louco e interna-o num hospício. O livro é um hino de amor e respeito à natureza, contando a trajetória de Zé Orocó, envolvido em "causos", histórias fantásticas e lendas, bem como a sua amizade com uma canoa. José Mauro resgata assim o encontro das coisas singelas e verdadeiras da vida.
Fonte: contracapa do livro

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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segunda-feira, 1 de julho de 2024

Novidade na Biblioteca: "Guisando", de Seriluce Gomes

Carvalhosa: Oficina da Escrita, 2023
ISBN: 978-989-53970-4-4

" Guisando - Um Guerreiro Anti-Imperialista no Pernambuco do Século XIX tem como pretensão revelar a riqueza histórica contida nos documentos do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa e nos Livros Régios de D. João VI, do Arquivo Público de Pernambuco. São fontes que narram a luta do escravo forro, o Matias Gonçalves Guisando, escravo livre e réu da Inquisição de Lisboa, no ano de 1803.
Através de um relato fictício da batalha heroica de um negro livre, que foi duramente perseguido e preso pelo Inquisidor Portugal, um Vigário Geral da Vila do Recife, que era juiz eclesiástico e inquisidor naquela vila, a autora proporciona-nos uma viagem pela vida deste homem.
Para enfrentar os seus inimigos, Guisando construiu alianças com políticos, comerciantes, maçons, homens intelectuais e anti-imperialistas e com os padres iluministas, que aspiravam libertar o Pernambuco da exploração de D. João VI e dos seus altos impostos e abusos para manter uma corte parasita e fanfarrona. No seu quilombo, na Mata do Catucá, Guisando e os seus amigos construíram um exército de negros fugitivos, indígenas, escravos livres, que aspiravam libertar a Capitania do Pernambuco da desumanidade do Reinado de D. João VI e o Sistema Imperial daquela época.


Este livro permitirá ao leito conhecer a convivência entre os colonos na antiga Vila do Recife do início do século XIX e perceber como o Império Português agia naquela Capitania do Pernambuco."

Fonte: contracapa do livro.

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas Públicas do Concelho de Arganil.

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segunda-feira, 22 de abril de 2024

Novidade na Biblioteca: "Véspera" de Carla Madeira

Lisboa: Particular, 2024
ISBN: 978-989-9150-53-9

COMO SE CHEGA AO LIMITE?

"Vedina, uma mulher traumatizada por um casamento destroçado, decide num momento de descontrolo, abandonar o filho, largá-lo. Assim que o faz, contudo, arrepende-se de pronto, regressando ao local onde deixara o pequeno. Mas já nada encontra, nem a criança nem quaisquer vestígios da sua presença.

A partir de então, a história prossegue, contada em dois tempos, levando o leitor a um mundo de medos e sombras, de vícios desgraçados e comportamentos controladores, remexendo as entranhas de uma família violenta e perdida, enquanto procura responder a uma dúvida essencial e sempre presente: como se chega ao limite?

Depois dos sucessos de Tudo É Rio e A Natureza da Mordida, que fizeram de Carla Madeira a autora mais lida no Brasil, Véspera vem confirmar-lhe o talento definidor da atual literatura brasileira. Uma obra com personagens de tremenda força emocional, dramáticas, misteriosas. Um labirinto de emoções do qual o leitor, preso na trama, só sairá no fim. Ou talvez nem isso."

Fonte: contracapa do livro.

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segunda-feira, 18 de março de 2024

Novidade na Biblioteca: "1808: como uma rainha louca um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil" de Laurentino Gomes

Lisboa: Livros d'Hoje, 2008
ISBN: 978-972-20-3501-9

"Nunca algo semelhante tinha acontecido na história de Portugal ou de qualquer outro país europeu. Em tempo de guerra, reis e rainhas tinham sido destronados ou obrigados a refugiar-se em territórios alheios, mas nenhum deles tinha ido tão longe, a ponto de cruzar um oceano para viver e reinar do outro lado do mundo. Embora os europeus dominassem colónias imensas em diversos continentes, até àquele momento nenhum rei tinha posto os pés nos seus territórios ultramarinos para uma simples visita - muito menos para ali morar e governar. Era, portanto, um acontecimento sem precedentes tanto para os portugueses, que se achavam na condição de órfãos da sua monarquia da noite para o dia, como para os brasileiros, habituados até então a serem tratados como uma simples colónia de Portugal."

