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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Concurso de Poesia - Escreva um poema... A nossa terra é o tema

 

Assinala-se a 21 de Março o Dia Mundial da Poesia que tem como objetivo, entre outros, a promoção de valores culturais através da expressão poética.

Como forma de assinalar a data e chamar a atenção para a importância da poesia, as Bibliotecas Públicas do Concelho de Arganil desafiam a criatividade da comunidade convidando à criação de um poema em que a nossa terra é o tema.

São aceites participações até ao dia 12 de março e estas efetivam-se através do envio do poema, devidamente identificado para o endereço de e-mail: bib.arganil@cm-arganil.pt.

Os poemas recebidos serão avaliados por um júri de acordo com critérios de criatividade, originalidade, qualidade e adequação ao tema do concurso. Os 5 poemas com melhor classificação serão publicados na página do Facebook das Bibliotecas Públicas do Concelho de Arganil no dia 15 de março, sem referência ao nome do autor. Caberá ao público escolher os 3 vencedores da 3ª edição do concurso de poesia “Escreva um poema… a nossa terra é o tema”.

Dê asas à sua criatividade e participe!

Consulte as normas de participação aqui!


quinta-feira, 25 de março de 2021

Seremos poetas de Graça Moniz


“Seremos poetas?
Ser poeta é ser sensível ao mundo que nos rodeia
Ser poeta é sentir amor pela escrita
É escrever com o coração
Ser poeta é escrever o que a alma sente
é sentir em cada palavra o pulsar do coração.
Ser poeta é saber sentir e exteriorizar
O que a alma está a sentir e as palavras querem dizer.
Não sou poeta, nem pretensões de o ser
Sou apenas alguém a quem as palavras muito têm para dizer.
Neste dia da poesia
Num ano de confinamento
Por culpa de um tal vírus, que não vemos
Mas não nos é indiferente…
Será bom que todos meditemos
Como o mundo está diferente…!
Da Ásia partiu, em dois mil e dezanove
E por isso lhe chamaram COVID 19
Tal como tempestade de areia, depressa se espalhou
E da Europa à Oceânia, nenhum continente escapou.
Pôs todas as raças, religiões, etnias, ricos pobres,
Civis militares, políticos e outros que tais
A usarem uma máscara que lhe afronta a respiração!
Conseguiu este malvado, fazer uma grande destruição.
E neste mundo globalizado onde tínhamos tanto e com valor
Passámos a estar comandados, por um vírus invasor.
Hoje sentimos saudade dos tempos que já vivemos
E que sem darmos valor…tão felizes que nós éramos!
Mas por que ser poeta também é ser sonhador
Sejamos poetas …
Sejamos como a primavera que vai e volta sempre
Sejamos como a natureza que nesta época se volta a engalanar
E com o mais belo dos vestidos, se nos vem apresentar
Trazendo com ela a alegria, a cor, a vida a renovação da esperança
Essa esperança que é a última a morrer
E que nos deixa a pensar …
Como é tão bom viver!”

                                            Graça Moniz
                                            março 2021

quinta-feira, 21 de março de 2019

Dia Mundial da Poesia - 2019

Comemora-se hoje, dia 21 de Março, o Dia Mundial da Poesia. A poesia é tida como uma das formas de expressão linguística e cultural mais rica, e um instrumento para o diálogo e a aproximação entre culturas. 

Como não poderia deixar de ser a data é também destacada e celebrada na nossa Biblioteca. 

Este ano para além de uma mostra de livros de poesia de diversos autores portugueses, destacamos algumas poetisas arganilenses, que usam e usaram a linguagem poética para exprimir as suas vivências e os seus mais profundos sentimentos.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Dia Mundial da Poesia 2018 - Mensagem da UNESCO


Mensagem da UNESCO para o dia Mundial da Poesia - 2018

          Sonhos
          Segure-se aos sonhos
          Pois se os sonhos morrem
          A vida é um pássaro com asas quebradas
          Sem poder voar.
          Segure-se aos sonhos
          Pois quando os sonhos se vão
          A vida é um campo árido
          Congelado sob a neve.

