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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Estilos parentais e parentalidade positiva


A forma como os pais exercem a sua função parental é bastante diversificada e tem variado ao longo dos tempos conforme os grupos culturais. As ideias que temos sobre a educação dos filhos divergem de pessoa para pessoa porque são um aspecto importante da nossa personalidade e da nossa filosofia de vida. O estilo parental é a forma como os pais se relacionam com os filhos. Os pais podem seguir vários estilos parentais, conforme a situação, mas existe, regra geral, um estilo dominante. 

Os estilos parentais têm sido categorizados como: autoritário, permissivo, negligente e democrático. É do estudo do estilo democrático que nasce o conceito de parentalidade positiva. Esta “caracteriza-se por um tipo de parentalidade que embora mais tolerante é também exigente em relação aos filhos, mas numa lógica de reciprocidade. Os filhos devem responder às exigências dos pais, mas os pais também aceitam a responsabilidade de responderem, quanto possível, aos pontos de vista e razoáveis exigências dos filhos. Encorajam-lhes a autonomia, ouvem-lhe as opiniões, mas não hesitam no caminho a seguir e não descuram o cumprimento de regras. (...)[1]

A promoção da Parentalidade Positiva tem sido uma aposta das sociedades preocupadas com o bem-estar e o desenvolvimento das crianças, e a sua importância é oficialmente reconhecida pelo Conselho da Europa que tem encorajado os estados membros a desenvolver e implementar um conjunto de medidas de apoio à parentalidade positiva.
“A Parentalidade Positiva define-se como um “comportamento parental baseado no melhor interesse da criança e que assegura a satisfação das principais necessidades das crianças e a sua capacitação, sem violência, proporcionando-lhe o reconhecimento e a orientação necessários, o que implica a fixação de limites ao seu comportamento, para possibilitar o seu pleno desenvolvimento”.
(Recomendação do Conselho da Europa, Lisboa 2006)

Na biblioteca Municipal de Arganil poderá encontrar os seguintes recursos para melhor compreender esta temática: 

SIEGEL, Daniel J. ; BRYSON, Tina Payne - Crianças SIM : como ajudar os seus filhos a serem mais resilientes, independentes e criativos. 1ª ed. Lisboa : Lua de Papel, 2019. ISBN 978-989-23-4560-4 

DIAS, Magda Gomes - Berra-me baixo : 21 dias para deixares de gritar com o teu filho. 1ª ed. Lisboa : Manuscrito, 2016. ISBN 978-989-8818-41-6 

GONZÁLEZ, Carlos - Bésame mucho : como criar os seus filhos com amor. 2ª ed. Lisboa : Pergaminho, 2014. ISBN 978-989-687-131-4 

CURY, Augusto Jorge - Pais inteligentes formam sucessores, não herdeiros. 1ª ed. Lisboa : Pergaminho, 2016. ISBN 978-989-687-275-5

Leia, porque ler é um prazer!


[1] Sofia Cid – Socióloga – Pós-graduada em Sociologia da Família; Educação e Parentalidade Positiva e Mediação Familiar.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Avaliar a informação



As notícias falsas, ou as chamadas Fake News em inglês, são conteúdos amplamente divulgados e difundidos na Internet pelo que é necessário ser capaz de avaliar a informação com que nos cruzamos para confirmar a sua veracidade, fiabilidade e credibilidade e não contribuir para que falsas informações se propaguem ainda mais.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Não se livrem dos livros impressos

Na edição do Jornal Público nº 10536 de 26.02.2019 são apresentadas as principais conclusões a que chegarem os autores do estudo “Não se livrem dos livros impressos” que analisa as respostas de mais de 171 mil participantes sobre a leitura em papel e a leitura em ecrã. 

Uma das principais conclusões é que “quando se lê em papel, a compreensão do que é lido é maior, ao contrário do que acontece quando o mesmo conteúdo informativo é lido em ecrãs,” o que está diretamente ligado ao estilo de processamento da informação. De acordo com os investigadores o processamento da informação obtida através da leitura em ecrã é mais superficial de quando a leitura é realizada em papel. 

Outra conclusão apresentada neste texto é que esta diferença no processamento da informação é mais significativa em relação aos textos informativos, de que em relação aos textos narrativos. 

Para saber mais sobre este tema consulte: 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Opinião de leitor: Treze anos para sempre, Marion!

Uma história verídica que nos alerta para o Bullying e Ciber-bullying. 

