segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A sétima porta de Richard Zimler


Sophie Riedesel encontra-se em plena adolescência quando na Alemanha se assiste à ascensão de Hitler ao poder.

Jovem, espirituosa e ousada, Sophie relaciona-se com um grupo clandestino de activistas judeus e antigos artistas de circo, que se auto domina de “O Círculo”, e com eles enceta uma luta contra as políticas anti-semitas.

De um dia para outro Sophie assiste à radical divisão da sociedade (os judeus e os arianos são espécies separadas) e sente em risco a sua própria identidade. A orientação política dos pais, anteriormente comunistas, face aos acontecimentos no país sofre também uma alteração brusca de direcção, fazendo com que Sophie em casa seja obrigada a usar uma máscara.

Com o passar dos anos, Sophie vê o seu grupo de amigos a desmembrar-se e é inclusive confrontada com a morte do irmão, atingido pela guerra que os nazis moveram contra os deficientes.

Sophie ao mesmo tempo que namora com Tónio, um jovem nazi, enceta uma relação amorosa com Isaac Zarco, libanês descendente de Berequias Zarco, determinado em descobrir o que revelavam os manuscritos deste último, descobertos numa cave em Istambul no século XVI.

Esta é uma história emocionante que através do percurso de vida dos seus personagens mostra de forma clara o impacto que o nazismo teve na vida das pessoas. Muitas delas seguiram cegamente por medo ou facilitismo as políticas de Hitler, e um punhado delas resistiu, tentando a todo o custo travar a batalha contra as medidas anti-semitas.

Um livro que sem dúvida merece a pena ser lido. Para além de proporcionar agradáveis horas de leitura, dá-nos uma visão clara deste período da história.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Millennium de Stieg Larsson

LARSSON, Stieg - Millennium. Alfragide : Oceanos, 2010. 3 vol.. ISBN 978-989-23-0237-9 (1º vol.) . ISBN 978-989-23-0345-1 (2º vol.) . ISBN 978-989-23-0533-2 (3º vol.)

Os títulos que compõem a trilogia Millenium poderão ser considerados bastante estranhos: Os homens que odeiam as mulheres- 01; A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo - 02 e A rainha no palácio do gelo - 03 podem, eventualmente dar uma ideia distorcida desta obra. Na verdade a trilogia Millennium é um policial que nos agarra do princípio ao fim.

Muito bem escrito, o autor cria um enredo em que questões sociais, os média e a política se misturam de forma explosiva e nos levam a pensar em que mundo é que vivemos e de que modo as novas tecnologias podem controlam o mundo. Construir e destruir pessoas, governos, países.

Os “hacker” existirão mesmo? O que é seguro, quando colocamos informação na Internet? Como nos expomos ao aceder a este mundo tecnológico? No meio de toda a acção está o jornalismo de investigação, as formas como utilizam as suas fontes, a fiabilidade dessas fontes e as consequências do bom e do mau trabalho dos jornalista e também o seu poder que pode levar à construção ou destruição da imagem dos visados.

Uma obra a não perder e que pode requisitar na Biblioteca Municipal de Arganil


Stieg Larsson (1954-2004) foi jornalista e editor da revista Expo. Foi um dos maiores peritos mundiais no estudo dos movimentos antidemocraticos de extrema –direita nazis. Morreu subitamente pouco tempo depois de entregar à editora sueca os três volumes de Trilogia Millenium. Tragicamente, não viveu para assistir ao fenómeno mundial em que a sua obra se tornou. (informação retirada da obra)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Nobel da Literatura 2010



Mário Vargas Llosa

Nasceu a 28 de Março de 1936, em Arequipa, no Peru tendo-se naturalizado espanhol em 1993. Ao longo da sua vida tem exercido actividades como jornalista e político, mas é como romancista, dramaturgo e ensaísta que Vargas Llosa alcançou renome internacional.
Considerado um dos maiores nomes da literatura em língua espanhola, Mário Vargas Llosa já escreveu mais de 30 romances, peças de teatro e ensaios.

Ao longo da sua carreira, Mario Vargas Llosa tem recebido inúmeros prémios e condecorações, de que destacamos: Prémio Biblioteca Breve, que lhe foi atribuído pelo romance “Batismo de Fogo”, em 1963 e que marca o início da sua brilhante carreira literária internacional; Prémio Rómulo Gallegos (1967) e Prémio Cervantes (1994), para além do Prémio Nacional de Novela do Peru em 1967, pelo seu romance “A Casa Verde”; Prémio Príncipe das Astúrias de Letras Espanha (1986) e Prémio da Paz de Autores da Alemanha, concedido na Feira do Livro de Frankfurt (1997). Em 1993 foi-lhe concedido o Prémio Planeta pelo seu romance “Lituma nos Andes”.

É membro da Academia Peruana de Línguas desde 1977, e da Real Academia Espanhola desde 1994. De entre os muitos doutoramentos honoris causa atribuídos pelas Universidades da Europa, América e Ásia importa referir os concedidos pelas: Universidades de Yale (1994), Universidade de Israel (1998), Harvard (1999), Universidade de Lima (2001), Oxford (2003), Universidade Europeia de Madrid (2005) e Sorbonne Paris (2005).
Em 1985 foi condecorado pelo Governo Francês com a Medalha de honra.

Este ano foi agraciado com o Nobel da Literatura, prémio que lhe foi atribuído pela “cartografia de estruturas de poder e pelas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual” presentes nos seus livros.

A Biblioteca Municipal de Arganil orgulha-se de ter no seu fundo documental algumas das obras deste autor, como:

- Conversa na catedral. 1ª ed. Dom Quixote, 1993. 461, [1] p.
- A tia Julia e o escrevedor. 1ª ed. Dom Quixote, 1988. 340 p.
- Quem matou Palomino Molero?. 1ª ed. Dom Quixote, 1988. 182 p.
- Pantaleão e as visitadoras. Europa-América, 1975. 224, [3] p.
- O falador. 1ª ed. Dom Quixote, 1989. 188 p.
- A cidade e os cães. Europa-América, D.L.1988. 301 p.
- A guerra do fim do mundo. Bertrand, imp. 1984. 647 p.
- Os Cachorros ; Os Chefes. Bertrand, imp. 1976. 158, [6] p.
- Os cadernos de Dom Rigoberto. (Sic) idea y creación, 2009. 259 p.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Até onde se pode ir?

Até onde se pode ir/ David Lodge
Porto: Asa, 2006

David Lodge, escritor britânico, é considerado como um dos mais relevantes autores da moderna literatura inglesa. Autor de uma vasta obra, é conhecido pelo seu tom simultaneamente crítico e humorístico, de forma sagaz usa a sátira para analisar aspectos relevantes da vida.

“Até onde se pode ir” é um bom exemplo disso. É um romance em que o narrador nos dá a conhecer o percurso de um grupo de amigos desde os tempos da universidade até ao casamento e a meia-idade, e analisa o impacto que a doutrina católica teve na vida de cada um. São 9 estudantes que seguindo os ensinamentos da Igreja levam uma vida quase monástica, não por se reverem exactamente nessa forma de estar, mas sim com medo do pecado e das suas consequências.

A narrativa inicia-se na década de 50, altura em que a igreja condenava fortemente qualquer tipo de contracepção e apenas o método das temperaturas era tolerado. Na prática este método revelava-se complicado e era pouco eficaz. Os casais ou se sujeitavam a ter filhos não desejados/ planeados ou podiam optar por não respeitar os ensinamentos da igreja. Este dilema é o tema central do livro.

Na década de 60 e 70 as mentalidades tornam-se muito mais abertas, dá-se a invenção da pílula, e começa a ser cada vez mais visível o confronto entre uma sociedade cada vez mais permissiva e a tradicionalista Igreja Católica. Inicia-se nesta época para cada um dos outrora virtuosos jovens um jogo de desafios morais em que frequentemente surge a questão “Até onde se pode ir?”

Dennis, Michael, Ruth, Miles, e os restantes personagens que dão corpo a este romance, cada um à sua maneira vão encontrando ao longo do seu percurso a melhor forma de conseguirem estar em paz com as suas consciências.

Embora a temática possa já ser pouco actual, este é um livro que resume com perspicácia um grande dilema moral.

“Muitas coisas mudaram – as atitudes em relação à autoridade, ao sexo, ao culto, aos outros cristãos, a outras religiões. Mas talvez a mudança fundamental seja aquela de que a maioria dos católicos nem tem consciência. É o desvanecer da metafísica católica tradicional – essa síntese maravilhosamente complexa e inventiva da teologia, cosmologia e casuística, que situava as almas individuais numa espécie de Snakes and Ladders espiritual, as motivava com doses iguais de esperança e medo e lhes prometia, caso perseverassem no jogo, a recompensa eterna.”

Leia porque ler é um prazer!
Quem gosta de ler encontra sempre um tempinho para o fazer

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Alexandre O’Neill dito por Sinde Filipe

Com música de Laurent Filipe, Alexandre O’Neill renasce pela voz de Sinde Filipe neste magnifico trabalho em que o actor utiliza toda a sua sabedoria para dizer poesia.

Como ele próprio diz na introdução do livro que acompanha o CD “Interpretar poesia foi sempre para mim, simultaneamente fascinante e assustador. Fascinante pelo desafio que representa, mas também assustador pelo potencial risco do insucesso. Um interprete – pelo menos como eu o entendo – não deverá ser apenas um frio e descomprometido “dizedor”, mas (fazendo jus à própria palavra “interprete”) imprimir no poema os “cromatrismos” da sua própria sensibilidade".

Sinde Filipe consegue imprimir a este trabalho, todo o cromatismo que a poesia de Alexandre O’Neill exige e assim permitir que vivamos momentos de imenso prazer ao ouvir poemas como: Meditação na pastelaria; De porta em porta; Balada da ameixa-seca; Zibaldone [um] e [dois] e mais 37 que são os que compõem este CD.

Poderá ouvi-lo na Biblioteca Municipal de Arganil

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O REGRESSO ÀS AULAS



O regresso às aulas é sempre um momento muito importante para os alunos, os pais e os professores. Numa palavra podemos dizer que a abertura das aulas em cada ano lectivo é um acontecimento.

A Sociedade valoriza a Escola porque vê nela o futuro do país. Desde o pré-escolar até ao secundário com percursos mais orientados para o ensino superior ou para o mundo do trabalho imediato, é na escola que se constrói o futuro e a riqueza do País.

A capacidade de entender e realizar actividades intelectualmente complexas, aplicadas às necessidades do mundo do trabalho, só se consegue com o pleno desenvolvimento das competências básicas da leitura, da escrita e do cálculo mental, aliadas à capacidade de trabalho e organização. É a partir destas competências básicas que se constrói todo o saber.

Neste processo, as Bibliotecas : Escolares, Públicas, Universitárias, são o centro de todas as estratégias. É nelas que o professor se apoia para enriquecer as suas práticas pedagógicas; os alunos para procurar a informação que precisam para desenvolver as matérias curriculares; os pais para se manterem activos intelectualmente e continuarem a sua formação ao longo da vida; e onde todos procuram, paralelamente, a leitura de prazer.

É por tudo isto que as BIBLIOTECAS são tão importantes e a ESCOLA e a SOCIEDADE não podem viver sem elas.
Poder podiam …., mas não ia ser a mesma coisa!

sábado, 4 de setembro de 2010

A ILHA DEBAIXO DO MAR



Para quem era uma escrava na Saint-Domingue dos finais do século XVIII, Zarité tinha tido uma boa estrela: aos nove anos foi vendida a Toulouse Valmorain, um fazendeiro rico, mas não conheceu nem o esgotamento das plantações de cana, nem a asfixia e o sofrimento nos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. A sua bondade natural, força de espírito e noção de honra permitiram-lhe partilhar os segredos e a espiritualidade que ajudavam os seus, os escravos, a sobreviver e a conhecer as misérias dos amos, os brancos.

Zarité converteu-se no centro de um microcosmos que era um reflexo do mundo da colónia: o amo Valmorian, a sua frágil esposa espanhola e o seu sensível filho Maurice, o sábio Parmentier, o militar Relais e a cortesã mulata Violette, Tante Rose, a curandeira, Gambo, o galante escravo rebelde …e outras personagens de uma cruel conflagração que acabaria por arrasar a sua terra e atirá-la para longe dela.

Quando foi levada para Nova Orleães, Zarité iniciou uma nova etapa onde alcançaria a sua maior aspiração: a liberdade. Para lá da dor e do amor, da submissão e da independência, dos seus desejos e os que lhe tinham imposto ao longo da sua vida, Zarité podia contemplá-la com serenidade e concluir que tinha tido uma boa estrela.

Retirado da capa posterior


Isabel Allende nasceu no Peru em 1942 mas cedo adquiriu a naturalidade chilena. Publicou o seu primeiro livro A Casa dos espíritos em 1982. Hoje os seus livros estão traduzidos em mais de 30 línguas constituindo um caso de sucesso literário muito sério. A Ilha debaixo do mar é mais um livro desta escritora que vale a pena ler.

Pode requisitá-lo na Biblioteca Municipal de Arganil

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Os Olhares de Eduardo Gageiro


A exposição que se encontra patente em três espaços culturais de Arganil: Auditório da Biblioteca Municipal, Átrio da Biblioteca Municipal e Sala Guilherme Filipe, reúne cerca de 80 fotografias de Eduardo Gageiro que retratam vivências, sentimentos e sensibilidades de pessoas em locais e situações distintas.

É uma exposição em que a poesia e a literatura estão sempre presentes como o demonstram os livros publicados onde as fotografias são acompanhadas de textos de escritores como António Lobo Antunes, Lídia Jorge, Miguel Torga, José Cardoso Pires, António Mattoso, Sophia Breyner Andresen e muitos outros, mas também: Jorge Sampaio, Mário Soares ou Xanana Gusmão.

Esta é uma exposição que nos transporta para o mundo sensível e nos faz crescer culturalmente.

A visitar até 15 de Setembro

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O regresso




SCHLINK, Bernhard - O regresso. 1ª ed. Porto : Asa, 2008. 313, [7] p.. ISBN 978-989-23-0070-2


A viver com a mãe na Alemanha do pós-guerra, o pequeno Peter passa as férias de verão em casa dos avós, na Suiça. Responsáveis pela edição de uma colecção de livros, os avós dão ao neto o papel usado nas provas, em cujo verso ele pode escrever mas cujas histórias está proibido de ler.

Um dia, Peter desobedece e descobre o relato de um prisioneiro de guerra alemão que, após ter enfrentado inúmeros perigos para fugir aos seus captores e regressar a casa, descobre que, durante a sua ausência, a mulher constituíra uma nova família. Mas Peter já tinha usado as páginas finais para fazer os trabalhos de casa e fica sem saber como termina a aventura. Anos depois, já adulto, decide procurar as páginas desaparecidas; uma busca que se altera por completo quando descobre que o seu pai, um soldado alemão que ele sempre acreditou ter morrido na guerra, pode ainda estar vivo.

Sob o encantamento da sua própria história de amor, e à medida que começa a deslindar o mistério do desaparecimento do pai, Peter vê-se obrigado a questionar a sua própria identidade e a enfrentar o facto de a realidade ser, por vezes, um reflexo das expectativas dos outros.

Retirado da badana da capa posterior do livro

Um livro surpreendente que pode requisitar na Biblioteca Municipal de Arganil

Boas Férias com Boas Leituras !

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A princesa de gelo de Camilla Lackberg

Após a morte drástica dos seus pais, Erica Falk, regressa à sua terra natal, Fjallbacka, uma pacata cidade sueca, e é confrontada com a morte da sua melhor amiga de infância, Alexandra.

Alexandra fora encontrada morta na banheira de sua casa e tudo aponta para o suicídio. Convidada pelos pais de Alex a escrever sobre a falecida amiga, Erica acaba por se sentir intrigada com a morte da sua amiga e decide investigar o que se encontra por detrás daquela morte, rapidamente conclui que o cenário de suicídio não passou de uma encenação. Alex havia sido vítima de um homicídio. Erica acaba inevitavelmente por se envolver na investigação, colaborando com Patrik, um amigo polícia.

Juntos vão unindo as peças de um intricado puzzle, que se revela ainda mais complexo, quando também o principal suspeito do caso, Anders Nilsson é encontrado morto. Mais uma vez o cenário aponta para o suicídio.

A investigação requer um regresso ao passado e para reunir a informação necessária para desvendar o mistério em que se encontram envoltas estas mortes, Erica e Patrik interrogam os pais de Erica, o professor, e outras pessoas que fizeram parte da vida de Alex. Desenterram segredos do passado e é neles que encontram a explicação para os homicídios ocorridos na tranquila cidade Fjallbacka.

A princesa de gelo é um romance policial ligeiro mas envolvente e intrigante que nos prende da primeira à última página e é decididamente uma boa leitura para este Verão.

A princesa de gelo é o romance de estreia da escritora sueca Camilla Lackberg.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A sombra do que fomos


SEPÚLVEDA, Luís - A sombra do que fomos. 1ª ed. Porto : Porto Editora, 2009. 159, [1] p.. ISBN 978-972-0-04076-3

"Num velho armazém de um bairro popular de Santiago do Chile, três sexagenários esperam impacientes pela chegada de um quarto homem. Cacho Salinas, Lolo Garmendia e Lucho Arencíbia, antigos militantes de esquerda derrotados pelo golpe de Pinochet e condenados ao exílio, voltam a reunir-se trinta e cinco anos depois, convocados por Pedro Nolasco, um antigo camarada sob cujas ordens vão executar uma arrojada acção revolucionária. Mas quando Nolasco se dirige para o local do encontro é vítima de um golpe cego do destino e morre atingido por um gira-discos que insolitamente é lançado por uma janela, na sequência de uma desavença conjugal… "

"Prémio Primavera de romance 2009, A sombra do que fomos é um virtuoso exercício literário posto ao serviço de uma história carregada de memórias do exílio, de sonhos desfeitos e de ideais destruídos. Um romance escrito com o coração e o estômago, que comove o leitor, lhe arranca sorrisos e até gargalhadas, levando-o no fim a uma reflexão profunda sobre a vida."

(retirado da capa posterior da obra)

Luís Sepúlveda nasceu no Ovalle, no Chile em 1949. Toda a sua já extensa obra, se encontra traduzida para português.

Um livro que vale a pena ler e que pode encontrar na Biblioteca Municipal de Arganil.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A ilha debaixo do mar de Isabel Allende

ALLENDE, Isabel - A ilha debaixo do mar. Lisboa : Inapa, 2009. 511 p. ISBN 978-989-681-000-9

A ilha debaixo do mar da autoria de Isabel Allende é um belíssimo romance, numa linguagem simples e fluida que narra a história de Zarité, uma escrava que aos 9 anos, em finais do século XVIII, foi vendida a um rico fazendeiro, Toulouse Valmorian, da Ilha de Saint-Domingue.

Apesar da sua condição de escrava, Zarité nasceu sob o signo de uma “boa estrela”, não conheceu nem o esgotamento das plantações de cana-de-açúcar, nem a asfixia e o sofrimento dos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. Mesmo assim a sua vida não foi fácil, porém nunca desistiu de lutar, tendo conseguido alcançar o que mais ambicionava na vida: a liberdade.

O romance acompanha os 40 anos de vida de Teté, nome pelo qual Zarité é mais conhecida, e vai-nos dando conta da vida das pessoas com que ela se vai relacionando: o amo Valmorian, cuja cama foi forçada a partilhar, a sua frágil esposa espanhola, D. Eugénia, Maurice, filho único do casal, o médico Parmentier e Rosette, são alguns dos personagens que vão dando vida e ritmo a este romance, que é ao mesmo tempo o relato de um drama histórico em que se vai dando ao leitor uma perspectiva do que foi a escravidão no Caribe em finais do século XVIII.

Este é um romance que nos envolve do princípio ao fim. Como sempre acontece a escritora Isabel Allende consegue transportar o leitor para o interior da história e fazer com que este sinta as emoções das suas personagens, como se também ele fizesse parte daquelas vidas e cenários.

