terça-feira, 16 de abril de 2019

Adeus a Maria Alberta Menéres


Maria Alberta Rovisco Garcia Menéres nasceu em Vila Nova de Gaia a 25 de Agosto de 1930. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, tendo-se dedicado ao ensino entre 1965 e 1973. Trabalhou na RTP como directora do Departamento de Programas Infantis e Juvenis entre 1976 e 1986. Dedicou-se à poesia e à tradução e colaborou com artigos de opinião em vários jornais e revistas. Entre 1990 e 1993 foi directora da revista Pais. Tornou-se conhecida como autora de literatura infanto-juvenil, especialmente no âmbito da poesia e do teatro e adaptação de clássicos. Desenvolveu um interessante trabalho na educação do gosto pela literatura, junto de crianças.

A sua obra para a infância conta no total mais de 70 títulos. Em parceria, destaca-se o seu trabalho com António Torrado em vários livros e programas de televisão.

Em 1986 foi distinguida com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para crianças "pelo conjunto da sua obra literária e pela manutenção de um nível de qualidade superior".

Fonte: Livros com história(s) : prémios Gulbenkian de literatura para crianças 1980-2004. 
Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 2006. 69, [1] p. ISBN 978-972-31-1165-1


Maria Alberta Menéres faleceu a 15 de Abril de 2019.
"Mulher de um compromisso extraordinário e permanente com a educação e com a promoção do prazer da leitura, [Maria Alberta Menéres] fez do dar a conhecer aos outros uma responsabilidade que ultrapassou a sua condição de escritora. Deu-nos a conhecer poesia, contos, histórias maravilhosas e fez, de quem a leu, melhor leitor." 
excerto do comunicado da ministra da Cultura.
Aceda ao Catálogo da Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil e descubra que obras da autora temos disponíveis para si.

Em louvor da utopia

Esta certeza de não estar aqui
e o vento
e as desordens prometidas
levantam hoje o muro da utopia
de pedras desiguais, de folhas
e sementes
de corpos de lagartos nevoentos.

Ó doce e colorido e opaco
muro
sem sombra ou dor que nos oculte
o insulto,
o teu momento é belo e foi escolhido
na hora do calor, na febre
mansa
desta hora de sol e desespero.

Esta certeza de não estar aqui
e o vento
e a certeza de não ter ficado
em outras madrugadas,
levantam hoje o muro da utopia
de pálidas palavras já sem mãos,
de gestos pequeníssimos
sonhados
na noite imensa do imenso dia.

In: O Robot Sensível
Leia, porque ler é um prazer!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Novidade na Biblioteca: Príncipes (des)encantados de Megan Maxwell

Sam e Kate conheceram-se muito novos e após viverem um idílico amor, que para eles ultrapassou tudo, formaram família e foram muito felizes... até que algo inesperado aconteceu.

Terry, irmã de Kate, e Michael, irmão de Sam, têm estado sempre presentes na vida de ambos e embora cada vez que se vejam haja uma pequena discussão, no fundo existe carinho e estão conscientes que um dia uma dessas discussões pode acabar numa grande fúria, por isso tentam refrear-se.

No entanto, a vida é caprichosa e tudo se complica entre os quatro. nada é o que parece.

Príncipes (des)encantados demonstrará que as segundas oportunidade existem, sobretudo, se realmente amamos de todo o coração.

Fonte: contracapa do livro


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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Tempo para a poesia XLIX

Silêncio desnudado

Uma nuvem que não se desfaz
em pó de sonhos

desagua numa manhã suspensa
de Primavera.

E os pássaros jazem quietos.

E as sombras desabitam as casas
e os olhos.

E o meu corpo apagado
de açucenas

reflecte um silêncio desnudado.

Sandra Costa in Sob a luz do mar

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quinta-feira, 4 de abril de 2019

Novidade na Biblioteca: Fredo de Ricardo Fonseca Mota

"Galardoada com o Prémio Literá­rio Revelação Agustina Bessa‑Luís 2015, instituído pela Estoril‑Sol, esta é uma obra de relações, com as pala­vras, as emoções, os outros, o mun­do. É um livro que cruza vidas aparentemente longínquas — a de um jovem do interior (Adolfo Maria) que se muda para Lisboa à procura de um lugar que lhe satisfaça o sonho, e o de um velho (Fredo) que teve qua­tro famílias e morreu sozinho — apa­rentemente contrárias, mas ao mes­mo tempo ligadas pela descoberta de si, de ambos. De um lado a apren­dizagem da vida, do outro, a de como se despedir dela. É ainda um elogio aos heróis que nunca foram canta­dos, aos amores sem testemunho, às mortes solitárias. Uma escrita tão sóbria quanto elegante, que faz com que os olhos se prendam às letras, com o encanto da descoberta de um pedaço de prosa que dá gosto. Para ler sem reservas."

Fredo conta a história de Adolfo Maria, um jovem do interior que se muda para Lisboa à procura de um lugar para ser diferente, e a história de Fredo, um homem que teve quatro famílias e morreu sozinho. Dois mundos que se tocam, duas histórias em contramão. É um elogio aos heróis que nunca foram cantados, aos amores sem testemunho, às mortes solitárias. «Decidir cada passada é maçador, implica coragem e ousadia, implica uma determinação que transforma a viagem em algo verdadeiramente nosso, com um corpo, com memória, com presença. Implica pensar com os pés. Atravessar um quarteirão, ou uma vida, sem a cabeça nos pés, é caminhar para esquecê-lo. Mais fácil.


Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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terça-feira, 2 de abril de 2019

Enid Blyton: Segredos, mistérios e muita aventura


Já passaram mais de 120 sobre o nascimento da famosa escritora Enid Blyton que ao longo de gerações fascinou e encantou leitores jovens e menos jovens com os seus livros cheios de aventuras e peripécias. Ao longo da sua vida Enid Blyton publicou mais de 800 livros e ainda hoje as aventuras das colecções “os Cinco”, “ Os sete”, “As gémeas no colégio de Santa Clara” ou “O colégio das 4 torres” povoam o imaginário de muitas pessoas.

Será que atualmente as crianças e os jovens ainda se deixam cativar por estes emblemáticos livros? Em Portugal não se sabe, mas nas Bibliotecas Públicas Inglesas Enid Blyton é, a par de Roald Dahl, a autora mais requisitada.

Muito embora as aventuras de Blyton se reportem a um tempo onde as tecnologias ainda eram incipientes e a sua presença nos enredos literários era quase inexistente, as suas histórias despoletam todo um imaginário capaz de nos transportar e envolver nas aventuras, como se também o leitor delas fizesse parte. Cremos que os seus livros continuam a ter o poder de encantar, no entanto é necessário dar a conhecê-los e desafiar crianças e jovens a lê-los.

De acordo com Cláudia Sousa Pereira[1], e considerando o “generation gap” desde a publicação da obra de Enid Blyton, é necessário levar a sua obra aos leitores, dando-lhe uma contextualização histórica da autora e dos seus referentes contribuindo assim para a sua motivação leitora e reduzindo o afastamento dos leitores pelo factor de falta de contemporaneidade. Uma vez ultrapassados esses “obstáculos” o suspense das aventuras vividas pelas personagens de Blyton, a relação de camaradagem entre os mesmos, os retratos vívidos, os diálogos e situações empolgantes, a simplicidade e o ritmo da escrita oferecem todos os ingredientes necessários para proporcionar ao jovem leitor uma boa e envolvente experiência literária.

As colecções mais emblemáticas:

Os Cinco

Os Cinco é provavelmente a colecção mais conhecida da escritora Enid Blyton. Editada pela primeira vez em 1942, é composta por 21 títulos.
Júlio, Ana, David, Zé (Maria José) e o cão Tim, são os amigos que compõem os "Famosos Cinco" sempre prontos para viver grandes aventuras durante as suas férias escolares.

Os Sete

O Clube dos Sete é composto pelo líder da sociedade Pedro, a irmã de Pedro, Joaninha, Jaime, Bárbara, Jorge, Paulina e Carlos. Os livros relatam as aventuras do grupo durante o período escolar.

As Gémeas

As Gémeas é uma colecção de doze livros sobre o colégio interno de Santa Clara perto de Londres, sendo seis escritos pela autora de literatura infantojuvenil Enid Blyton, três por Pamela Cox também inglesa, e três pela autora portuguesa Sara Rodi, que lia a colecção em criança

O colégio das Quatro Torres

O colégio das Quatro Torres é uma colecção de doze livros cujas histórias se passam num colégio interno só de raparigas na Cornualha, e tem como personagens principais Diana Rivers, Celeste Hope, Alice Johns, Benedita Maria Lacey, Milu e as suas colegas.

