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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Fundo local: Amarga Mente, de Matilde Lourenço Martinho

[Carvalhosa] : Oficina da Escrita, 2026
ISBN 978-989-93332-23-2

Amarga Mente é a obra de estreia de Matilde Lourenço Martinho, uma jovem autora natural de Vila Cova de Alva, que descobriu na escrita uma forma profunda de expressão pessoal.

Mais do que um simples conjunto de poemas, este livro revela uma escrita intensa e autêntica, onde a autora se expõe sem reservas, recusando o conforto das máscaras e enfrentando, com coragem, o olhar e o julgamento alheio. Nos seus versos encontramos uma verdade crua e desarmante, que convida o leitor a ir além da superfície e a mergulhar nas emoções e inquietações que percorrem a obra.

Escrito num curto período de tempo, Amarga Mente nasce de um processo exigente e profundamente emocional. Como a própria autora refere, trata-se de uma travessia interior marcada por “espinhos e ansiedades, lágrimas e incertezas”, onde a escrita surge como forma de revelação do íntimo.

O livro apresenta ainda o sugestivo subtítulo — “das grandes perdas podem nascer grandes histórias” —, refletindo a capacidade de transformar experiências difíceis em criação literária. A capa, pensada como a “porta de entrada” para este universo, reforça essa dimensão simbólica e emocional.

Tal como a citação de Sylvia Plath que abre a obra — “escrevo apenas porque há uma voz dentro de mim que não se cala” —, também em Amarga Mente encontramos uma voz inquieta, sincera e profundamente humana, que se afirma através da poesia.

Uma leitura marcante, que evidencia a força da palavra como espaço de liberdade, introspeção e verdade.

Disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

Leia, porque ler é um prazer!

quarta-feira, 26 de março de 2025

30.ª Feira do Livro de Arganil

30.ª edição da Feira do Livro de Arganil: Uma celebração do livro, da leitura e cultura para todos

O Município de Arganil volta a celebrar o livro e a leitura, entre os próximos dias 2 e 5 de abril, através de mais uma edição da Feira do Livro de Arganil. A realizar no Multiusos da Cerâmica Arganilense, cumpre a sua 30ª edição.

Consolidado ao longo dos anos como um importante marco cultural na agenda da região, apresenta um programa diversificado e estimulante, pensado para atrair e envolver pessoas de todas as idades.

Um dos principais destaques vai para a homenagem a Luís de Camões. No ano em que se comemoram os 500 anos do seu nascimento, vamos contar com a sua “presença” na abertura e inauguração e ainda com a palestra “Camões, poeta e viajante” pela Professora Doutora Rita Marnoto. No entanto, o programa tem muito mais para oferecer.

Ricardo Fonseca Mota, Isabel Stilwell, Jorge Serafim e Bernardo Chatillon são alguns dos nomes que vão passar pela Feira do Livro, assim como o Grupo Folclórico da Região de Arganil e o Clube Girassol, os Polos dos Conservatórios de Música e Dança de Arganil e a Filarmónica de Arganil que vai fazer o momento de encerramento.

Com uma oferta de livros variada e preços apelativos, a feira constitui-se uma excelente oportunidade para os leitores de todas as idades se deixarem perder entre páginas de diferentes géneros, desde a literatura infantojuvenil à ficção, poesia, ensaio e história e adquirirem os livros de que mais gostam para enriquecer a sua biblioteca pessoal.

Deixamos-lhe o convite para celebrar a leitura, a cultura e a história, num ambiente de festa, cultura e convívio que só a Feira do Livro de Arganil sabe proporcionar.

Consulte o programa em: https://bibliotecas.cm-arganil.pt/30-a-edicao-da-feira-do-livro-de-arganil/

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Fundo local enriquecido: "A minha aldeia e a Serra do Açor" de Tiló Henriques

 


No livro  “A minha aldeia e a serra do Açor: memórias e saudades”,  apresentado no passado dia 8 de setembro, na Biblioteca Alberto Martins de Carvalho, reúne um conjunto de poemas e alguns textos em prosa, organizados em 10 capítulos, a autora Tiló Henriques desenha com emoção, saudade e nostalgia os seus sentimentos, olhares, memórias e sonhos sobre a sua aldeia berço, Monte Frio, e a Serra do Açor que a abraça e envolve.

