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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

"A aventura do pudim de Natal ; O cavalo pálido" de Agatha Christie

 



Lisboa: Livros do Brasil,1960

 Na história que dá título ao livro, “A aventura do pudim de Natal”, um príncipe herdeiro pede a Poirot que o ajude a encontrar um rubi que lhe foi roubado. Para investigar o caso, o detetive precisa participar – a contragosto – numa tradicional celebração natalina inglesa numa mansão do interior. Mas um bilhete anónimo acaba por mudar tudo...

***

Um padre assassinado de maneira brutal. Pessoas que adoecem misteriosamente. Mulheres que dizem ter poderes paranormais. Esses são alguns dos enigmas que assombram um vilarejo na zona rural inglesa. A chave deste segredo está relacionada a uma lista de nomes. Para desvendar esta história, Mark Easterbrook, um escritor à procura de inspiração, conta com a ajuda dos seus amigos, entre eles, a famosa autora de romances de mistério Ariadne Oliver, numa aventura que pode ser fatal.

Fonte: https://www.lpm.com.br/

Livro disponível para empréstimo na Biblioteca Municipal de Arganil.

Leia, porque ler é um prazer!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Boas festas!

 

Neste período especial do ano, as Bibliotecas Públicas do Concelho de Arganil gostariam de expressar os mais sinceros votos de um Natal maravilhoso e um Ano Novo repleto de felicidade.

Gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para agradecer a cada um de vocês pelo apoio contínuo e pelo entusiasmo com que participam nas nossas atividades. A vossa presença e envolvimento são fundamentais para o sucesso das nossas bibliotecas, e estamos verdadeiramente gratos por termos uma comunidade tão dedicada.

Estamos ansiosos para partilhar convosco uma programação repleta de eventos culturais, oficinas criativas e novas aquisições literárias em 2025. Continuaremos a trabalhar para proporcionar um espaço inspirador e acolhedor, onde o conhecimento e a imaginação possam florescer.

Que esta época festiva traga paz, amor e alegria para todos. Desejamos que o novo ano seja repleto de saúde, sucesso e muitas leituras enriquecedoras.

pela Equipa das Bibliotecas Públicas do Concelho de Arganil

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

O Natal do Sr. Scrooge de Charles Dickens

Mem Martins : Europa-América, [19-?]. 166, [2] p.

O Natal do Sr. Scrooge é um conto da autoria de Charles Dickens sobre o velho, frio, miserável e avarento Ebenezer Scrooge e a sua conversão secular e redenção após ter sido visitado por quatro espíritos na noite de Natal.

A história foi publicada pela primeira vez em 1843 e rapidamente obteve sucesso comercial, bem como a aclamação crítica.


O conto inicia-se na noite de Natal, 7 anos após a morte do sócio de Ebenezer Scrooge, Jacob Marley. Nessa noite, Scrooge recebe a visita do espírito de Marley que o avisa que o seu espírito jamais terá paz se ele não modificar a sua atitude gananciosa e avarenta. Marley avisa também que Scrooge receberá a visita de mais espíritos.

De acordo com a profecia de Marley, Scrooge recebe nessa noite a visita de 3 espíritos: o espírito dos Natais passados, o espírito do Natal presente e o espírito dos Natais futuros, cada um deles leva Scrooge a cenários diferentes e após a sua visita Scrooge será um homem completamente diferente, transformando-se num homem bondoso e generoso, capaz de sentir o verdadeiro espírito natalício.

Esta é uma história que merece ser lida. É uma lição para todos nós nesta quadra natalícia.

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Natal da minha infância/ Contrastes

As famílias reuniam-se à volta da farrusca e tosca lateira ou da incandescente braseira de lata ou de cobre, apoiada no estrado de madeira, lavado com sabão amarelo. Bebiam chá, comiam as “filhoses”, os sonhos, as rabanadas, as broinhas e tagarelavam noite dentro.