                                        Langston Hughes

Estas linhas do poeta Langston Hughes são um convite para o sonho, uma fuga, uma emancipação. A poesia é, sem dúvida, a melhor forma de expressar esse anseio, uma vez que toca o individual e concede todas as liberdades.

Este poema reflecte o extraordinário poder das palavras que abrem horizontes infinitos, engrandecem as nossas vidas, mudam a realidade, embelezando-a e revelando-a sob uma nova perspectiva, nunca antes vista.

A poesia não é um trivial jogo de sons, palavras e imagens. A poesia tem um poder criativo e transformador.

Langston Hughes, poeta, escritor, dramaturgo e líder do Harlem Renaissance na década de 1920, colocou a sua arte ao serviço da luta contra a discriminação sofrida pela comunidade afro-americana. A sua poesia é, portanto, inseparável do seu compromisso com os direitos civis e continua a ser uma fonte de inspiração para os defensores das liberdades fundamentais em todo o mundo.

A poesia é também essa arte única que nos torna conscientes da extraordinária diversidade humana: a diversidade de línguas e culturas. É um local de encontro entre o indivíduo e o mundo. É uma introdução à diferença, ao diálogo e à paz. É testemunho da universalidade da condição (…)

Todos os anos, desde 1999, a UNESCO tem celebrado o Dia Mundial da Poesia a 21 de março. É uma ocasião para celebrar a riqueza do património cultural e linguístico mundial. É também uma ocasião para chamar a atenção para as formas tradicionais de poesia que correm o risco de desaparecer (…). Para manter vivas as tradições, a UNESCO incluiu uma série de formas poéticas no património imaterial da humanidade: por exemplo, a arte poética de Ca trù do Vietnam, Al'azi dos Emirados Árabes Unidos, canções de Baul doBangladesh e a herança oral de Gelede partilhada pela comunidade Yoruba-Nago que vive no Togo, no Benim e na Nigéria.

A poesia não se limita ao aspecto artístico: é também uma ferramenta de educação formal e informal. Nesse sentido, as artes e as práticas culturais fornecem um suporte efectivo para a aprendizagem ao longo da vida. É por isso que a UNESCO incentiva e apoia a educação artística, uma vez que fortalece o desenvolvimento intelectual, emocional e psicológico, formando gerações mais equilibradas e capazes de reinventar o mundo.

Este dia também é uma oportunidade para homenagear todas as pessoas que produzem esta proeminente arte: os poetas, é claro, mas também os tradutores, editores e organizadores de leituras de poesia e festivais de poesia. A UNESCO incentiva todos os Estados Membros a apoiar todos aqueles que diariamente trabalham para que a poesia possa continuar a enriquecer as nossas vidas.

Finalmente, sendo a  poesia um acto de criação e partilha, a UNESCO convida todos, neste Dia Mundial, a criar, inventar, partilhar e estar aberto a outras línguas e outras formas de descrever o mundo, rejubilando com tudo o que é diferente na nossa diversidade. Cultivar arte e cultivar a mente é também cultivar a paz.

Audrey Azoulay, diretor geral

Tradução livre de Miriella de Vocht

quarta-feira, 21 de março de 2018

Dia Mundial da Poesia 2018


Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Poesia

A data foi instituída na 30ª Conferência Geral da UNESCO a 16 de novembro de 1999. 

No Dia Mundial da Poesia celebra-se a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação. Neste dia convidam se as pessoas a fazer uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas de cada pessoa, e sobre a forma como a poesia contribui para a percepção e compreensão do mundo.

terça-feira, 21 de março de 2017

Dia Mundial da Poesia - 2017

We have not wings, we cannot soar;
But we have feet to scale and climb
By slow degrees, by more and more,
The cloudy summits of our time.

Numa altura em que os desafios que enfrentamos - da mudança climática, da desigualdade e da pobreza até ao extremismo violento - parecem tão exigentes, as palavras do poeta Henry Wadsworth Longfellow dão-nos esperança.