Marion, uma menina de 13 anos, aparentemente uma criança feliz, boa aluna e sem problemas de comportamento na escola, aparece enforcada no seu próprio quarto. A mãe, que a encontra, fica sem saber o que pensar e sem um motivo aparente para tal tragédia.

Os relatos feitos na primeira pessoa pela Mãe, descrevem a luta de uns pais que não têm qualquer justificação para o acto da sua filha mais velha.

Desengane-se quem achar que tem uma relação aberta e sem segredos com os filhos adolescentes ou mesmo mais novos. É um relato preciso de que, mesmo com uma relação muito sincera e aberta com os nossos filhos, tudo pode cair em segundos e o sentimento de culpa recai sempre sobre nós.

É um alerta muito preciso que nos mostra que ninguém está preparado para passar por uma situação destas… Os momentos de raiva, os momentos de luto, os momentos de dúvida, são bem demonstrados pelas palavras da Mãe.

O Bullying e Ciber-bullying é um problema que nos assombra todos os dias, e por mais que o assunto seja abordado nas escolas, continua a fazer vitimas e a estragar uma fase do crescimento dos nossos filhos que é essencial para o seu desenvolvimento. É triste que, ainda hoje, existam escolas, professores, directores e auxiliares que desvalorizam estes comportamentos de determinados grupos de crianças e que evitam falar sobre o mesmo.

Acho que este livro deveria ser debatido em todas as escolas e de Leitura Obrigatória para todos os alunos, pais e educadores.

Alexandra Novais

“Quando perdemos um filho, quaisquer que sejam as causas da sua morte, temos a tendência de lhe consagrar todo o nosso tempo, toda a nossa energia, todos os nossos pensamentos. Com mais razão ainda se a causa da morte for um mal que podemos identificar, que teríamos podido evitar, e que sentimos como um assassínio.”

Leia, porque ler é um prazer!

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Novidade na Biblioteca: Treze anos para sempre Marion de Nora Fraisse

FRAISSE, Nora - Treze anos para sempre, Marion. 1ª ed. 
Lisboa : Bertrand, 2017. 164, [1] p.
ISBN 978-972-25-3318-8

Marion, minha filha,

A 13 de fevereiro de 2013, sucidaste-te, enforcando-te com um lenço, no teu quarto. Tinhas 13 anos.
Sob o belcihe encontrámos o teu telemóvel suspenso da extremidade de um fio, como se também o tivesses enforcado, para cortar simbolicamente a palavra àqueles que, na escola, te torturavam com insultos e ameaças.
Escrevo este livro para te prestar homenagem, para te falar da nostalgia que sinto perante um futuro que não vais partilhar comigo, connosco.
Escrevo este livro para que cada pessoas retire lições da tua morte. Para que os pais evitem que os seus filhos se tornem vítimas, como tu, ou agressores, como aqueles que te levaram ao desespero. Para que as direcções das escolas se esforcem por vigiar, por escutar, por estender a mão às crianças em sofrimento.
Escrevo este livro para que levem a sério o problema do assédio na escola, o bullying.
Escrevo este livro para que nunca mais uma criança tenha vontade de enforcar o seu telemóvel, nem de suspender a sua vida para sempre. 

Nora Fraisse

Outros livros sobre Bullying disponíveis na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil:
  • MENESES, Maria João Saraiva de - Vasco das forças : o bullying e a violência escolar. Lisboa : Coisas de Ler, 2009. 20, [2] p. ISBN 978-989-8218-09-4
  • SERRATE, Rosa - Lidar com o bullying na escola : guia para entender, prevenir e tratar o fenómeno da violência entre pares. 1ª ed. [Lisboa] : Bookout, 2014. 244 p. ISBN 978-989-8694-07-2
  • FERNANDES, Luís ; SEIXAS, Sónia - Plano Bullying : como apagar o bullying da escola. Lisboa : Plátano, 2012. 192 p. ISBN 978-972-770-913-7
  • AUBREY, Annette  - O clube do arco irís : compreender... o Bulliyng. Abrunheira : Girassol, 2008. 24 p. ISBN 978-989-633-206-8
Leia, porque ler é um prazer!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Novidades na biblioteca: para pais e educadores


Berra-me baixo de Magda Gomes Dias
Lisboa: Manuscrito, 2016

As suas manhãs começam com gritos e ao final do dia o cenário repete-se?
Então precisa deste livro para melhorar a sua qualidade de vida familiar, e também a relação com os miúdos.

