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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

"Todas as palavras" um sucesso da escritora Tamara Ireland Stone

 

Porto: Porto Editora,2022
ISBN: 978-972-0-03602-5

"Se conseguisses ler os meus 
pensamentos, não sorrias assim."

À primeira vista, Samantha McAllister parece uma típica adolescente. 
Mas por detrás do seu cabelo esticado e da maquilhagem cuidadosamente aplicada, esconde-se um segredo que as suas amigas de sempre jamais saberiam compreender: Sam sofre de transtorno obsessivo-compulsivo.

A jovem questiona cada passo e decisão que toma. E as amigas, que torcem o nariz a tudo, só atrapalham. Mas são as miúdas mais populares na escola e seria uma estupidez deixar de lhes falar. Certo?

Entra em cena Caroline, uma verdadeira lufada de ar fresco, com um sentido de humor e roupas inacreditáveis. E vem com bónus: um passado complicado como o de Sam e um clube secreto onde todas as palavras merecem ser ouvidas, o Canto do Poeta.

Entre as quatro paredes pretas de uma sala esquecida, Sam encontrará num grupo de exilados românticos uma nova oportunidade para sonhar e amar – para ser ela própria.

Fonte: Contracapa do Livro

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

Leia, porque ler é um prazer!

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

4 poemas de Miguel Torga




Biografia


Sonho, mas não parece.
Nem quero que pareça.
É por dentro que eu gosto que aconteça
A minha vida.
Íntima, funda, como um sentimento
De que se tem pudor.
Vulcão de exterior
Tão apagado,
Que um pastor
Possa sobre ele apascentar o gado.

Mas os versos, depois,
Frutos do sonho e dessa mesma vida,
É quase à queima-roupa que os atiro
Contra a serenidade de quem passa.
Então, já não sou eu que testemunho
A graça
Da poesia:
É ela, prisioneira,
Que, vendo a porta da prisão aberta,
Como chispa que salta da fogueira
Numa agressiva fúria se liberta.

 In: Orfeu Rebelde

Sísifo

Recomeça...
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

In: Diário XIII

História Antiga

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.

Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.

In: Antologia Poética

Parque Infantil

Joga a bola, menino!
Dá pontapés certeiros
Na empanturrada imagem
Deste mundo.

Traça no firmamento
Órbitas arbitrárias
Onde os astros fingidos
Percam a majestade.

Brinca, na eterna idade
Que eu já tive
E perdi,
Quando, por imprudência,
Saltei o risco branco da inocência.

E cresci.

In: Antologia Poética

Poemas lidos durante o evento "Miguel Torga, 30 anos depois: um legado que perdura", realizado na Biblioteca Municipal Miguel Torga - Arganil, no dia 17 de janeiro de 2025


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Concurso de Poesia - Escreva um poema... A nossa terra é o tema

 

Assinala-se a 21 de Março o Dia Mundial da Poesia que tem como objetivo, entre outros, a promoção de valores culturais através da expressão poética.

Como forma de assinalar a data e chamar a atenção para a importância da poesia, as Bibliotecas Públicas do Concelho de Arganil desafiam a criatividade da comunidade convidando à criação de um poema em que a nossa terra é o tema.

São aceites participações até ao dia 12 de março e estas efetivam-se através do envio do poema, devidamente identificado para o endereço de e-mail: bib.arganil@cm-arganil.pt.

Os poemas recebidos serão avaliados por um júri de acordo com critérios de criatividade, originalidade, qualidade e adequação ao tema do concurso. Os 5 poemas com melhor classificação serão publicados na página do Facebook das Bibliotecas Públicas do Concelho de Arganil no dia 15 de março, sem referência ao nome do autor. Caberá ao público escolher os 3 vencedores da 3ª edição do concurso de poesia “Escreva um poema… a nossa terra é o tema”.

Dê asas à sua criatividade e participe!

Consulte as normas de participação aqui!


sexta-feira, 1 de abril de 2022

XXVII Feira do Livro de Arganil

Entre o dia 6 e 9 de Abril realizar-se-á a XXVII Feira do Livro de Arganil no Espaço Multiusos da Cerâmica Arganilense.

