sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Opinião de leitor: Re-viva o imperador!

Porto: Porto Editora, 2017
Mantido em perfeito estado de conservação pelas águas glaciais do mar do Norte, respescado por uma traineira e depois descongelado, Napoleão Bonaparte, oficialmente morto no dia 5 de maio de 1821, regressa à vida em pleno século XXI, no momento dos atentados jihadistas de Paris, mesmo a tempo de salvar o mundo…

“Napoleão não podia deixar os Franceses naquela situação. Nunca tinha abandonado o seu país e não era agora que ia começar. (…) o destino trouxera-o uma segunda vez à vida por uma razão.” Assim, Napoleão toma como objectivo lançar-se na guerra contra os jihadistas e salvar a França. Decide construir o seu próprio exército. Procura um genealogista com o propósito de encontrar os seus descendentes e os recrutar e traça um plano para derrotar definitivamente o inimigo.

Se a princípio o livro parece frívolo, o avanço das páginas permite-nos ver que este romance é muito mais de que uma simples comédia. Como se pode ler na contracapa esta obra é uma reacção do autor, Romain Puértolas, aos tempos sombrios que se vivem. 

Importante ao longo da leitura, e tal como o narrador faz questão de relembrar amiúde, é que “Napoleão era muito inteligente”.

Boas leituras!

Miriella de Vocht

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Novidade na Biblioteca: Os meninos de Irena de Tilar Mazzeo

Em plena Segunda Guerra, nos sussurros desesperados dos judeus, um nome passa de boca em boca: o de Irena Sendler, a jovem assistente social que está disposta a tudo para salvar as crianças judias dos campos de concentração. 

Quando, em 1942, Irena entrou no gueto de Varsóvia, o que viu dilacerou-lhe o coração. Ela sabia o destino de cada um dos judeus com quem se cruzava todos os dias. E foi incapaz de ficar indiferente. Começou a percorrer as ruas do gueto, bateu a todas as portas e pediu aos pais que lhe confiassem os seus filhos. Sob a vigilância apertada do regime nazi, Irena começou a levar as crianças para fora do gueto, e rumo à liberdade. Escondidas em caixões ou debaixo de sobretudos, em fuga pelo sistema de esgotos ou por passagens secretas entre edifícios, não havia nada que ela não estivesse disposta a fazer… Com a ajuda das mães, do seu amante judeu na Resistência, de amigos e vizinhos, Irena salvou cerca de 2500 crianças. 

Mas Irena fez mais ainda: manteve sempre um registo da verdadeira identidade de todos os meninos e meninas, para que um dia pudessem reencontrar os seus entes queridos. Receando ser descoberta, enterrou a lista sob uma macieira no jardim de uma amiga. Não podia imaginar que cerca de 90% das famílias dessas crianças não sobreviveria ao Holocausto. 

Irena Sendler correu riscos inimagináveis para salvar inocentes da barbárie nazi. É uma heroína da Segunda Guerra, considerada a versão feminina de Oskar Schindler. Foi nomeada para o Prémio Nobel da Paz em 2007, o ano que antecedeu a sua morte aos 98 anos. Esta obra é a devida homenagem à sua humanidade e bravura.

Fonte: contracapa do livro


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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Novidade na biblioteca: O que viram as flores de Julia Heaberlin

Sou estrela de cabeçalhos de jornal e de histórias assustadoras à roda da fogueira. Sou uma das quatro raparigas das susanas-de-olhos negros. A que teve sorte. 

Aos 16 anos, Tessa foi encontrada num campo do Texas, quase morta e só com alguns fragmentos de memória em relação à sua chegada ali. A imprensa chama-lhe a única «rapariga das susanas-de-olhos negros» que sobreviveu a um serial killer. O testemunho de Tessa mandou um homem para o corredor da morte. 

Passados 20 anos, Tessa é artista e mãe solteira. Num dia de fevereiro, abre a janela do seu quarto e depara com um magnífico canteiro de susanas-de-olhos-negros diante de si, embora se trate de flores de verão. 

Será que o homem que espera a morte é inocente? E andará o serial killer atrás dela? Ou, pior ainda, da sua filha?

Fonte: contracapa do livro


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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Livro do mês: O alienista de Machado de Assis

"Não há consenso quanto ao género. Novela ou um conto longo. O Alienista é um dos mais perfeitos exemplares do génio de Machado de Assis. Apesar de não ter o fôlego de romances como Memórias Póstumas de Brás Cubas ou Dom Casmurro, nem ser narrado na primeira pessoa, contém as marcas que fazem de Assis um dos maiores escritores da história da literatura. Ironia, atenção à mente humana, sátira moral e de costumes e uma refinada arte narrativa.

