terça-feira, 10 de agosto de 2010

O regresso




SCHLINK, Bernhard - O regresso. 1ª ed. Porto : Asa, 2008. 313, [7] p.. ISBN 978-989-23-0070-2


A viver com a mãe na Alemanha do pós-guerra, o pequeno Peter passa as férias de verão em casa dos avós, na Suiça. Responsáveis pela edição de uma colecção de livros, os avós dão ao neto o papel usado nas provas, em cujo verso ele pode escrever mas cujas histórias está proibido de ler.

Um dia, Peter desobedece e descobre o relato de um prisioneiro de guerra alemão que, após ter enfrentado inúmeros perigos para fugir aos seus captores e regressar a casa, descobre que, durante a sua ausência, a mulher constituíra uma nova família. Mas Peter já tinha usado as páginas finais para fazer os trabalhos de casa e fica sem saber como termina a aventura. Anos depois, já adulto, decide procurar as páginas desaparecidas; uma busca que se altera por completo quando descobre que o seu pai, um soldado alemão que ele sempre acreditou ter morrido na guerra, pode ainda estar vivo.

Sob o encantamento da sua própria história de amor, e à medida que começa a deslindar o mistério do desaparecimento do pai, Peter vê-se obrigado a questionar a sua própria identidade e a enfrentar o facto de a realidade ser, por vezes, um reflexo das expectativas dos outros.

Retirado da badana da capa posterior do livro

Um livro surpreendente que pode requisitar na Biblioteca Municipal de Arganil

Boas Férias com Boas Leituras !

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A princesa de gelo de Camilla Lackberg

Após a morte drástica dos seus pais, Erica Falk, regressa à sua terra natal, Fjallbacka, uma pacata cidade sueca, e é confrontada com a morte da sua melhor amiga de infância, Alexandra.

Alexandra fora encontrada morta na banheira de sua casa e tudo aponta para o suicídio. Convidada pelos pais de Alex a escrever sobre a falecida amiga, Erica acaba por se sentir intrigada com a morte da sua amiga e decide investigar o que se encontra por detrás daquela morte, rapidamente conclui que o cenário de suicídio não passou de uma encenação. Alex havia sido vítima de um homicídio. Erica acaba inevitavelmente por se envolver na investigação, colaborando com Patrik, um amigo polícia.

Juntos vão unindo as peças de um intricado puzzle, que se revela ainda mais complexo, quando também o principal suspeito do caso, Anders Nilsson é encontrado morto. Mais uma vez o cenário aponta para o suicídio.

A investigação requer um regresso ao passado e para reunir a informação necessária para desvendar o mistério em que se encontram envoltas estas mortes, Erica e Patrik interrogam os pais de Erica, o professor, e outras pessoas que fizeram parte da vida de Alex. Desenterram segredos do passado e é neles que encontram a explicação para os homicídios ocorridos na tranquila cidade Fjallbacka.

A princesa de gelo é um romance policial ligeiro mas envolvente e intrigante que nos prende da primeira à última página e é decididamente uma boa leitura para este Verão.

A princesa de gelo é o romance de estreia da escritora sueca Camilla Lackberg.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A sombra do que fomos


SEPÚLVEDA, Luís - A sombra do que fomos. 1ª ed. Porto : Porto Editora, 2009. 159, [1] p.. ISBN 978-972-0-04076-3

"Num velho armazém de um bairro popular de Santiago do Chile, três sexagenários esperam impacientes pela chegada de um quarto homem. Cacho Salinas, Lolo Garmendia e Lucho Arencíbia, antigos militantes de esquerda derrotados pelo golpe de Pinochet e condenados ao exílio, voltam a reunir-se trinta e cinco anos depois, convocados por Pedro Nolasco, um antigo camarada sob cujas ordens vão executar uma arrojada acção revolucionária. Mas quando Nolasco se dirige para o local do encontro é vítima de um golpe cego do destino e morre atingido por um gira-discos que insolitamente é lançado por uma janela, na sequência de uma desavença conjugal… "

"Prémio Primavera de romance 2009, A sombra do que fomos é um virtuoso exercício literário posto ao serviço de uma história carregada de memórias do exílio, de sonhos desfeitos e de ideais destruídos. Um romance escrito com o coração e o estômago, que comove o leitor, lhe arranca sorrisos e até gargalhadas, levando-o no fim a uma reflexão profunda sobre a vida."

(retirado da capa posterior da obra)

Luís Sepúlveda nasceu no Ovalle, no Chile em 1949. Toda a sua já extensa obra, se encontra traduzida para português.