Organizada pela Câmara Municipal através da sua Biblioteca Municipal, a Feira do Livro conta com a colaboração do Agrupamento de Escolas de Arganil e insere-se no programa da Semana da Leitura através da Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

A Feira do Livro pretende ser um evento cultural de referência e tem como objetivo o desenvolvimento de hábitos de leitura nas famílias e na população em geral, contribuindo assim para o aumento dos níveis de literacia no concelho. Conta com um programa de animação diversificado e abrangente, que pretende chegar a toda a comunidade. Apresentação de livros, espetáculos diversos, sessões de cinema, contos e histórias, 4 dias que prometem ser uma verdadeira festa em torno dos livros e da leitura.

Visite a XXVII Feira do Livro de Arganil, desfrute de bons momentos e aproveite para adquirir, de entre uma vasta oferta e com preços convidativos, o livro que anda a pensar comprar, ou outro que lhe agrade.

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Natal 2021 - Um presépio de verdade

 

Texto de Maria Leonarda Tavares dedicado aos "Amigos de ler"

“Amigos de Ler” é um clube de leitores livres e apaixonados pelas suas leituras. Reunimos-nos na segunda segunda-feira do mês, às 21:00 horas, na Biblioteca Municipal de Arganil | Miguel Torga, com os mais variados pretextos – uma ideia, um autor, uma cor, uma página... Memórias dos textos que temos lido.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Serão dos Amigos de ler dedicado à palavra "Madrugada"



Poema e música apresentada pelo autor, Eduardo Gonçalves,
no serão dos Amigos de Ler, no dia 11.10.2021

“Amigos de Ler” é um clube de leitores livres e apaixonados pelas suas leituras. Reunimos-nos na segunda segunda-feira do mês, às 21:00 horas, na Biblioteca Municipal de Arganil | Miguel Torga, com os mais variados pretextos – uma ideia, um autor, uma cor, uma página... Memórias dos textos que temos lido.

terça-feira, 9 de março de 2021

Paris da minha ternura

 




Mário de Sá-Carneiro nascido em 1890, em Lisboa, passou grande parte da vida em Paris, onde contactou com os grandes artistas do seu tempo. Assistiu à maior revolução artística do seu século — a Vanguarda –, algumas vezes com grande cepticismo, outras com entusiasmo. O relato dessa aventura está nas cartas que trocou com Fernando Pessoa, escritor, “irmão de Alma”. Com ele fundou em 1915 a revista Orpheu, um dos mais importantes acontecimentos literários do século XX em Portugal.

Sá-Carneiro partiu para Paris em 1912, com o pretexto de cursar a Faculdade de Direito, atraído pela vida cultural e boémia, sustentada pelas mesadas que o pai lhe remetia com intermitências.

Sá-Carneiro escreveu todos os seus poemas entre 1913 e 1916, a maior parte deles em Paris. Em 1914 saiu o seu primeiro livro de versos, Dispersão, em edição do autor, e apenas em 1937, vinte e um anos após a sua morte, a Editorial Presença publica o seu segundo livro do mesmo género, Indícios de Oiro. Os manuscritos que viriam a compor esse volume haviam sido enviados a Fernando Pessoa antes de Sá-Carneiro, a 26 de Abril de 1916, se suicidar num quarto do Hotel Nice, em Paris, e ficado a seu encargo para que os publicasse da maneira que lhe parecesse melhor. 

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A ideia de cosmopolitismo é um traço da mentalidade modernista. Os autores desta corrente veêm a cidade como sendo fonte de inspiração. Um meio de expandir ideias e mundo.

Para Sá-Carneiro, foi mais de que isso. Tratou de se distanciar do quotidiano que o rodeava, de Lisboa e dos conhecidos. De algum modo isolar-se e afastar-se do que lhe gerava ansiedade.

No poema  Abrigo, Sá Carneiro canta a cidade luz com a nostalgia e o distanciamento de um exilado, de quem se projecta para longe dela.

Mais de que cantar Paris pelos sentidos, parece cantá-la pelos afectos. Os estudos em torno da obra poética do autor, levam a crer que a forma como Sá Carneiro evoca Paris é muito maternal, relacionando-se de algum modo com a sua própria infância e a perda da mãe em terna idade. Quer a relação com Paris, quer a relação com a infância parece ser feita da dualidade entre o que é sonhado e o que é vivido. Embora o aproxime da infância, Paris é também um bem distante, ao mesmo tempo sua “febre” e sua “calma”, “Mancenilha e bem-me-quer”, “lobo e amigo”, sua “Lua” e sua “Cobra”.

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O texto acima publicado foi contributo para o serão dos Amigos de Ler de março, que teve como tema a palavra CIDADE(S).

segunda-feira, 1 de março de 2021

Amigos de ler - Março


O próximo serão dos AMIGOS DE LER realiza-se no dia 8 de março, pelas 21h00, e vai ter como tema a palavra “CIDADE(S)”.

Quem quiser participar pode fazer a sua inscrição até 8 de março às 16.00 horas para bib-arganil@cm-arganil.pt

Boas leituras!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

A arte do silêncio

Pode parecer paradoxal analisar a literatura em termos de silêncio. A literatura faz-nos saber, ver, ouvir e sentir através das palavras, expressa e comunica ideias; contrariamente o silêncio é a ausência de fala, barulho ou ruído. O silêncio sugere mudez, quietude, obscuridade e sigilo. Não importa o quão anulante o termo e as suas conexões possam parecer, é importante lembrar que o silêncio é ouro. De facto o silêncio é uma comodidade na literatura, tem uma linguagem própria. Diz-nos o antropólogo James Hall que “a linguagem do silêncio é uma tradução de uma série de comunicações contextuais complexas e não-verbais em palavras”. Não significa apenas que as pessoas comunicam entre si de forma não-verbal, mas que existe um universo inteiro de comportamentos inexplorados, não examinados.

O silêncio funciona fora da perceção consciente e em justaposição às palavras.

Claro que em literatura a ausência de palavras não existe. No entanto a forma como se escreve ou descreve algo pode nos traduzir a noção de silêncio.

Para este serão a minha escolha de leitura recaiu sobre o livro “As pequenas memórias” de José Saramago.

Publicado em 2006 é, sem rigor cronológico, a autobiografia do escritor José Saramago e abrange o período entre os quatro e os quinze anos da sua vida.

Logo nas primeiras páginas Saramago partilha um poema por ele escrito enquanto adolescente. Protopoema, onde é clara a forma como a palavra pode dar a ideia de som ou a ideia de silêncio:

“Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos nós cegos, puxo um fio que me parece solto.
Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os dedos.
É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limos, e tem a macieza quente do lodo vivo.
É um rio.
Corre-me nas mãos, agora molhadas.
Toda a água me passa entre as palmas abertas, e de repente não sei se as águas nascem de mim ou para mim fluem.
Continuo a puxar, não já memória, apenas, mas o próprio corpo do rio.
Sobre a minha pele navegam barcos, e sou também os barcos e o céu que os cobre, e os altos choupos que vagarosamente deslizam sobre a película luminosa dos olhos.
Nadam-me peixes no sangue e oscilam entre duas águas como os apelos imprecisos da memória.
Sinto a força dos braços e a vara que os prolonga.
Ao fundo do rio e de mim, desce como um lento e firme pulsar de coração.
Agora o céu está mais perto e mudou de cor.
É todo ele verde e sonoro porque de ramo em ramo acorda o canto das aves.
E quando num largo espaço o barco se detém, o meu corpo despido brilha debaixo do sol, entre o esplendor maior que acende a superfície das águas.
Aí se fundem numa só verdade as lembranças confusas da memória e o vulto subitamente anunciado do futuro.
Uma ave sem nome desce donde não sei e vai pousar calada sobre a proa rigorosa do barco.
Imóvel, espero que toda a água se banhe de azul e que as aves digam nos ramos por que são altos os choupos e rumorosas as suas folhas.
Então, corpo de barco e de rio na dimensão do homem, sigo adiante para o fulvo remanso que as espadas verticais circundam.
Aí, três palmos enterrarei a minha vara até à pedra viva.
Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se juntarem às mãos.
Depois saberei tudo.”
O poema dá-nos uma ideia de silêncio pacífico e tranquilo. No entanto nem sempre o silêncio transparece esses sentimentos. Mais a frente quando Saramago recorda um pesadelo recorrente escreve assim: “aquele pesadelo recorrente em que me via encerrado num quarto de forma triangular onde não havia móveis, nem portas, nem janelas, e a um canto dele «qualquer coisa» (…) que pouco a pouco ia aumentando de tamanho enquanto uma música soava, sempre a mesma, e tudo aquilo crescia e crescia até me fazer recuar para o último recanto onde finalmente despertava, aflito, sufocado, coberto de suor, no tenebroso silêncio da noite.”