“Meu terno berço (p. 35)

Meu querido amado belo doce amigo
Ecoa uma vida a correr sem te apreciar
Em verões fugazes momentos contigo
Chegou o Outono da vida e quero-te amar
Apaixonei-me por ti e em ti me deleito
Em teus olhos verdes perco o meu olhar
Na tua lua de prata e estrelas me deito
Só tu tens a magia e arte para me acalmar
Andam em teu redor pássaros borboletas
Clamam em memórias saudades inquietas
És dos poetas sonho fonte de luz inspiração
Meu Monte Frio de sol brilhante e aragens
Monte de naturezas bucólicas e selvagens
Meu terno berço que aquece o coração…”

Tiló conduz o leitor até a um passado em que Monte Frio, tal como tantas outras aldeias que polvilham as nossas serras, era repleta de vida, levando-nos a recordar como era o dia-a-dia das pessoas que as habitavam e registando em poema este testemunho para a posteridade.

O conjunto de poemas intitulado “Mantas de fitas da aldeia” evoca este passado, para alguns já bem longínquo, com mestria. Trata-se de um testemunho vívido para o futuro, para aqueles que agora já só vêm à aldeia nos meses de verão e “apenas encontram casas habitadas de fantasmas, sombras, vazio e ausência.”

Para a Tiló a aldeia parece fundir-se com o seu próprio ser. “Esta terra que sou eu”, escreve a determinado momento, onde se sente “grata e reconciliada, de tantos grilhões, libertada, cansada, perdida, mas reencontrada, de tantas penas e cruzes carregada…” (p. 33)

Finalizo endereçando os parabéns à Tiló, por este que é já o seu quinto livro e a todos os que sentem a Serra do Açor como sendo sua recomendo que o leiam e a sintam, tal como a Tiló o faz.

Miriella de Vocht


Leia, porque ler é um prazer!

terça-feira, 23 de abril de 2024

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor 2024

Mensagem da directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, por ocasião do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, 23 de abril de 2024

No ano em que se assinalam os 500 anos do nascimento de Camões, a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas homenageia o poeta através do seu cartaz comemorativo do Dia Mundial do Livro 2024,
concebido por Luís Mendonça/Gémeo Luís,.

Os livros são convites à viagem e ao encontro com os outros: a cada nova página virada, outro mundo surge diante dos nossos olhos. No Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor de 2024, desejamos celebrar o poder e a beleza dos livros.

Os livros, em todas as suas formas, permitem-nos aprender e manter-nos informados. Eles também nos divertem e ajudam-nos a compreender o mundo, ao mesmo tempo que oferecem uma janela para a alteridade.

Para que os livros possam libertar todo o seu potencial, é essencial que reflitam a diversidade linguística do nosso mundo. Contudo, isto está longe de ser o caso hoje; a maioria dos trabalhos é publicada em apenas algumas línguas e a tecnologia digital levanta a questão da homogeneização linguística.

No entanto, cada linguagem escrita traz consigo uma visão de mundo particular, com os seus símbolos e os seus valores.

É por isso que, no âmbito da Década Internacional das Línguas Indígenas (IDIL), lançada em 2022, a UNESCO apoia a publicação de livros em línguas indígenas e regionais. Desde 2023, trabalha com editoras de todo o mundo para publicar What Makes Us Human, de Victor D.O. Santos e Anna Forlati – um livro infantil ilustrado que celebra a riqueza linguística e cultural – em 14 línguas, incluindo Mapuche, Galego e Marathi.

A UNESCO também apoia a indústria do livro em África, especialmente o sector dedicado aos livros para jovens. Para ajudar a contar a história da escravidão e discutir as suas repercussões no mundo atual, lançou em 2022 a série “Bintou & Issa” em parceria com a editora Langages du Sud. O objetivo da série é consciencializar as crianças sobre o assunto desde cedo. Também em parceria com Langages du Sud, e por ocasião da Feira Internacional da Edição e do Livro de Rabat, em maio de 2024, lançará o primeiro volume da série Les Balades de Nour. O livro convida os jovens marroquinos a aprenderem sobre o seu património cultural listado pela UNESCO a partir de uma perspectiva diferente.

Finalmente, a UNESCO apoia o sector editorial e o poder da leitura através da sua rede de Capitais Mundiais do Livro, concebida para reforçar a alfabetização e promover a protecção dos direitos de autor e da liberdade de expressão. Estrasburgo, França, foi designada Capital Mundial do Livro de 2024. O objetivo é fazer dos livros o meio preferido para comunicar as preocupações ambientais do nosso tempo e partilhar o conhecimento científico associado.