Um livro que vale a pena ler e que pode encontrar na Biblioteca Municipal de Arganil.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A ilha debaixo do mar de Isabel Allende

ALLENDE, Isabel - A ilha debaixo do mar. Lisboa : Inapa, 2009. 511 p. ISBN 978-989-681-000-9

A ilha debaixo do mar da autoria de Isabel Allende é um belíssimo romance, numa linguagem simples e fluida que narra a história de Zarité, uma escrava que aos 9 anos, em finais do século XVIII, foi vendida a um rico fazendeiro, Toulouse Valmorian, da Ilha de Saint-Domingue.

Apesar da sua condição de escrava, Zarité nasceu sob o signo de uma “boa estrela”, não conheceu nem o esgotamento das plantações de cana-de-açúcar, nem a asfixia e o sofrimento dos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. Mesmo assim a sua vida não foi fácil, porém nunca desistiu de lutar, tendo conseguido alcançar o que mais ambicionava na vida: a liberdade.

O romance acompanha os 40 anos de vida de Teté, nome pelo qual Zarité é mais conhecida, e vai-nos dando conta da vida das pessoas com que ela se vai relacionando: o amo Valmorian, cuja cama foi forçada a partilhar, a sua frágil esposa espanhola, D. Eugénia, Maurice, filho único do casal, o médico Parmentier e Rosette, são alguns dos personagens que vão dando vida e ritmo a este romance, que é ao mesmo tempo o relato de um drama histórico em que se vai dando ao leitor uma perspectiva do que foi a escravidão no Caribe em finais do século XVIII.

Este é um romance que nos envolve do princípio ao fim. Como sempre acontece a escritora Isabel Allende consegue transportar o leitor para o interior da história e fazer com que este sinta as emoções das suas personagens, como se também ele fizesse parte daquelas vidas e cenários.

Um livro com uma bela história. Uma leitura a não perder.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Leituras Cruzadas

O blog Leituras Cruzadas atingiu hoje os 10 000 acessos (cerca de 670 por mês), desde que foi criado a 4 de Março de 2009. Utilizando as modernas ferramentas da comunicação, este blog serve o Projecto de Promoção de Leitura que a Biblioteca Municipal de Arganil – Miguel Torga vem desenvolvendo nos seus quase 14 anos de abertura ao público.
Tal como o nome indica, o Leituras Cruzadas procura transmitir, a quem o visita, diferentes olhares sobre a Leitura e as Leituras que o mundo de hoje proporciona.
Para todos os que nestes dezasseis meses nos têm visitado e lido os textos que vamos publicando, aqui fica o nosso obrigado.
Gostaríamos ainda de agradecer a colaboração de alguns leitores que quiseram participar com textos de sua autoria e assim enriquecer este trabalho.
A todos o nosso Bem-Haja

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Alberto Manguel em entrevista

No suplemento Ípsilon do Jornal Público de Sexta-feira pode ler-se uma interessante entrevista conduzida por Ana Gerschenfeld a Alberto Manguel, ensaísta, escritor de ficção, e acima de tudo, leitor.

Ao longo de 3 páginas num tom íntimo e informal Alberto Manguel reflecte sobre os livros e a leitura, as novas tecnologias e o ensino e manifesta a sua preocupação com a destruição do valor do acto intelectual.

Uma entrevista que recomendamos vivamente! Pode lê-la na nossa biblioteca ou aqui!

“Nem toda a gente é leitora, mas acho que, no fundo, é porque as circunstâncias fazem que não sejamos todos leitores. A possibilidade está em todos nós. O que quero dizer é que suponho que há pessoas que nunca se apaixonam, suponho que há pessoas que nunca viajam, suponho que há pessoas que não têm uma certa experiência do mundo. E da mesma maneira, existem muitas pessoas que não são leitoras. Mas a possibilidade está dentro de nós.” – Alberto Manguel

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O anibaleitor de Rui Zink

O Anibaleitor conta a história de um jovem que, fugido à "guarda do reino", embarca numa viagem em busca de um mítico e fabuloso animal, o Anibaleitor. Livro de aventuras, é acima de tudo livro da aventura da leitura."

É assim que nos é apresentada a obra de Rui Zink que não poderia ser descrita de melhor forma. Em todo o caso, para quem não conhece, ou conhece mal, a obra do autor importa fazer notar que O Anibaleitor, para além de metáfora para a leitura, serve como indagação sobre o que é a literatura.

Em rigor, há duas histórias a ser contadas, a de um jovem que embarca numa viagem e a de um autor que questiona a viagem que o levou à leitura e à escrita. Mas dentro dessas duas histórias há um sem número de outras histórias que vão sendo contadas, à maneira das bonecas russas. Afinal o que é a literatura se não um entrecuzar de outras leituras, interpretações do mundo que nos rodeia e nos habita? "Para o Anibaleitor, um livro era um encontro entre duas vozes: a nossa e a do livro." Por essa razão, a obra está carregada de alusões, umas mais directas que outras, a outros autores: "Por isso, leio. É mais autónomo. Dependo menos da bondade de estranhos, como diria Tenessee Williams."