Um livro com uma bela história. Uma leitura a não perder.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Leituras Cruzadas

O blog Leituras Cruzadas atingiu hoje os 10 000 acessos (cerca de 670 por mês), desde que foi criado a 4 de Março de 2009. Utilizando as modernas ferramentas da comunicação, este blog serve o Projecto de Promoção de Leitura que a Biblioteca Municipal de Arganil – Miguel Torga vem desenvolvendo nos seus quase 14 anos de abertura ao público.
Tal como o nome indica, o Leituras Cruzadas procura transmitir, a quem o visita, diferentes olhares sobre a Leitura e as Leituras que o mundo de hoje proporciona.
Para todos os que nestes dezasseis meses nos têm visitado e lido os textos que vamos publicando, aqui fica o nosso obrigado.
Gostaríamos ainda de agradecer a colaboração de alguns leitores que quiseram participar com textos de sua autoria e assim enriquecer este trabalho.
A todos o nosso Bem-Haja

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Alberto Manguel em entrevista

No suplemento Ípsilon do Jornal Público de Sexta-feira pode ler-se uma interessante entrevista conduzida por Ana Gerschenfeld a Alberto Manguel, ensaísta, escritor de ficção, e acima de tudo, leitor.

Ao longo de 3 páginas num tom íntimo e informal Alberto Manguel reflecte sobre os livros e a leitura, as novas tecnologias e o ensino e manifesta a sua preocupação com a destruição do valor do acto intelectual.

Uma entrevista que recomendamos vivamente! Pode lê-la na nossa biblioteca ou aqui!

“Nem toda a gente é leitora, mas acho que, no fundo, é porque as circunstâncias fazem que não sejamos todos leitores. A possibilidade está em todos nós. O que quero dizer é que suponho que há pessoas que nunca se apaixonam, suponho que há pessoas que nunca viajam, suponho que há pessoas que não têm uma certa experiência do mundo. E da mesma maneira, existem muitas pessoas que não são leitoras. Mas a possibilidade está dentro de nós.” – Alberto Manguel

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O anibaleitor de Rui Zink

O Anibaleitor conta a história de um jovem que, fugido à "guarda do reino", embarca numa viagem em busca de um mítico e fabuloso animal, o Anibaleitor. Livro de aventuras, é acima de tudo livro da aventura da leitura."

É assim que nos é apresentada a obra de Rui Zink que não poderia ser descrita de melhor forma. Em todo o caso, para quem não conhece, ou conhece mal, a obra do autor importa fazer notar que O Anibaleitor, para além de metáfora para a leitura, serve como indagação sobre o que é a literatura.

Em rigor, há duas histórias a ser contadas, a de um jovem que embarca numa viagem e a de um autor que questiona a viagem que o levou à leitura e à escrita. Mas dentro dessas duas histórias há um sem número de outras histórias que vão sendo contadas, à maneira das bonecas russas. Afinal o que é a literatura se não um entrecuzar de outras leituras, interpretações do mundo que nos rodeia e nos habita? "Para o Anibaleitor, um livro era um encontro entre duas vozes: a nossa e a do livro." Por essa razão, a obra está carregada de alusões, umas mais directas que outras, a outros autores: "Por isso, leio. É mais autónomo. Dependo menos da bondade de estranhos, como diria Tenessee Williams."

Em resumo o livro de Rui Zink é um conjunto de metáforas, escrito em prosa simples, contudo carregado de densas reflexões sobre o significado da leitura e da literatura: "O livro, ao ser escrito, já deu um grande passo na nossa direcção: é uma dádiva. Cabe-nos agora a nós retribuir a gentileza e dar um passo na direcção do livro." Esta é a epígrafe perfeita, não só para este livro como para a própria leitura, livro esse que não desilude quem o lê como até exige uma certa releitura, pois perante a aparente simplicidade instala-se uma profunda e interessante reflexão sobre o modo como levamos a vida e apreendemos o mundo.

Boa leitura.

Texto da autoria de Henrique Jesus
(a Biblioteca Municipal Miguel Torga agradece a colaboração)


Biografia:

Rui Barreira Zink (Lisboa, 16 de Junho de 1961), escritor e professor universitário português.
É Professor Auxiliar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (desde 1997), onde se licenciou em Estudos Portugueses (1984) e obteve os graus de mestre em Cultura e Literatura Popular (1989) e de doutor em Literatura Portuguesa (1997). Foi igualmente Professor do Ensino Secundário (1983-1987), Leitor de Língua Portuguesa na Universidade de Michigan (1989-1990) e Professor Convidado na Universidade de Massachussetts Dartmouth (2009-2010).
Autor de vários livros, entre ensaios e ficção, salienta os romances Hotel Lusitano (1987), Apocalipse Nau (1966), O Suplente (1999) e Os Surfistas (2001), e os livros de contos A Realidade Agora a Cores (1988) e Homens-Aranhas (1994) e O Anibaleitor (2006). Colaborou em jornais e revistas, de que salienta o semanário O Independente (1991) e a revista K (1992). Fez tradução literária, de autores como Matt Groening, Saul Bellow e Richard Zenith.
Rui Zink recebeu o Prémio do P.E.N. Clube Português pelo romance Dávida Divina (2005), e representou o país em eventos como a Bienal de São Paulo, a Feira do Livro de Tóquio ou o Edimburgh Book Festival.

Sítio oficial do escritor: http://www.ruizink.com/


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Livro do mês: As aventuras de Tom Sawyer

Para recordar Mark Twain no ano em que se assinala o centenário da sua morte.

TWAIN, Mark, pseud. - As Aventuras de Tom Sawyer. Porto : Público Comunicações Social SA, imp. 2004. 253 p. ISBN 84-9789-498-7

As Aventuras de Tom Sawyer, publicado originalmente em 1876, é a personificação do rapazinho que cada criança quer ser: livre, aventureiro, moral e inteligente. Nascido no coração do Sul, no Missouri, Tom parece-se com o seu autor, Samuel Clemens (o verdadeiro nome de Mark Twain), quando novo: um rapaz incapaz de viver na rotina, espirituoso e possuidor de um forte sentido do bem e do mal. Tom é órfão, vive com a sua tia Polly e com os seus primos e adora faltar à escola para ir pescar. A sua tia faz o melhor que pode, tentando domesticá-lo, ao arrastá-lo para a igreja e ao punir as suas rebeliões.

Em várias tropelias e aventuras, Tom e os seus amigos procuram tesouros em casas assombradas, escondem-se numa ilha deserta e anseiam ser piratas e ladrões. E quando Tom e Huck visitam à noite um cemitério, pois acreditam que tal passeio é uma cura milagrosa para as verrugas, e testemunham um assassinato, não têm outro remédio senão fugir de St. Petersburgo.

“Mark Twain viaja até ao universo infantil recriando as brincadeiras e as travessuras dos miúdos. Mas não se esquece de reencontrar, por outro lado, a beleza e a ingenuidade que só uma criança pode ter. E Tom Sawyer, tal como o seu amigo Huck Finn, encarnam na perfeição essa ingenuidade: tudo neles é puro e espontâneo. Dos sentimentos que transparecem das suas atitudes, sempre repletas de nobreza e humanidade, até às suas crenças e superstições, algumas delas simplesmente hilariantes, os dois miúdos transformam-se em seres humanos ideais: imperfeitos, mas com bom coração.
A preocupação de Twain em enaltecer o que há de bom e puro no ser humano, isto é, nas crianças que ainda conservam na sua essência a bondade e a generosidade como valores maiores, de forma espontânea, é notória ao longo da obra.”

Diego Armes dos Santos in Guia de leitura.
Colecção geração público. Público: Porto, cop. 2004


Mark Twain é o pseudónimo literário de Samuel Langhorne Clemens (1835-1910), popular autor americano e jornalista famoso pelo seu humor. Foi tipógrafo e piloto de barcos a vapor no Mississípi durante a guerra civil americana. Escreveu livros de viagens e celebrizou-se com as obras As Aventuras de Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Verão, leitura e passeios!

O verão chegou em toda a sua plenitude. Os dias longos e solarengos aí estão e as férias aproximam-se a passos largos convidando a passeios e à descoberta de novos sítios e recantos.

Para tal nem sempre é preciso ir muito longe. Basta usar da imaginação! E já agora, porque não recorrer à literatura para estabelecer um belo e agradável itinerário de descoberta cultural e artística pelo concelho de Arganil?

Pesquisamos o nosso fundo local e propomos a leitura de três obras para a partir delas estabelecer percursos pelo nosso concelho:

Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil

Escrito por Amândio Galvão, com ilustrações de Carlos Dias, este roteiro propõe um passeio cultural pelo centro histórico de Arganil. A partir da toponímia do centro da vila, os autores conseguiram evocar e resumidamente biografar figuras de referência no meio arganilense e revelar como, por quê e por quem surgiram certos monumentos e alguns edifícios mais relevantes.

Ruas de Coja: traçado e toponímia

Da autoria de Nuno Mata, esta obra, pretende relembrar “nomes e figuras que fizeram história na Princesa do Alva e que, por mérito próprio, se encontram eternizadas em placas toponímicas.”

Arganil

A obra Arganil da autoria de Regina Anacleto, inserida na colecção “Cidades e Vilas de Portugal” da editorial Presença, contém um levantamento rigoroso dos mais emblemáticos monumentos do concelho de Arganil e da sua história. A sua leitura é um bom ponto de partida para a organização de um passeio pelo concelho.

Estas e outras obras sobre o concelho estão à sua disposição na Biblioteca Municipal de Arganil. Poderá consultar o nosso catálogo do Fundo local através do nosso sítio: http://www.bib-arganil.org/

Desejamos a todos os nossos leitores um agradável verão, umas boas férias e aprazíveis passeios!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Horas extraordinárias

Da autoria de Maria do Rosário Pedreira, editora e escritora, “nasceu” recentemente um novo blogue na Blogosfera, chamado “Horas extraordinárias: as horas que passamos a ler”

Como a própria autora afirma no post inaugural, decidiu criar este blog por achar que “podia ser uma forma simpática e eficaz de estar com aqueles com quem tenho mais afinidades e que são – amigos ou não – os que gostam de ler.”

Este é um blog que recomendamos e que vale a pena visitar.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Hino escolar de Pombeiro

Hino escolar de Pombeiro
Autor: Visconde de Sanches de Frias

O cego no mar da vida
Boiando sem norte e luz,
É barco desgovernado,
Cujo rumo não seduz.

Aqui tomba, ali tropeça
Nos antros da escuridão.
Sem amparo nem arrimo
Cai de baldão em baldão.

Pois, assim como há no corpo
Cegueira que é grande mal,
Há no ser de muita gente
Doença intelectual!

Um cérebro que é fechado
Da leitura ao esplendor,
É o cérebro de um cego
Membro frio sem calor.

O ignorante, que à Escola
A juventude furtou,
É cego do entendimento
É batel que naufragou.

Viva pois o sol da vida,
Que se traduz na lição
- viva a luz da inteligência!
Viva o farol da instrução.

In: A Comarca de Arganil nº 616 de 23 de Janeiro de 1913

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Recordando Luís de Camões

Assinalou-se ontem o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Como tal aproveitamos para recordar o grande Poeta Luís de Camões através das palavras de alguns escritores portugueses:

Poema a Luís de Camões

Desde as fartas ribeiras do Mondego,
desde a Fonte das Lágrimas, que na bela Coimbra,
as rosas de cem folhas embalsamam,
do Minho atravessando as águas mansas
em misteriosas asas,
de Inês de Castro, a dona mais garrida,
e a mais doce e mais triste enamorada,
do grão Camões que imortal a fez
cantando as suas desgraças,
de quando em quando a acarinhar-nos vêm
eu não sei que saudades e lembranças.

Lá deu seu fruto a planta abençoada
com sem igual pujança.
Daqui o germen saiu, sabe-o Lantanho
e a sua torre dos tempos afrontada.
Talvez por isso - ó desditosos - sempre
convosco foi o germen da desgraça:
Tu, pobre dona Inês, mártir do amor
e tu Camões da inveja empeçonhada.
Pesam dos génios na existência dura
Tanto a fama e as glórias quanto as lágrimas.

A que cantaste em peregrinos versos,
morreu baixo o poder de mãos tiranas.
Tu acabaste olvidado e na miséria
e hoje és glória da altiva Lusitânia,
ó poeta imortal, em cujas veias
nobre sangue galego fermentava!

Esta lembrança doce,
envolta numa lágrima,
manda-te desde a terra
onde os teus foram nados
uma alma dos teus versos namorada

Rosalía de Castro in Antologia Poética
Lisboa: Guimarães Editores, 1985

Clique para ler:
Poema a Luís de Camões de José Saramago
Camões de Miguel Torga

terça-feira, 8 de junho de 2010

Eu sou a Charlotte Simmons de Tom Wolfe

WOLFE, Tom - Eu sou a Charlotte Simmons. 1ª ed. Alfragide : Dom Quixote, 2009. 655 p. ISBN 978-972-20-3137-0

Charlotte Simmons é uma jovem com futuro promissor, oriunda de uma pequena cidade da Carolina do Norte, onde se destacou pelo seu excelente aproveitamento escolar e por ser a primeira rapariga a conseguir uma bolsa de estudo para a conceituada Universidade de Dupont.

Depois das férias de Verão, Charlotte parte cheia de esperança para a Universidade, esperando, como a sua professora Miss Pennington havia antecipado, encontrar um mundo intelectual e culturalmente estimulante. Mas logo no primeiro dia é confrontada com um ambiente muito diferente do que aquele com que tinha sonhado: os estudantes organizavam-se em grupos, as festas a altas horas, abundantemente regadas com álcool, e as aventuras amorosas eram uma constante. O estudo parecia algo que para a maioria dos estudantes ficava em segundo plano.

Desde o dia da sua chegada àquele novo mundo Charlotte trava uma dura batalha para se conseguir integrar e combater a solidão com que é confrontada, mantendo a sua própria identidade.

Charlotte tenta manter-se fiel a si mesma e aos seus princípios, mas acaba por se deixar envolver com um rapaz de uma fraternidade dita “cool” e só tarde demais se apercebe que os seus sentimentos não são correspondidos. Para Hoyt ela não passara de uma aventura de uma noite só. Obcecada pela fracassada relação, Charlotte descura os estudos e entra numa depressão, sentindo cada vez mais o peso da solidão. Felizmente pode contar com a ajuda de Adam, um estudante finalista pertencente a um grupo de intelectuais combatentes do sistema corrupto e de injustiças que reinavam no meio universitário, e aos poucos Charlotte conseguiu reerguer-se do desespero em que tinha mergulhado.

Eu sou a Charlotte Simmons é uma obra densa, que se centra numa realidade tipicamente americana. Através de um conjunto de personagens que ao longo da obra se vão tornando cada vez mais reais, o autor Tom Wolfe, faz um retrato muito realista da vida nas universidades, desenhando com precisão a frivolidade da juventude da actual sociedade americana.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Livro do Mês: Concerto no fim da viagem

HANSEN, Erik Fosnes - Concerto no fim da viagem. 1ª ed. Lisboa : Presença, 1996. 434 p. ISBN 972-23-2106-4

No dia 10 de Abril de 1912, o Titanic, o maior navio de passageiros de todos os tempos, inicia a sua viagem inaugural, partindo da Inglaterra com destino a Nova York. A bordo, mais de 1500 pessoas. Cinco dias depois embate num icebergue e afunda em alto-mar. Nenhum sobrevivente.

A narrativa de Erik Fosnes Hansen é um mosaico da Europa ainda intocada pelas guerras mundiais. Banqueiros e industriais gozam o luxo da primeira classe e emigrantes aglomerados no fundo do navio sonham esperançosamente com o Novo Mundo enquanto a orquestra toca valsas - até ao último minuto. Os sonhos são muitos nesse pequeno mundo flutuante, mas o destino é um só.

A história do Titanic é a história de uma ilusão. A esse pano de fundo autêntico, o autor acrescenta a narração da vida de personagens fictícias: os músicos. Vindos de lugares diferentes da Europa anterior à guerra, tais como Londres, Paris ou Viena, os músicos deleitam os passageiros da primeira classe e vão tocando o seu reportório para minorar os efeitos do pânico, até que o navio é engolido pelas águas geladas.

“Tocou três vezes o apito a vapor, três fortes sons triplos que ecoaram para terra.
Tinham largado as amarras e recolhidos os cabos de reboque. Três pequenos rebocadores, fortes como gigantes, começaram devagar a puxar o navio para o canal de navegação.
Partida. Na ponte estava o piloto, juntamente com o capitão. A multidão junto ao edifício do terminal acenava e todos os conveses estavam escurecidos por pessoas que acenavam com cachecóis e lenços, e que gritavam e vibravam o tempo todo."


O Autor:

Erik Fosnes Hansen nasceu em 1965, em Nova York, e foi criado na Noruega. Viveu dez anos na Itália e actualmente mora em Oslo com a família. Publicou o seu primeiro romance, Falketårnet (The Falcon Tower), em 1985 e em 1990 publicou Concerto para a Última viagem, que obteve grande sucesso em toda a Europa.
Erik Fosnes é membro da Academia Norueguesa de Linguagem e Literatura e foi galardoado com o prémio de Literatura da Sociedade Riksmål em 1990.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Manual de Ferramentas da Web 2.0 para Professores – uma interessante ferramenta

“Com o aparecimento da World Wide Web alterou-se a forma como se acede à informação e como se passou a pesquisar, preparar aulas, planear uma viagem ou a comunicar com os outros. No início da década de 90, Berners-Lee et al. (1994) referem que a Web “foi desenvolvida para ser um repositório do conhecimento humano, que permitiria que colaboradores em locais distintos partilhassem as suas ideias e todos os aspectos de um projecto comum” (…)

A Web começou por ser sobretudo texto com hiperligações, a que se vieram a associar imagens, som e mais tarde vídeo. (…) Com a Web democratizou-se a publicação online e o acesso à informação. Com o aparecimento das funcionalidades da Web 2.0, conceito proposto por Tim O’Reilly e o MediaLive International, a facilidade de publicação online e a facilidade de interacção entre os cibernautas torna-se uma realidade.

A Web passa a ser encarada como uma plataforma, na qual tudo está facilmente acessível e em que publicar online deixa de exigir a criação de páginas Web e de saber alojá-las num servidor. A facilidade em publicar conteúdos e em comentar os “posts” fez com que as redes sociais se desenvolvessem online. Postar e comentar passaram a ser duas realidades complementares, que muito têm contribuído para desenvolver o espírito crítico e para aumentar o nível de interacção social online. O Hi5, o MySpace, o Linkedin, o Facebook, o Ning, entre outros, facilitam e, de certo modo, estimulam o processo de interacção social e de aprendizagem. Escrever online é estimulante para os professores e para os alunos. (…)

Neste momento, os agentes educativos podem, com toda a facilidade, escrever online no blogue, gravar um assunto no podcast ou disponibilizar um filme no YouTube. O ambiente de trabalho deixa de estar no computador pessoal do professor e passa a estar online, sempre acessível, a partir de qualquer lugar do planeta com acesso à Internet.”
Excerto da Introdução por Ana Amélia A. Carvalho

Esta publicação do Ministério da Educação, organizada por Ana Amélia A. Carvalho, é constituída por nove capítulos, e em cada capítulo é feita a contextualização de cada ferramenta, apresentando o seu modo de funcionamento e como pode ser aplicado nas práticas educativas.

1º - Blogue, YouTube, 1. Flickr e Delicious
2º - Podcast e utilização do software Audacity
3º - Dandelife, Wiki e Goowy
4º - Ferramentas Google: Page Creator, Docs e Calendar
5º - PopFly – como editor de mashups
6º - A Web 2.0 e as Tecnologias Móveis
7º - Ambientes Virtuais e Second Life
8º - Do Movie Maker ao YouTube
9º - Mapas Conceptuais Online

Professores e demais educadores não se podem alhear do desenvolvimento tecnológico. No século XXI estas novas ferramentas e funcionalidades da web 2.0 devem fazer parte integrante do processo educativo. Consulte esta obra disponível on-line e aprenda a usar a web 2.0!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Educação, Literacia e Cidadania

A educação no século XXI deve fundamentalmente responder à questão: viver juntos, com que finalidades, para fazer o quê? e dar a cada um, ao longo de toda a vida, a capacidade de participar activamente, num projecto de sociedade. Ou seja o sistema educativo tem como missão formar os seus alunos no sentido de participarem dinamicamente na sociedade, e de acordo com o relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI deve “fornecer os mapas de um mundo complexo e perpetuamente agitado e a bússola que permita nele navegar”.