A acção de [o Alienista] decorre numa pequena cidade do interior do Brasil, Itaguaí, para onde foi viver Simão Bacamarte. Este dedicava a sua existência ao estudo, desviando-se de tudo o que pudessem ser distracções ao seu objectivo: o avanço da Ciência. Por isso, aos 40 anos, casou com uma mulher "não bonita nem simpática", D. Evarista da Costa e Mascarenhas, que "reunia condições fisiológicas e anatómicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista". A avaliação clínica revelou-se desastrosa, mas não impediu Simão Bacamarte de se empenhar na que considerava ser a mais elevada das missões de um médico: o estudo da saúde mental. Com a ironia como grande ferramenta, Assis serve nesta obra breve uma boa dose de inquietação, seduzindo o leitor do princípio ao fim numa teia sem mácula.

Fonte: Revista Visão nº 1265 (01.06.2017)


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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Tempo para a poesia XX

Algarve

Levo-te emoldurada na retina,
Terra que Portugal sonhou e sonha ainda,
Que imagina depois de conhecer.
Só na retina poderei reter
Um mar que é outro mar,
Um sol que é outro sol,
Gente que é outra gente,
E casas que parecem de repente
Albornozes de pedra.
Magias naturais como a paisagem
Aberta à luz do dia,
Sempre real e sempre uma miragem
Táctil e fugidia.

Miguel Torga in Poesia Completa
Lisboa: Dom Quixote, 2002

terça-feira, 25 de julho de 2017

Novidade na Biblioteca: Nos passos de Santo António de Gonçalo Cadilhe

Lisboa: Clube do Autor, 2016
Em Nos passos de Santo António Gonçalo Cadilhe refaz a grande viagem do Santo Português de Pádua que viajou durante dez anos numa época em que as estradas tinham desaparecido, o sistema cambial ainda não fora inventado, os idiomas não se traduziam em dicionários e os mapas não existiam.

Nesta obra Gonçalo Cadilhe transmite toda a atmosfera do início do século XII, como a Reconquista Cristã, o espírito das Cruzadas, a guerra civil entre o Papa e o Imperador e a amizade com São Francisco de Assis. O autor transmite-nos um olhar inédito sobre o santo português. É o olhar de um viajante que, oito séculos depois, reconstitui o itinerário fundamental da vida do santo recorrendo a várias fontes históricas e aos percursos consagrados na época.

Adaptado do Diário de Coimbra nº 29622 (24.07.2017), p. 12


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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Biblioterapia: como é que os livros curam?

A biblioterapia é geralmente tida como um método que utiliza a leitura como coadjuvante no tratamento de pessoas acometidas por alguma doença física ou mental. É aplicada como educação e reabilitação em indivíduos de diversas faixas etárias, e entre outros assenta no pressuposto de que a leitura é um processo dinâmico, sempre em alteração e movimento. Ou seja a leitura é susceptível de provocar a mudança. 

Embora ainda de forma embrionária, em Portugal esta forma de terapia complementar começa já a ganhar adeptos, como se pode ler no artigo "Biblioterapia como é que os livros curam?" de Catarina Lamelas Moura na edição online do jornal Público.

O aproveitamento da leitura para fins terapêuticos vem do tempo dos gregos e dos romanos. Ao longo da história, há relatos de médicos que utilizavam passagens da Bíblia para ajudar à cura e, ao longo do século XX, começaram a surgir os primeiros estudos nesta área. Um dos grandes impulsionadores da prática foi o filósofo Alain de Botton, que em conjunto com outros colegas, fundou, em 2008, The School of Life (...) Num dos vídeos do YouTube, que soma mais de 2,6 milhões de seguidores, é explicado em menos de cinco minutos por que é que a literatura é importante para o ser humano: “Dá-nos um leque de emoções e eventos que levaríamos anos, décadas, milénios, para sentir directamente.” Ou seja, é um “simulador de realidade” que nos permite de forma segura sentir na pele, por exemplo, como é passar por um divórcio, matar alguém e ter remorso e abandonar o emprego para fazer uma viagem à volta do mundo.
 Para saber mais sobre este assunto pode ainda consultar:

A leitura como tratamento: diversas aplicações da biblioterapia/ Geyse Maria Almeida
Biblioterapia: estado da questão/ Ana Cristina Abreu; Maria Ángeles Zulueta, Anabela Henriqes
A Historical Review of Bibliotherapy/ William K. Beatty
A leitura como função terapêutica/ Clarice Fortkamp Caldin

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