Em resumo o livro de Rui Zink é um conjunto de metáforas, escrito em prosa simples, contudo carregado de densas reflexões sobre o significado da leitura e da literatura: "O livro, ao ser escrito, já deu um grande passo na nossa direcção: é uma dádiva. Cabe-nos agora a nós retribuir a gentileza e dar um passo na direcção do livro." Esta é a epígrafe perfeita, não só para este livro como para a própria leitura, livro esse que não desilude quem o lê como até exige uma certa releitura, pois perante a aparente simplicidade instala-se uma profunda e interessante reflexão sobre o modo como levamos a vida e apreendemos o mundo.

Boa leitura.

Texto da autoria de Henrique Jesus
(a Biblioteca Municipal Miguel Torga agradece a colaboração)


Biografia:

Rui Barreira Zink (Lisboa, 16 de Junho de 1961), escritor e professor universitário português.
É Professor Auxiliar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (desde 1997), onde se licenciou em Estudos Portugueses (1984) e obteve os graus de mestre em Cultura e Literatura Popular (1989) e de doutor em Literatura Portuguesa (1997). Foi igualmente Professor do Ensino Secundário (1983-1987), Leitor de Língua Portuguesa na Universidade de Michigan (1989-1990) e Professor Convidado na Universidade de Massachussetts Dartmouth (2009-2010).
Autor de vários livros, entre ensaios e ficção, salienta os romances Hotel Lusitano (1987), Apocalipse Nau (1966), O Suplente (1999) e Os Surfistas (2001), e os livros de contos A Realidade Agora a Cores (1988) e Homens-Aranhas (1994) e O Anibaleitor (2006). Colaborou em jornais e revistas, de que salienta o semanário O Independente (1991) e a revista K (1992). Fez tradução literária, de autores como Matt Groening, Saul Bellow e Richard Zenith.
Rui Zink recebeu o Prémio do P.E.N. Clube Português pelo romance Dávida Divina (2005), e representou o país em eventos como a Bienal de São Paulo, a Feira do Livro de Tóquio ou o Edimburgh Book Festival.

Sítio oficial do escritor: http://www.ruizink.com/


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Livro do mês: As aventuras de Tom Sawyer

Para recordar Mark Twain no ano em que se assinala o centenário da sua morte.

TWAIN, Mark, pseud. - As Aventuras de Tom Sawyer. Porto : Público Comunicações Social SA, imp. 2004. 253 p. ISBN 84-9789-498-7

As Aventuras de Tom Sawyer, publicado originalmente em 1876, é a personificação do rapazinho que cada criança quer ser: livre, aventureiro, moral e inteligente. Nascido no coração do Sul, no Missouri, Tom parece-se com o seu autor, Samuel Clemens (o verdadeiro nome de Mark Twain), quando novo: um rapaz incapaz de viver na rotina, espirituoso e possuidor de um forte sentido do bem e do mal. Tom é órfão, vive com a sua tia Polly e com os seus primos e adora faltar à escola para ir pescar. A sua tia faz o melhor que pode, tentando domesticá-lo, ao arrastá-lo para a igreja e ao punir as suas rebeliões.

Em várias tropelias e aventuras, Tom e os seus amigos procuram tesouros em casas assombradas, escondem-se numa ilha deserta e anseiam ser piratas e ladrões. E quando Tom e Huck visitam à noite um cemitério, pois acreditam que tal passeio é uma cura milagrosa para as verrugas, e testemunham um assassinato, não têm outro remédio senão fugir de St. Petersburgo.

“Mark Twain viaja até ao universo infantil recriando as brincadeiras e as travessuras dos miúdos. Mas não se esquece de reencontrar, por outro lado, a beleza e a ingenuidade que só uma criança pode ter. E Tom Sawyer, tal como o seu amigo Huck Finn, encarnam na perfeição essa ingenuidade: tudo neles é puro e espontâneo. Dos sentimentos que transparecem das suas atitudes, sempre repletas de nobreza e humanidade, até às suas crenças e superstições, algumas delas simplesmente hilariantes, os dois miúdos transformam-se em seres humanos ideais: imperfeitos, mas com bom coração.
A preocupação de Twain em enaltecer o que há de bom e puro no ser humano, isto é, nas crianças que ainda conservam na sua essência a bondade e a generosidade como valores maiores, de forma espontânea, é notória ao longo da obra.”

Diego Armes dos Santos in Guia de leitura.
Colecção geração público. Público: Porto, cop. 2004


Mark Twain é o pseudónimo literário de Samuel Langhorne Clemens (1835-1910), popular autor americano e jornalista famoso pelo seu humor. Foi tipógrafo e piloto de barcos a vapor no Mississípi durante a guerra civil americana. Escreveu livros de viagens e celebrizou-se com as obras As Aventuras de Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn.