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segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Para além das estantes: IA, bibliotecas e o futuro das histórias

 

Vivemos tempos de mudança acelerada. O avanço das novas tecnologias, e em particular da inteligência artificial, tem vindo a transformar profundamente a forma como comunicamos, aprendemos e criamos. Hoje, praticamente ninguém se pode dar ao luxo de ignorar estas ferramentas que moldam o nosso quotidiano e o nosso futuro. A inteligência artificial veio para ficar, e é inegável o seu potencial para apoiar o desenvolvimento humano em inúmeros domínios — da educação à ciência, da arte à gestão da informação.

Contudo, num mundo cada vez mais digital, as bibliotecas continuam — e continuarão — a ser espaços de encontro, de partilha e de humanidade. Mais do que simples repositórios de livros, são lugares onde o conhecimento ganha vida, onde as ideias se cruzam e onde as histórias são contadas e recriadas, geração após geração. Cabe a todos os que nelas trabalham preservar e afirmar este papel, reforçando o valor das bibliotecas como pilares da democracia, da inclusão e da aprendizagem ao longo da vida.

Na internet, podemos encontrar milhares de histórias. Mas nenhuma se compara àquela que nasce num espaço acolhedor, rodeado de pessoas, olhares e vozes que se cruzam. O poder das bibliotecas reside precisamente nesse calor humano que nenhuma tecnologia consegue reproduzir — na emoção de ouvir uma história contada, na partilha de um livro, na descoberta feita em conjunto.

A inteligência artificial pode ajudar-nos a explorar novas formas de contar e preservar histórias, a ampliar o acesso à informação e a tornar o conhecimento mais inclusivo. Mas, por mais avançadas que sejam as máquinas, nunca substituirão o ser humano: as emoções, as sensações, a empatia e a criatividade — os verdadeiros lugares onde nascem as histórias.

Assim, ao olharmos para além das estantes, somos convidados a imaginar o futuro das bibliotecas como espaços híbridos, onde a tecnologia e a humanidade se encontram, dialogam e se completam. Um futuro em que a inteligência artificial é uma aliada, e não uma ameaça; em que as histórias continuam a ser partilhadas — não apenas por ecrãs, mas entre pessoas, com o coração aberto à escuta e à imaginação.

Tendo em conta os desenvolvimentos tecnológicos e sociais referidos, é oportuno recordar que o Manifesto das Bibliotecas Públicas da IFLA/UNESCO foi atualizado em 2022. Esse documento reafirma o papel das bibliotecas públicas como agentes essenciais de inclusão social, acesso equitativo à informação, liberdade intelectual, literacia e preservação da memória coletiva — valores que adquirem nova urgência numa era de mudança rápida.

Mas não é somente nas bibliotecas públicas que este compromisso de renovação se faz sentir. Em 2025, foi publicada uma nova versão do Manifesto da Biblioteca Escolar da IFLA/UNESCO, que atualiza e amplia os princípios anteriormente definidos, adaptando-os ao contexto contemporâneo das escolas.

Segundo este novo manifesto, a biblioteca escolar deve constituir-se como um espaço de aprendizagem físico e digital, operado por profissionais qualificados, colaborativo com a comunidade educativa, e orientado para o desenvolvimento das literacias, do pensamento crítico, da criatividade e da cidadania global.

A atualização do documento reconhece que as bibliotecas devem evoluir e adaptar-se à era digital, mas sem perder a sua vocação humana e comunitária. Concordando com estas orientações internacionais, podemos compreender as bibliotecas como espaços dinâmicos, onde as estantes coexistem com algoritmos, e onde o compromisso com o cidadão permanece inalterado.

Fundamentalmente, é necessário que cada um de nós consiga estabelecer um equilíbrio saudável entre o digital e o físico, entre a inovação e a tradição. Num mundo globalizado e interligado, a tecnologia pode — e deve — ser um apoio precioso para aproximar pessoas e ampliar o acesso às histórias e às ideias. No entanto, é no encontro real, no diálogo face a face e na experiência partilhada que se constrói o verdadeiro sentido das bibliotecas e da humanidade que as habita.