Fonte: contracapa do livro.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Novidades na Sala Jovem

O gato que salvava livros/ Sosuke Natsukawa
Barcarena: Editorial Presença, 2022

ISBN 978-972-23-6899-5

Envolto numa aura de aconchego, ternura e felicidade, este é um romance que celebra os livros, os gatos e as pessoas que os adoram.

Na periferia da cidade, há uma livraria alfarrabista. Lá dentro, as pilhas de livros são como arranha-céus a tocar o teto. Estamos na Livros Natsuki, fundada pelo avô de Rintaro, que ali cresceu, numa espécie de refúgio extraordinário em que a leitura comandava os dias e os mundos amparados pelas lombadas não tinham fim.

Depois da morte do avô, Rintaro está inconsolável e sozinho, e a vida da Livros Natsuki parece ter acabado. Mas é então que surge Tigre, um gato malhado… falante. Tigre pede ajuda a Rintaro: precisa que um verdadeiro amante de livros se junte a ele numa missão muito importante. Não há tempo a perder: é preciso salvar vários livros das mãos das pessoas que os trataram mal, os prenderam e os traíram. Juntos, partem em três viagens mágicas, e no final… Rintaro tem de enfrentar o derradeiro desafio sozinho.

Uma história comovente sobre esperança, altruísmo e o enorme poder dos livros, para todos os que veem neles muito mais do que apenas um conjunto de palavras impressas em papel.

Fonte: contracapa do livro

Sono/ Haruki Murakami
Alfragide: Casa das Letras, 2020
ISBN 978-972-46-2203-3

«Há dezassete dias que não durmo.»
Assim tem início a história que Haruki Murakami imaginou e escreveu sobre uma mulher que, certo dia, deixou de conseguir dormir. Pela calada da noite, enquanto o marido e o filho dormem o sono dos justos, ela começa uma segunda vida. E, de um momento para o outro, as noites tornam-se de longe mais interessantes do que os dias... mas também, escusado será dizer, mais perigosas.

Fonte: contracapa do livro

Doidão/ José Mauro de Vasconcelos
Amadora: Fábula, 2019
ISBN 978-989-668-603-1

Em Doidão reencontramos Zezé, o menino doce de O Meu Pé de Laranja Lima e Vamos Aquecer o Sol, duas das obras mais emblemáticas de José Mauro de Vasconcelos. Neste livro, Zezé, agora com vinte anos, busca incessantemente o sentido da sua vida. Sonha em viajar e fugir ao destino traçado pela sua família. Espera-se que Zezé siga o percurso do pai, e se torne médico, mas o jovem abandona o curso de medicina e não consegue mais do que chocar a sociedade e ser visto como um vagabundo.

A angústia e o desespero de Zezé intensificam-se no momento em que o pai, bastante doente, o pressiona para deixar a namorada e refrear os seus ímpetos aventureiros. No entanto, a determinação do rapaz leva-o a enfrentar as críticas e a família, e a partir pelo mundo em busca da tão desejada felicidade.

Uma história intensa e comovente, escrita com a mestria de José Mauro de Vasconcelos, um dos mais aclamados autores da literatura brasileira. Uma narrativa sobre coragem e autoconhecimento, num hino à liberdade, que conquistará leitores de todas as idades.

Fonte: contracapa do livro

Livros disponíveis para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil!

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sábado, 12 de novembro de 2022

Sugestão de leitura: "O mapeador de ausências" de Mia Couto

Alfragide: Caminho, 2022
ISBN 978-972-21-3060-8

Romance de grande fôlego cuja acção decorre no Moçambique pré e pós-independência 

Diogo Santiago é um prestigiado e respeitado intelectual moçambicano. Professor universitário em Maputo, poeta, desloca-se pela primeira vez em muitos anos à sua terra natal, a cidade da Beira, nas vésperas do ciclone que a arrasou em 2019, para receber uma homenagem que os seus concidadãos lhe querem prestar.