Ordenada em palavras, colorida com imagens, malhada com o metro certo, a poesia tem um poder que não tem correspondência. O poder de sacudir a vida quotidiana e lembrar-nos da beleza que nos rodeia e da resiliência do espírito humano partilhado.

A poesia é uma janela para a diversidade imensa da humanidade. (…) Tão antiga quanto a própria linguagem, a poesia permanece, neste tempo de turbulência, mais vital do que nunca, como fonte de esperança, como uma forma de partilhar o que significa viver neste mundo.

O poeta Pablo Neruda escreveu, "a poesia é um ato de paz." A poesia é única na sua capacidade de falar através do tempo, do espaço e da cultura, para alcançar diretamente os corações das pessoas em qualquer lugar. Esta é uma fonte de diálogo e de compreensão – tem sido sempre uma força para desafiar a injustiça e promover a liberdade. 

Enquanto novo Embaixador da Boa Vontade para a Liberdade Artística e Criatividade, Deeyah Khan, afirmou, toda a arte, incluindo a poesia, "tem a extraordinária capacidade de expressar resistência e rebelião, protesto e esperança ".

Poesia não é um luxo.

Reside no coração de quem somos como mulheres e homens, vivendo juntos hoje, baseando-se na herança das gerações passadas e desempenhando o papel de guardiã do mundo para as gerações vindouras.

Ao se comemorar, hoje, a poesia, celebra-se a nossa capacidade de nos unir num espírito de solidariedade para escalar e subir "os cumes nebulosos do nosso tempo". (…)

Mensagem de Irina Bokova , Diretora Geral da Unesco, 
para o Dia Mundial da Poesia, 2017

Tradução livre por Miriella de Vocht

Para consultar a mensagem original clique aqui.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Anunciando a chegada da Primavera com poesia (V)

Primavera

É primavera agora, meu Amor!
O campo despe a veste de estamenha;
Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto, todo em flor!

Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
Da vida… não há bem que nos não venha
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!

Também despi meu triste burel pardo,
E agora cheiro a rosmaninho e a nardo
E ando agora tonta, à tua espera…

Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos…
Parecem um rosal! Vem desprendê-los!

Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...

Florbela Espanca in Poesia 1918-1930

quinta-feira, 17 de março de 2016

Anunciando a chegada da Primavera com poesia (IV)

(Lisboa: Editora LG, 1998)

Primavera

Olha o Sol que meigo está!
E como beija as olaias
Quem parecem tuas aias,
Esperando que saias de casa!...

Aquece; mas não abrasa…
E faz sair dos abrigos
Aves e insectos. E os trigos
Como são verdes e riem!

A serra até se espreguiça;
E abre os braços ao sol!
- Tocaram sinos à missa –
Mas o céu é manso e mole;
Pra que os pastores assobiem
E se oiçam na distância…

… Olho teu rosto; a infância
Dos teus olhos me sorri
E a tua boca seduz…

Primavera!
Primavera!...

Como nos beija esta Luz!

                                             Francisco Bugalho in Poesia

quarta-feira, 16 de março de 2016

Anunciando a chegada da Primavera com poesia (III)

Ode Primavera

Em Março surge a leda madrugada
do advento solar da Primavera,
bênção do Sol à Terra despertada
depois do frio Inverno que lhe dera

Bênção do Sol à Terra Mãe vestida
de múltiplos floridos e verdura,
noiva eterna no altar da vida
num amoroso ciclo que perdura

Beijos de luz o Sol à Terra envia
através dos seus raios fecundantes,
que transformam a térrea face fria
em pomar de promessas deslumbrantes!

Oh luzes da manhã abençoada
P’la Primavera que nos dá esp’rança,
uma esp’rança bela, renovada,
que nos envolve o riso de criança
e nos perfuma a alma serenada,
quer tenhamos ou não a confiança!