Miriella de Vocht
Outubro de 2025

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

"Ponham-nos a ler! : A leitura como antídoto para os cretinos digitais" de Michel Desmurget

 

Lisboa: Contraponto, 2023
ISBN 978-989-666-444-2

Depois de A Fábrica de Cretinos Digitais nos alertar para os perigos que a exposição excessiva aos ecrãs representa para o desenvolvimento das crianças, o prestigiado neurocientista Michel Desmurget revela-nos agora qual é o grande antídoto - o principal, até - contra o surgimento do «cretino digital»: ler «por prazer».

A começar pela linguagem, os benefícios da leitura são enormes, conforme comprovam centenas de estudos realizados nos últimos cinquenta anos. Além disso, ler tem também um impacto tremendo na cultura geral, nos resultados escolares (incluindo na matemática), no sucesso profissional, na mobilidade social, na atenção, empatia e saúde física e mental.

Neste livro, a leitura surge como a base que permite à criança desenvolver os três pilares da sua essência humana: aptidões intelectuais, competências emocionais e habilidades sociais. Michel Desmurget mostra-nos ainda que, apesar dos esforços dos media para nos convencer do contrário, os jovens não só leem cada vez menos, como leem cada vez pior. Segundo ele, saber ler é mais do que decifrar o alfabeto e juntar letras e sílabas - é preciso que a criança compreenda e interprete o que está escrito. Só assim poderá aprender a compreender o meio em que está inserida. O papel dos pais é, por isso, fundamental, cabendo a estes estimular nos filhos o gosto pela leitura mediante as estratégias apontadas pelo autor.

Face à sedução crescente dos ecrãs que tanto prejudicam o desenvolvimento dos nossos filhos, tanto a nível intelectual e cognitivo como físico-motor, Michel Desmurget apresenta-nos a leitura como a única forma de resistência possível ao avanço incontrolável do digital, num livro absolutamente imprescindível para pais e educadores.

Fonte: contracapa do livro

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

Leia, porque ler é um prazer!

sábado, 29 de outubro de 2022

Literacia financeira - sugestão de leitura

 

Alfragide: Academia do livro, 2009
ISBN 978-989-8194-39-8


O Adolescente Milionário, da autoria de Jonathan Self, é um guia financeiro para jovens. O autor desmistifica neste livro todos os aspetos relacionados com a gestão do dinheiro, desde o funcionamento de contas bancárias aos perigos dos cartões de crédito.

Através de uma linguagem clara e acessível, Jonathan Self aborda temas como a história do dinheiro, como fazer um orçamento, questões relacionadas com empréstimos, impostos e benefícios fiscais e dedica ainda um capítulo sobre assuntos financeiros a longo prazo.

O Adolescente Milionário pretende ser um guia que ajudará o leitor a gerir dinheiro e a tomar decisões sobre finanças pessoais.

Lê aqui as primeiras páginas. Gostaste?

Requisita na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

Lê, porque ler é um prazer!

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Revista digital Entreler

O Plano Nacional de Leitura 2027 iniciou a publicação de uma revista digital - a ENTRELER

Trata-se de uma revista digital de acesso livre e gratuito, com periodicidade anual, que tem como objetivo divulgar estudos e reflexões sobre a leitura, a escrita e a literacia, em todas as faixas etárias e nas suas múltiplas dimensões e contextos, bem como projetos e atividades de promoção da leitura e formação de leitores. 

A ENTRELER dirige-se a mediadores, docentes, formadores, investigadores, bibliotecários, técnicos e a todos os que partilham o interesse pela leitura, pela escrita e pelas literacias. (PNL2027)

O nº 0 da revista já está disponível e merece leitura atenta. Apresenta um conjunto variado de artigos, abordando temas da leitura infantil e juvenil, da literacia mediática e digital, da investigação e da prática da leitura partilhada, bem como uma entrevista de Carlos Fiolhais a Alberto Manguel.

Leia, porque ler é um prazer!