O coração saltitava no peito dos pequenos, “bêbedos de sono”, espremendo teimosamente as pestanas, cada vez mais pesadas…

Dormiam em sobressalto, estrebuchando de pesadelos, na ânsia de ver um MENINO JESUS, descalço, pezinhos rechonchudos, descer pela chaminé a gemer de cal branca ou forrada de jornais. Pela calada da noite, pé ante pé, evitando qualquer ruído, vinha pôr o presente em cada meia ou num roto sapatinho, reluzente de graxa.

Os olhitos brilhavam como pirilampos, ao acordar durante a noite, pelo ténue rumor do papel que os Divinos pés roçavam de mansinho.

Na manhã seguinte, trocavam, euforicamente, informações com as outras crianças da rua, algumas descalças, pés enregelados, monco no nariz, olhos remelados.

O Menino tinha deixado um pacotinho de papel pardo com um coscorel, dois rebuçados, um torrão de açúcar, sonhos de abóbora e, nas pequeninas mentes, sonhos, sonhos, sonhos até às estrelas celestes…

Neste momento, o pensamento dos sobreviventes voa para o Céu… tentando, com saudade, descobrir a Lurdes e a Eulália, as mais entusiastas.

Em casas mais abastadas, reunida à mesa da consoada uma família de mais de 30 pessoas, onde o peru era rei e a alegria e a amizade não tinham limites, reluziam uma máquina de costura, um fogão ou um minúsculo regador de lata, as panelinhas de alumínio “topo de gama”, um automóvel, um baralho de cartas, uma gaita ou um assobio de barro, retirados do grande saco que aparecia inexplicavelmente junto da lareira, enquanto consoávamos.

Corridas loucas por toda a casa à descoberta do Menino Jesus! Em vão…

- Para o ano não vamos estar distraídos. Havemos de apanhá-lo!

Brinquedos partilhados em jogos inocentes com vizinhos ou amigos.

Onde estará reunida esta enorme família? Que vazio deixou no coração das, apenas… três sobreviventes?!!!...

O Presépio, de musgo verde viçoso, carumas e pinhas da Mata ou da Quinta da D. Guilhermina, era feito ao cimo da Quelha sem saída. As figuras eram do barro da Cerâmica, modeladas toscamente com cabelos de feno ou de ervinhas, feitas com tanto entusiasmo e primor que boca, olhos, cabelos e mãos dos artistas eram tudo barro como o burro, a vaca ou os Reis Magos!

Só o menino, emprestado por algum crente adulto, tinha a perfeição das vistosas imagens compradas nas barracas da feira do Mont’Alto. Ele era, afinal, o Divino aniversariante. Fazia quase 2000 anos, mas nascia todos os anos, na noite de Natal, ao cimo da nossa Quelha sem saída, no Cimo de Vila.

Para o aquecer, em substituição do cepo, acendia-se uma pequena fogueira e as brasas eram levadas para as braseiras ou escalfetas das casas mais frias.

O Pai Natal era desconhecido no nosso tempo. Não ousava sair de casa, sentado ao borralho, lá no Pólo Norte. Por acaso já estive na casa dele. Disse-me que carregava tantos brinquedos, para ajudar o Menino Jesus, aborrecido com tanto peso material, desnecessário.

Outrora, o AMOR era o manto azul luminoso que agasalhava cada lar com a centelha de LUZ, trazida da Missa do Galo.

O Pai Natal dava razão ao “Principezinho” de Saint-Exupéry:

“Só com o coração é que conseguimos ver claramente. O essencial é invisível aos olhos!”

Que neste Natal, o Presépio vivo, viva em cada coração!

M. Olívia Nogueira
Arganil, Dezembro 2021

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Natal 2021 - Um presépio de verdade

 

Texto de Maria Leonarda Tavares dedicado aos "Amigos de ler"

“Amigos de Ler” é um clube de leitores livres e apaixonados pelas suas leituras. Reunimos-nos na segunda segunda-feira do mês, às 21:00 horas, na Biblioteca Municipal de Arganil | Miguel Torga, com os mais variados pretextos – uma ideia, um autor, uma cor, uma página... Memórias dos textos que temos lido.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Natal em tempo de pandemia

 

Natal em tempo de pandemia

É dezembro.
Há chuva, neve e faz frio.
É inverno...tempo de lareira acesa
Tempo do conforto do lar.
É tempo de afetos
Que este ano não podemos partilhar.
Este ano tudo é diferente...
Famílias confinadas,
por um inimigo invisível, separadas!
É Natal em tempo de pandemia
Um Natal com constrangimentos
Um Natal, onde temos de nos reinventar
Criar espaços adaptados
Onde o COVID adormeça
E o Amor ressuscite e floresça!
Onde o Amor,
esteja em primeiro lugar nos nossos corações.
Esteja em cada ação que façamos
E mesmo sem o abraço apertadinho
Sem o carinhoso beijinho
Daqueles que estimamos e amamos
Que seja um Verdadeiro Natal
De Amor, Paz e Alegria
E onde cada um se proteja
Protegendo os outros
Desta malvada Pandemia.

                                        Graça Moniz
                                        Natal 2020

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Boas Festas

O nosso "sapatinho" está cheio. 
Chegaram hoje à Biblioteca às últimas novidades do ano!

Aproveitamos para desejar a todos os nossos leitores um Feliz Natal 
e um Ano Novo repleto de amor, alegria, felicidade, saúde 
e muitas Leituras!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

O verdadeiro Natal por Graça Moniz

O verdadeiro Natal 

A época de Natal aproximava-se a passos largos. A azáfama já se fazia sentir em cada um dos habitantes daquela casa. 

Fizeram a Árvore de Natal no inicio do mês de Novembro. Colocaram bolas das mais variadas cores, fitas reluzentes e luzes que piscavam incessantemente . 

Tanto os pais, como os três filhos mais velhos, ninguém tinha, em si interiorizado o verdadeiro espírito e significado do NATAL. 

Os fins-de-semana eram ansiosamente esperados para que a família fosse em correria louca enfiar-se dentro do Centro Comercial da cidade mais próxima, percorrendo tudo quanto é loja, alimentando o seu espírito altamente consumista e escolhendo quais as prendas que queriam receber. 

A dada altura, era possível ouvi-los comentar entre si: 

“ - já escolhi a minha prenda. Já tenho tudo aquilo que queria. Agora é só colocar os embrulhos junto da árvore e já está”. 

Para um, era um tablete de última geração, para outro, eram uns ténis da marca mais em voga no momento, para outro era um telemóvel topo de gama…enfim , cada um era superior ao outro… 

Mas, o mais novo nunca escolhia nada, dizia sempre que para ele o importante era a surpresa. 

No último fim-de-semana, antes do Natal, andavam eles todos numa agitação indescritível quando alguém lhes bate à porta. 

O mais novo da casa correu a ver quem era e ao deparar-se com uma figura masculina, de porte altivo e desconhecido, deu três passos atrás e gritou pela mãe. 

Esta veio de imediato e ao ver o homem perguntou: - o que deseja da nossa casa? 

Sem demoras o homem respondeu que apenas batera para saber como seria ali o Natal, pois andava a realizar um inquérito ao serviço do Ministério do Amor. 

- Ministério do Amor! – exclamou a mãe. Nunca tal coisa ouvi falar! 

- Pois, acredito que não! Hoje, pais e filhos, na sua grande maioria, só conhecem o Ministério do Comércio. Esse que lhes esgota os bolsos, as contas bancárias e que apenas dá como troco uma imensa torre de papéis de embrulho, fitas, laços e muitas vezes objetos que são responsáveis pela degradação da vida em família. – afirmou o homem. 

A senhora, um pouco perplexa com aquela atitude do homem, mas ciente de que ele até tinha alguma razão naquilo que afirmava, chamou o marido e este convidou o visitante a entrar para que tranquilamente conversassem . 