Ninguém quer passar os dias a gritar com filhos em zangas, gritaria, castigos ou ralhetes constantes. Magda Gomes Dias traz-lhe um desafio irrecusável: 21 dias, quatro semanas, para deixar de berrar com o teu filho.
Como? Na primeira semana, tomamos consciência dos nossos comportamentos. O que nos faz gritar? Sim, porque a culpa de gritarmos não é dos nossos filhos, é nossa…
Na segunda semana, falamos da relação que temos com eles. E os ingredientes são três: firmeza, mimo e paciência. Na terceira, entramos em estágio com todas as situações que nos deixam fora de controlo, e percebemos a forma certa de lidar com elas. Finalmente, na quarta semana percebemos que afinal não foi assim tão complicado mudar, e descobrimos o nosso papel enquanto pais. Com mais qualidade de vida e menos gritaria.
Com casos, conselhos e exercícios práticos, este livro vai fazer com que o leitor deixe de sentir vontade de ‘dar dois berros’ e, mais importante ainda, vai trazer uma relação mais harmoniosa e feliz com os filhos.

Fonte: contracapa do livro


Hiperatividade e défice de Atenção
Lisboa: Verso de Kapa, 2014

A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) atinge 5 a 8% das crianças em idade escolar. Em Portugal estima-se que existam mais de 80.000 casos.
Na sala de aula não param quietas, tiram o lápis ao colega, levantam-se porque lhes falta a borracha, outras estão sossegadas mas "na lua". Em casa, enquanto fazem os trabalhos levantam-se a cada cinco minutos, são desobedientes e esgotam os pais. Acreditem que estas dificuldades comportamentais não se devem a falta de educação. Insucesso escolar e dificuldades de relacionamento com colegas, professores e pais são problemas comuns. Mas para as crianças com PHDA há um antes e um depois, se forem bem acompanhadas.
Como equipa de pediatria, temos consciência do impacto social da PHDA, da enorme pressão que as crianças e famílias sofrem. Este livro dá uma visão abrangente desta perturbação e contém estratégias práticas, úteis para o quotidiano de todos os envolvidos. As crianças são o futuro da sociedade e as crianças com PHDA podem tornar-se adultos bem-sucedidos.

Fonte: contracapa do livro


Bésame Mucho de Carlos González
Lisboa Pergaminho, 2013

Costuma dizer-se que os bebés não vêm com livro de instruções; contudo, nos nossos dias, o problema parece ser o oposto. Os pais vivem rodeados de «livros de instruções», seja sob a forma de manuais, de revistas especializadas, de blogues e fóruns online, ou simplesmente de conselhos de pediatras. Proliferam as opiniões, e as filosofias das diversas escolas de puericultura e pedagogia são cada vez mais diversificadas. Neste sentido, é difícil para os pais confiarem no seu instinto ou no seu primeiro impulso.

Bésame mucho vem devolver aos pais a confiança naquele sentimento que está por trás de tudo aquilo que sentem, desejam e fazem pelos filhos: o amor. O Dr. Carlos González, pediatra e autor de renome, sugere que, seja qual for o problema com que um pai se depare - uma birra, uma crise de choro, uma aparente insónia, um caso de ciúme -, este só será verdadeiramente resolvido através de uma atitude razoável e de respeito pela criança como pessoa.

Fonte: contracapa do livro

Livros disponíveis para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil

Leia, porque ler é um prazer!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Literacia no mundo

No passado dia 8 de Setembro assinalou-se o dia Internacional da Literacia sob o tema literacia e desenvolvimento sustentável. 

De acordo com a Unesco literacia é um dos elementos chave necessário à promoção do desenvolvimento sustentável, na medida em que torna as pessoas capazes de tomar decisões correctas e informadas nas mais diversas áreas da vida. A literacia constitui a base para a aprendizagem ao longo da vida e desempenha um papel crucial na criação de sociedades sustentáveis, prósperas e pacíficas.

As competências de literacia são parte de um leque de competências mais vasto necessário para o desenvolvimento do pensamento crítico, do sentido de responsabilidade, da gestão participativa, do consumo e estilos de vida sustentável, entre outros. 

Em sentido restrito literacia significa a capacidade de saber ler e escrever. Assim quando essas competências não existem falamos em iliteracia ou analfabetismo. Em sentido lato literacia remete-nos para a capacidade dos indivíduos saberem processar a informação com que são confrontados no dia-a-dia nos mais diversos domínios, e o grau de capacidade com que o fazem permite nos afirmar que existem diversos níveis de literacia.