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

PISA 2018


O Programme for International Student Assessment (PISA), desenvolvido pela OCDE, visa avaliar se os alunos de 15 anos – idade em que, na maior parte dos países participantes, os alunos se encontram no final da escolaridade obrigatória – estão preparados para enfrentarem os desafios da vida quotidiana. 

O PISA foi concebido para avaliar se os alunos conseguem mobilizar as suas competências de Leitura, de Matemática ou de Ciências na resolução de situações relacionadas com o dia-a-dia. Trata-se do estudo mais abrangente a nível internacional e os seus resultados indicam a qualidade e equidade dos resultados de aprendizagem obtidos em todo o mundo, permitindo que educadores e decisores políticos aprendam com as políticas e práticas aplicadas noutros países. 

O PISA 2018 abrangeu 79 países, entre os quais Portugal. Foram inquiridos 5932 alunos e 5452 professores, entre 276 escolas de todas as regiões do país. 
São várias as conclusões que este relatório permite retirar quanto àquilo que pode ser o retrato da educação em Portugal, que aparece nos vigésimos lugares da lista nas três áreas avaliadas. Em traços gerais, as notícias continuam a ser positivas para o país, que mantém médias acima da OCDE. Mas, desta vez, desceu ligeiramente nos conhecimentos de Leitura e significativamente em Ciência. (DN)
Para saber mais sobre os resultados deste estudo consulte:

Jovens portugueses reforçam resultados acima da média da OCDE por Catarina Reis - Diário de Notícias

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Avaliar a informação



As notícias falsas, ou as chamadas Fake News em inglês, são conteúdos amplamente divulgados e difundidos na Internet pelo que é necessário ser capaz de avaliar a informação com que nos cruzamos para confirmar a sua veracidade, fiabilidade e credibilidade e não contribuir para que falsas informações se propaguem ainda mais.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Declaração dos Direitos de Literacia dos Cidadãos Europeus




Conscientes de que ainda falta fazer muito para os cidadãos dos países europeus atingirem níveis adequados de literacia, um grupo de especialistas internacionais da European Literacy Policy Network (ELINET) desenvolveu a Declaração dos Direitos de Literacia dos Cidadãos Europeus, com  a qual pretende demonstrar que “com o apoio certo e no momento certo, tanto crianças e jovens como adultos podem desenvolver e melhorar as suas competências e, deste modo, ocuparem o lugar a que têm direito na sociedade.” 

Na Declaração são enumeradas as 11 condições necessárias para pôr em prática o direito à literacia:
  1. As crianças devem ser estimuladas para a literacia em casa.
  2. Os pais devem receber apoio para ajudarem os seus filhos na aquisição da literacia.
  3. O desenvolvimento da linguagem e da literacia emergente exige um ensino pré- escolar acessível e de alta qualidade.
  4. A qualidade do ensino da literacia para as crianças, adolescentes e adultos deve ser entendida como uma questão central de todas as instituições educativas.
  5. Todos os professores devem ser preparados eficazmente para o ensino da literacia, tanto na sua formação inicial como contínua, para responder às exigentes tarefas que têm de desempenhar.
  6. As competências digitais devem ser promovidas em todos os grupos etários.
  7. A leitura por prazer deve ser ativamente promovida e estimulada.
  8. As bibliotecas devem ser acessíveis e ricas em recursos.
  9. As crianças e os jovens que têm problemas com a literacia
  10. Os adultos devem ser apoiados no desenvolvimento das competências de literacia necessárias para a sua participação plena na sociedade.
  11. Os políticos, os profissionais, os pais e as comunidades devem trabalhar juntos no sentido de garantir a igualdade no acesso à literacia, reduzindo as diferenças sociais e educativas.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Plano Nacional de Leitura

Ler + todas as palavras do mundo é o lema do Plano Nacional de Leitura (PNL) 2027, apresentado no dia Mundial do Livro de 2017, que começa agora a ser implementado.