Noutro episódio Saramago recorda alguns episódios de pesca. No rio perto da casa dos avós ou um pouco mais longe, no Tejo. Descreve o que para si é o silêncio mais profundo:

“Voltei ao sítio, já o Sol se pusera, lancei o anzol e esperei. Não creio que exista no mundo um silêncio mais profundo que o silêncio da água. Senti-o naquela hora e nunca mais o esqueci.”

Este episódio relatado em “As pequenas memórias” foi transformado num livro infanto-juvenil com o nome “O silêncio da água”, ilustrado por Manuel Estrada e publicado pela Editorial Caminho em 2011.

 Miriella de Vocht

O texto acima publicado foi o meu contributo para o serão dos Amigos de Ler de fevereiro, que teve como tema a palavra SILÊNCIO.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Amigos de ler - Fevereiro


“E de súbito desaba o silêncio
É um silêncio sem ti.
Sem álamos sem luas
Só nas minhas mãos
Ouço a música das tuas
“É o silêncio é por fim o silêncio
vai desabar” (Eugénio de Andrade)

O próximo serão dos AMIGOS DE LER realiza-se no dia 8 de fevereiro, pelas 21h00, e vai ter como tema a palavra “SILÊNCIO”.

Quem quiser participar pode fazer a sua inscrição até 8 de Fevereiro às 16.00 horas para bib-arganil@cm-arganil.pt

Boas leituras!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

"Se numa noite de inverno um viajante" de Italo Calvino



CALVINO, Italo - Se numa noite de inverno um viajante.
Porto : Publico, 2002.
ISBN 84-8130-508-1

"Se numa noite de inverno um viajante" de Italo Calvino foi uma das obras apresentadas na sessão dos amigos de ler em Janeiro, que teve como tema "labirinto". Fica o convite à sua leitura!

Este livro é na verdade um verdadeiro labirinto, embora a palavra não esteja explicita em nenhuma das suas página, onde se fala de livros, de leitores, de escritores, de bibliotecas e livrarias.

A busca das palavras adequadas para exprimir o que o escritor pretende dizer é um verdadeiro quebra cabeças, muitas vezes inglório pois terá de se submeter à interpretação que o leitor faz das palavras escolhidas pelo escritor.

A luta do escritor para separar o que é imaginado do que é a realidade funde-se nas palavras que escolhe para construir o texto, que depois, quando é lido, transmite esse labirinto de palavras conduzindo o leitor à mesma luta existencial de misturar a realidade que vive, com a sua capacidade imaginativa, juntando ainda os conhecimentos que a sua biblioteca interior lhe transmite através dos livros que já leu.

Nos corredores labirínticos das bibliotecas, os livros aguardam a escolha do leitor. Contudo o leitor tem dentro de si o seu próprio labirinto que o leva a percorrer esses corredores de estantes onde os livros esperam a sua decisão, como tão bem o autor nos dá a conhecer nas páginas deste livro.

Gostaria de deixar aqui um pequeno excerto do livro, devo no entanto confessar que não foi fácil fazer a escolha. Depois de muito ponderar escolhi esta passagem que me parece bastante significativa.