Citando Ana Benavente et al. “... [na literacia] não se trata de saber o que é que as pessoas aprenderam ou não, mas sim de saber o que é que, em situações da vida, as pessoas são capazes de usar. A literacia aparece, assim, definida como a capacidade de processamento da informação escrita na vida quotidiana.” (1995: 23)*

A literacia é um direito humano, no entanto existem ainda 781 milhões de pessoas iliteratas no mundo, ou seja cerca de 16% da população mundial.

Com o objectivo de proporcionar uma visão clara e objectiva da literacia no mundo foi criado por Antonio Di Vico para a Unesco uma infografia que mostra os níveis de literacia no mundo, destacando o papel que esta tem no desenvolvimento sustentável.


Uma infografia que merece ser lida e partilhada, disponível para download no site da UNESCO.

Para saber mais consulte:





*Benavente, Ana et al. (orgs.), (1995), Estudo nacional de literacia. Relatório preliminar. Lisboa: Instituto de ciências sociais

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Novidade na Biblioteca: À procura de um lugar de Fátima Marinho


O nascimento do Vicente transformou tudo e todos à sua volta. Chovia no dia 25 de Abril de 2000. Portugal parou para lembrar o valor da liberdade e, logo após o seu nascimento, também a família de Vicente parou debruçada sobre o abismo. Fora concebido numa viagem aos Alpes suíços e a sua vinda preparada com detalhe. Mas Vicente trazia consigo uma revelação esmagadora. Tinha trissomia 21. O dia do seu nascimento foi o acto inaugural de mil desafios, mas também o início de vidas maiores que se escondiam no conforto e na previsibilidade dos dias. Às vezes a felicidade veste-se de breu só para que o sol brilhe mais quando rompe a alva. 

Fonte: badana do livro

“Transcorrer os espaços da discriminação, meio século após a proclamação da Carta Universal dos Direitos Humanos, é um dos propósitos deste livro, ficcionado na medida em que o narrador é uma criança portadora de trissomia 21. Não obstante, os factos narrados cruzam-se com o fiel retrato das crenças, receios e atitudes dos homens do século XXI, numa cidade portuguesa, que poderia ser qualquer outra, em qualquer parte do mundo conhecido.”

Excerto da nota prévia

Livro disponível para empréstimo na Biblioteca Municipal de Arganil.

Leia, porque ler é um prazer!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Família

Família palavra tão bela

Que profundidade encerra

Pois a maior das riquezas

É ter uma família na terra.

Com o evoluir da sociedade

A família foi posta de lado

A família foi passada a 2º plano

Mas a dura realidade

Ensina-nos a triste lição

Que se não houver família

não há educação

Que será dum país

Onde a educação não reinar?

Certamente chegará o dia

Em que todos quererão mandar

Cada um dando sua opinião

Mas esquecendo sempre

Que a família é o berço da educação

Não há riqueza maior

Que uma família unida

Ela é a força para todas as vicissitudes da vida

Graça Moniz

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Revistas on-line de acesso gratuito

Para quem gosta de ler e se interessa por temas tais como educação, leitura e ciências da tecnologia de informação e comunicação, deixamos aqui alguns links para revistas disponíveis on-line de acesso gratuito sobre essas mesmas temáticas:

Noesis é uma revista, propriedade da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular “que tem como lema “Da Escola para a Escola!” Isto é, pretende identificar, reconhecer e valorizar “boas práticas”, reflexões e experiências interessantes, bem como materiais de apoio para os professores.”

A LER – Leitura em Revista “é uma revista interdisciplinar de estudos avançados em leitura com publicação semestral, em versão electrónica, da Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio. Tem como objectivo divulgar textos originais sobre o eixo temático da leitura que privilegiem pesquisas de natureza predominantemente qualitativas, a fim de contribuir para o desenvolvimento de estudos sobre leitura numa perspectiva crítica, transformadora e interdisciplinar.”

Prisma.com “é uma publicação on-line dedicada à investigação na intersecção da comunicação, informação, tecnologia e artes. É propriedade da unidade de investigação CETAC.MEDIA (Centro de Estudo das Tecnologias e Ciências da Comunicação).”

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Compreensão leitora

Estão disponíveis on-line, desde Dezembro de 2010, no site da Universidade do Minho dois interessantes estudos que têm como objectivo promover a leitura e a literacia através do desenvolvimento da compreensão leitora.

