quarta-feira, 20 de junho de 2018

Novidade na biblioteca. A caixa em forma de coração de Joe Hill

Judas Coyne colecciona o macabro: um livro de receitas para canibais… uma corda usada num enforcamento… um filme snuff. Uma lenda do death metal de meia-idade, o seu gosto pelo bizarro é tão conhecido entre a sua legião de fãs como os excessos da sua juventude. Mas nada do que ele possui é tão inverosímil ou tão medonho como a sua última descoberta…

Um artigo à venda na Internet, uma coisa tão estranha que Jude não consegue resistir a pegar na carteira. "Vendo" o fantasma do meu padrasto a quem fizer a licitação mais alta. Por mil dólares, Jude tornar-se-á o orgulhoso dono do fato de um homem morto que se diz estar assombrado por um espírito inquieto. Ele não tem medo. Passara a vida a lidar com fantasmas - o fantasma de um pai violento, o fantasma das amantes que abandonara sem compaixão, o fantasma dos companheiros de banda que traíra. Que importância teria mais um? Mas o que a transportadora entrega à sua porta numa caixa preta em forma de coração não é um fantasma imaginário ou metafórico, não é um benigno motivo de conversa. É real.

Fonte: contracapa do livro

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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segunda-feira, 18 de junho de 2018

José Saramago - Colecção RTP Arquivos

"No dia em que se assinalam oito anos sobre o falecimento de José Saramago, o portal RTP Arquivos disponibiliza uma nova colecção dedicada ao grande escritor português, Prémio Nobel da Literatura de 1998".

Aceda ao catálogo da Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil e descubra as obras de e sobre José Saramago que temos disponíveis para si.