Por último, a UNESCO está empenhada em apoiar a remuneração justa de todos os envolvidos na indústria do livro, a começar pelos autores. Afinal, por trás de cada livro existe toda uma cadeia de saberes e competências que levou à sua criação.

Neste dia, a UNESCO convida não só a celebrar a leitura e a cultura, mas também a assumir o compromisso de apoiá-las.

Para saber mais sobre este dia ou ler a mensagem original siga os links abaixo:

https://en.unesco.org/commemorations/worldbookday 

http://livro.dglab.gov.pt

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Vida e Obra de José Mattoso

José Gonçalves Mattoso nasceu a 22 de janeiro de 1933 e faleceu a 8 de julho de 2023.
Foi historiador e professor universitário. Doutorou-se na Universidade de Lovaina (Bélgica) com a tese "L'Abbaye de Pendorada des origines à 1160".

Foi professor auxiliar da Faculdade de Letras de Lisboa desde 1971 e da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A partir de 1977 passou à categoria de professor agregado e em 1979 a professor catedrático. Dedicou-se sobretudo à história beneditina em Portugal e à história medieval.

A produção historiográfica de José Mattoso começou a ser publicada em 1968, com “Les Monastères de la Diocèse du Porto de l'an mille à 1200”, seguindo-se, em 1970, “As Famílias Condais Portucalenses séculos X e XI”, tema a que voltou, em 1981, com a obra “A Nobreza Medieval Portuguesa. A Família e o Poder”.


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quinta-feira, 6 de julho de 2023

Fundo local enriquecido: "Acrescento" de Tonito do Solheiro


"Acrescento" é o segundo livro da autoria de Tonito do Solheiro, pseudónimo literário de António Coisinha e, conforme se pode ler no prefácio é uma continuação do livro “O Berço no Éden”.

Nas palavras do autor “Acrescento” é um conjunto de poemas, que remetem para a sua segunda infância. Estes poemas constituem, nas palavras de Maria de Lourdes Martinho, um convite “a descobrir o poeta eterno apaixonado, os seus sonhos, anseios e desilusões; conhecer entre outros, familiares, amigos, o meio onde nasceu, o que o acolheu e o homem em que se tornou.”

Gentes do Açor

São escarpas selvagens, fragas e montes,
Ribeiras de cristais, tocam sinfonias,
Sol e sombras, desenham os horizontes
Do paraíso, rico em melodias.
As chuvas lavam e alimentam fontes,
Regatos correm por levadas esguias,
Levam vida às courelas dos despontes,
Pra recriação de todos os dias.

Vidas sofridas nas serras das canseiras,
Cavam nas encostas, combros de ambição,
Pão em vida, sepulturas derradeiras,
As suas riquezas, são as regas do chão.
Preces divinas, no cimo das ladeiras,
Aliviam as penas, cumprem devoção,
São assim as gentes serranas das beiras,
Tangem o fado com dotes de emoção.

                                                     In: Acrescento

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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segunda-feira, 22 de maio de 2023

Exposição Itinerante do FIIN – Festival Internacional de Imagem da Natureza

 

Está patente ao público, na Biblioteca Municipal de Arganil e na Biblioteca Alberto Martins de Carvalho - Coja, entre os dias 22 de maio e 5 de junho, a exposição itinerante  FIIN’22 alusiva à Natureza e à Biodiversidade.

Esta exposição foi organizada pelo Município de Vila Real, no âmbito do Festival Internacional de Imagem da Natureza, FIIN’22, com o propósito de promover o debate e a reflexão sobre a monitorização e conservação dos valores naturais e consciencializar a sociedade para a conservação da natureza e para a preservação do património biológico, desígnio igualmente partilhado pelo Município de Arganil.

Composta por 3 exposições temáticas especificas: Exposição de Fotografia da Biodiversidade; Exposição de Desenho Científico e de Natureza e Exposição de Imagem Juvenil de Natureza e complementada por uma sessão de curtas-metragens de cerca de 60 minutos, esta exposição é uma conjugação entre as artes (fotografia, desenho e cinema) e o conhecimento, através da qual se pretende fazer chegar a todos a mensagem de que devemos proteger o património natural do planeta.