A conversa decorreu junto à lareira da casa onde crepitavam uns troncos de uma árvore que havia sido parcialmente destruída pelos incêndios do verão anterior. 

O homem, olhava atentamente aquela mescla de cor emanada pelas chamas e simultaneamente procurava ver onde estava o Presépio da casa. Como não vislumbrasse Presépio algum, ousou perguntar: 

- Na vossa casa só se faz a árvore e não se faz Presépio? 

Apressadamente, os miúdos responderam em coro: “Para que queremos nós o Presépio? O Importante são os nossos presentes (que já sabemos quais são) e a árvore para os colocar lá debaixo” 

Os pais não ousaram dizer palavra, eles sabiam que eram os grandes responsáveis pela atitude dos filhos. 

Naquela casa fez-se um silêncio profundo que só foi quebrado pela intervenção do filho mais novo, que falou assim para o visitante: 

- eu sou o mais novo e sou aquele que não escolho prenda. Sou o único que pergunto à mãe a razão de não termos um Presépio como o da casa dos avós, mas a resposta é sempre a mesma, “isso já não se usa, meu filho”. 

O homem, olhando fixamente aquela criança, sentiu deslizar-lhe no rosto, uma lágrima que lhe parecia quente e fria em simultâneo. Fria, como o espírito de Natal daquela família e quente, como o coração daquele pequenino a quem não prestavam atenção. E ao mesmo tempo que a lágrima deslizava, ele sorrateiramente abandonava aquela casa . 

Naquele instante, como que por magia, ouviu-se um barulho que parecia descer do teto para o chão… todos olharam em redor, e, eis senão quando bem junto à lareira o Mais Belo Presépio apareceu, ao pé dele seis pequenos embrulhos (sem laços, nem fitas, mas cheios de amor e carinho). 

Os pais e os filhos mais velhos não sabiam o que dizer, mas o mais novo, não cabia em si de tanta felicidade e agarrando-se à mãe exclamou: 

- Afinal, sempre se usa o verdadeiro Natal! 

Graça Moniz (Natal de 2019)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Natal pelos "Amigos de Ler"

A última sessão dos "Amigos de Ler" teve como tema o Natal.
Ficam aqui mais dois belos poemas lidos no serão realizado no dia 9 de Dezembro que traduzem em pleno os sentimentos que a época natalícia evoca em todos nós.


terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Um Natal dos anos 40

Em Dezembro o grupo "Amigos de Ler" da Biblioteca Municipal de Arganil reuniu-se para falar sobre o Natal.

Em redor de uma mesa decorada com motivos natalícios e com muitos livros à mistura a partilha de contos, histórias, poemas, prendas e mensagens não faltou. E o encontro traduziu-se como sempre num agradável serão.

Partilhamos aqui um belo conto com que a prof. Maria Olívia Nogueira brindou os Amigos de Ler. Um conto que relata uma noite de Natal nos anos 40 do século XX. Um Natal cheio de vida, alegria, calor e amor.


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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Ouro, incenso e mirra