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sábado, 16 de junho de 2018

Diário

DIÁRIO 

11 de Junho de 2018 

Ao longo dos anos fiz várias tentativas de escrita de um diário. Mas nunca fui suficientemente persistente. Arrependo-me muito de não ter alcançado esse objetivo. 
Enquanto adolescente tentei confidenciar os meus pequenos segredos a uma folha de papel que os guardaria, silenciosamente, sem admoestações à minha rebeldia. 
Hoje sei que um diário, para além de útil, é uma importante escola para uma escrita mais complexa. 
Por outro lado, é uma forma de nos conhecermos a nós próprios. 
Para quem escreve, a memória é um objeto de trabalho indispensável. E, por essa razão, um diário é uma ferramenta valiosa. 
Em todo o tipo de escrita nos revelamos por inteiro, num diário desnudamo-nos completamente. 
Outro aspeto da questão, é o facto de se obrigar o coração e a mente ao esforço de descrever os acontecimentos sinteticamente, cingindo-os à sua essencialidade. 
É um encorajamento ao bom uso de cada palavra. 
Tem também a sua faceta libertadora. Pode ser uma terapia. A terapia do trabalho de escrita. 
Os diários dos escritores não são um desabafo não premeditado. 
Eles sabem que serão publicados. Alguns são mesmo a obra maior do autor. É o caso de Miguel Torga. 
Já li vários diários. Presentemente estou a ler o de Virgínia Woolf. Tem sido considerado, por vários críticos, como um dos melhores do mundo. 
Iniciei a sua leitura sem grande motivação, porém, já me deixei fascinar pelo dia a dia desta mulher. 
Partilho uma curiosidade que me surpreende: a escritora usar o apelido do marido, Leonard Woolf. 
Tudo no mundo da criatividade é muito subjetivo, muito pessoal e identitário. É algo que se cola ao indivíduo, é a sua segunda pele. Nasce com ele como o nome de origem. 
Na minha opinião, a justificação para este caso invulgar é o facto de Virgínia Woolf depender psicologicamente do marido. Ela afirma que deposita nele uma confiança infantil. Ele é o seu amparo e protetor. Da circunferência que são os outros ele é o centro inviolável. 
O casamento funciona com um eixo central. Assegura-lhe o equilíbrio possível, o sossego e a felicidade. 
O Diário deixa transparecer a sua relação com ele. Não vivem uma paixão erótica. O amor assenta no companheirismo, no afeto, na admiração, respeito e estímulos mútuos. 
Ela própria escreve: “ao fim de 25 anos não suportamos estar separados” e continua dizendo que ao mesmo tempo, se sentem “independentes, livres, harmoniosos. Dir-se-ia até que somos o casal mais feliz de Inglaterra”. 
Virgínia Woolf escreveu um diário enquanto adolescente, tinha 15 anos e, apenas, durante seis semanas. 
Mas é a partir de 1915, com 33 anos, que retoma este tipo de escrita com alguma regularidade e fá-lo ao longo de vinte e seis anos. No início da Primeira Guerra Mundial até aos começos da Segunda. 
O último foi escrito quatro dias antes de se deitar a afogar, a 28 de março de 1941, quando tinha 59 anos. 
Em 1953, o marido, proprietário de uma editora, decidiu publicar excertos de vinte seis dos trinta cadernos que compõem o Diário, centrado sobretudo em dar uma imagem do processo criativo da mulher. 
Mais tarde Anne Olivier Bell e o marido, sobrinhos da escritora, publicaram o Diário na íntegra, com todas as anotações da autora. 
Virgínia Woolf revela-se uma pessoa extremamente contraditória, com grandes alterações de humor, resultado de frequentes crises depressivas. 
A sua escrita é muito formal, mas perfeita. Ou não fosse ela uma autora de excelência. 
Mesmo tratando-se de um Diário admite que um escritor deve controlar o impulso criativo até ao rigor da perfeição, sem “deixar fluir os conteúdos da mente.” 
Apesar das constantes alterações de humor é muito contida na exteriorização dos sentimentos. Nunca deixou transparecer as suas ideias suicidas. 
Porém, tanto aparenta uma extrema felicidade, como se queixa de melancolia e depressão. 
Relata o seu quotidiano de muita leitura e escrita. Para além da vida intelectual e criativa, conta também as reuniões com os amigos, ocasiões de convívio social, encontros com figuras políticas ou eventos nos círculos feministas de que fazia parte. 
São também assunto os conflitos com as criadas e os críticos, a editora que fundou com o marido, a vida em Londres, parcialmente arrasada pelas bombas nazis, as paisagens aldeãs e campestres. Enfim, tudo o que fazia parte do seu mundo é-nos dado a conhecer através do Diário. 
Apresenta-nos também toda a obra que simultaneamente vai publicando: os contos, os ensaios e os romances. 
Em dezembro de 1938 diz que acha a vida “empolgante”. Em maio de 1940 declara:” Desejo viver mais dez anos”. 
A 26 de janeiro de 1941, paira uma nuvem sobre ela. Mas ainda tem energia para optar pela terapia do trabalho ou seja: escrever, estimular a criatividade. 
Contudo, três meses depois a 28 de março de 1941, o Diário interrompe-se e a vida também. 
Uma mulher que apesar de viver desafogadamente, ter um casamento sólido e sucesso literário, não resiste às sucessivas crises depressivas. 
Ela admitiu que escreveu o Diário para mais tarde, por volta dos sessenta anos, construir um livro de memórias. 
Projeto que não chegou a realizar. 
Transcrevo um breve excerto do que escreveu ao marido: “Tenho a certeza de que vou enlouquecer outra vez. E sinto-me incapaz de enfrentar de novo um desses terríveis períodos. Começo a ouvir vozes e não consigo concentrar-me (…). 
Não posso destruir a tua vida por mais tempo (…). 
Não creio que dois seres pudessem ser mais felizes do que o que nós o fomos.” 

Maria Leonarda Tavares

Texto apresentado no Serão dos Amigos de Ler, no passado dia 11 de Junho.

