terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Tempo para a poesia XXIX

Recado

ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte

vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer - vai por esse campo
de crateras extintas - vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite

deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo - deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração - ouve-me

que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna - o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite

não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira - não esqueças o ouro
o marfim - os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço

Al Berto in O medo
Lisboa: Assírio & Alvim, 1997

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Novidade na Biblioteca: onde estão os meus óculos? de Nicole de Buron

Onde estão os meus óculos é um romance em forma de inventário ou (como diz a autora, a certa altura da narrativa) «recordações a granel dentro de uma mala de couro». Parte de uma situação aparentemente normal, através de uma carta que lhe é enviada por um organismo oficial: «Minha senhora, tem 59 anos, em breve poderá pedir a sua reforma da Segurança Social...» De repente, 59 anos - e à sua frente uma proposta de quietude (?), de tranquilidade (?), de desfrute (?), de vantagens (?). E de repente, também o disparo da vida para trás, como tudo começou (como sempre, na infância), as várias etapas de existência, os sonhos, as desilusões, as marcas que a vida deixa nos seres humanos, uma espécie de desorganização essencial que se transforma em confissão literária.

Onde estão os meus óculos?, para além de ser uma narrativa sensível e de notável acuidade psicológica, é também um livro de humor - um daqueles livros temperados de auto-ironia, de insatisfação paciente, de confissão que tem tanto de risonha como de patética. Texto imediatamente ligeiro, despoletado pela notícia (que é fornecida) da idade que se tem - mas logo envolvido das surpresas e das angústias de uma pessoa em estado de contabilizar (de ser obrigada a contabilizar) o que não é contabilizável, não é redutível, ainda sujeito a uma realidade inexorável que se liga ao peso da idade, à responsabilização (?) social, ao acordo surpreendente com o lado de fora de um universo humano.

Fonte: badana do livro

Livro disponível para empréstimo na rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A vida

A VIDA

Quando eu era pequenina
Mal poderia pensar
Que se à velhice chegasse
Teria alguém para me animar!
Como é bom poder ter
Quem connosco se preocupe
E num trabalho de bem-fazer
O nosso tempo nos ocupe!
O tempo de vida vai encurtando
Pois, assim o diz o destino
Mas é tão bom ser estimado
E ser de novo menino!
Já são alguns janeiros
Que sobre os ombros acarreto
Mas o meu amor à vida
É reflectido nos netos!
Como é bom ser velho
E ter tanto para contar
Quantos partiram em novos
E não puderam destes momentos desfrutar!
Ser velho, não deve ser pesadelo
Nem tão somente uma condição
Ser velho é ser Experiente
E ter em cada gesto uma lição!

                                           Graça Moniz

Poema declamado pela professora Graça Moniz no Encontro Anual de Idosos, realizado na Biblioteca Municipal de Arganil a 31 de Janeiro de 2018

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Novidade na Biblioteca: "Proust era um neurocientista" de Jonah Lehrer

A criatividade artística pode antecipar as descobertas da ciência?

A pergunta serve de ponto de partida à obra "Proust era um neurocientista", da autoria de Jonah Lehrer.
O “livro trata de artistas que anteciparam as descobertas da neurociência. Trata de escritores, pintores e compositores que descobriram verdades acerca de mente humana – verdades reais, tangíveis – que a ciência está apenas a redescobrir. As suas imaginações previram os factos do futuro.”*
O pintor Cézanne, o compositor Igor Stravinsky, o cozinheiro Auguste Escoffier e os escritores Walt Whitman, George Eliot, Marcel Proust, Gertrude Stein e Virginia Woolf são as figuras escolhidas para destruir ideias feitas sobre a Arte e a Ciência. Estas 8 figuras têm em comum a ruptura com o instituído e a procura de uma outra consciência criativa nas respectivas artes.
“A moral deste livro é que somos feitos de arte e de ciência. Somos feitos da matéria dos sonhos, mas somos também apenas matéria. Actualmente sabemos o suficiente acerca do cérebro para nos apercebermos de que o seu mistério permanecerá para sempre. Como uma obra de arte, nós transcendemos a nossa matéria. A ciência precisa da arte para enquadrar o mistério, mas a arte precisa da ciência para que nem tudo seja um mistério. Nem a verdade em si é a nossa solução, porque a nossa realidade é plural.
Espero que estas histórias de descoberta artística demonstrem que qualquer descrição do cérebro exige ambas as culturas, a arte e a ciência. (…)”*
*Excertos da introdução 
Para saber mais sobre esta obra consulte:



Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Novidade na Biblioteca: O labirinto das trevas de Lawrence Durrell

O psicanalista Hogarth considera que nada é tão susceptível de pacificar espíritos atormentados como o esplendor das paisagens mediterrânicas. Um cruzeiro à ilha de Creta e ao Egipto reunirá pois no paquete Europa alguns dos seus amigos e pacientes: o capitão Baird pretende esconjurar o fantasma que assombra as suas noites; Fearmax procura recuperar o seu poder mediúnico; o pintor Campion quer ultrapassar um certo número de bloqueios; e Graecen, enfim, vai tentar que o sol da Grécia lhe dê forças para suportar o veredicto que os médicos lhe comunicaram.