“O ensino da compreensão leitora: da teoria à prática pedagógica” é um Programa de Intervenção para o 1.º Ciclo do Ensino Básico da autoria de Fernanda Leopoldina Viana, Iolanda da Silva Ribeiro, Ilda Fernandes, Albertina Ferreira, Catarina Leitão, Susana Gomes, Soraia Mendonça e Lúcia Pereira.
De acordo com Alina Galvão Spinillo, autora do prefácio, “este livro não é um manual de procedimentos a serem seguidos ou um roteiro de actividades a serem mecanicamente aplicadas em sala de aula. Pelo contrário, esta obra pressupõe um professor activo que é sistematicamente requisitado a entender o que faz e a mediar as interacções entre os alunos e as actividades propostas. Pressupõe, também, um aluno intelectualmente desafiado a compreender textos cada vez melhor.” E conclui que esta obra “ensina professores a ensinar seus alunos a compreender textos. Ao aprender a compreender, os alunos, por sua vez, serão capazes de compreender para aprender, no sentido de entenderem os conteúdos das mais diversas áreas do conhecimento; pois, como dito pelas autoras: aprender a compreender torna mais fácil o saber.”

“Compreensão da Leitura. Dos modelos teóricos ao ensino explícito” é um Programa de Intervenção para o 2.º Ciclo do Ensino Básico da autoria de Iolanda da Silva Ribeiro, Fernanda Leopoldina Viana, Irene Cadime, Ilda Fernandes, Albertina Ferreira, Catarina Leitão, Susana Gomes, Soraia Mendonça e Lúcia Pereira. A obra parte do pressuposto que a leitura se baseia em dois pressupostos: o processo de descodificação e o processo de compreensão. Pode ler-se no prefácio da autoria de Leonor de Queiroz e Lencastre que “A forma como o programa concebe as estratégias de promoção da compreensão faz da leitura um processo de descoberta e resolução de problemas, que, por sua vez, evidencia o carácter de prazer a que o acto da leitura deve estar associado”

Estes estudos resultam de um projecto de investigação-acção associada ao projecto Litteratus, cujo objectivo é promover a leitura e a literacia.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Alberto Manguel em entrevista

No suplemento Ípsilon do Jornal Público de Sexta-feira pode ler-se uma interessante entrevista conduzida por Ana Gerschenfeld a Alberto Manguel, ensaísta, escritor de ficção, e acima de tudo, leitor.

Ao longo de 3 páginas num tom íntimo e informal Alberto Manguel reflecte sobre os livros e a leitura, as novas tecnologias e o ensino e manifesta a sua preocupação com a destruição do valor do acto intelectual.

Uma entrevista que recomendamos vivamente! Pode lê-la na nossa biblioteca ou aqui!

“Nem toda a gente é leitora, mas acho que, no fundo, é porque as circunstâncias fazem que não sejamos todos leitores. A possibilidade está em todos nós. O que quero dizer é que suponho que há pessoas que nunca se apaixonam, suponho que há pessoas que nunca viajam, suponho que há pessoas que não têm uma certa experiência do mundo. E da mesma maneira, existem muitas pessoas que não são leitoras. Mas a possibilidade está dentro de nós.” – Alberto Manguel

terça-feira, 15 de junho de 2010

Hino escolar de Pombeiro

Hino escolar de Pombeiro
Autor: Visconde de Sanches de Frias

O cego no mar da vida
Boiando sem norte e luz,
É barco desgovernado,
Cujo rumo não seduz.

Aqui tomba, ali tropeça
Nos antros da escuridão.
Sem amparo nem arrimo
Cai de baldão em baldão.

Pois, assim como há no corpo
Cegueira que é grande mal,
Há no ser de muita gente
Doença intelectual!

Um cérebro que é fechado
Da leitura ao esplendor,
É o cérebro de um cego
Membro frio sem calor.

O ignorante, que à Escola
A juventude furtou,
É cego do entendimento
É batel que naufragou.

Viva pois o sol da vida,
Que se traduz na lição
- viva a luz da inteligência!
Viva o farol da instrução.

In: A Comarca de Arganil nº 616 de 23 de Janeiro de 1913

terça-feira, 25 de maio de 2010

Manual de Ferramentas da Web 2.0 para Professores – uma interessante ferramenta

“Com o aparecimento da World Wide Web alterou-se a forma como se acede à informação e como se passou a pesquisar, preparar aulas, planear uma viagem ou a comunicar com os outros. No início da década de 90, Berners-Lee et al. (1994) referem que a Web “foi desenvolvida para ser um repositório do conhecimento humano, que permitiria que colaboradores em locais distintos partilhassem as suas ideias e todos os aspectos de um projecto comum” (…)

A Web começou por ser sobretudo texto com hiperligações, a que se vieram a associar imagens, som e mais tarde vídeo. (…) Com a Web democratizou-se a publicação online e o acesso à informação. Com o aparecimento das funcionalidades da Web 2.0, conceito proposto por Tim O’Reilly e o MediaLive International, a facilidade de publicação online e a facilidade de interacção entre os cibernautas torna-se uma realidade.