Aguardamos pela sua visita!

sexta-feira, 10 de março de 2023

XXVIII Feira do Livro de Arganil

 

Livros, escritores, contadores de histórias e muita animação em torno do livro e da leitura é o que poderá encontrar na XXVIII Feira do Livro em Arganil.

Organizada pela Câmara Municipal através da Biblioteca Municipal, a Feira do Livro conta com a colaboração do Agrupamento de Escolas de Arganil e insere-se no programa da Semana da Leitura através da Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

Com um programa de animação diversificado e abrangente, dirigido a toda a comunidade, pretende-se que a Feira do Livro seja uma verdadeira festa em torno dos livros e da leitura.

Visite a XXVIII Feira do Livro de Arganil, desfrute de bons momentos e aproveite para adquirir, de entre uma vasta oferta e com preços convidativos, o livro que mais lhe agradar.

Consulte o programa em: https://bibliotecas.cm-arganil.pt/xxviii-feira-do-livro-de-arganil/ 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Concurso de Poesia - Escreva um poema... A nossa terra é o tema

 

Assinala-se a 21 de Março o Dia Mundial da Poesia que tem como objetivo, entre outros, a promoção de valores culturais através da expressão poética.

Como forma de assinalar a data e chamar a atenção para a importância da poesia, as Bibliotecas Públicas do Concelho de Arganil desafiam a criatividade da comunidade convidando à criação de um poema em que a nossa terra é o tema.

São aceites participações até ao dia 12 de março e estas efetivam-se através do envio do poema, devidamente identificado para o endereço de e-mail: bib.arganil@cm-arganil.pt.

Os poemas recebidos serão avaliados por um júri de acordo com critérios de criatividade, originalidade, qualidade e adequação ao tema do concurso. Os 5 poemas com melhor classificação serão publicados na página do Facebook das Bibliotecas Públicas do Concelho de Arganil no dia 15 de março, sem referência ao nome do autor. Caberá ao público escolher os 3 vencedores da 3ª edição do concurso de poesia “Escreva um poema… a nossa terra é o tema”.

Dê asas à sua criatividade e participe!

Consulte as normas de participação aqui!


sábado, 28 de janeiro de 2023

Fundo local enriquecido: "Poemas ao acaso" de Lino Salgueiro

" (...) O Salgueiro tem assim uma poesia, não apenas na forma como namora o rio, mas também no lugar que ocupa nesta pintura de uma certa ruralidade que nos recorda tempos já passados.

    Então, que melhor sobrenome Lino poderia escolher para assinar os seus poemas?

    Lino, escolhe as palavras com a sensibilidade e a ondulação do Salgueiro que ladeia as margens do rio, sem vozes bruscas ou entediantes, apenas com a suavidade com que as águas namoram tão portentosa árvore.

    E se Lino abrevia o nome de Avelino, já o Salgueiro dá-lhe as raízes no povo para quem escreve, mesmo que este, não entenda no imediato o alcance das palavras, apesar de saber que estas lhe namoram o ouvido e a mente.

    Assim, para quem desfolhar este Livro, intitulado, "Poemas ao Acaso", encontrará nele a ligação ao mais genuíno das nossas gentes, onde as coisas mais simples têm um encanto único que brota de forma sincera e simples com que Lino Salgueiro escreve. (...)

                          Excerto do prefácio pelo prof. José Dias Coimbra

Havemos de nos encontrar...

Quem me dera ser pombinha
Daquele pombal de Pombeiro...
Batia as asas, partia para longe,
Dando a volta ao mundo inteiro.
Doce torrão, donde parti de alforge,
Mala ao ombro, de outeiro em outeiro,
Pensando vencer na vida,
Ainda que num sonho derradeiro...
Minha estrela, meu norte
Qual amuleto, pedra da sorte
Moldando meu coração,
Alma penitente ajoelhada em oração.
Minha terra de invulgar grandeza,
Baluarte de pundonor,
Por onde em tempos medievos
Passou prazenteira e formosa Leonor,
Consumindo-se mais tarde
Em sonhos de realeza e de dor...
Cantos nos outeiro,
Nas levadas, nos milheirais e moinhos,
Olhos matreiros trilhando caminhos,
Bastardos, esquecidos e daninhos,
Presos na mesquinhez e na avareza.
E a história correndo presente e futuro
Com inolvidável ligeireza!
Passados os tempos de grandeza
Seguiram caminho os columbinos,
Com garbo e firmeza.
Dando a esta terra mais beleza,
Desde o monte de Quitéria
Até ao Alva profundo,
Donde das areias se tirava o ouro
Para acudir à miséria
E sonhar com o mundo...
Um mundo nem sempre perfeito.
Mas lá anda aquela saudade...
Agarradinha junto ao peito,
Enchendo-o por inteiro,
Com uma estranha certeza...
Havemos de nos encontrar em Pombeiro!