Como a noite que volve madrugada,
de nós morremos
e renascemos
em cada despontar da alvorada
e novo sonho,
belo, risonho,
nos devolve a esp’rança foragida,
que por encanto,
num meigo canto,
nos reanima a alma para a vida!

Só o corpo, que morre, envelhece
e nos adunca,
mas não, ou nunca,
a nossa alma quando se engrandece
com infinito
Amor convicto!

Oh luzes da manhã abençoada
p’la Primavera que nos dá esp’rança,
uma esp’rança bela, renovada,
que nos devolve o riso de criança
e nos perfuma a alma serenada,
quer tenhamos ou não a confiança!

Vieira de Barros in Este Sol que nos aquece

terça-feira, 15 de março de 2016

Anunciando a chegada da Primavera com poesia (II)

Equinócio da Primavera

Da noite a aragem, tépida refrescando vem
surpreender as luzes, que interiores, se apagam
lentamente, uma após outra, como em madrugada
ao longe as luzes de outra margem – rio
descido pelas águas tenuemente crespas,
sombras passando, e escorre matutina,
ainda sem brilho, a vibração das águas,
enquanto rósea apenas de uma aurora ausente
a crista das montanhas reverdece.

Por sobre a plácida e pensante aragem física
das violações diurnas, de amarguras,
vilezas vistas e traições sonhadas,
notícias de jornal e desafios,
guerra eminente ou, mais que dolorosa,
cravada nas imagens de uma paz sombria,
perpassa a noite véus de primavera,
glicínias que amanhã estarão floridas,
e folhas verdes, muito frágeis, tenras,
e o azular-se o mar, o distanciar-se o céu
na crua luz que juvenis sorrisos,
traços ligeiros de alegria funda,
devora lentamente, e as rugas ficam..
– ao longe as luzes de outra margem, rio
onde a noite se esconde até à morte.

Jorge de Sena in Poesia - I

segunda-feira, 14 de março de 2016

Anunciando a chegada da Primavera com poesia (I)


Soneto da Primavera

Nos bosques, nas florestas, na devesa
A Primavera esbanja a luz gloriosa,
Que cintila por toda a Natureza
E a alaga em ondas de maré radiosa.

Rejubilam as águas da repesa,
Em amena cantiga descuidosa,
E os jardins engrinaldam-se em beleza,
Numa ressurreição maravilhosa.

Exultação do Sol omnipotente
E criador do verme e da semente,
Espírito imortal do verbo ser.

E dos astros à mais rasteira planta,
Tudo num esto de alegria canta,
Numa ansiedade imensa de viver.

Afonso de Castro in Antologia Poética

sexta-feira, 21 de março de 2014

Ler e sentir poesia (V)

Poesia de Miguel Torga

É dia no outro mundo
Dos versos.
Abriu-se a noite num halo
De véu caído,
E uma mensagem de charco
Purificado
Entra, branca, no ouvido…
É há um ouvido acordado.
Pelos fios do luar
Etéreos sons, melodias,
Vão chegando,
E são as valas sombrias
E os juncos negros da lama
Que se iluminam na chama
Dessa fogueira secreta
Que queima os lençóis da cama
Do Poeta.

Sinais perdidos no espaço?
Mas é no morse de imagens,
Na espectral telegrafia,
Que são reais as paisagens
Da Poesia.

Miguel Torga in Poesia Completa

quinta-feira, 20 de março de 2014

Ler e sentir poesia (IV)

Poesia de Natércia Freire

Vem, como dantes!
Livra-me do peso
Das palavras que exigem
Seu objecto.

Da música, ordenando
Um som concreto.

Dos sentimentos coesos
Com a morada.

Desmancha
Com teus dedos
De um cortante cristal
De ágeis segredos
A ligação do corpo
Com os seus medos
De morrer sem memória,
Solitário.

Com tua treva e luz
Tumultuosos
Desfaz e faz
Os sonhos e as cousas
Do Tempo
Eterno em seu itinerário.