«Eu também sinto a necessidade de reler os livros que já li, diz um terceiro leitor, mas em cada releitura parece-me ler pela primeira vez um livro novo. Serei eu que continuo a mudar e vejo coisas novas que antes não tinha notado? Ou a leitura é uma construção que ganha forma juntando um grande número de variáveis e não se pode repetir duas vezes de acordo com o mesmo desenho? Sempre que tento reviver a emoção de uma leitura anterior, obtenho impressões diferentes e inesperadas, e não reencontro as anteriores»

Na verdade, o livro “Se Numa Noite de Inverno Um Viajante” de Italo Calvino é um labirinto de ideias à volta do que é o Livro, a Leitura e o Leitor e como estas três palavras e os seus significados influenciam o Escritor, que é também Leitor.

Margarida Fróis

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Poesia ao fim do dia


Poesia ao fim do dia é uma nova rubrica desenvolvida pela Biblioteca Municipal de Arganil, no âmbito do novo confinamento decretado no passado dia 15 de Janeiro.


Para todos os que gostam de poesia diariamente, pelas 20.30 horas partilhamos nas nossas redes sociais e plataformas um poema dito por Miriella de Vocht

Siga-nos e sinta a magia da poesia!

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

24º Aniversário da Biblioteca Municipal de Arganil


Assinala-se hoje, dia 4 de Dezembro, o 24º Aniversário da Biblioteca Municipal de Arganil.

Neste ano atípico não nos é possível festejar como gostaríamos, reunindo nos espaços da Biblioteca públicos de todas as faixas etárias e oferecendo um programa de atividades diversificado.

Não obstante queremos marcar a data. Preparamos este vídeo comemorativo e queremos voltar a assegurar a todos os nossos utilizadores que estamos de portas abertas como habitualmente, respeitando as normas de higiene e segurança, para a todos receber e continuar a oferecer os nossos serviços.

Parabéns à Biblioteca Municipal de Arganil, a toda a sua equipa e a quem a integrou no passado e também aos seus utilizadores que são a razão pela qual existimos!

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Revista digital Entreler

O Plano Nacional de Leitura 2027 iniciou a publicação de uma revista digital - a ENTRELER

Trata-se de uma revista digital de acesso livre e gratuito, com periodicidade anual, que tem como objetivo divulgar estudos e reflexões sobre a leitura, a escrita e a literacia, em todas as faixas etárias e nas suas múltiplas dimensões e contextos, bem como projetos e atividades de promoção da leitura e formação de leitores. 

A ENTRELER dirige-se a mediadores, docentes, formadores, investigadores, bibliotecários, técnicos e a todos os que partilham o interesse pela leitura, pela escrita e pelas literacias. (PNL2027)

O nº 0 da revista já está disponível e merece leitura atenta. Apresenta um conjunto variado de artigos, abordando temas da leitura infantil e juvenil, da literacia mediática e digital, da investigação e da prática da leitura partilhada, bem como uma entrevista de Carlos Fiolhais a Alberto Manguel.

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quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Artur Portela Filho

Artur Portela Filho, jornalista, escritor e tradutor, faleceu a 10.11.2020.

Nascido a 30 de Setembro de 1937, Artur Portela Filho, formou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi redactor do Diário de Lisboa ​nas décadas de 50 e 60, e fundou e dirigiu o Jornal Novo, entre 1975 e 1977. Fundou também a revista Opção, durante a década de 70, e colaborou com outros jornais como o República, A Capital ou o Jornal do Fundão​. Mais recentemente colaborou com o jornal i.

Enquanto escritor dedicou-se à ficção em prosa, teatro, contos e crónicas, tendo ao longo da sua vida publicado mais de 20 livros.




Aproveitamos para destacar um excerto do texto "A ameaça dos livros" de Setembro de 1966, publicado no 1º volume da obra "A funda"

Porquê ler este livro e não outro?
Porquê ler Namora e não Pratolini? Porquê ler Cesariny e não Breton? Porquê ler Margarido e não Robbe-Grillet?
A solução parece fácil. É lê-los a todos. E, depois, recusá-los, ou aceitá-los. Só que - há muitos livros e pouco tempo para ler.
E se ler é essencial, se ler os livros-chave é indispensável, - a escolha pode, ser muitas vezes é, dramática.
O livro é elemento-base da cultura. A cultura estrutura e dinamiza o indivíduo. Logo, a escolha de um livro, de um autor, pode estabelecer a trajectória desse indivíduo, marcar-lhe o carácter, pautar-lhe o comportamento, Somos, também, os livros que lemos. (...)