Lino Salgueiro, 13.11.2012

Nota biográfica: Lino Salgueiro é o pseudónimo literário de Avelino de Jesus Silva Pedroso. Avelino Pedroso nasceu a 15 de outubro de 1957 na aldeia de Salgueiral, na freguesia de Pombeiro da Beira. Médico de profissão, dedica-se à escrita de forma esporádica e informal desde a adolescência.

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

À venda na papelaria Argomagazine e Campanário

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terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Evocando Miguel Torga nos 28 anos da sua morte


Assinala-se hoje, dia 17 de janeiro, 28 anos que morreu o médico e escritor Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha. Miguel Torga nasceu em Vila Real, no dia 12 de agosto de 1907, estudou medicina em Coimbra, cidade que elegeu para viver e onde veio a morrer no dia 17 de janeiro de 1995, com 87 anos.

Miguel Torga está ligado ao concelho de Arganil por laços profissionais e de amizade.




Em 2003 foi atribuído à Biblioteca Municipal de Arganil o nome de Miguel Torga, consagrando assim o nome de um cidadão e escritor que não só soube retratar eximiamente a alma portuguesa, como os locais por onde passou.

Recordamos hoje a obra deste grande escritor com a transcrição de 3 dos seus poemas.


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quinta-feira, 21 de julho de 2022

Fundo local enriquecido: "O berço no Éden" de Tonito do Solheiro


"O Berço no Éden" é um livro da autoria de Tonito do Solheiro, pseudónimo literário de António Gouveia Coisinha.

O autor, natural da aldeia de Sobral Magro, onde passou a sua infância, cedo rumou para Lisboa. Não obstante a Serra do Açor faz parte da sua identidade, realidade que transparece nas páginas do livro de poesia "O Berço no Éden". 

"A atração pelo ambiente natural da Serra do Açor é, ainda hoje, predominante na sensibilidade do Tonito do Solheiro, numa quase dependência do usufruto dos carreiros das ladeiras, do curso do cristalino nas ribeiras ou, simplesmente, a contemplação do horizonte nos cumes da montanha, porque isso é a sua génese. Os sabores, os aromas, as brisas, as texturas e o relevo da paisagem, são o seu património." (excerto da introdução)
O meu sentir
(em memória da mãe)

Um pequeno gesto criativo
com a esperança recebida,
Que me faz o sentimento vivo,
De inconformismo nesta vida.

Se a matéria se vicia,
Então, que a alma se levante,
Se o espírito se corrompia,
Renove-se o gesto vibrante.

Se ambos estão do mal cativos,
Aumentem-se os tons assertivos,
Mobilizem-se repudiantes.

Façamos das vontades ativos,
Removam-se os impeditivos
E prossiga-se no adiantes.

In: O berço no Éden

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quinta-feira, 23 de junho de 2022

Fundo local enriquecido: "A minha odisseia" de Jaime Lopes

Amadora: ed. autor, 2021
"Esta odisseia de um homem comum deixa perceber o conceito de liberdade que o EU transporta dentro da sua caixa de emoções. Desde cedo, o poeta preconizou que o oceano seria ao sua morada (...) Aqui não há proposição nem invocação, mas há uma vontade férrea de dizer que se quer perpetuar o MAR, sacralizando as águas e as consequentes memórias. (...)" (excerto do prefácio por Luísa Ramos)
A minha odisseia é o mais recente livro de poesia de Jaime Lopes, natural da aldeia de Sobral Gordo, concelho de Arganil. O autor rumou em direção a Almada aos 12 anos e ainda antes de completar os 17 anos ingressou na Marinha de Guerra Portuguesa como grumete, tendo sido agraciado e condecorado diversas vezes ao longo da sua vida pelo seu percurso na vida militar.

Publicou o seu primeiro livro, Memórias Itinerantes, em 1996, a que se seguiram, O paladar do sonho, Barco de Memórias, Na ondulação da Maré, Memórias do futuro e Ao sabor do vento.