O ouro, o incenso e a mirra estiveram sempre associados aos magos. 
Nada se sabe ao certo sobre eles. São Mateus é o único evangelista que aborda o acontecimento, intitulando-o: Adoração dos Magos. 
“Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos, vindos do oriente. Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? – perguntavam. 
Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.” 
Quando chegaram ao lugar onde estava o Menino a estrela parou. Sentiram uma enorme alegria. Entraram. Prostraram-se em adoração. Abriram os cofres e ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 
Os magos trouxeram os melhores produtos do oriente. Cada um simbolizando os atributos do Messias: ouro, como rei; incenso, como Deus; e mirra, como homem mortal. 
Supostamente os magos eram sábios do oriente, talvez reis da Arábia ou Pérsia, que se dedicavam principalmente à astronomia. 
São Mateus nunca menciona o número. Porquê três? De onde vêm os nomes Belchior, Baltasar e Gaspar?’ 
Verdade ou imaginação eles tornaram-se uma lenda e fazem parte do nosso presépio. 
Os magos, tal como são apresentados, inspiram e desafiam a nossa capacidade aventureira. 
Se Jesus ou outro salvador voltasse a nascer num pedaço de chão do planeta, acredito que seria numa zona de pobreza, talvez em África. 
Por vezes, dou comigo a pensar que nos dava muito jeito que um todo-poderoso, resolvesse ajudar a por ordem na desordem instalada. A começar pelo problema do aquecimento global. 
Mas como quase ninguém quer abdicar de nada, nem de um saco de plástico, Ele nem saía do presépio, era crucificado de fraldas. 
Porém, se me é permitido ser otimista e sonhar, gostaria de fazer parte da caravana que seguia a estrela e trilhar caminhos de esperança. 
Qualquer direção servia. Ao luar ao sol ou à chuva, o importante era participar, partilhar a experiência, acreditar em algo ou alguém muito especial. 
Contudo, cruzar-nos-íamos com multidões famintas, fugitivos de guerra e de miséria. O sonho desvanecer-se-ia. 
Questionar-nos-íamos, vale a pena? O que procuramos, afinal? 
Os conflitos de que também somos feitos confundir-nos-iam. 
Qual seria a opção? O ouro, o incenso ou a mirra? 
Um caminho longo e penoso é um convite ao desalento. 
Porém, há sempre algo dentro de nós a envolver-nos na procura do outro, no desejo de dar a mão, partilhar afetos e voar abraçados. 

Feliz Natal! 

Maria Leonarda Tavares

Texto escrito por Maria Leonarda Tavares para o Encontro dos Amigos de Ler, realizado na Biblioteca Municipal de Arganil no dia 10 de Dezembro de 2018.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Tempo para a poesia XLII - Especial Natal

Pequena antologia de poemas sobre o Natal de poetas de Língua Portuguesa, organizada por João Alves das Neves e publicada na "A Comarquinha" nº 120 (7.12.2000), suplemento do Jornal "A Comarca de Arganil".

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Os pezinhos do Menino Jesus

Na aldeia de Cadafaz, na serra de Góis, o frio era intenso, porque se aproximava o Natal. “Ande o frio por onde andar, pelo Natal há de chegar” diziam os mais velhos, e era bem verdade! As casas escuras, cobertas com xisto negro, aconchegavam-se umas às outras à beira de ruas tão estreitas, que nelas mal cabiam os carros de bois. No empedrado, trotavam os cascos das ovelhas, apressadas para os pastos, ou de regresso ao curral. 

Luita e Sanel viviam na aldeia e frequentavam a 1ª classe da pequena escola, ensinados pela D. Arminda, a professora primária. Era também a D. Arminda que ministrava a catequese aos meninos e lhes falava do Menino Jesus, filho de Deus Pai, que nascera numa gruta em Belém, na noite de 24 para 25 de dezembro, havia já naquela altura 1957 anos! Luita e Sanel sabiam quem era o Menino Jesus, porque em todos os Natais recebiam uma prendinha no sapatinho, que colocavam junto à lareira. As prendas que cada um recebia eram diferentes: Luita recebia meias, casacos e camisolas, que eram coisas que ele muito precisava, porque a família era mais pobre do que a de Sanel. Este recebia chocolates, doces e brinquedos, porque não precisava tanto das outras coisas que Luita recebia. Mas como eram amigos, Sanel partilhava com Luita as coisas doces que recebia e era assim que devia ser, dizia a mãe de Sanel. Isso agradava ao Menino Jesus. 

- Mãe, porque é que temos de pôr o sapatinho ao pé da lareira e não ao pé da porta? - Perguntava Luita à mãe, olhando-a com os seus grandes olhos castanhos. 