Uma das condições ao exercício de uma cidadania plena é a literacia. Literacia e educação estão indissociavelmente interligadas. Até há uns anos atrás o conceito de literacia resumia-se à capacidade do indivíduo saber ler, escrever e efectuar cálculos básicos. Hoje, face ao rápido desenvolvimento tecnológico, o conceito é necessariamente muito mais abrangente e começa-se a falar de literacia informativa, literacia mediática ou multimédia, para referir a capacidade de fazer face aos desafios colocados pela sociedade da informação e do conhecimento. Estas novas vertentes da literacia são fundamentais para evitar novas formas de exclusão e também ferramentas imprescindíveis para desempenhar um papel activo na sociedade democrática.

A cidadania e a formação dos cidadãos passam, cada vez mais, pela capacidade de criar pontes entre universos como o da escola e o dos média e, hoje, o das redes globais de comunicação.

Mas assim como é fundamental que a escola assuma o seu papel insubstituível de espaço de interrogação da vida e do mundo e de construção de sentido, não é menos fundamental que os decisores e agentes políticos, económicos e empresariais participem na reflexão sobre a cidadania e o futuro das nossas sociedades na sociedade da informação e do conhecimento.

Todos juntos temos a missão de promover uma atitude ética que se manifeste no saber-fazer-pensar-dizer-ser, orientada por princípios cívicos, em que a igualdade, democracia, solidariedade, liberdade e cooperação sejam reais.

Se este tema lhe despertou a atenção, sugerimos que requisite na biblioteca municipal:

COMISSAO INTERNACIONAL SOBRE EDUCACAO PARA O SECULO XXI - Educação : um tesouro a descobrir. 2ª ed. Porto : Asa, 1996. 256 p. ISBN 972-41-1775-8

A literacia em Portugal : resultado de uma pesquisa extensiva e monográfica. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian. Serviço de Educação, 1996. XIII, 429 [2] p.. ISBN 972-31-0713-9

MARQUES, Viriato Soromenho - A Era da Cidadania. Mem Martins : Europa-América, 1996. 205 p.. ISBN 972-1-04076-2

Educação para a Cidadania. Lisboa : Plátano, D.L.1999. 342 p.. ISBN 972-621-997-3
AMORIM, José Pedro - O impacto da educação e formação de adultos no desenvolvimento vocacional e da cidadania : a metamorfose das borboletas. 1ª ed. Lisboa : MTSS/DGERT, 2006. 189 p. ISBN 972-8312-54-7. ISBN 978-972-8312-54-1

Ou consulte na Internet:

CORREIA, João Carlos. Cidadania, Comunicação e Literacia Mediática [Em linha]. [Consult. 17-05-10]. Disponível em: https://bocc.ufp.pt/pag/correia-joao-carlos-Media-Publico-Literacia.pdf

FREITAS, Judite A. Gonçalves de; REGEDOR, António Borges. Bibliotecas Públicas e Cidadania Activa [Em linha]. [Consult. 17-05-10]. Disponível em WWW:
http://badinfo.apbad.pt/Congresso9/COM13.pdf

Grilo, Eduardo Marçal (2008). Prefácio ao Fórum Educação para a Cidadania 2008. [Em linha]. [Consult. 17-05-10].
Disponível em WWW:

MACEDO, Lurdes (2005). Educação e Literacia Para os Media na Promoção da Cidadania [Em linha] in LIVRO DE ACTAS 4º Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, 4º SOPCOM, Aveiro, Comissão Editorial da Universidade de Aveiro.[Consult. 17-05-10]. Disponível em WWW: http://bocc.ubi.pt/pag/macedo-lurdes-esducacao-literacia-para-media-promocaocidadania.pdf

terça-feira, 11 de maio de 2010

Da escola sem sentido à escola dos sentidos




TORRADO, António - Da escola sem sentido à escola dos sentidos. Lisboa : Caminho, 2002. 63 p. ISBN 972-21-1459-X





“A escola deixará de ser talvez
tal como nós a compreendemos,
com estrados, bancos, carteiras:
será talvez um teatro, uma biblioteca,
um museu, uma conversa.”

Leão Tolstoi

Da escola sem sentido à escola dos sentidos é um pequeno livro da autoria de António Torrado muito rico em conteúdo, em que o autor vai reflectindo sobre a educação infantil, defendendo o prolongamento da educação sensorial iniciada no colo materno, que se prolonga no jardim de infância, mas que sofre um corte quase radical quando a criança chega ao ensino básico, altura em que o ensino se torna “enumerativo e eminentemente visual”.
António Torrado fala também na proximidade que deve existir entre professor e aluno, tanto quanto possível o professor deve deixar se impregnar pela juventude, ser “testemunha e intérprete da mudança”, só assim será capaz de ensinar com sucesso e compreender as mudanças que se operam ao longo das gerações.
Este livro não nos oferece fórmulas de acção, mas despoleta a reflexão sobre um sistema educativo e uma sociedade que teimam em aniquilar gradualmente os sentidos do processo de aprendizagem.

Um livro que vale a pena ler!
Leia porque ler é um prazer!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Livro do mês: Prazer, rotas e vidas

SILVA, Otilina - Prazer, rotas e vidas. Lisboa : Colibri, 2010. 285, [3] p. ISBN 978-972-772-966-1

Em 2007, a bordo do navio de cruzeiros “Splendour of the Seas”, numa viagem de Portugal ao Brasil, cinco mulheres a viajarem sozinhas partilham diariamente refeições, reflexões e ideias. Apesar das idades, vivências e profissões diferenciadas, acabam por se tornar amigas no convívio diário. Nas horas de lazer que a viagem proporciona, abordam os mais diversos temas, desde o sagrado ao profano; falam das suas experiências de vida, da droga, do prazer, da educação, da família, das suas emoções e saberes. Algumas destas amigas reencontraram-se em 2009 no Transiberiano. Na descoberta de culturas e lugares, partilham novos conhecimentos e amizades e alargam horizontes.

“Êxitos e fracassos são a medida da nossa capacidade de querer ser feliz, de amar e transcender-se no sentido do mais e do melhor.
Este livro, o 11º da autoria de Otilina Silva, agora editado pela Colibri, é um desafio à aventura da conquista do prazer, é um hino à amizade e à força que nos impele a construi-la sob pena de chegarmos ao fim da jornada sem termos existido, sido úteis ou ter deixado algum rasto.”

Maria Susana Mexia, autora da apresentação crítica do livro
Fonte:
http://www.edi-colibri.pt/Detalhes.aspx?ItemID=1301

Excerto:

“Há pessoas para quem guardar a sua intimidade se transforma num fardo. Elas necessitam transmitir aos outros o que sentem, o que fazem, como vivem. Outras, porém, fazem exactamente o contrário, guardam tudo no seu íntimo. Armazenam os bons e os maus momentos e fazem dos pequenos problemas autênticos dramas de tortura constante.
Repare, nós éramos, até há bem pouco tempo, completamente desconhecidas mas resolvemos desnudar as nossas vidas e a nossa intimidade, embora saibamos que guardar um segredo é assumir um compromisso. O silêncio que nos é pedido implica a intimidade de outra pessoa e, se acaso o revelamos, está implícita uma traição. Quando alguém nos rouba algo, há sempre uma hipótese, mesmo remota, de que o que perdemos nos venha a ser restituído, mas um segredo que deixa de o ser, não tem volta. A hipótese de devolução é completamente impossível. A partilha de um segredo implica cumplicidade, é uma partilha que poderá não durar sempre.”

A autora:

Otilina Silva nasceu em 1933 no concelho de Ansião. Viveu em S. Tomé durante cerca de 25 anos e regressou a Portugal, em 1975, após a independência do arquipélago.
Em 1979 ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, licenciando-se em Filosofia.
Colabora no jornal “Alvaiazerense” e nos cadernos culturais de “Telheiras”. Publicou o seu primeiro romance, “Ser feliz ao entardecer” em 1993.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Os livros em Abril


Com Abril quase no fim é importante lembrar a ligação deste mês primaveril com o livro e a leitura. Duas datas marcantes: 2 de Abril, dia em que se comemora o Dia Internacional do Livro Infantil e 23 de Abril para comemorar o Dia Mundial do Livro.

A 2 de Abril comemoramos o nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, cujos contos que escreveu são uma referência no imaginário de todos os que os leram. Estes contos, apesar da sua longevidade, deveriam ser lidos por todas as crianças. Porquê? Pela riqueza (diversidade, qualidade) das palavras que o escritor usa nos seus textos e pelas imagens que essas palavras constroem, geradoras de imaginação e criatividade, logo, impulsionadoras da agilidade mental, tão necessária para o sucesso educativo das nossas crianças.

No Dia Mundial do Livro, instituído pela UNESCO em 1996, homenageamos dois escritores de referência na Literatura Universal: Cervantes e Shakespeare, que morreram neste dia no ano de 1616, o primeiro em Madrid e o segundo em Inglaterra.

Com esta homenagem, a UNESCO pretende lembrar ao mundo a importância da leitura na construção do Homem, na busca permanente pelo progresso, nas ciências, nas artes, pela preservação do nosso planeta e pela qualidade de vida da Humanidade.

Leia, porque ler é um prazer e o faz viver mais … saudável, divertido, culto, enamorado, nem que seja de si mesmo e muito, muito mais!


Margarida Fróis

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, 2010
Excerto da Mensagem da directora geral da Unesco, Irina Bokova

“Este ano, a décima quinta edição do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, celebra-se no âmbito do ano Internacional para a Reaproximação de Culturas. O dia 23 de Abril dar-nos-á a oportunidade de determinar o papel atribuído ao livro num mundo em constante mudança. Os responsáveis políticos, os editores, os educadores e a sociedade civil em conjunto devem interrogar-se sobre quais as melhores formas de promover o livro, instrumento insubstituível do conhecimento.

O livro fornece-nos o conhecimento dos outros e das suas ideias, e nessa medida, permite uma melhor compreensão do universo. (…)

Os livros são simultaneamente obras de arte e ciência, e transmissores de ideias. Encarnam de modo magnífico a diversidade criadora. Conduzem ao conhecimento universal e participam no diálogo entre culturas. São instrumentos de paz. (…) ”

Tradução: Miriella de Vocht

Clique aqui para ler o texto na íntegra

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Dia Mundial da Propriedade Intelectual (2010)

No ano de 2000, os Estados-Membros da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) decidiram designar um Dia Mundial da Propriedade Intelectual com o objectivo de celebrar a contribuição feita pelos inventores e artistas para o desenvolvimento da sociedade, bem como promover a consciência do papel da propriedade intelectual na vida diária.

Foi escolhido o dia 26 de Abril, dado que foi nessa data em 1970 que entrou em vigor a Convenção que criou a OMPI.

Este ano, a data será comemorada sob o tema: Inovação – ligar o mundo.

Como pode ler-se na mensagem do Director Geral da OMPI, Francis Curry “há relativamente poucas décadas, o mundo era vasto e, em grande parte, desconhecido para a maioria das pessoas. Viajar era dispendioso e moroso. O conhecimento era registado em papel e a sua divulgação era difícil. O serviço telefónico era, em muitos locais, inexistente. Fora das grandes cidades, o acesso à cultura estrangeira e às artes era limitado.
A rápida inovação e a sua adopção global transformaram a nossa perspectiva. Actualmente estamos ligados – física, intelectual, social e culturalmente – de formas que eram impossíveis de imaginar."

Leia a mensagem na íntegra em:

http://www.wipo.int/ip-outreach/en/ipday/2010/dg_message.html (em inglês)
http://www.spautores.pt/page.aspx?contentId=1561&idMasterCat=39 (em Português)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A doçura da chuva de Deborah Smith


SMITH, Deborah - A doçura da chuva. Porto : Porto Editora, 2009. 478 p.. ISBN 978-972-0-04189-0

A Doçura da chuva, tal como o título deixa antever é um romance doce, que pela sua intensidade envolve o leitor numa leitura capaz de embriagar e contaminar os sentidos.

Kara Whittenbrook, herdeira de uma grande fortuna, após a morte dos seus pais num acidente de aviação procura encontrar um sentido para a sua vida e descobre que, afinal, fora adoptada enquanto bebé.

Resolve então ir à procura das suas raízes, escondendo-se atrás de uma falsa identidade, e parte em direcção à Florida, onde encontra os pais biológicos que residem e trabalham no rancho Thocco, propriedade de Ben Thocco.

Lily e Mac, são ambos portadores de deficiências, bem como a maior parte dos trabalhadores do Rancho, o que a princípio constituiu um choque para Kara, porém, após um breve período de convivência ela ultrapassou esse sentimento e soube reconhecer que, apesar das suas diferenças, Lily e Mac eram pessoas tão válidas como quaisquer outras.

Em pouco tempo Kara deixa-se envolver por um universo completamente novo, e tem de decidir se revela a Lily e Mac que é sua filha e se conta a verdade sobre a sua identidade a Ben.

A Doçura da chuva é um romance profundo que nos faz reflectir sobre algumas das mais importantes questões da vida e que nos mostra que o amor e a amizade são fulcrais para nos ajudar a ultrapassar qualquer obstáculo!

Leia, porque ler é um prazer!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Nas asas de um anjo de Miguel Ávila

AVILA, Miguel - Nas asas de um anjo. 1ª ed. Lisboa : Presença, 2006. 357, [3] p. ISBN 972-23-3524-3

Pela primeira vez na vida, Tiago está para ser pai. Na sala de partos, enquanto aguarda o nascimento do filho, entrega-se às recordações e transporta-nos consigo até à sua infância e também ao Verão de 1977, altura em que tinha quinze anos.

Numa linguagem fluente e cuidada e num ritmo agradável, Tiago, a personagem principal deste romance, vai-nos relatando alguns dos acontecimentos que mais influência tiveram na sua vida, tais como: a morte acidental do irmão mais velho, a paixão avassaladora e quase irracional por uma rapariga mais velha e o afastamento do pai, acontecimentos que causaram dor, tristeza, alegria, mas que sobretudo o fizeram crescer.

Nas asas de um anjo é um romance simples mas que nos envolve da primeira à última página, levando-nos a reflectir sobre a nossa própria vida, sobre a importância dos afectos, a capacidade de saber perdoar e sobre a impossibilidade de controlar o destino.

Um livro que vale a pena ler!
Leia porque ler é um prazer!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A dependência da Internet

Apenas na segunda metade da década de 90 se começou a falar de dependência da Internet, e desde então os estudos sobre a questão têm vindo a multiplicar-se. No entanto ainda não existe consenso quanto à definição desta nova forma de comportamento dependente, já que geralmente as perturbações relacionadas com dependências envolvem o uso de substâncias químicas ou outras. A Internet, contrariamente a outras dependências oferece benefícios directos, sendo que apenas se poderá considerar o seu uso patológico quando o consumo excessivo de tempo em actividades na mesma tem prejuízo pessoal evidente, quer a nível individual como profissional.

Este uso excessivo tem como sintomas: preocupação com a Internet; necessidade de gastar cada vez mais tempo on-line para conseguir satisfação; incapacidade de controlar, reduzir ou parar a utilização da Internet; ligar-se para fugir a problemas ou para aliviar um estado de ansiedade, tal como depressão ou mal-estar; arriscar a perda de uma relação significativa quer seja pessoal, profissional ou educacional; mentir às pessoas com quem se convive sobre o tempo que se está ligado; etc.

É difícil definir com exactidão quais as causas desta dependência. Alguns estudos consideram que é a própria natureza da Internet que a torna propensa à dependência, outros defendem que não é a Internet por si só que causa dependência, mas sim as aplicações com características interactivas. Certamente não se poderá atribuir o desenvolvimento da dependência a uma característica por si só. O impacto comportamental da Internet será provavelmente causado pela conjugação de várias características da mesma, tais como: a facilidade de acesso; a diversidade de conteúdos; o baixo custo; a estimulação visual; a autonomia; o anonimato e a interactividade, aliadas à própria personalidade do utilizador.

Não se pretende com este texto desincentivar o uso da Internet, apenas recomendar o uso moderado e consciente, da mesma. A Internet é um instrumento de trabalho e de lazer que se tornou indispensável nos nossos dias. Importa no entanto compreender que esta ferramenta deve ser utilizada de modo a que o seu uso não afecte de forma negativa a nossa vida nas suas várias vertentes. A chave para evitar a dependência é essencialmente o uso moderado.

Se pretende saber mais sobre esta temática consulte:

Dependência da Internet – trabalho realizado por alunas do 4º ano do Mestrado Integrado em Psicologia, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação - Universidade de Lisboa disponível em: http://dependencia-internet.tripod.com/avaliacao.html, acedido a 30.03.2010

Baptista, T. M. (s/d). Navega, mas não te demores: Algumas consequências psicológicas do consumo da Internet. Disponível em:
http://www.centroatl.pt/titulos/futuro/imagens/futuro_telmo_oferta.pdf. , acedido a 30.03.2010

Internet addiction disorder in Encyclopedia of Mental Disorders disponível em: http://www.minddisorders.com/Flu-Inv/Internet-addiction-disorder.html, acedido a 30.03.2010

Greenfield, David N. Virtual addiction: sometimes new technology can create new problems disponível em: http://www.virtual-addiction.com/pdf/nature_internet_addiction.pdf, acedido a 30.03.2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

Livro do mês: Os três casamentos de Camilla S.

FARIA, Rosa Lobato de - Os três casamentos de Camilla S.. Alfragide : Asa II, 2010. 197, [2] p.

Os três casamentos de Camilla S. é a autobiografia de uma velha senhora que aos noventa anos decide contar a sua vida, incluindo o que ela possa ter de inconfessável.

“Não sei se conseguirei acabar de contar a minha vida, se é que ela já não se contou a si própria. Mas pelo menos gostaria de falar dos meus três casamentos porque eles pautam a vivência de três mulheres diferentes que são todas eu. Poderia considerar três ciclos que se interligam e se separam, se sobrepõem e se distinguem, que entre si se criticam, se julgam e se perdoam: o ciclo do sonho, o ciclo do corpo e o ciclo do coração”.

O romance com uma estrutura de diário tem início a 4 de Janeiro de 1902, dia de viragem na vida de Camilla: aos doze anos, o seu primeiro casamento é anunciado.
A 20 de Março de 1922, depois de em 1919 ter enviuvado Camilla casa pela segunda vez, e em 1926 dá se o divórcio. O terceiro e último casamento, acontece em 1945. Cada casamento simboliza no fundo uma etapa da vida desta mulher e corresponde a várias fases de amadurecimento. Paralelamente aos vários casamentos, uma grande paixão acompanhou Camilla ao longo dos anos, paixão que influenciou todo o seu percurso vivencial.

“Atraiçoei o Emídio em pensamentos e ele morreu. Arrastei o André para a prisão e sabe Deus que desgraças o esperam. Destrocei a vida do Salomão pela minha fraca cabeça, o meu egoísmo, a minha incapacidade de me controlar. Não sei como penitenciar-me de tudo isto e os meus pecados ainda não acabaram. Agora sinto que abandonei o Carlos Eduardo, cada vez o acho mais distante, embora venha ver-me duas ou três vezes por ano. Fui uma má mãe, uma má esposa, e uma má mulher. Porque é que não percebemos que erramos quando estamos a errar e só mais tarde o remorso nos cai em cima com uma força esmagadora e nos amargura o resto da existência? A paixão não explica nem desculpa tudo. Quis tanto ser eu, ter uma vida própria, correr os meus próprios riscos, quis transgredir, conhecer os meus limites e, se por um lado posso dizer que vivi, por outro direi que morri mil vezes.”