Mesmo na solidão
De ruas longas
Quando os vivos e os mortos
São só sombras
E eu sou apenas
Rectas de um degrau…

Tu podes
Como um deus
Combalido e amargurado
Ao direito negado
Abrir no Espaço
Um som de sementeiras

Erguer no Espaço
Os aquedutos de oiro,
Esconder amigos falsos
Como um grande tesoiro.

E propor, como aos sinos,
Uma infinda ousadia
De invisíveis destinos,
Esses, que eu espero e vivo
E respiro, mortal.

Natércia Freire in Obra poética, vol. II

quarta-feira, 19 de março de 2014

Ler e sentir poesia (III)

Poesia, poesia… de António Manuel Couto Viana

Recordas-te, Fernando, cada dia
Em que eu subia à tua casa, em S. João d’Arga,
Carregado de livros de poesia?
Recebias, ansioso, o oiro dessa carga.

Iam comigo o Régio, o Homem de Mello,
O Serpa, como nós, provincial,
A desvendar-te um novo estilo, um novo belo,
A ti, que eras todo Antero de Quental.

Tu já fazias versos. Mas eu, não:
Tímido em confessar a alma inquieta,
Inventava outros eus, fugindo à tentação
De ser de mim poeta.

E no adro tranquilo
(Esse tempo, quem dera!)
Ia ouvir-nos a sombra de Camilo
Que ali perto vivera, em certa Primavera.

Vibrávamos os dois com o canto, a magia
(Exaltadas, as horas tão rápidas passando…),
E era tudo poesia, poesia…
Recordas-te, Fernando?

António Manuel Couto Viana in 60 anos de poesia, vol. II

terça-feira, 18 de março de 2014

Ler e sentir poesia (II)

 Poesia de Alberto de Serpa
a Fernando Pessoa

A Poesia está na alma do poeta
e na sua vida.
O Poeta é independente. Só ele sabe.
Sobre as suas ideias, sobre os seus sentimentos,
não podem pesar leis com séculos de existência.

Na força com que exprime uma ideia violenta,
na brandura que um sentimento muito calmo
            arrasta,
na pressa duma corrida,
no vagar duma música dolente,
- no que tem de exprimir, está o ritmo do poeta.

Não lhe venham dizer que um verso está errado
            e sem rima,
se a alma está para lá de todas as convenções.
Há sentimentos que cabem numa letra,
e um verso pode não caber em todos os livros do
            mundo.

A Poesia não está nos assuntos poéticos por eles,
nem nos versos bem medidos,
nem nas rimas que são paciência.
A poesia está no poeta.

O poeta devia ser o primeiro poeta em cada poema.

 In: A Poesia de Alberto De Serpa

segunda-feira, 17 de março de 2014

Ler e sentir poesia (I)

Arte poética de Maria do Rosário Pedreira

Num romance, uma chávena é apenas
uma chávena – que pode derramar
café sobre um poema, se o poeta,
bem entendido, for a personagem.

Num poema, mesmo manchado
de café, a chávena é certamente a
concha de uma mão – por onde eu
bebo o mundo, em maravilha, se tu,
bem entendido, fores o poeta.

No nosso romance, não sou sempre
eu quem leva as chávenas para a mesa
aonde nos sentamos à noite, de mãos
dadas, a dizer que a lata do café chegou
ao fim, mas a pensar que a vida é
que já vai bastante adiantada para os
livros todos que ainda pensamos ler.

No meu poema, não precisamos de café
para nos mantermos acordados: a minha
boca está sempre na concha da tua mão,
todos os dias há páginas nos teus olhos,
escreve-se a vida sem nunca envelhecermos.