- Porque o Menino Jesus desce pela chaminé - respondia a mãe - o Menino Jesus é muito amigo dos meninos que se portam bem, mas não gosta de se mostrar. Por isso, ele desce de noite, quando eles estão a dormir, coloca a prenda no sapatinho e volta a subir. 

- Mas eu queria tanto, ver o Menino Jesus! – Choramingava o menino, e em cada ano que passava, mais crescia dento de si a vontade de O ver. Estava para chegar mais um Natal e neste, é que havia de ser! Luita não ansiava pelas prendas, nem pelas guloseimas que Sanel lhe haveria de dar. Isso ele tinha garantido, porque nem que fosse apenas um saco de filhós, ele sabia que receberia qualquer coisa. Mas ver o menino Jesus, era o presente mais ansiado. 

Nessa noite, esperou que todos dormissem e levantou-se devagarinho, indo sentar-se junto à lareira, mas a espera prolongada fê-lo adormecer. Acordou estremunhado, com a mãe a abaná-lo e então correu para a chaminé e espreitou. Ficou um bocadinho com a cabeça enfiada no buraco e depois voltou para dentro da pequena cozinha, com um sorriso resplandecente e exclamou, com as mãos postas como quem está a rezar, tremendo de emoção: 

- Ai mãe, que eu ainda Lhe vi os pezinhos! 


Eulália Gameiro

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Os Reis Magos



São três e chegam de longe
com um sonho na bagagem:
querem estar com o menino
antes que finde a viagem.

São magos do Oriente,
mas não são magos de rua;
acreditam nos cometas,
nas estrelas e na lua.

São os magos viajantes
que resistem à fadiga,
seguindo o rasto de luz
de uma estrela que é amiga.

São os Reis Magos que chegam
das mais remotas paragens
com ouro, incenso e mirra
que trazem de outras viagens.

São os Reis Magos Felizes,
joelho assente na terra,
com um voto e uma prece:
"menino, põe fim à guerra."

Gaspar, Baltazar e Belchior
pedem à estrela brilhante:
"Dá nome a este menino
antes que o galo cante."

Viemos aqui nesta noite
com um desejo profundo:
queremos ver o Menino
que vem dar esperança ao mundo.

José Jorge Letria in O livro do Natal

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Boas festas!


Fui ver ao dicionário de sinónimos
a palavra mais bela e sem igual,
perfeita como a nave dos Jerónimos...
E o dicionário disse-me Natal.

Pergunto aos poetas que releio:
Gabriela, Régio, Goethe, Poe, Quental,
Lorca, Olegário...E a resposta veio:
E é Christmas...Natividad...Noël...Natal.

Interroguei o firmamento todo!
Cobra, formiga, pássaro, chacal!
O aço em chispa, o "pipe-line", o lodo!
E a voz das coisas respondeu Natal!

Pedi ao vento e trouxe-me, dispersos,
- riscos de luz, fragmentos de papel -
cânticos, sinos, lágrimas e versos:
Um N, um A, um T, um A, um L...

Perguntei a mim próprio e fiquei mudo...
Qual a mais bela das palavras, qual?
Para quê perguntar se tudo, tudo,
diz Natal, diz Natal e diz Natal?!

Adolfo Simões Müller - Moço, Bengala e Cão: Poemas, 
Lisboa: edição do autor, 1971

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Tempo para a poesia XXVII















Natal… sempre

As ruas enchem-se de Natal
O tempo é de festejar
De uma esquina a outra
É o artificial
Que ilumina a noite
Luzes, música
Correria ofegante
Tudo tão brilhante
Tão sonante

Na multidão em movimento
O Natal de tantos
É apenas olhar
A alegria das ruas
O riso dos outros
Os sacos enfeitados
Laços, presentes
Que nunca tiveram
E sempre esperaram

Mas é no olhar das crianças
Que brilha a Estrela
A indicar o caminho
Que nos mostra o Natal
Sempre num berço
De Menino

Helena Paz in Poemas da velha casa