Toda a informação, novidades e recursos do PNL 2027 estão disponíveis no site http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/, que se constitui sem dúvida como uma mais-valia para todos nós e merece ser explorado. No site para além de se encontrarem as listas de leitura recomendada, os utilizadores têm acesso à Biblioteca de Livros Digitais, à plataforma de E-learning e a um conjunto de estudos sobre literacia, entre diversos outros recursos.

Leia porque ler é um prazer!
Leia porque ler é enriquecer!

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Partilhar para crescer


No próximo dia 23 de Setembro vai realizar-se na Biblioteca Municipal de Arganil o V PARTILHAR PARA CRESCER, Encontro de Bibliotecas Municipais da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra.

Estes Encontros que tiveram o seu início na Biblioteca Municipal de Penacova em 2013 e posteriormente em Cantanhede, Mira e Tábua, têm como objectivo partilhar experiências do trabalho realizado nas Bibliotecas Municipais, com vista ao desenvolvimento de um trabalho em rede, mas também perspectivar o futuro no sentido de melhorar os serviços que as Bibliotecas prestam aos Munícipes e enquadrá-los em objectivos concretos de desenvolvimento da literacia e da aprendizagem ao longo da vida, contribuindo para a melhoria da inclusão social e da vida profissional de todos os utilizadores e potenciais utilizadores das Bibliotecas Públicas.

Neste V Partilhar para Crescer queremos envolver Bibliotecários e Assistentes Técnicos bem como Professores Bibliotecários e trazer até nós as Entidades que superiormente traçam o caminho a percorrer.

O Encontro, organizado pela Câmara Municipal de Arganil através da sua Biblioteca Municipal, conta com a colaboração da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra; Direcção- geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas; Rede de Bibliotecas Escolares; Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas e ainda do Agrupamento de Escolas de Arganil.

As inscrições estão abertas até 21 de Setembro!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Literacia no mundo

No passado dia 8 de Setembro assinalou-se o dia Internacional da Literacia sob o tema literacia e desenvolvimento sustentável. 

De acordo com a Unesco literacia é um dos elementos chave necessário à promoção do desenvolvimento sustentável, na medida em que torna as pessoas capazes de tomar decisões correctas e informadas nas mais diversas áreas da vida. A literacia constitui a base para a aprendizagem ao longo da vida e desempenha um papel crucial na criação de sociedades sustentáveis, prósperas e pacíficas.

As competências de literacia são parte de um leque de competências mais vasto necessário para o desenvolvimento do pensamento crítico, do sentido de responsabilidade, da gestão participativa, do consumo e estilos de vida sustentável, entre outros. 

Em sentido restrito literacia significa a capacidade de saber ler e escrever. Assim quando essas competências não existem falamos em iliteracia ou analfabetismo. Em sentido lato literacia remete-nos para a capacidade dos indivíduos saberem processar a informação com que são confrontados no dia-a-dia nos mais diversos domínios, e o grau de capacidade com que o fazem permite nos afirmar que existem diversos níveis de literacia.

Citando Ana Benavente et al. “... [na literacia] não se trata de saber o que é que as pessoas aprenderam ou não, mas sim de saber o que é que, em situações da vida, as pessoas são capazes de usar. A literacia aparece, assim, definida como a capacidade de processamento da informação escrita na vida quotidiana.” (1995: 23)*

A literacia é um direito humano, no entanto existem ainda 781 milhões de pessoas iliteratas no mundo, ou seja cerca de 16% da população mundial.

Com o objectivo de proporcionar uma visão clara e objectiva da literacia no mundo foi criado por Antonio Di Vico para a Unesco uma infografia que mostra os níveis de literacia no mundo, destacando o papel que esta tem no desenvolvimento sustentável.


Uma infografia que merece ser lida e partilhada, disponível para download no site da UNESCO.