Maria do Rosário Pedreira in Revista Relâmpago nº 22

sexta-feira, 14 de março de 2014

Dia Mundial da Poesia 2014

Dia Mundial da Poesia 2014 - 21 de Março

Mensagem de Irina Bokova – director geral da Unesco

Anualmente a UNESCO celebra os que dão vida à poesia, uma das formas de expressão linguística e cultural mais rica. Poesia é uma canção de liberdade, que nos dá a capacidade de afirmar a nossa identidade através da criação. A poesia é também uma canção do mais profundo dos nossos sentimentos; citando o poeta e diplomata Brasileiro João Cabral de Melo Neto, “even unintentionally, every word that comes from emotion is poetry” (mesmo sem intenção, cada palavra vinda das nossas emoções é poesia). Através das suas palavras e do seu ritmo, a poesia dá forma aos nossos sonhos de paz, justiça e dignidade, e dá-nos a força e a vontade de mobilização para os tornar reais.

Ao longo da história, todas as pessoas desenvolveram e praticaram formas de poesia, transmitindo oralmente os seus saberes, história e mitos, exprimindo sentimentos, dando conta do dia-a-dia, usando-a como forma de resistir a provações ou simplesmente como entretenimento. São exemplos as Vedas [1] e a Ramayana [2] na Índia, a Bíblia Hebraica, a Ilíada e a Odisseia na Grécia e muitos outros textos filosóficos e religiosos. Actualmente, formas contemporâneas de poesia, que vão desde o graffiti ao slam  [3], capacitam os mais novos de se envolver na prática e na renovação poética abrindo-lhes a porta para um novo espaço de criação. As formas evoluem, mas o impulso poético mantém-se intacto. Shakespeare descreveu a poesia como a música que cada homem trás dentro de si próprio, séculos mais tarde Herbie Hancock, músico de jazz e Embaixador da Boa Vontade da Unesco, e Charles Eliot Norton, professor de poesia na Universidade de Harvard, reafirma as afinidades entre poesia, literatura e música.

A poesia, como uma profunda expressão da mente humana e uma arte universal é um instrumento para o diálogo e a aproximação. A disseminação da poesia ajuda a promover o diálogo entre culturas e o entendimento entre pessoas, dando acesso a expressão autêntica da linguagem. Também se verificam estes aspectos na inspiração das pessoas para a celebração do património cultural imaterial, da língua materna e a diversidade cultural, em que a poesia tem um papel de relevo. É por isso que a UNESCO encoraja e pede o apoio de autores e tradutores de poesia para que possamos explorar a essência da beleza e inspiração para a paz nas suas obras.

Tradução: Biblioteca Municipal de Arganil

Para ler a mensagem original aceda a:

http://www.un.org/en/events/poetryday/2014/dgmessage.shtml

A partir de hoje e até ao próximo dia 21 de Março, como forma de assinalar o Dia Mundial da Poesia, publicaremos diariamente um poema no blog.

Seleccionaremos poemas que versem sobre poesia!

Nestes dias leia e sinta poesia!

[1] Vedas - quatro textos, escritos em sânscrito por volta de 1500 a.C., que formam a base do extenso sistema de escrituras sagradas do hinduísmo, que representam a mais antiga literatura de qualquer língua indo-europeia.
[2] Ramayana – poesia épica índia da autoria de Valmiki composto por 24.000 versos.
[3] Poetry slam é uma competição em que poetas lêem ou recitam um trabalho original.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dia Mundial da Poesia - 2013

de Irina Bokova, Directora-geral da Unesco
 
A poesia é uma das mais puras expressões de liberdade linguística. É um componente da identidade dos povos que encarna a energia criativa da cultura, pelo que pode continuamente ser renovada.

O poder da poesia é transmitido de geração em geração nos textos de grandes autores consagrados e nas obras de poetas anónimos. Temos o dever de transmitir esse património - o legado de Homero, Li Bai, Tagore, Senghor e muitos outros – pois este constitui o testemunho da diversidade cultural da humanidade. Nós devemos cuidá-la e promovê-la como uma fonte de riqueza linguística e de diálogo.

Ao celebrar O Dia Mundial da Poesia, a UNESCO pretende também promover os valores que a poesia transmite, pois a poesia é uma viagem - não por um mundo de sonho, mas, muitas vezes pelas emoções, aspirações e esperanças individuais. A poesia dá forma aos sonhos de pessoas e expressa a sua espiritualidade nos termos mais enérgicos - incentivando-nos também a mudar o mundo.