“Amigos de Ler” é um clube de leitores livres e apaixonados pelas suas leituras. Reunimos-nos na segunda segunda-feira do mês, às 21:00 horas, na Biblioteca Municipal de Arganil | Miguel Torga, com os mais variados pretextos – uma ideia, um autor, uma cor, uma página... Memórias dos textos que temos lido. Com chá, licores e muitos livros em cima da nossa mesa.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Novidade na Biblioteca: Procurai a minha face de John Updike

Num dia de Primavera em Vermont, uma pintora de setenta e nove anos, Hope Chafetz, conta a história da sua vida a Kathryn, uma jovem entrevistadora de Nova Iorque. As perguntas fazem com que Hope regresse à sua juventude, aos dias conturbados do pós-guerra da arte americana e aos seus relacionamentos com os artistas que marcaram os seus tempos. À medida que o tempo vai passando, entrevistadora e entrevistada tentam compreender-se mutuamente através da diferença de idade, da experiência e do tempo que existe entre elas. E subtilmente, enquanto se vão conhecendo uma à outra o seu relacionamento muda.

Em procurai a minha face, John Updike serve-se das palavras, tal como o artista plástico se serve da tela, das tintas e do pincel, para construir um universo ficcional, pictórico, visual e abundante. Os cheiros e as cores são descritos com uma tal riqueza que o leitor é transportado, quase sem disso se aperceber, para uma outra dimensão... uma dimensão onde os pequenos detalhes do quotidiano são analisados de forma tocante e subtil.

Fonte: contracapa e badana do livro

Leia aqui as primeiras páginas.
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Requisite na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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terça-feira, 12 de junho de 2018

Recordando Júlio Pomar (1926-2018)

"A pintura era para [Júlio Pomar] uma respiração. E reinventou-a ao correr de mais de sete décadas. Um artista que marcou indelevelmente o século XX português e a nossa História da Arte, morreu, no passado dia 22 de maio, aos 92 anos."
In Jornal de Letras, Artes e Ideias nº 1244 (06.06.2018)
Júlio Pomar, artista plástico, nasceu em 1926 em Lisboa. Formou-se na Escola de Artes Decorativas de António Arroio e nas Escolas Superiores de Belas-Artes de Lisboa e do Porto. Expôs pela primeira vez em 1945, revelando uma tendência neo-realista, sob a influência de Portinari e de alguma pintura muralista mexicana da época. Realizou a primeira exposição individual em 1947 - Pomar, 25 desenhos - em Lisboa. 

Em 1961 foi galardoado com o primeiro Prémio de Pintura da Fundação Calouste Gulbenkian. Para além de Portugal, o seu trabalho alcançou reconhecimento internacional, tendo exposto em Madrid, Barcelona, Paris, Bruxelas, Atenas, São Paulo e Seul entre muitas outras cidades.
"A diversidade "de linguagens, de instrumentos e matérias plásticas", que caracteriza o trabalho de Pomar, mostra a "índole de um artista que nunca receou arriscar, renovando-se, assim recriando a própria noção de arte e das suas disciplinas".
Maria Leonor Nunes In Jornal de Letras, Artes e Ideias nº 1244 (06.06.2018)
Júlio Pomar no fundo documental 
da Biblioteca Municipal Miguel Torga

Livro de poesia publicado por Júlio Pomar em 1992. 

Catálogo da exposição Pomar/Anos 80 organizada pelo Centro de Arte Moderna - Fundação Calouste Gulbenkian, em 1992

O grande fabulário de Portugal e do Brasil, publicado pela editora Fólio em 1961-1962, contém ricas litografias da autoria de Júlio Pomar.

Edição da obra Pantagruel de Rabelais, ilustrada por Júlio Pomar

Edição comemorativa  dos 400 anos da obra D. Quixote de Miguel de Cervantes, com a colaboração do pintor Júlio Pomar, 
publicada pelo Expresso.

Bichos, bichinhos e bicharocos, um livro de poemas da autoria de Sidónio Muralha, com ilustrações de Júlio Pomar.

Visite-nos e explore estas e outras obras que temos disponíveis para si!
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quinta-feira, 7 de junho de 2018

Novidade na Biblioteca: As vinhas da ilusão de Benedetta Cibrario

Um século de História. Um casamento fracassado. Uma paixão no coração da Europa.

Tendo como pano de fundo uma Itália em profunda mudança, atravessada pela Segunda Guerra Mundial e pela queda do Fascismo, As Vinhas da Ilusão é a história de uma mulher e da sua luta para conquistar a independência.