Noddy

Noddy é uma personagem fictícia criada por Enid Blyton, originalmente publicada de 1949 até 1963. Foram criadas várias séries televisivas baseadas nesta personagem.
Noddy foi publicado pela primeira vez em 1949, com ilustrações de Harmsen van der Beek, um artista holandês.

Bibliografia consultada:

Enid Blyton (1897-1968) : 75 anos de Os cinco/ coord. Rogério Miguel Puga. – Lisboa : Biblioteca Nacional de Portugal, 2017.

Descubra mais sobre o mundo de Blyton nos seguintes links:

Na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil existem imensas obras da autoria de Enid Blyton disponíveis para empréstimo. Segue o link e descobre quais!

Lê, porque ler é um prazer!



[1] In Enid Blyton (1897-1968) : 75 anos de Os cinco

sexta-feira, 29 de março de 2019

Ensaios de Costa Santos

No passado dia 21 de Março, foi apresentado, na Biblioteca Municipal de Arganil, o livro de poesia Ensaios, da autoria de Costa Santos.

O autor afirma na introdução, que este livro é "resultado de alguns meses largos de conviver com o "eu", de lhe falar e sentir os "quês" e "porquês" de passadas seguras em piso difícil ou de... passos hesitantes em caminhos que se julgavam suaves."


Excertos da notícia do Diário de Coimbra nº 30227 (25.03.2019), p. 18

As sombras...

As sombras do passado
À minha volta,
Ainda andam em folia,
Como letras do meu fado
Escritas todos os dias
De amarguras à solta!
Ainda não perceberam
Que o vento tudo levou
E toda essa onda triste
Em mim já... não existe!
Faz tempo que zarpou!

Embora José António da Costa Santos tenha nascido em Lisboa, tem as suas origens na freguesia de Celavisa do concelho de Arganil. Foi jornalista de profissão tendo passado por diversas redacções  de grandes jornais (Record, Capital, A Bola, etc.). Actualmente dedica-se a duas das suas grandes paixões: a pintura e a escrita.

Para saber mais sobre este livro consulte a Hemeroteca do Concelho de Arganil, adquira um exemplar na nossa livraria ou requisite na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quarta-feira, 27 de março de 2019

Dia Mundial do Teatro 2019

O Dia Mundial do Teatro foi instituído pelo Internacional Theatre Institute (UNESCO) em 1961 e, desde o ano seguinte, deu origem a uma tradição: todos os anos uma personalidade ligada ao teatro escreve uma mensagem que fica disponível para ser partilhada ou lida em público onde quer que se deseje comemorar a efeméride.

Este ano a mensagem oficial é da autoria de Carlos Celdrán, dramaturgo e encenador cubano,  que vê o teatro como um "país em si mesmo, onde cabe o mundo inteiro".

terça-feira, 26 de março de 2019

XXVI Feira do Livro de Arganil

Vai realizar-se de 2 a 6 do próximo mês de Abril a XXVI Feira do Livro de Arganil. A Feira da responsabilidade do Município é organizada pela Biblioteca Municipal com o objectivo do maior desenvolvimento de hábitos de leitura nas famílias e na população em geral como motor para atingir maiores níveis de literacia no concelho através de um mais fácil acesso ao livro. 

A Feira conta com um programa de animação diversificado com a apresentação de livros, encontro com escritores, espectáculos diversos. Sendo um evento em parceria com o Agrupamento de Escolas e que decorre na Semana da Leitura, vão acontecer iniciativas dos professores, dos alunos e dos Pais, o que enriquece ainda mais o programa. 

No ano em que se comemora a nível nacional os 100 anos do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andersen a XXVI Feira do livro não poderia ignorar este acontecimento. Sophia vai estar presente ao longo dos dias, sob várias perspectivas. 

Visite a XXVI Feira do Livro de Arganil, desfrute de bons momentos e aproveite para adquirir a um preço convidativo o livro que anda a pensar comprar, ou outro que lhe agrade.