Mas o regresso à Beira é também, e talvez para ele seja sobretudo, o regresso a um passado longínquo, à sua infância e juventude, quando ainda Moçambique era uma colónia portuguesa. Menino branco, é filho de um pai jornalista e sobretudo poeta, e de uma mãe toda sentido prático e completamente terra-a-terra. Do pai recorda o que viveu com ele: duas viagens ao local de terríveis massacres cometidos pela tropa colonial, a sua perseguição e prisão pela PIDE, mas sobretudo, e em tudo isto, o seu amor pela poesia. Mas recorda também, entre os vivos, o criado Benedito (agora dirigente da FRELIMO) e o seu irmão Jerónimo Fungai, morto a tiro nos braços da sua amada, a bela e infeliz Mariana Sarmento, o farmacêutico Natalino Fernandes, o inspector da PIDE Óscar Campos, a tenaz e poderosa Maniara, e muitos outros; e de entre os mortos sobressaem o régulo Capitine, que vê uma mulher a voar, o soldado Sandro, que nasceu antes do seu século, e, acima de todos, Ermelinda, também conhecida por Almalinda por quem tem dificuldades com os erres e com os eles.

Fonte: badana do livro

Requisite na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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terça-feira, 8 de novembro de 2022

Tempo para a poesia XCVII

O Auto-Retrato

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!

                Mário Quintana, in 'Apontamentos de História Sobrenatural'

quarta-feira, 9 de março de 2022

Revista literária «PALAVRAR – Ler e escrever é resistir»




A revista literária «PALAVRAR – Ler e escrever é resistir» apresenta textos de autores ainda desconhecidos, a par de vozes conhecidas no panorama literário nacional e da Lusofonia e um dos pilares é a procura da união entre lusofonias e portugalidades.

Caracterizada pela diversidade de rubricas e assuntos, a revista partilha crónicas, contos, histórias infantis, poesia de autores desconhecidos, a par de crónicas ou artigos de opinião de vozes conhecidas no panorama literário nacional. Inclui ainda o questionário de Proust a um convidado especial por edição.

É uma revista literária digital, de periodicidade semestral e com distribuição gratuita. O primeiro número foi publicado em Agosto de 2021 e o segundo número em janeiro de 2022, sob o tema "O sonho comanda a vida".

Siga os links, leia e  partilhe a revista Palavrar!

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

14 de fevereiro - Dias dos Namorados

Amar

Que pode uma criatura senão,

entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de
amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração
expectante, e amar o inóspito, o cru, um vaso sem flor, um chão de
ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de
rapina. Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas
pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na
concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água
implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade


O Dia dos Namorados, ou Dia de São Valentim, celebra-se a 14 de Fevereiro. Este dia é conhecido por ser o dia mais romântico do ano, celebra-se o amor, a paixão entre amantes e a partilha de sentimentos e emoções.

Num âmbito mais alargado poderemos considerar que este é o dia em que basicamente se comemora o AMOR: Amor de mãe, de pai, filhos, homem e mulher, família, amigos. Por essa razão a Biblioteca Municipal de Arganil não poderia deixar de fazer referência à data, uma vez que o sentimento do AMOR é fundamental nas nossas vidas.

Para assinalar este dia está patente, entre o dia 10 e 28 de fevereiro, uma mostra de poemas de amor de autores de língua portuguesa, para ler, apreciar e partilhar!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Tempo para a poesia LXXXVII

 

Queria ser poeta

Queria ser poeta
Cantar
Sentir
Chorar
Queria ser poeta
E poder cantar
Quando chora o meu coração
Chegar à alma
Quando os ouvidos não escutam
E a mente não entende

Queria ser poeta
Ser humilde
Ser...
Tocar-me
Sentir-me envolta
Num manto de desassossego
E assim entender o ser

Queira ser poeta
E olhar a distância
Olhar esta distância
Navegar no mar de olhos alheios
Culpar a Providência
Ou quem sabe
Dar-Lhe graças

Queria ser poeta
E cantar
Cantar
Pelo menos uma vez
O que é ser poeta!