Escrito numa linguagem simples e envolvente, este é um romance que nos cativa da primeira à última passagem. Foi o terceiro romance de Rosa Lobato de Faria e com ele esta escritora confirmou o seu lugar de destaque no panorama da nova ficção portuguesa.

A autora:

Rosa Lobato de Faria nasceu em Lisboa em Abril de 1932. Poetisa e romancista, o essencial da sua poesia está reunido no volume Poemas Escolhidos e Dispersos, de 1997. O seu primeiro romance, O Pranto de Lúcifer, veio a público em 1995. Seguiram-se-lhe Os Pássaros de Seda (1996), Os Três Casamentos de Camilla S. (1997), Romance de Cordélia (1998), O Prenúncio das Águas (1999), A Trança de Inês (2001), O Sétimo Véu (2003), Os Linhos da Avó (2004), A Flor do Sal (2005), A Alma Trocada (2007), A Estrela de Gonçalo Enes (2007) e As Esquinas do Tempo (2008).
É também autora de diversos livros infantis e conhecida do grande público como actriz de televisão e cinema.
Faleceu a 2 de Fevereiro de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

A riqueza da linguagem poética

Uma das primeiras coisas que aprendemos enquanto crianças é como falar. Diariamente através da leitura de histórias as crianças vão se familiarizando com palavras e sons. Pais e educadores lêem histórias, mas também lenga-lengas e rimas infantis, que são caracterizadas como jogos de palavras que se apresentam numa estrutura rítmica agradável e de fácil compreensão. Estas rimas constituem por assim dizer o nosso primeiro contacto com a poesia.

A poesia é uma das aplicações mais vivas da linguagem, e quem melhor para entender este jogo de palavras de que as crianças? Obviamente nem todas as crianças se deixam cativar de imediato pela poesia ou pela literatura, porém por vezes a única coisa necessária para o conseguir é encontrar o poema, a rima ou o livro certo para despertar o seu interesse. Aprender poesia tem um importante papel nas nossas vidas, não só aprendemos a ler com os nossos olhos e ouvidos, mas também nos tornamos capazes de usar a nossa imaginação para extrair ou colocar em palavras sentimentos e emoções. A linguagem poética é uma das mais interessantes, porque mexe com o nosso sentimento, a nossa sensibilidade.

O contacto da criança com a poesia proporcionado pela família deve ser prolongado e aprofundado pela escola. A escola tem o papel de ajudar a formar a criança, não apenas a nível da razão, mas também a nível da emoção e a poesia é um instrumento privilegiado para proporcionar aos jovens o contacto com a beleza das palavras, os seus significados e as suas formas. O texto poético é um espaço de grande riqueza e amplitude, capaz de permitir a libertação do imaginário e do sonho das pessoas, é também um meio privilegiado para despertar o amor pela língua materna. A rima, o ritmo e a sonoridade, permitem uma descoberta progressiva das potencialidades da linguagem.

No entanto e parafraseando José António Franco em A poesia como estratégia “não basta incluir nas planificações diversos tipos de texto poético. Não basta deixar que as aulas se arrastem na leitura e interpretação de textos com os quais não foi promovida qualquer tipo de familiaridade. São necessárias a competência científica e a capacidade pedagógica para que a sua abordagem resulte, realmente, numa verdadeira educação da sensibilidade e do gosto, no desenvolvimento do espírito crítico e da criatividade, na aquisição de uma desejável mestria comunicativa construída, inevitavelmente, a partir do domínio dos mecanismos da língua materna e do prazer e realização pessoais que uma comunicação autónoma e competente pode provocar.”
Miriella de Vocht

quinta-feira, 11 de março de 2010

O fim de Philip Banter

BARDIN, John Franklin - O fim de Philip Banter. Lisboa : Terramar, 1994. 274 p. ISBN 972-710-088-0

O fim de Philip Banter é um romance psicológico que decorre nos finais dos anos 30, princípios dos anos 40. É a história de um drama surreal em que a personagem principal é Philip Banter. Este encontra-se bastante perturbado com o colapso eminente do seu casamento, e essa perturbação aumenta quando encontra na sua secretária de trabalho uma “confissão”, aparentemente escrita por ele mesmo, que prevê acontecimentos e atitudes que ainda não tiveram lugar.

Apesar de sofrer de problemas de alcoolismo, Philip não acredita que esteja assim tão mal e não se deixa convencer que está esquizofrénico ou mentalmente desequilibrado. Não acredita que esteja a sofrer de paranóia e vai-se dedicar a desvendar a tese de que alguém o está a tentar enlouquecer.

Este romance envolve-nos do princípio ao fim e está de tal modo escrito que a angústia da personagem principal perante o desenrolar dos acontecimentos nos atinge em cheio.

Excerto:

“Era possível, que na noite anterior, bêbado como estava, tivesse decidido ir ao escritório e escrito a «Confissão». Depois, devia ter ido para casa, para a cama e ter-se esquecido. A única falha deste raciocínio – se é que havia falha – residia na sequência temporal. Como poderia prever que conheceria e se atiraria a uma mulher que ele nunca vira? E contudo, quem se não ele estaria melhor documentado para fazer tal previsão?”

segunda-feira, 8 de março de 2010

A aprendizagem da língua portuguesa

A aprendizagem da Língua Portuguesa é uma tarefa cada vez mais difícil pois as crianças, hoje em dia, apresentam inúmeras lacunas nesta área, principalmente pouca motivação intrínseca para aprenderem. Nesta perspectiva, torna-se premente que as actividades que planificamos e organizamos para serem implementadas na sala de aula, tenham por base o imensurável número de experiências que os alunos trazem para a escola, em virtude de elas serem um factor de empenhamento para a aprendizagem.

O desempenho das nossas crianças depende da nossa actuação pedagógica e o nosso objectivo é que elas atinjam o sucesso. E para que elas atinjam o sucesso devemos estar permanentemente actualizados e não ignorarmos os estudos realizados a nível do ensino da língua e das suas implicações educativas.

A leitura liberta e abre as portas do conhecimento. E o conhecimento, na sociedade actual, é a porta para a qualidade de vida, para a saúde e para a prosperidade. Por isso temos de estar mais atentos à especificidade dos obstáculos conceptuais colocados às crianças na aprendizagem da leitura. Temos que nos consciencializar de que temos que adquirir uma nova postura educativa. Temos ainda de organizar e promover actividades pedagógicas de modo a dotar os alunos das ferramentas necessárias para o domínio pleno da leitura e da escrita.

Assim sendo, a finalidade primordial da minha actividade educativa é procurar fazer com que os meus alunos, lendo, ouvindo, falando, recontando, pesquisando, escrevendo, desenhando, divulgando…, desenvolvam o gosto pela leitura e pela escrita e se tornem leitores activos e escreventes competentes, dotados de meios que lhes permitam adaptar-se a variadas situações e lhes possibilitem a educação permanente e liberdade intelectual, por forma a exercerem em pleno a cidadania e a participarem activamente na sociedade.
Maria João Cavaleiro
Professora bibliotecária

quarta-feira, 3 de março de 2010

Livro do mês: A cidade dos anjos caídos

BERENDT, John - A cidade dos anjos caídos. [Lisboa] : Círculo de Leitores, D.L. 2006. 392, [1] p. ISBN 972-42-3710-9

A cidade dos anjos caídos, da autoria do jornalista e escritor norte-americano John Berendt, é um retrato íntimo de Veneza, uma cidade que sobreviveu a inundações, corrupção governamental, invasões, subida do nível das águas e tentativas de organizações internacionais para a tentar “salvar”, conservando-a como um bastião da arte e um lugar de beleza única.
Esta história baseada em factos e personagens reais tem início a 20 de Janeiro de 1996, quando um grande incêndio destruiu o histórico teatro La Fenice.
John Berendt chega a Veneza 3 dias depois do incêndio, fora da época alta, nas poucas semanas em que a cidade pertence de facto aos venezianos e transforma-se numa espécie de detective, descobrindo que por trás das histórias de alguns dos excêntricos habitantes da cidade pode estar a resposta para o mistério sobre o fogo, que afinal pode ter tido origem criminosa.

A cidade dos anjos caídos é um livro que nos dá uma nova perspectiva sobre Veneza.
“Talvez se tenha chegado a um ponto em que não se podem fazer muitas observações novas sobre Veneza, mas pessoas nunca se esgotam; há sempre novas pessoas, novos personagens, novas histórias. Eu sabia que iria conseguir um olhar novo sobre Veneza”. (John Berendt)

Alguns dias após a minha chegada, comecei a ponderar a hipótese de prolongar a minha estadia e ficar a viver em Veneza durante uns tempos. Aos dezasseis anos, tinha aprendido umas noções básicas de italiano durante o Verão que passara em casa de uma família italiana de Turim, integrado num programa de intercâmbio escolar, e ainda me lembrava de algumas coisas. Não tinha dificuldade em ler o jornal, entendia razoavelmente o italiano falado e sabia o bastante para me fazer entender.
Decidi viver num apartamento e não num hotel. Passearia pela cidade acompanhado de um bloco de notas e, ocasionalmente, de um pequeno gravador. Não teria nenhum programa rígido a cumprir, mas daria mais atenção às pessoas que viviam em Veneza do que aos onze milhões de turistas que a calcorreavam, ano após ano.”

O autor:

O escritor John Berendt nasceu na cidade de Syracusa, estado de Nova Iorque, no ano de 1939 e aí passou a sua juventude. Filho de escritores, o jovem foi um brilhante aluno tendo conseguido uma bolsa de estudo para Harvard onde estudou Literatura Inglesa. No ano de 1961 mudou-se para Nova Iorque onde começou a sua carreira como editor e jornalista. É autor dos livros de não-ficção Meia-noite no jardim do bem e do mal e A cidade dos anjos caídos.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A escrita

Tal como a leitura, a aprendizagem da escrita terá de passar por várias fases, uma vez que para escrever não basta usar sinais gráficos, está implícito o sistema sintáctico e o semântico. Para além de conhecer o alfabeto é importante o domínio dos fonemas, que podem corresponder aos grafemas e às regras gramaticais que os regem. A aquisição das formas gráficas é lenta e não é igual para todas as crianças.