Para saber mais consulte:





*Benavente, Ana et al. (orgs.), (1995), Estudo nacional de literacia. Relatório preliminar. Lisboa: Instituto de ciências sociais

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Bibliotecas são instrumentos para as competências leitoras

4 de dezembro de 2008 - Arganil, lançamento do Portal da Rede de Bibliotecas de Arganil
Teresa Calçada, Coordenadora do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares no período de 1996 a 2014, foi entrevistada para o Público por Bárbara Wong. Numa extensa entrevista reflete sobre o percurso de mais de 17 anos das Bibliotecas Escolares, sobre as suas funções e ainda sobre os novos desafios que lhes são colocados.

Apesar das grandes mudanças com que as Bibliotecas e os seus profissionais são confrontados fruto do impacto da era digital, cabe-lhes continuar a demonstrar que são um instrumento fundamental para o desenvolvimento de competências leitoras nos mais variados domínios.
“Hoje há multiliteracias que são mais completas. O que as bibliotecas têm é a obrigação de ajudar à capacitação leitora. Não há resultados a Matemática ou a qualquer outra disciplina curricular que não passe pelas competências leitoras.”
 “Porque a função da biblioteca é fazer leitores e isso é difícil porque não se é naturalmente leitor. É cada vez mais difícil fazer leitores porque o tempo é mais rápido e, paralelamente, o tempo da leitura é lento. É um paradoxo, o qual somos convocados a contrariar.”
Uma entrevista que sem dúvida vale a pena ler. Aqui.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Banda desenhada e promoção da leitura

Banda desenhada é uma forma de arte que conjuga texto e imagens com o objectivo de narrar histórias nos mais variados géneros e estilos. É, em geral, publicada no formato de revistas, livros ou em tiras publicadas em revistas e jornais. A banda desenhada é classificada como sendo a Nona Arte de entre as Artes Plásticas.

Existe uma franja etária da população que por natureza ou até mesmo por instinto, foge à leitura tradicional: os adolescentes. Na verdade, eles não fogem das bibliotecas. Utilizam-na em grande escala como espaço para aceder à Internet, aos filmes e para fazer trabalhos escolares, ou até como espaço de convívio, mas não a utilizam para a leitura de livros em suporte de papel. Embora as novas tecnologias ofereçam uma nova forma de leitura, mais dinâmica e interactiva, a maior parte destes jovens não tem o hábito de ler um livro por prazer, de ler uma obra literária como actividade lúdica. E é a leitura lúdica que nos permite adquirir e consolidar os hábitos de leitura que nos deveriam acompanhar ao longo de toda a vida, quer na vertente escolar, profissional ou pessoal. 

Com isto não se pretende desvalorizar as novas formas de leitura indispensáveis na sociedade do século XXI, apenas reafirmar a ideia de que uma pessoa letrada na sociedade actual deve ser capaz de utilizar textos tradicionais (impressos) e em simultâneo os textos digitais e electrónicos. 

Apesar da sua larga popularidade, algumas pessoas consideram que a Banda Desenhada não é mais do que um género menor de literatura. Porém, e como em todos os géneros literários, na Banda Desenhada encontrámos obras de maior ou menor qualidade e este é um género literário muito apelativo e uma ferramenta poderosa para captar e motivar novos leitores e ajudá-los a descobrir o gosto pelo livro e pela leitura.

De acordo com a ALA (American Library Association) e YALSA (Young Adult Library Services Association) a banda desenhada é actualmente mais sofisticada e variada em termos de conteúdos do que era há algumas décadas atrás e goza de um estatuto de respeitabilidade que anteriormente lhe era negado. Promove a literacia verbal e visual, assim como o gosto pela leitura. Uma boa colecção de banda desenhada pode atrair à Biblioteca adolescentes e jovens, incentivá-los a ler e descobrir os recursos que a mesma oferece.

O fundo documental da Biblioteca Municipal de Arganil também engloba banda desenhada. Destacamos aqui algumas das colecções disponíveis:

- Astérix
 - Lucky Luke
 - Corto Maltese
 - Antologia da Banda Desenhada Clássica
 - Antologia da Banda Desenhada Portuguesa
 - Garfield
 - Blueberry
 - As aventuras de Spirou e Fantasio
 - Alix
 - Grandes autores de banda desenhada
 - Calvin & Hobbes
 - Michel Vaillant

Aceda ao catálogo concelhio da Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil para saber que títulos temos disponíveis para si!