Todos eles fazem parte do grupo que desembarca perto de Cafalû, para visitar o labirinto cretense. Mas então, durante o passeio, um abatimento de rochas separa alguns membros do grupo do resto dos seus companheiros, e os turistas perdem-se no dédalo obscuro de galerias que atravessa toda a montanha.

A tentativa de sair do labirinto terá, para cada um deles, resultados tão diversos como surpreendentes. E a subtilíssima ironia desse verdadeiro pintor de almas que é Lawrence Durrell confere uma dimensão muito especial a esta aventura, ao mesmo tempo real e simbólica.

Fonte: contracapa do livro

Para saber mais consulte:


Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Júlio Verne: da ciência ao imaginário

Júlio Verne (08.02.1828-24.03.1905)

Na data de aniversário de Júlio Verne aproveitamos para destacar a obra Júlio Verne – Da Ciência ao Imaginário, com prefácio de Michel Serres, publicada por ocasião do centenário da sua morte.

Esta obra é por si só uma proposta de viagem. Através de uma incursão pela vida e obra de Júlio Verne vivemos uma magnífica aventura através das contradições de uma época de descobertas e dúvidas, ao mesmo tempo que descobrimos a personalidade e turbulenta vida de um dos grandes vultos da literatura mundial.

“Hoje em dia, para animar a interface entre ciência e sociedade, falta-nos um Júlio Verne. As angústias contemporâneas sobre o racional e as técnicas associadas devem-se, em parte a esta falta. Quem nos conta, nos dias que correm, como funciona esta ou aquela inovação? Par ocupar o espaço das mensagens, encontram-se apenas juízes, muitas vezes incompetentes, acusadores… Uma espécie de inquisição obscura multiplica as condenações. Ora, o filósofo ou o historiador das ciências ocupam mal esta interface, só a literatura, o romance, a narrativa, histórias, aventuras… podem fazê-lo.
A ciência torna-se rapidamente um facto social total. Começa a acontecer no século XIX. Satura a sociedade. Técnicas sofisticadas produzem uma percentagem elevada dos objectos que manipulamos: óculos, fogões, automóveis, computadores, telefones… cresce o fosso que nos separa da ciência, ao mesmo tempo que é ela que estrutura o nosso quotidiano e as nossas comunicações. Carecemos de romancistas que descrevam em tempo real esta remodelação das nossas sociedades. Para várias gerações, entre as quais a minha, Júlio Verne criou esta interface e tornou culturais tanto o quotidiano da ciência como a reestruturação das relações.
Senhor de um grande talento, Júlio Verne tentou um golpe admirável, uma viagem extraordinária: tornar a ciência cultural. (…) 
Excerto do prefácio de Michel Serres

“Quando evocamos Júlio Verne e a ciência, a primeira coisa que nos ocorre são as máquinas, as ciências físicas, as ciências da natureza. Pensamos menos vezes nas ciências humanas, que nasceram no seu tempo, e na ciência da história moderna, iniciada por Michelet e revolucionada pela filosofia alemã. No século XIX, o homem na sociedade e no trabalho torna-se pela primeira vez herói do seu destino. A mudança é profunda, Júlio Verne instaura um diálogo entre as ciências conhecidas e as recém-nascidas. Foi provavelmente o que o levou a desenvolver a tal ponto a ciência e a consciência como os dois pilares de um futuro próximo.

Júlio Verne parece sentir desde a primeira infância o apelo dos horizontes longínquos. Mais tarde, a formação de jurista, as relações que travará em Paris, a euforia perante as ciências, a indústria e as explorações que caracterizam a sua época constituirão a base das suas viagens extraordinárias."

Excerto do primeiro capítulo “Uma vida, uma obra” de Jean-Paul Dekiss




Aceda ao catálogo concelhio para saber quais as obras de Júlio Verne que temos disponíveis para si!

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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Novidade na Biblioteca: o jardim das borboletas de Dot Hutchison

Perto de uma mansão isolada, encontra-se um belo e luxuriante jardim com flores exuberantes, árvores frondosas e... uma colecção de preciosas «borboletas». Jovens mulheres sequestradas e tatuadas para se parecerem com as suas homónimas. Quem toma conta deste estranho lugar é o aterrador Jardineiro, um homem retorcido, obcecado com a captura e a preservação dos seus espécimes únicos.

Quando o jardim é descoberto pela polícia, uma das sobreviventes é interrogada. Os agentes do FBI Hanoverian e Eddison têm a tarefa de juntar as peças de um dos quebra-cabeças mais complicados das suas carreiras. A menina, cujo nome é Maya, ainda se encontra em choque e o seu relato está cheio de episódios arrepiantes, no limite da credibilidade. Tortura, todas as formas de crueldade e privação que pareciam estar na agenda da estufa dos horrores... Maya continua a sua terrível história e os agentes do FBI precisam de descobrir quem, ou o quê, Maya tenta esconder...

À medida que a verdade emerge devagar de um casulo cuidadosamente construído, Dot Hutchison faz que nos questionemos se este é um conto de beleza terrível ou um lindo conto de terror.

Fonte: contracapa do livro


Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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