A Web passa a ser encarada como uma plataforma, na qual tudo está facilmente acessível e em que publicar online deixa de exigir a criação de páginas Web e de saber alojá-las num servidor. A facilidade em publicar conteúdos e em comentar os “posts” fez com que as redes sociais se desenvolvessem online. Postar e comentar passaram a ser duas realidades complementares, que muito têm contribuído para desenvolver o espírito crítico e para aumentar o nível de interacção social online. O Hi5, o MySpace, o Linkedin, o Facebook, o Ning, entre outros, facilitam e, de certo modo, estimulam o processo de interacção social e de aprendizagem. Escrever online é estimulante para os professores e para os alunos. (…)

Neste momento, os agentes educativos podem, com toda a facilidade, escrever online no blogue, gravar um assunto no podcast ou disponibilizar um filme no YouTube. O ambiente de trabalho deixa de estar no computador pessoal do professor e passa a estar online, sempre acessível, a partir de qualquer lugar do planeta com acesso à Internet.”
Excerto da Introdução por Ana Amélia A. Carvalho

Esta publicação do Ministério da Educação, organizada por Ana Amélia A. Carvalho, é constituída por nove capítulos, e em cada capítulo é feita a contextualização de cada ferramenta, apresentando o seu modo de funcionamento e como pode ser aplicado nas práticas educativas.

1º - Blogue, YouTube, 1. Flickr e Delicious
2º - Podcast e utilização do software Audacity
3º - Dandelife, Wiki e Goowy
4º - Ferramentas Google: Page Creator, Docs e Calendar
5º - PopFly – como editor de mashups
6º - A Web 2.0 e as Tecnologias Móveis
7º - Ambientes Virtuais e Second Life
8º - Do Movie Maker ao YouTube
9º - Mapas Conceptuais Online

Professores e demais educadores não se podem alhear do desenvolvimento tecnológico. No século XXI estas novas ferramentas e funcionalidades da web 2.0 devem fazer parte integrante do processo educativo. Consulte esta obra disponível on-line e aprenda a usar a web 2.0!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Educação, Literacia e Cidadania

A educação no século XXI deve fundamentalmente responder à questão: viver juntos, com que finalidades, para fazer o quê? e dar a cada um, ao longo de toda a vida, a capacidade de participar activamente, num projecto de sociedade. Ou seja o sistema educativo tem como missão formar os seus alunos no sentido de participarem dinamicamente na sociedade, e de acordo com o relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI deve “fornecer os mapas de um mundo complexo e perpetuamente agitado e a bússola que permita nele navegar”.

Uma das condições ao exercício de uma cidadania plena é a literacia. Literacia e educação estão indissociavelmente interligadas. Até há uns anos atrás o conceito de literacia resumia-se à capacidade do indivíduo saber ler, escrever e efectuar cálculos básicos. Hoje, face ao rápido desenvolvimento tecnológico, o conceito é necessariamente muito mais abrangente e começa-se a falar de literacia informativa, literacia mediática ou multimédia, para referir a capacidade de fazer face aos desafios colocados pela sociedade da informação e do conhecimento. Estas novas vertentes da literacia são fundamentais para evitar novas formas de exclusão e também ferramentas imprescindíveis para desempenhar um papel activo na sociedade democrática.

A cidadania e a formação dos cidadãos passam, cada vez mais, pela capacidade de criar pontes entre universos como o da escola e o dos média e, hoje, o das redes globais de comunicação.

Mas assim como é fundamental que a escola assuma o seu papel insubstituível de espaço de interrogação da vida e do mundo e de construção de sentido, não é menos fundamental que os decisores e agentes políticos, económicos e empresariais participem na reflexão sobre a cidadania e o futuro das nossas sociedades na sociedade da informação e do conhecimento.

Todos juntos temos a missão de promover uma atitude ética que se manifeste no saber-fazer-pensar-dizer-ser, orientada por princípios cívicos, em que a igualdade, democracia, solidariedade, liberdade e cooperação sejam reais.