Aceda ao catálogo da Rede de Bibliotecas de Concelho de Arganil para saber que livros temos para si deste autor.

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quinta-feira, 25 de junho de 2020

Juntos de férias: George e o código secreto do universo de Lucy e Stephen Hawking

Barcarena: Presença, 2017
Ler este livro é como percorrer numa montanha-russa a vastidão do espaço. Nesta história em que mais uma vez George, um jovem explorador espacial, é o protagonista, através de uma emocionante aventura, podes descobrir os mistérios da física, da ciência e do universo.

George, na companhia da sua amiga Annie, filha do cientista e vizinho Eric - com a ajuda do super computador inteligente chamado Cosmos, viajam para o espaço profundo para tentar descobrir o que está por detrás de uma série de ocorrências intrigantes: Os bancos oferecem dinheiro ao desbarato, os supermercados não podem cobrar pelas compras e os aviões recusam-se a voar. Ao que parece, os maiores e melhores computadores do mundo foram pirateados.

Este é o quarto livro da série pensada por Stephen Hawking, com a sua filha Lucy, que para além de propor aventuras divertidas e empolgantes, tem como preocupação explicar aos jovens de forma acessível grandes questões científicas.


Queres saber mais sobre este livro e os restantes da série? Visita o site de Lucy Hawking.
Este é um dos 6 livros seleccionados para o projeto Juntos de Férias - app Desafios Ler+. Descarrega a aplicação e depois de ler o livro apresentado Joga e Ganha.

Livro disponível para empréstimo na Biblioteca Municipal de Arganil.

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terça-feira, 23 de junho de 2020

Juntos de férias: O país das laranjas de Rosário Alçada Araújo

Alfragide: Asa, 2019
Leitura de um excerto pela autora do livro, 
Rosário Alçada Araújo

Com apenas 10 anos, Martha parte para Portugal com o irmão Peter. Estamos em 1949 e a fome e o frio fazem parte do seu quotidiano, já que a Áustria, a sua terra-natal, é ainda um país destruído pela Segunda Guerra Mundial.

Chegados a Lisboa, os dois são inesperadamente separados e Martha vai viver para a Covilhã, no seio de uma família abastada que a recebe com todo o amor e um conforto que nunca antes experimentou.

Martha irá viver dias inesquecíveis, que ficarão para sempre guardados nas memórias da sua infância. Mas não poderá separar estes tempos de felicidade das recordações da guerra que traz consigo, das saudades do irmão e da mãe, da tristeza por não se lembrar das feições do pai e ainda de algumas peripécias que acontecem na casa onde agora vive.

Quando o regresso à Áustria se aproxima, Martha vê-se obrigada a pensar em quem é realmente e a que lugar quer pertencer.

A história de Martha é ficção, mas inspirada na realidade: entre 1947 e 1952, 5500 crianças austríacas participaram num programa da Cáritas que lhes permitiu passar vários meses em Portugal, integradas em famílias que, até aí, não conheciam. Entravam no comboio em Viena com destino a Génova e, daí, apanhavam o barco para Lisboa. Traziam uma mala e um cartão, pendurado ao pescoço, com o nome e um número. Não conheciam ninguém nem sabiam a língua, mas rapidamente fizeram amigos, esquecendo, pelo menos por algum tempo, todo o trauma da guerra e da destruição. (Maria João Caetano in Diário de Notícias)

Este é um dos 6 livros seleccionados para o projeto Juntos de Férias - app Desafios Ler+. Descarrega a aplicação e depois de ler o livro apresentado Joga e Ganha.

Lê, porque ler é um prazer!

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Juntos de Férias - Verão de 2020

O Juntos de Férias é um projeto de parceria do Plano Nacional de Leitura 2017-2027 (PNL2027) com a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP), através da Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB), que tem por objetivo incentivar o gosto pelo livro e pela leitura dos jovens dos 10 aos 15 anos em tempo de férias. No intuito de promover a leitura como atividade lúdica, criou uma aplicação Desafios LeR+  para dispositivos móveis, uma oportunidade para que os jovens leiam e se divirtam com os livros nas férias – e para que o façam nas bibliotecas municipais, se não fisicamente, à distância, através do empréstimo domiciliário.