Leia, porque ler é um prazer!

Mais informação sobre BD:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Banda_desenhada_em_Portugal
http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/view/552
http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/view/202

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Porque é preciso ler? Lê-se para quê?

“Através do livro, todos aprendemos a ler e a contar, a escrever e a pensar; através do livro, aprendemos a conhecer os grandes pensadores e os escritores clássicos; através do livro, aprendemos a conhecer os grandes textos sagrados; através do livro, aprendemos as lições da história e os avanços da ciência; através do livro, aprendemos os grandes valores que regem as sociedades modernas; através do livro, aprendemos a sonhar outros mundos e pensar utopias; através do livro, aprendemos a rir e a chorar, a rezar ou a amar; através do livro aprendemos descobrir o que nos cerca e a descobrimo-nos a nós próprios. O livro e a leitura são instrumentos essenciais de exercício de inteligência e de ginástica mental, de comunicação e de informação. Afinal, o livro e a leitura moldaram definitivamente a nossa memória e identidade individuais e colectivas, bem como a nossa visão do mundo.
Opostamente, quem não lê, atrofia-se do ponto de vista linguístico, estético e cultural; quem não lê, regride na sua capacidade de pensar o que o rodeia; quem não lê, está condenado a viver à margem do seu tempo; quem não lê, vive e morre seguramente mais pobre. Deste modo, ler não é um luxo, é um dever, uma necessidade básica, um direito elementar, um hábito imprescindível. Ler não é apenas um mero passatempo; é antes um alimento intelectual – Aristóteles afirmou: “Um livro é um animal vivo”; Santo Agostinho chamou-lhe “alimento do espírito”; e João de Barros, “mercadoria espiritual”. Os livros são objectos pequenos, mas cheios de mundo (Romano Guardini).”

Excerto de: Elogio do livro e da leitura de Cândido Oliveira Martins
(acedido a 25.06.2012)

Nota biográfica: Cãndido Oliveira Martins é Professor da Universidade Católica Portuguesa. Dá aulas de Teoria da Literatura, Retórica e Argumentação, Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa.
É coordenador do Mestrado de Literatura Portuguesa - Época contemporânea.
Desenvolve actividade de crítica literária em algumas publicações tais como o Jornal Diário do Minho, revista Os meus Livros, Letras & letras, etc.)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Literacia, media e cidadania

Realizou-se a 25 e 26 de Março do presente ano o 1º Congresso Nacional Literacia, Media e Cidadania, que teve como objectivos:

• Promover a formação de cidadãos esclarecidos e críticos face aos media e ao ecossistema mediático;

• Incentivar a interacção entre os media e as instituições educativas e culturais;

• Contribuir para a inscrição da educação para os media e a literacia digital na agenda pública;

• Valorizar a participação dos cidadãos na vida democrática tirando partido das novas plataformas digitais e redes sociais;

• Reflectir sobre a relevância da literacia mediática para a qualidade e a produtividade no trabalho;

• Favorecer a inserção da educação para os media no currículo escolar e a utilização dos diferentes tipos de meios como recurso educativo;

• Estimular a inovação nos métodos e conteúdos da aprendizagem, em contextos formais e não-formais de educação;

• Divulgar e fomentar a investigação no âmbito da literacia, dos media e da cidadania.

As conclusões deste Congresso deram origem à “Declaração de Braga” e as diversas comunicações apresentadas já estão disponíveis para consulta e/ou download. Consulte o livro de actas aqui!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Educação, Literacia e Cidadania

A educação no século XXI deve fundamentalmente responder à questão: viver juntos, com que finalidades, para fazer o quê? e dar a cada um, ao longo de toda a vida, a capacidade de participar activamente, num projecto de sociedade. Ou seja o sistema educativo tem como missão formar os seus alunos no sentido de participarem dinamicamente na sociedade, e de acordo com o relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI deve “fornecer os mapas de um mundo complexo e perpetuamente agitado e a bússola que permita nele navegar”.