Se este tema lhe despertou a atenção, sugerimos que requisite na biblioteca municipal:

COMISSAO INTERNACIONAL SOBRE EDUCACAO PARA O SECULO XXI - Educação : um tesouro a descobrir. 2ª ed. Porto : Asa, 1996. 256 p. ISBN 972-41-1775-8

A literacia em Portugal : resultado de uma pesquisa extensiva e monográfica. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian. Serviço de Educação, 1996. XIII, 429 [2] p.. ISBN 972-31-0713-9

MARQUES, Viriato Soromenho - A Era da Cidadania. Mem Martins : Europa-América, 1996. 205 p.. ISBN 972-1-04076-2

Educação para a Cidadania. Lisboa : Plátano, D.L.1999. 342 p.. ISBN 972-621-997-3
AMORIM, José Pedro - O impacto da educação e formação de adultos no desenvolvimento vocacional e da cidadania : a metamorfose das borboletas. 1ª ed. Lisboa : MTSS/DGERT, 2006. 189 p. ISBN 972-8312-54-7. ISBN 978-972-8312-54-1

Ou consulte na Internet:

CORREIA, João Carlos. Cidadania, Comunicação e Literacia Mediática [Em linha]. [Consult. 17-05-10]. Disponível em: https://bocc.ufp.pt/pag/correia-joao-carlos-Media-Publico-Literacia.pdf

FREITAS, Judite A. Gonçalves de; REGEDOR, António Borges. Bibliotecas Públicas e Cidadania Activa [Em linha]. [Consult. 17-05-10]. Disponível em WWW:
http://badinfo.apbad.pt/Congresso9/COM13.pdf

Grilo, Eduardo Marçal (2008). Prefácio ao Fórum Educação para a Cidadania 2008. [Em linha]. [Consult. 17-05-10].
Disponível em WWW:

MACEDO, Lurdes (2005). Educação e Literacia Para os Media na Promoção da Cidadania [Em linha] in LIVRO DE ACTAS 4º Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, 4º SOPCOM, Aveiro, Comissão Editorial da Universidade de Aveiro.[Consult. 17-05-10]. Disponível em WWW: http://bocc.ubi.pt/pag/macedo-lurdes-esducacao-literacia-para-media-promocaocidadania.pdf

terça-feira, 11 de maio de 2010

Da escola sem sentido à escola dos sentidos




TORRADO, António - Da escola sem sentido à escola dos sentidos. Lisboa : Caminho, 2002. 63 p. ISBN 972-21-1459-X





“A escola deixará de ser talvez
tal como nós a compreendemos,
com estrados, bancos, carteiras:
será talvez um teatro, uma biblioteca,
um museu, uma conversa.”

Leão Tolstoi

Da escola sem sentido à escola dos sentidos é um pequeno livro da autoria de António Torrado muito rico em conteúdo, em que o autor vai reflectindo sobre a educação infantil, defendendo o prolongamento da educação sensorial iniciada no colo materno, que se prolonga no jardim de infância, mas que sofre um corte quase radical quando a criança chega ao ensino básico, altura em que o ensino se torna “enumerativo e eminentemente visual”.
António Torrado fala também na proximidade que deve existir entre professor e aluno, tanto quanto possível o professor deve deixar se impregnar pela juventude, ser “testemunha e intérprete da mudança”, só assim será capaz de ensinar com sucesso e compreender as mudanças que se operam ao longo das gerações.
Este livro não nos oferece fórmulas de acção, mas despoleta a reflexão sobre um sistema educativo e uma sociedade que teimam em aniquilar gradualmente os sentidos do processo de aprendizagem.

Um livro que vale a pena ler!
Leia porque ler é um prazer!

quinta-feira, 18 de março de 2010

A riqueza da linguagem poética

Uma das primeiras coisas que aprendemos enquanto crianças é como falar. Diariamente através da leitura de histórias as crianças vão se familiarizando com palavras e sons. Pais e educadores lêem histórias, mas também lenga-lengas e rimas infantis, que são caracterizadas como jogos de palavras que se apresentam numa estrutura rítmica agradável e de fácil compreensão. Estas rimas constituem por assim dizer o nosso primeiro contacto com a poesia.

A poesia é uma das aplicações mais vivas da linguagem, e quem melhor para entender este jogo de palavras de que as crianças? Obviamente nem todas as crianças se deixam cativar de imediato pela poesia ou pela literatura, porém por vezes a única coisa necessária para o conseguir é encontrar o poema, a rima ou o livro certo para despertar o seu interesse. Aprender poesia tem um importante papel nas nossas vidas, não só aprendemos a ler com os nossos olhos e ouvidos, mas também nos tornamos capazes de usar a nossa imaginação para extrair ou colocar em palavras sentimentos e emoções. A linguagem poética é uma das mais interessantes, porque mexe com o nosso sentimento, a nossa sensibilidade.