A poesia de Jaime Lopes reflete o seu percurso de vida sendo quer a serra, quer o mar fonte de inspiração para os seus escritos.

A descrição poética, feita ao longo das 153 páginas que compõem A minha odisseia, transporta o leitor através de uma viagem impar pelos mares, que apenas alguém que teve o mar como escola e casa é capaz de fazer.

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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segunda-feira, 18 de abril de 2022

Memórias de Pedra de Cleo Dias

Numa gaveta, as fotos antigas e textos começam a transbordar. É um baú de memórias! Olhar imagens ou escrever sobre outras épocas é reviver um pouco das emoções e sentimentos experimentados. Dificilmente uma pessoa, mesmo com a saúde física ou mental abalada, consegue ficar imune às recordações eternizadas num livro, como este. Memórias de Pedra de Cleo Dias é um exemplo perfeito de como as memórias contribuem para a construção da identidade.

A memória pode ser entendida popularmente como a capacidade que o ser humano tem de conservar e relembrar experiências e informações relacionadas ao passado, sendo estas, parte de processos de interação de cada indivíduo com o seu meio.

A partir do início do século XX o conceito de memória passou a ser definido como um fenómeno social, na medida em que as relações entre os indivíduos são estabelecidas pelas formas em que os mesmos interagem entre si, através dos aspectos socioculturais, como por exemplo, nos ambientes: familiar, profissional, político, religioso, entre outros. Tais elementos são fundamentais na construção das memórias e, consequentemente, da história destes indivíduos. Citando Jacques Le Goff (2013) “Tal como o passado não é a história, mas o seu objeto, também a memória não é a história, mas um dos seus objetos e, simultaneamente, um nível elementar de elaboração histórica.” Assim, a memória também pode ser utilizada para reconstruir os fatos históricos a partir de resignificações individuais.

Numa escrita muito própria, impregnada de sentimento e emoção, nostalgia e esperança, Maria de Lurdes Dias, relata em “Memórias de Pedra” as memórias de tudo o que viveu e sentiu na pequena aldeia de Pai das Donas, onde cresceu. Memórias que como a própria escreve “se não forem resgatadas a tempo, acabarão por se diluir no esquecimento, como tantas outras das quais já não resta nem um simples vislumbre.”

São mais de 400 páginas, na sua maioria escritas em prosa, em que a autora parece que vai pintando com palavras cenários e situações. Mas também há algumas incursões pela poesia, como o poema “Daqui, desta janela”.
"Debruçada no peitoril
Da janela do tempo
Observo o horizonte
Que se estende à minha frente
Fecho os olhos por instantes
E observo o eterno ontem…

Revisito-me nos lugares distantes
Que me vivem na memória
Intocáveis e serenos
Tal como os deixei
O milheiral verde

Onde tanto labutei
Até ao limite das minhas forças
Que
Por tenras serem
Eram poucas…

Das tantas sementeiras
Batatas serôdias
Feijões mochos
E dos que subiam até ao céu…

Os olivais dispersos
Onde azeitonas geladas
A doerem-me nos dedos
Os corrimões das videiras
Ao fundo das quelhadas

O quintal dos mimos
O pomar sombrio
A adega e o alambique
No culminar da vindima

A eira das malhas do trigo
As casas das debulhas do milho
À luz do candeeiro no alto da trave
Os currais
O cheiro do estrume
A fumegar….

A casa da minha avó
O bordo da fogueira

Onde me sentava e me aquecia
Enquanto comia o caldo das couves
E ouvia histórias antigas
De homens e lobos
Na lonjura dos montes
Eram histórias simples
De meias verdades
De meias fantasias
Mas que tanto me encantavam
Esgravatando na memória
Encontro tantos tesouros

Está tudo lá
Inalterável
Como se o tempo não existisse…"
Quase todos os mosaicos de que se compõem este livro vêm acompanhados por uma fotografia como que a dar um enquadramento visual…

Memórias de pedra é um retrato da vida nas aldeias da Serra do Açor nas décadas de 70 e 80 do século XX. Vidas árduas em que as rotinas diárias eram ditadas pelas estações do ano e aquilo que em cada uma delas era necessário fazer para tirar da terra em socalcos e quelhadas o sustento para o dia-a-dia.