Uma das condições ao exercício de uma cidadania plena é a literacia. Literacia e educação estão indissociavelmente interligadas. Até há uns anos atrás o conceito de literacia resumia-se à capacidade do indivíduo saber ler, escrever e efectuar cálculos básicos. Hoje, face ao rápido desenvolvimento tecnológico, o conceito é necessariamente muito mais abrangente e começa-se a falar de literacia informativa, literacia mediática ou multimédia, para referir a capacidade de fazer face aos desafios colocados pela sociedade da informação e do conhecimento. Estas novas vertentes da literacia são fundamentais para evitar novas formas de exclusão e também ferramentas imprescindíveis para desempenhar um papel activo na sociedade democrática.

A cidadania e a formação dos cidadãos passam, cada vez mais, pela capacidade de criar pontes entre universos como o da escola e o dos média e, hoje, o das redes globais de comunicação.

Mas assim como é fundamental que a escola assuma o seu papel insubstituível de espaço de interrogação da vida e do mundo e de construção de sentido, não é menos fundamental que os decisores e agentes políticos, económicos e empresariais participem na reflexão sobre a cidadania e o futuro das nossas sociedades na sociedade da informação e do conhecimento.

Todos juntos temos a missão de promover uma atitude ética que se manifeste no saber-fazer-pensar-dizer-ser, orientada por princípios cívicos, em que a igualdade, democracia, solidariedade, liberdade e cooperação sejam reais.

Se este tema lhe despertou a atenção, sugerimos que requisite na biblioteca municipal:

COMISSAO INTERNACIONAL SOBRE EDUCACAO PARA O SECULO XXI - Educação : um tesouro a descobrir. 2ª ed. Porto : Asa, 1996. 256 p. ISBN 972-41-1775-8

A literacia em Portugal : resultado de uma pesquisa extensiva e monográfica. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian. Serviço de Educação, 1996. XIII, 429 [2] p.. ISBN 972-31-0713-9

MARQUES, Viriato Soromenho - A Era da Cidadania. Mem Martins : Europa-América, 1996. 205 p.. ISBN 972-1-04076-2

Educação para a Cidadania. Lisboa : Plátano, D.L.1999. 342 p.. ISBN 972-621-997-3
AMORIM, José Pedro - O impacto da educação e formação de adultos no desenvolvimento vocacional e da cidadania : a metamorfose das borboletas. 1ª ed. Lisboa : MTSS/DGERT, 2006. 189 p. ISBN 972-8312-54-7. ISBN 978-972-8312-54-1

Ou consulte na Internet:

CORREIA, João Carlos. Cidadania, Comunicação e Literacia Mediática [Em linha]. [Consult. 17-05-10]. Disponível em: https://bocc.ufp.pt/pag/correia-joao-carlos-Media-Publico-Literacia.pdf

FREITAS, Judite A. Gonçalves de; REGEDOR, António Borges. Bibliotecas Públicas e Cidadania Activa [Em linha]. [Consult. 17-05-10]. Disponível em WWW:
http://badinfo.apbad.pt/Congresso9/COM13.pdf

Grilo, Eduardo Marçal (2008). Prefácio ao Fórum Educação para a Cidadania 2008. [Em linha]. [Consult. 17-05-10].
Disponível em WWW:

MACEDO, Lurdes (2005). Educação e Literacia Para os Media na Promoção da Cidadania [Em linha] in LIVRO DE ACTAS 4º Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, 4º SOPCOM, Aveiro, Comissão Editorial da Universidade de Aveiro.[Consult. 17-05-10]. Disponível em WWW: http://bocc.ubi.pt/pag/macedo-lurdes-esducacao-literacia-para-media-promocaocidadania.pdf

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Literacia informacional

Na revista Notícias Magazine nº 923 de 31 de Janeiro pode ler-se um interessante artigo sobre o uso da Internet intitulado “Geração copy/paste” que apresenta algumas das conclusões da investigação “A literacia informacional no espaço europeu do ensino superior: estudo da situação das competências da informação em Portugal”, coordenado por Armando Malheiro, docente e investigador em ciência da informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Uma das conclusões do estudo é a constatação de que existem ainda grandes lacunas na chamada literacia informacional, entendida como “as competências e a capacidade selectiva e sintetizadora na busca e no uso da informação”.