A partir de hoje está disponível a quarta série do projeto Juntos de Férias, relativa às férias de verão de 2020, com base na app Desafios LeR+.

A app Desafios LeR+ disponibiliza jogos (sopa de letras, Intruso, escolha múltipla, ordenação, forca e pares) sobre um conjunto de 6 livros.

Os 6 livros selecionados para esta edição são:
e reserva o teu livro!

Acompanha o blog Leituras Cruzadas e Biblioactiva.ler para saber mais sobre este projecto e sobre os livros desta edição.

Lê, porque ler é um prazer!

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Amigos de Ler - Contributo de Maria Leonarda Tavares


O habitual encontro na biblioteca estava marcado para o passado dia onze de maio. O tema proposto era a palavra rosa. 

O que me ocorreu, de imediato, foi a rosa do Principezinho de A. de Saint Exupéry e a célebre frase: “Foi o tempo que passaste com a tua rosa que a tornou tão importante.” 

Talvez outros elementos do grupo tenham tido a mesma ideia. Por isso, e como este breve excerto da obra me reportou para o sentimento da amizade, dei outro rumo ao pensamento: a escritora Maria Rosa Colaço. 

Tive o privilégio de a ter como amiga e sou grande admiradora da sua escrita. 

Ela merece ser trazida de volta. Tal como muitos escritores quase caiu no esquecimento, após a sua morte a treze de outubro de 2004. 

A biografia e parte da sua obra estão disponíveis na internet. 

Escreverei, apenas, sobre facetas menos divulgadas. 

O livro com mais edições, mais traduzido e que a tornou conhecida numa boa parte do mundo foi a Criança e a Vida. 

Publicou, pelo menos, cerca de três dezenas de livros. Centenas de crónicas em jornais e poemas cantados pelos Trovante, Luísa Basto, Coro de Santo Amaro de Oeiras, Paulo de Carvalho, Coro de Coimbra e Samuel. 

O grupo de Teatro de Almada representou a sua peça Espanta Pardais

Recebeu o prémio Soeiro Pereira Gomes com a novela Gaivota. Prémio Nacional de Teatro com Pássaro Branco. Um segundo prémio de teatro com a peça A Outra Margem. 

Em África organizou a 1ª Exposição de Poesia Ilustrada e a 1ª Exposição de Arte Africana. 

Colaborou com Zeca Afonso, arquiteto Ramalhete e outros na organização do 1º Dia Mundial do livro. 

A sua obra é a caminhada de alguém que esteve sempre atento, que foi sensível e que guardou na memória o olhar da criança com quem se cruzou, a alma da gente simples, todos os aromas da natureza, as flores e as árvores. 

Jorge Listopad disse sobre ela: “O que escreve, é o quotidiano que parece banal, mas uma banalidade que é plasma, aprendizagem de vida, antropologia de microcosmos, água batismal, estigma de memória, imaginação do real.” 

Maria Rosa Colaço conseguiu uma relação próxima, real, cheia de ternura e de poesia com tudo o que guardou dentro de si. 

Depois escreveu tudo isto com as “tintas do coração” como dela disse Baptista-Bastos que a chamou a “Rosa da Prosa”. 

Maria Leonarda Tavares

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Pássaros por Maria Leonarda Tavares

PÁSSAROS

Este foi o tema escolhido pelos Amigos de Ler para o mês de abril. Associamos as aves à liberdade. 
Porém, há um mês, não sabíamos que o Covid 19 nos havia de enclausurar. Um minúsculo vírus invisível, aparentemente insignificante, aprisionou-nos e fragilizou-nos. 
Este ano, nas comemorações do 25 de abril, os heróis da revolução são os profissionais de saúde e todos os outros que também lutam, quer seja na linha da frente ou na retaguarda, contra a dura realidade da pandemia. 
A liberdade é algo de muito importante, contudo, a que permanece e depende de nós, é a interior, a do pensamento, a que vem de dentro e vive connosco. 
Tem-nos sido recomendado uma boa terapia para a alma: a leitura. 
Entre outros livros, volto diariamente a passagens do Diário de Etty Hillesun. 
Uma rapariga judia, holandesa que aos vinte e nove anos foi violentamente morta no Campo de Concentração de Auschewitz, a trinta de novembro de 1943. 
Esta jovem dá-nos a maior lição de liberdade interior, de força, de coragem e de solidariedade num dos tempos mais horríveis da História de Humanidade. 
Não resisto a partilhar alguns excertos dos seus escritos em Auschewitz pouco tempo antes de morrer. 