Odete Costa Semedo in Entre o ser e o amar

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Novidade na Biblioteca: "Niketche" de Paula Chiziane


Lisboa: Caminho, imp. 2021
ISBN 972-21-1476-X
Rami, casada há vinte anos com Tony, um alto funcionário da polícia, de quem tem vários filhos, descobre que o partilha com várias mulheres, com as quais ele constituiu outras famílias. O seu casamento, de «papel passado» e aliança no dedo, resume-se afinal a um irónico drama de que ela é apenas uma das personagens. Numa procura febril, Rami obriga-se a conhecer «as outras». O seu marido é um polígamo! Na via dolorosa que então começa, séculos de tradição e de costumes, a crueldade da vida e as diferenças abissais de cultura entre o norte e o sul da terra que é sua, esmagam-na.

E só a sabedoria infinita que o sofrimento provoca lhe vai apontando o rumo num labirinto de emoções, de revelações, de contradições e perigosas ambiguidades. Poligamia e monogamia, que significado assumem? Cultura, institucionalização, hipocrisia, comodismo, convenção ou a condição natural de se ser humano, no quadro da inteligência e dos afetos? Paulina Chiziane estende-nos o fio de Ariadne e guia-nos com o desassombro, a perícia e a verdade de quem conhece o direito e o avesso da aventura de viver a vida.

Niketche, dança de amor e erotismo, é um espelho em que nos vemos e revemos, mas no qual, seguramente, só alguns de nós admitirão refletir-se.

Fonte: Badana do livro

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quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Tempo para a poesia LXXXV

 


Bô tendê?: poemas/ Maria Olinda Beja
[Aveiro: Edição de autor, D.L. 1996)

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Novidade na Biblioteca: Os vivos e os outros

Agualusa, José Eduardo - Os vivos e os outros
Lisboa: Quetzal, 2020

Depois de os conhecermos intimamente, os lugares passam a ser outros”. Esta é uma das primeiras frases que encontramos em “Os Vivos e os Outros”, o mais recente romance de José Eduardo Agualusa, uma história de (des)encantar rumo a um fim do mundo que grita por um recomeço num lugar cercado por água, numa catástrofe anunciada no final de uma primeira parte que mais parece um prólogo cénico: “É assim que tudo começa: a noite rasgando-se num enorme clarão, e a ilha separando-se do mundo. Um tempo terminando, um outro começando. Naquela altura ninguém se apercebeu disso”. (Pedro Miguel Silva in Mil Folhas)

Para onde vamos depois do fim? Talvez para uma pequena ilha, pois, como diz uma das personagens deste romance, «depois que o mundo acabar, recomeçará nas ilhas». Daniel Benchimol, personagem de A Sociedade dos Sonhadores Involuntários e Teoria Geral do Esquecimento, regressa logo na primeira página do novo livro de Agualusa. O cenário é o da beleza única e mágica da Ilha de Moçambique - onde decorre um festival literário que reúne três dezenas de escritores africanos que, na sequência de uma violentíssima tempestade no continente (e de um evento muito mais trágico, que só depois se revelará), permanecerão totalmente isolados durante sete dias.

Mas a história leva-nos mais longe: a uma série de estranhos e misteriosos acontecimentos, que colocam em causa a fronteira entre realidade e ficção, passado e futuro, a vida e a morte, e inquietam os escritores e a população local.

José Eduardo Agualusa nunca foi tão longe no lirismo da sua prosa - nem, ao mesmo tempo, no desenho de personagens tão reais que parecem inventadas.

Fonte: contracapa do livro


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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Tempo para a poesia LXXVI

 



Wagner Merije in Coimbra em Palavras

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quarta-feira, 22 de julho de 2020

Tempo para a poesia LXX

Lisboa: Glaciar, 2015


Antônio de Castro Alves, poeta Brasileiro, nasceu em 14 de Março de 1847. Faleceu a 6 de Julho de 1871, com apenas 24 anos. 