Em poucos anos a Internet tornou possível o acesso à informação e ao conhecimento de uma forma global e acessível a todas as pessoas. Porém a evolução desta nova ferramenta foi tão rápida que quase não houve tempo para perceber como gerir toda essa informação, de que ferramentas precisamos para a transformar em conhecimento e aproveitar todas as suas potencialidades.

Os jovens interagem com estas novas tecnologias com uma facilidade impressionante, mas será que o seu nível de conhecimento está a acompanhar a facilidade com que actualmente conseguem aceder à informação?

“Pesquisar um tema é muito mais do que fazer copy/paste. É procurar várias fontes de informação, é comparar, analisar, seleccionar, transformar.” É ainda saber usar a capacidade de reflexão e ter espírito crítico.

Pode ler o artigo na íntegra na Biblioteca Municipal e se pretende obter mais informação sobre esta investigação consultar o sítio:
http://web.letras.up.pt/eLit/index.htm

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Da aprendizagem da leitura

Todos reconhecemos que saber ler é uma condição indispensável para o sucesso individual, quer na vida escolar, quer na vida profissional. Torna-se necessário saber ler fluentemente e escrever de forma eficiente para a realização de todas actividades diárias, como ler o jornal, consultar o horário de comboios ou preencher a declaração de impostos, entre outras.

Numa sociedade cada vez mais dependente da obtenção rápida de informação, a fraca competência para a leitura traz embaraços na realização de tarefas bastante simples, dando lugar ao desânimo e desistência face a aprendizagens que dependem essencialmente da informação escrita.

Os resultados das provas de aferição e até estudos internacionais têm comprovado o baixo desempenho de leitura dos alunos portugueses.

É urgente inverter este processo.

A aquisição da leitura e da escrita deve ocorrer num ambiente onde não haja medos nem receios tendo em conta o seu ritmo de aprendizagem e o seu desenvolvimento. Aprende-se a língua manipulando-a nas mais diversas situações: aprende-se a falar falando, a ler lendo, a escrever escrevendo, a compreender exercitando as estratégias de leitura.
Maria João Cavaleiro
Professora Bibliotecária do Agrupamento de Escolas de Arganil

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A dimensão económica da literacia em Portugal

Realizou-se no passado dia 2 de Dezembro, uma conferência na Fundação Calouste Gulbenkian para apresentação do estudo A dimensão económica da literacia em Portugal.

Este estudo realizado a pedido do Plano Nacional de Leitura pela empresa canadiana Data Angel, “revestiu-se de particular importância ao estabelecer uma ligação directa entre os níveis de literacia da população, associados a práticas de leitura e a competências de aprendizagem ao longo da vida e o desenvolvimento económico e social dos países.”[1]

O Jornal de Letras, Artes e Ideias na sua edição nº 1023 (16.12.2009), apresenta as principais conclusões do estudo, bem como os comentários de Teresa Calçada, directora da rede de bibliotecas escolares, Manuel Ramos dos Santos, economista e Ana Maria Rosa, professora do 1º ciclo do ensino básico.

O texto integral do estudo pode ser consultado no site do Ministério da Educação.

[1] Teresa Calçada in Jornal de Letras, Artes e Ideias nº 1023

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Como Pinóquio aprendeu a ler

Em viagens através de blogues encontramos o texto “Como Pinóquio aprendeu a ler” de Alberto Manguel.

“Na escola, Pinóquio aprendeu a ler, mas não se transformou num leitor. Isto porque, apesar de ter aprendido a descodificar o alfabeto, não aprendeu a ler em profundidade. O que faltaria a Pinóquio para aprender a ler de uma forma que lhe permitisse pensar? (…)”

Acredite que vale a pena. Leia o texto na íntegra aqui.