Mas não apenas as questões agrícolas são referidas neste belo mosaico da vida rural do século passado. Através dos relatos de Cleo Dias revivemos a matança do porco, o largo da aldeia como ponto de encontro, as vindimas, as festas, o cozer da broa, e outros tantos costumes que por força do êxodo rural e da modernização se foram perdendo no tempo.
“O tempo… sempre o mesmo tempo de que nos damos conta de já ter passado, quando nos olhamos ao espelho e lhe descobrimos o diâmetro da espessura. Ou nas rugas que escavaram socalcos na pele do rosto engelhado de uma velha, a debulhar memórias que estende ao sol… O tempo que nos escapa por entre os dedos, porque nos distancia das coisas. Não dos lugares, porque a esses podemos voltar sempre que nos apetecer. Apenas das coisas, porque os lugares, esses, a continuarem lá ainda que mergulhados na imperturbável quietude dos montes. Os mesmos lugares que fervilhavam de vida, porque pessoas mais novas do que nós agora e no entanto mais velhas do que nós a mexerem-se com ferramentas nas mãos e cestos e molhos às costas, frenéticos, e a tagarelarem alegrias e tristezas umas com as outras em lugares que se lá formos hoje, as não encontramos. De maneira que, só o vazio no lugar delas. Mas se ainda nos lembrarmos delas, podemos coloca-las nos seus lugares, e tudo outra vez como dantes! Tudo isto são coisas insignificantes… Talvez saudades. Sim, são saudades do que o tempo abocanhou e deixou para trás."
Memórias de Pedra é certamente um livro que merece a pena ser lido e constitui um importante contributo para a preservação da memória imaterial de todos os povos que habitaram e habitam a Serra do Açor.

Miriella de Vocht
Texto de apresentação do livro "Memórias de Pedra" na 27ª Feira do Livro de Arganil

sexta-feira, 1 de abril de 2022

XXVII Feira do Livro de Arganil

Entre o dia 6 e 9 de Abril realizar-se-á a XXVII Feira do Livro de Arganil no Espaço Multiusos da Cerâmica Arganilense.

Organizada pela Câmara Municipal através da sua Biblioteca Municipal, a Feira do Livro conta com a colaboração do Agrupamento de Escolas de Arganil e insere-se no programa da Semana da Leitura através da Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

A Feira do Livro pretende ser um evento cultural de referência e tem como objetivo o desenvolvimento de hábitos de leitura nas famílias e na população em geral, contribuindo assim para o aumento dos níveis de literacia no concelho. Conta com um programa de animação diversificado e abrangente, que pretende chegar a toda a comunidade. Apresentação de livros, espetáculos diversos, sessões de cinema, contos e histórias, 4 dias que prometem ser uma verdadeira festa em torno dos livros e da leitura.

Visite a XXVII Feira do Livro de Arganil, desfrute de bons momentos e aproveite para adquirir, de entre uma vasta oferta e com preços convidativos, o livro que anda a pensar comprar, ou outro que lhe agrade.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Fundo local enriquecido: "Utopia Mirandum" de Rui Cruz

Arganil: ed. autor, 2021
ISBN 978-989-33-2041-9
Através do livro "Utopia Mirandum" Rui Cruz tenta destruir narrativas vigentes, numa época de crise, propondo ao leitor uma nova narrativa. (Luís Novais)

Numa sala de um tribunal, 3 desconhecidos, por razões quase ridículas, travam um conhecimento pessoas, que em breve se transformou em amizade e cumplicidade, a tal ponto que tomaram a iniciativa de mudarem radicalmente as suas vidas, partindo para uma epopeia que os levou ao acaso histórico de fundarem um país diferente, ousado, polémico e certamente estranho.

Este texto narra, na primeira parte, as aventuras que se viveram até ao nascimento da nação e depois, nas partes seguintes, aproveita os incidentes e picardias que se seguiram e que condicionaram a forma como se organiza a vida e a sociedade nessa terra, fazendo uma breve visita às suas instituições e aos conceitos determinantes, sendo certo que trata de uma forma simples de temas bastante controversos e eventualmente potenciadores de muita polémica.

Mais que uma história por vezes bem-humorada, por vezes muito sarcástica, por vezes demolidora, trata-se de um documento em que se lançam as bases daquilo que justamente se pode chamar uma nova utopia, a que o autor chama a UTOPIA MIRANDUM.

Fonte: contracapa do livro

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

Leia, porque ler é um prazer!