Poetas de todos os países legaram versos atemporais em defesa dos direitos humanos, igualdade de género e de respeito às identidades culturais. Paul Eluard escreveu " freedom … I write thy name ". Para este dia, a poesia traz os ventos de liberdade e dignidade na luta contra a violência e opressão. Por todas estas razões, a UNESCO apoia os poetas e todos que publicam, traduzem, imprimem ou divulguem a poesia. A Unesco fá-lo protegendo a diversidade das expressões culturais e promovendo recitais de poesia listada como património cultural imaterial da humanidade, Uma das muitas formas de embelezar o mundo e construir a defesa da paz nas mentes de homens e mulheres.
Tradução livre da mensagem de Biblioteca Municipal de Arganil
 
 A Biblioteca Municipal de Arganil também celebra esta data, recordando que neste dia se assinala também o dia da árvore e da floresta.

Visite-nos e conheça a exposição de fotografia de Conceição Oliveira. “Um conjunto de fotografias onde é possível encontrar poesia, onde há poesia”. 

Na sala de adultos pode ver uma pequena mostra bibliográfica de livros sobre as árvores e a floresta, e também de livros de poesia. 
 
A uma árvore

Verde árvore sagrada,
Quantas vezes despertas no meu sonho,
Trazendo as graças dum Abril risonho
E os perfumes, o alvor da madrugada!

Verde árvore, num píncaro, sozinha,
Recamada de estrelas, à noitinha,
Entreabrindo em sorrisos de luar:
Minha alma embala com formoso jeito,
Qual mãe adormecendo o filho ao peito,
Qual fonte adormecendo o próprio ar!

Árvore, pelo vento desferida,
Como divina lira,
Teu ser por quem suspira?
Por mim, que sou a imagem dolorida,
A imagem triste
Do que já não existe;
Pelas aves que, mortas, dos Espaços
Tombaram, sobre o covo dos seus ninhos;
Por anónimos vultos, cujos passos
Se perderam na poeira dos caminhos;
Por essa luz que, uma só vez, brilhou;
Por tudo o que em saudade se tornou!

Árvore em flor,
Lenho sagrado,
Recebe-me em teu ser,
Quando eu morrer!

Isento do Pecado,
Darei sombras de Amor!

Mário Beirão in poesia completas

quarta-feira, 21 de março de 2012

21 de Março - Dia Mundial da Poesia

Poesia

a Fernando Pessoa

A Poesia está na alma do poeta
e na sua vida.
O Poeta é independente. Só ele sabe.
Sobre as suas ideias, sobre os seus sentimentos,
não podem pesar leis com séculos de existência.

Na força com que exprime uma ideia violenta,
na brandura que um sentimento muito calmo
            arrasta,
na pressa duma corrida,
no vagar duma música dolente,
- no que tem de exprimir, está o ritmo do poeta.

Não lhe venham dizer que um verso está errado
            e sem rima,
se a alma está para lá de todas as convenções.
Há sentimentos que cabem numa letra,
e um verso pode não caber em todos os livros do
            mundo.

A Poesia não está nos assuntos poéticos por eles,
nem nos versos bem medidos,
nem nas rimas que são paciência.
A poesia está no poeta.

O poeta devia ser o primeiro poeta em cada poema.

In: A Poesia de Alberto De Serpa

quinta-feira, 17 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia

Comemora-se no dia 21 de Março o Dia Mundial da Poesia. Neste dia, em que a Poesia anda à solta em todos os corações, a Biblioteca Municipal Miguel Torga convida-o para um encontro de pessoas que gostam de ler e ouvir Poesia.
Convidámos para nos acompanhar nesta tertúlia Maurício Leite um amante da Leitura que também gosta de Poesia.
Venha ao Auditório da Biblioteca Municipal Miguel Torga às 21H00 do dia 21 de Março e traga um amigo também!