“Queria dizer apenas o seguinte: a miséria aqui é realmente terrível e, ainda assim, à noite, quando o dia caiu num abismo atrás de mim, costumo caminhar, a passo enérgico, ao longo do arame farpado e, nessas alturas, volta a assolar-me o sentimento – não consigo evitá-lo, as coisas são como são, existe uma força elementar – de que esta vida é algo de glorioso e magnífico e que, um dia, teremos de construir um mundo totalmente novo. 
(…) Podemos sofrer, mas não podemos sucumbir. 
(…) Gostava tanto de continuar a viver para transmitir na nova era toda a humanidade que guardo dentro de mim, apesar de tudo aquilo com que convivo diariamente. 
(…) Mesmo que só nos reste uma rua estreita, por onde teremos de caminhar, por cima da rua existe todavia o céu inteiro. 
(…) E no final de cada dia, sinto a necessidade de dizer: A vida é muito bela, apesar de tudo é muito bela.” 

Como escreveu Filipe Condado: “Uma vida interrompida? Não, uma vida diluída por toda a Humanidade.” 
Não sei quem é o autor desta frase mas aplica-se à leitura do “Diário de Etty: “Certos livros deixam-nos o barco depois da viagem”. 
Etty Hillesum conseguiu encontrar os diamantes escondidos no aterro de sofrimento do campo de concentração. 
A sua força interior impediu-a de se deixar aprisionar pelo arame farpado e por todos os horrores que viveu até à morte. 
A liberdade de pensamento permitiu-lhe voar por um céu azul de onde avistava toda a beleza que existia para além do mísero catre onde passou os últimos tempos. 
Neste momento somos todos peregrinos nos dias inesperados de uma enorme incerteza. O tempo de entendermos a cumplicidade de sermos irmãos na aventura do caminho. 
A natureza está em flor e convida-nos a abraçar a nossa vulnerabilidade num percurso de reconciliação com a esperança. 
Podemos estar de joelhos, mas a grande corrente da vida continua a fluir e estende-nos a mão. 
Ao escrever estas palavras, penso em muitas pessoas. Carrego a dor de algumas e admiro a solidariedade de outras. 
Quanta serenidade é necessária para dormir sem pesadelos! Quanta coragem para aceitar o presente como um grande desafio que a vida nos coloca! 
Agora que os dias estão a crescer, que a luz se prolonga até mais tarde, muitos dos habitantes do planeta estão fechados em casa. 
As nossas janelas são atravessadas por muitos olhares que se cruzam com todos os outros. Buscam consolo, companhia, ânimo. 
Contemplar a natureza faz bem. A natureza que nasce da terra, se estende pelo céu, pelos oceanos, pelo mundo inteiro. Há vida em cada pedaço de chão. Não nos afastemos do essencial: a vida. 
Se pudesse criar um dia novo, oferecia-o. Era merecido. Sentirmos a alegria limpa do convívio, da proximidade, dos risos, dos abraços, muitos abraços. 
Tudo há de voltar. Por favor, esperem. 
As andorinhas regressaram. Todos os pássaros, laboriosamente, nidificam. 
Estas pequenas criaturas enchem o cenário de tantos lugares. 
Primavera é uma palavra feita de pássaros. 
Os seus limites não são infinitos, mas o céu é muito grande. Está mais limpo. Nós, eles e todas as criaturas respiramos um ar mais puro. 
Eles não sabem o que é o Covid 19. Não fazem perguntas, nem esperam respostas. 
Continuam a voar de asas abertas, livres como o vento. 
E nós precisamos de ter a humildade de reaprender com a natureza. 

Maria Leonarda Tavares