Oriunda da alta aristocracia piemontesa, a família condenara-a aos caminhos tortuosos de um casamento combinado. Mas o destino vai colocar-lhe no caminho o fascinante e enigmático Trott - para que ela desperte da sua vida monótona e aparentemente imperturbável.

Quando se sucedem os encontros clandestinos e os segredos se multiplicam, a fronteira entre a realidade e a aparência, o certo e o errado, a verdade e a mentira passa a ser tão leve como os ventos da Toscana...

Benedetta Cibrario escreveu um romance inolvidável, que obteve em 2008 um dos mais importantes prémios italianos - o Campiello, que consagrou no passado autores como Primo Levi, Ignazio Silone ou Giorgio Bassani.

Fonte: contracapa do livro

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terça-feira, 5 de junho de 2018

Novidade na Biblioteca: O gosto proibido do gengibre de Jamie Ford

1986. Henry Lee, um americano de ascendência chinesa, junta-se a uma multidão que se encontra à porta do Hotel Panama, outrora o ponto de encontro da comunidade japonesa de Seattle. O hotel esteve entaipado durante décadas, mas a sua nova proprietária descobriu na cave poeirenta os pertences das famílias japonesas que, após o ataque a Pearl Harbor, foram enviadas para campos de internamento. Quando uma sombrinha de bambu é exibida, Henry recua quarenta anos e recorda Keiko, uma jovem de ascendência japonesa com quem criou um profundo laço de amizade e de amor inocente que ultrapassaram os preconceitos ancestrais que opunham as duas comunidades. Quando Keiko e a sua família são enviados para um campo, apenas resta aos dois jovens esperar que a guerra termine para que as promessas que fizeram um ao outro se possam finalmente cumprir.

Passados quarenta anos, Henry, agora viúvo, ainda tenta encontrar uma explicação para o vazio que o acompanhou desde então; para a atitude distante de um pai que nunca entendeu; para a relação difícil com o filho; e, sobretudo, uma explicação para as suas próprias escolhas.

O Gosto Proibido do Gengibre é um romance extraordinário, que nos revela uma das épocas mais conflituosas da História dos Estados Unidos.

Fonte: contracapa do livro

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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segunda-feira, 4 de junho de 2018

"Saudades..."


Tenho fome dos sorrisos de sol a iluminarem-me a brancura da pele e da preguiça do vento a agitar a folhagem ao lusco-fusco de um fim de Junho quente, embalando os afazeres esvoaçantes dos pássaros antes do recolher. Das falaças e gargalhadas das gentes, que, de ferramentas ao ombro e cestas à cabeça, enchiam os caminhos por entre pinhais e veredas a cheirarem a erva fresca. Da embriagante languidez do entardecer, espraiando-se sob os campos de trigo doirado, quase maduro. Dos dias cálidos a prometerem sinfonias de grilos, de cigarras, de ralos e de rãs noites adentro. Tenho saudades do bailado ondulante das borboletas na Primavera, beijando todas as flores e do verde fluorescente dos luzecus na parede do meu quintal. Dos gafanhotos saltitantes que me deliciava a tentar apanhar nas ervas secas junto à eira onde se malhava o centeio e se estendia o milho ao sol. Tenho ainda frescos na memória, os lírios que enfeitavam o jardim abandonado, em frente à casa alta de xisto da prima Augusta, na mesma rua da minha avó e em cujo telhado de lajes quentes, me sentava junto dela e me demorava a ouvir as suas histórias de encantar, que me contava por entre costuras de dedal e agulhas difíceis de enfiar.
Lembro-me das dálias rubras sem canteiro, nascidas da terra, junto ao corrimão das videiras. Das tangerinas que salpicavam o chão de cor-de-laranja em volta da tangerineira e das outras que colhíamos com a escada da azeitona. Dos abrunhos de frança junto à passagem da casa, a pingarem de mel... das abelhas gulosas e da bilha de barro onde se guardava a água fresca que nos matava a sede quando em tardes de trabalhos intermináveis e longe das nascentes onde bastava pousar os lábios sobre a água corrente da levada.
Tenho saudades dos enfeites e das festas, da música e do largo cheio de alegria e de gente...!


Texto da autoria de Cleo (Lurdes Dias), 
natural da aldeia de Pai das Donas