Além da extraordinária obra poética deixava traduções em verso da mais alta qualidade, e sobretudo esse "odor de genialidade" que já o acompanhava plenamente em vida, coisa tão rara, e com o qual morreu. Sua curta vida, comum a quase todos os seus êmulos de escola, não permitiu que se dispersasse em nada que não fosse aquilo que representa os altos ideais humanos, amor, arte, justiça, embora não nos caiba supor que com mais longa vida sua trajetória fosse diferente. Deixou exatamente o que planejara, as "espumas flutuantes" de seus versos(...)
(excerto da introdução por Alexei Bueno)

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quinta-feira, 2 de maio de 2019

Sugestões de leitura da Sala Jovem

O Fim da Inocência de Francisco Salgueiro
Alfragide: Oficina do Livro, 2016

Aos olhos do mundo, Inês é a menina perfeita. Frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Por detrás das aparências, a realidade é outra, e bem distinta. Inês e os seus amigos são consumidores regulares de drogas, participam em arriscados jogos sexuais e utilizam desregradamente a internet, transformando as suas vidas numa espiral marcada pelo descontrolo físico e emocional. 

Francisco Salgueiro dá voz à história real e chocante de uma adolescente portuguesa, contada na primeira pessoa. Um aviso para os pais estarem mais atentos ao que se passa nas suas casas.


Nunca desista dos seus sonhos de Augusto Cury
Lisboa:11/17, 2015
Os sonhos são como uma bússola que nos indica quais os caminhos a seguir e as metas a alcançar. São eles que nos impulsionam, nos fortalecem e nos permitem crescer. Se tivermos sonhos pequenos, a nossa capacidade de sucesso também será limitada. Desistir dos sonhos é abdicar da felicidade, pois quem nem sequer tenta alcançar os seus objectivos está condenado a ter uma taxa de insucesso de cem por cento.

Analisando a trajectória vitoriosa de grandes sonhadores — como Jesus Cristo, Abraham Lincoln e Martin Luther King —, Augusto Cury convida-nos a repensar a nossa vida e instiga-nos a nunca deixar morrer os nossos sonhos.


Se algum destes livros te chamou a atenção requisita na Biblioteca Municipal de Arganil. 
Se queres conhecer outras sugestões de leitura pesquisa no marcador "Sala Jovem" ou explora o nosso catálogo online.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Novidades na sala jovem

Uma escuridão bonita
Texto Ondjaki; Ilustrações António Jorge Duarte
Alfragide: Caminho, 2015
Uma escuridão bonita, publicada em Portugal pela Editorial Caminho e com trabalho gráfico e ilustração de António Jorge Gonçalves, regista a conversa entre dois adolescentes, que ensaiam o primeiro beijo no meio da escuridão, em Luanda, quando não havia electricidade.


Luiz Paulo de Carvalho Ferreira e Rosilda Alves Bezerra in Cadernos Imbondeiro. V. 3, n. 2, 2014.
Livro do Plano Nacional de Leitura 
recomendado para o 8º ano de escolaridade

Amigas para a vida de Ann Brashares
Barcarena: Presença, 2010
Polly, Jo e Ama são grandes amigas desde o primeiro dia de escola. Agora preparam-se para gozar as últimas férias de Verão antes da entrada no secundário, um Verão de grandes e súbitas mudanças que irá pôr à prova os laços que as unem. Mas será que o afastamento durante as férias, as novas amizades, aventuras e descobertas poderão distanciar para sempre os rumos das suas vidas? Apesar de recearem que isso aconteça, as três amigas estão determinadas a viver ao máximo esta nova e excitante fase das suas vidas e acabam por descobrir que os romances, as desilusões, as alegrias e todas as experiências que vão tendo parecem uni-las ainda mais e que, tal como as árvores que plantaram tantos anos antes, também a sua amizade tem raízes sólidas e está exuberante de vida.

Fonte: contracapa do livro

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Tempo para a poesia XLIII

Ano Novo

Meia noite. Fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.

Olho o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio
da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça:
nada ali indica
que um ano novo começa.

E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.

Começa como a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta)

Ferreira Gullar, in “Toda poesia”. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1997.