O contacto da criança com a poesia proporcionado pela família deve ser prolongado e aprofundado pela escola. A escola tem o papel de ajudar a formar a criança, não apenas a nível da razão, mas também a nível da emoção e a poesia é um instrumento privilegiado para proporcionar aos jovens o contacto com a beleza das palavras, os seus significados e as suas formas. O texto poético é um espaço de grande riqueza e amplitude, capaz de permitir a libertação do imaginário e do sonho das pessoas, é também um meio privilegiado para despertar o amor pela língua materna. A rima, o ritmo e a sonoridade, permitem uma descoberta progressiva das potencialidades da linguagem.

No entanto e parafraseando José António Franco em A poesia como estratégia “não basta incluir nas planificações diversos tipos de texto poético. Não basta deixar que as aulas se arrastem na leitura e interpretação de textos com os quais não foi promovida qualquer tipo de familiaridade. São necessárias a competência científica e a capacidade pedagógica para que a sua abordagem resulte, realmente, numa verdadeira educação da sensibilidade e do gosto, no desenvolvimento do espírito crítico e da criatividade, na aquisição de uma desejável mestria comunicativa construída, inevitavelmente, a partir do domínio dos mecanismos da língua materna e do prazer e realização pessoais que uma comunicação autónoma e competente pode provocar.”
Miriella de Vocht

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Será que a ficção científica pode ser considerada um recurso didáctico?

A ficção científica de qualidade pode, sem dúvida, ser um bom auxiliar para o ensino de determinadas matérias, na medida em que pode despertar o interesse dos estudantes por temas da área das ciências, enriquecer o vocabulário com termos científicos e promover o raciocínio sobre o impacte social dos avanços científicos e tecnológicos.

Ora vejamos a posição de alguns críticos sobre esta matéria:

“O género pode fornecer às crianças e igualmente aos adultos uma janela para o futuro, um meio de prever como a vida poderia ser em alguma data no futuro. O estudo da história conta-nos como eventos no passado afectaram o presente; a ficção científica dá-nos uma ideia de como as decisões que fazemos agora, podem afectar as nossas vidas no futuro”
NAUMAN, Ann K. e SHAW, Edward.
Sparking Science Interest through Literature: Sci-Fi Science. Science Activities.
Vol 31, No. 3. Fall, 1994. 18-20.

“Comercialmente a ficção científica possui uma história impressionante e, visto que para muitas pessoas a principal exposição à ciência se dá através da ficção científica, tanto as visões sobre os cientistas, quanto as relativas à natureza da actividade científica são de crucial importância para questões relacionadas com às atitudes públicas perante a ciência.”
BRAKE, Mark et al. Science fiction in the Classroom.
Physics Education 38(1) Jan. 2003. 31-34.

“A ficção científica veio a ser reconhecida como um género literário distinto, em grande parte por tão insistentemente se ter ‘imposto’ como um fenómeno social. Sociólogos, psicólogos, historiadores de ideias e cientistas políticos começaram a voltar-se para ela assumindo que se tratava de um importante aspecto do ‘sinal dos tempos’. Não foram os seus escritores que previram a bomba atómica, o pouso na Lua, e a crescente influência da pesquisa e do desenvolvimento sobre as flutuações da política mundial? Não foi a ficção científica uma inescapável projecção de anseios e receios a respeito da direcção para a qual se está a sociedade movendo?”

PARRINDER, Patrick. Science Fiction: it´s Criticism and Teaching.
Londres: Methuen, 1980.

“Diversos autores identificam na FC a veiculação das preocupações humanas que a ciência e a tecnologia suscitam, tornando-a um canal para a abordagem não apenas de fenómenos e leis científicas, mas da própria natureza da actividade científica e tecnológica e da sua relação com a sociedade.
A ficção científica, mais do que se fixar no aspecto das leis naturais envolvidas na bomba atómica ou de qualquer outro tema, suscita um debate sobre as implicações sociais das possíveis descobertas, invenções e fenómenos concebíveis. Põe em questão a tecnologia, que é fundamental na vida, que está visceralmente ligada à ciência.”
Luís Paulo Piassi e Maurício Pietrocola. De olho no futuro:
ficção científica para debater questões sociopolíticas de ciência e tecnologia na sala de aula.
Ciência & Ensino, vol. 1, número especial, novembro de 2007