Escrever bem, é um processo de comunicação dos mais complexos, pois não só exige competências no falar, mas também competências de uma boa organização de ideias que as tornem compreensivas, para quem as ler. Escrever, exige uma planificação daquilo que se pretende transmitir e não só o uso de um código escrito; a seguir ao domínio das capacidades de uma recodificação (escrever o que se ouve), é preciso ter a capacidade de escrever (transmitir o pensamento).

“Para dominar a linguagem escrita é necessário um verdadeiro processo de aprendizagem, em larga medida dependente do meio e de experiências mais ou menos formais destinadas a facultar essa aprendizagem.” (Castro, e Gomes, 2000).

A aquisição da leitura e da escrita deve ocorrer num ambiente onde não haja medos nem receios, tendo em conta o seu ritmo de aprendizagem e o seu desenvolvimento. A criança deve estar envolvida em experiências significativas para que esta aprendizagem se efectue com êxito. Para que isso aconteça o professor deve dar a possibilidade à criança de compreender a linguagem escrita como um instrumento de comunicação e um objecto de conhecimento. É um objecto que pode ser transformado, alterado, ou recriado através de trocas sociais. Assim sendo, a escrita deixa de ser uma habilidade motora para se tornar uma forma nova e complexa de linguagem.

Os contributos que a Psicologia e a Linguística têm trazido à actividade docente são muito valiosos, pelo que se torna vantajoso que todo o professor possa dispor dessa informação, pois ela permite-lhe tomar consciência dos diferentes processos de aprendizagem que ocorrem durante as fases de desenvolvimento da criança, assim como das diversas funções da linguagem e do modo como funciona a língua que todos falamos.

Só dominando os instrumentos que permitem conhecer melhor o aluno, apreender as diferentes realidades vividas pelas crianças, estando atento às suas dificuldades, o professor se encontra melhor preparado para exercer a sua acção pedagógica e conseguir que os educandos tenham sucesso.

Um professor atento e bem informado sabe que a escola pode fazer muito pelas crianças carenciadas inclusive, de afecto e de estímulo intelectual. Assim, deverá descobrir os métodos de ensino e estratégias diversificadas que melhor proporcionem aos alunos o domínio da língua falada e escrita, que correspondam ao interesse do aluno e tenham significado para ele. O aluno encontrará assim, o incentivo para o seu crescimento e um desafio, ou convite ao prazer, de descobrir e aperfeiçoar a sua própria aprendizagem.
Maria João Cavaleiro
Professora bibliotecária

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Pordata

Está disponível a partir de hoje na Internet um novo portal que disponibiliza informação estatística sobre os contextos políticos, sociais e culturais de Portugal dos últimos 50 anos, de forma fácil e simples.

Este Portal foi criado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e o projecto é liderado pelo investigador António Barreto.

De acordo com a edição de hoje do Jornal Público “esta iniciativa decorrerá em três fases fundamentais (…). A primeira, apresentada hoje, tem como objectivo a divulgação de dados, sobre Portugal, úteis para um público principalmente estudantil, do ensino secundário e universitário, professores e investigadores, mas também jornalistas, aparelhos administrativos e "todos os que precisem de dados"; a segunda fase decorrerá alguns meses após e debruça-se na divulgação de dados de Portugal em comparação com países europeus; a terceira fase tratará de disponibilizar dados referentes a municípios e regiões nacionais.”

Visite o Portal em http://www.pordata.pt/azap_runtime/ e descubra todas as potencialidades desta nova ferramenta!

O livro electrónico: mudança de suporte ou mudança de paradigma?

Ribeiro, Fernanda, O livro electrónico: mudança de suporte ou mudança de paradigma? In Revista Portuguesa de História do Livro, ano XI, nº 22 – 2007, pp. 333-353

O livro que conhecemos tem uma existência longa e é parte integrante da vida de todos nós. É veículo de informação e de conhecimento, objecto de cultura, de trabalho e de lazer e, ao mesmo tempo, um produto que se comercializa e se fabrica em contexto industrial, afigurando-se, por isso, também, como objecto de consumo e com fins lucrativos.

Em plena Sociedade da Informação e acompanhando o desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação, o “livro” mudou de aspecto, surgindo-nos hoje como algo quase imaterial, e em permanente dinamismo, por oposição à performance estática do livro tradicional. Estamos hoje perante uma nova realidade, o chamado livro electrónico ou e-book.

Fernanda Ribeiro, professora da faculdade de Letras da Universidade do Porto, reflecte neste artigo sobre o conceito, usos e funcionalidades do livro, conduzindo-nos a uma pergunta legítima: Será que o livro electrónico é ainda um livro? Ou representa apenas uma mudança de suporte?

Leia este artigo na íntegra ou consulte outros números da Revista Portuguesa de História do Livro na Biblioteca Municipal de Arganil.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Literacia informacional

Na revista Notícias Magazine nº 923 de 31 de Janeiro pode ler-se um interessante artigo sobre o uso da Internet intitulado “Geração copy/paste” que apresenta algumas das conclusões da investigação “A literacia informacional no espaço europeu do ensino superior: estudo da situação das competências da informação em Portugal”, coordenado por Armando Malheiro, docente e investigador em ciência da informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Uma das conclusões do estudo é a constatação de que existem ainda grandes lacunas na chamada literacia informacional, entendida como “as competências e a capacidade selectiva e sintetizadora na busca e no uso da informação”.

Em poucos anos a Internet tornou possível o acesso à informação e ao conhecimento de uma forma global e acessível a todas as pessoas. Porém a evolução desta nova ferramenta foi tão rápida que quase não houve tempo para perceber como gerir toda essa informação, de que ferramentas precisamos para a transformar em conhecimento e aproveitar todas as suas potencialidades.

Os jovens interagem com estas novas tecnologias com uma facilidade impressionante, mas será que o seu nível de conhecimento está a acompanhar a facilidade com que actualmente conseguem aceder à informação?

“Pesquisar um tema é muito mais do que fazer copy/paste. É procurar várias fontes de informação, é comparar, analisar, seleccionar, transformar.” É ainda saber usar a capacidade de reflexão e ter espírito crítico.

Pode ler o artigo na íntegra na Biblioteca Municipal e se pretende obter mais informação sobre esta investigação consultar o sítio:
http://web.letras.up.pt/eLit/index.htm

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Dia da Internet Segura


O Dia da Internet Segura é organizado anualmente pela rede europeia Insafe. Este ano assinala-se no dia 9 de Fevereiro, sob o lema “Think B4 u post” (pense antes de publicar).
O objectivo fundamental desta data consiste em promover um uso mais seguro e responsável da Internet e dos Telemóveis, sobretudo entre as crianças e os jovens.

O site português SeguraNet, destinado a alunos, pais, encarregados de educação e professores, disponibiliza um conjunto de aplicações (in)formativas e interactivas sobre segurança na Internet e literacia digital e associa-se à celebração da Data propondo a reflexão em contexto escolar sobre as questões da Segurança na Internet. Para tal disponibiliza a partir de hoje um Guião de Exploração Passo a Passo, para desenvolvimento das actividades propostas.

Para saber mais consulte:

http://www.seguranet.pt/
http://www.saferinternet.org/web/guest/home

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Livro do mês: Contos de Inverno de Karen Blixen


BLIXEN, Karen - Contos de Inverno. Lisboa : Relógio d'Água, [D.L. 1988]. 301 p.

A segunda colectânea de contos de Karen Blixen, Contos de Inverno, foi publicada na Dinamarca em 1942, durante a ocupação alemã em plena segunda guerra mundial.

Depois do ambiente gótico, aristocrático e africano dos seus dois livros anteriores, em Contos de Inverno a autora regressa aos ambientes e paisagens dinamarqueses e a um estilo mais próximo da tradição literária daquele país.

Nos 10 anos posteriores ao seu regresso da África, parece óbvio que Karen Blixen reflectiu sobre as suas próprias origens, pois essa temática é patente em vários dos contos que compõem este livro. Grande parte dos contos têm como personagens principais crianças ou jovens que se sentem inadaptadas no meio em que crescem, e a autora faz como que uma reflexão sobre os factores que influenciam a vida e o destino do ser humano (ex.: Peter e Rosa; A criança sonhadora). Outra temática recorrente nesta obra é a mudança do papel da mulher, que para além de ser esposa, mãe e dona de casa, começa a reivindicar para si uma maior independência (ex.: A heroína).

Títulos dos Contos de Inverno:

1. O conto do jovem marinheiro
2. O jovem do cravo
3. As pérolas
4. Os invencíveis proprietários de escravos
5. A heroína
6. A criança sonhadora
7. Alkmene
8. O peixe
9. Peter e Rosa
10. Campo da dor
11. Um conto consolador

“Karen maneja o misterioso como poucos escritores e ao longo destes “Contos de Inverno” vai-se-nos, de facto, desenhando o perfil de uma narradora inesgotável de outras tantas mil e uma noites. As suas histórias mergulham sempre num tempo tão a-histórico e em problemas tão do foro dos arquétipos que temos a sensação de ir assistindo à criação de mitos onde a alma dos homens se defronta com os mistérios da vida e da morte, sem nunca ser possível aprender muito, sem nunca ser possível ninguém dizer – nem narrador nem leitor – que sabe muito. (…)”

Excerto da recensão de Joana Varela disponível em
A Autora:

Karen Blixen nasceu em Rungsted, Dinamarca, em 1885. Em 1914, contraiu matrimónio com o seu primo, o barão Bror Blixen-Finecke. Emigraram juntos para África para gerir uma plantação de café no Quénia. Em 1921 o casal divorcia-se e Karen decide ficar em África, altura em que também começa a escrever. Regressa à Dinamarca em 1931 e em 1934 publica nos EUA, sob o pseudónimo de Isak Dinesen uma antologia de contos sobrenaturais intitulada Sete Contos Góticos. Mas será o livro África minha, narrativa de memórias, publicado em 1937, que a tornará mundialmente famosa. É também autora de Sombras no Capim (1960) e A festa de Babette (1952), entre outros.
Karen Blixen morre em 1962, depois de criar a Fundação Rungstedlund destinada a fins culturais e científicos.