segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Natal

Fui ver ao dicionário de sinónimos
a palavra mais bela e sem igual,
perfeita como a nave dos Jerónimos...
E o dicionário disse-me Natal.

Pergunto aos poetas que releio:
Gabriela, Régio, Goethe, Poe, Quental,
Lorca, Olegário...E a resposta veio:
E é Christmas...Natividad...Noël...Natal.

Interroguei o firmamento todo!
Cobra, formiga, pássaro, chacal!
O aço em chispa, o "pipe-line", o lodo!
E a voz das coisas respondeu Natal!

Pedi ao vento e trouxe-me, dispersos,
- riscos de luz, fragmentos de papel -
cânticos, sinos, lágrimas e versos:
Um N, um A, um T, um A, um L...

Perguntei a mim próprio e fiquei mudo...
Qual a mais bela das palavras, qual?
Para quê perguntar se tudo, tudo,
diz Natal, diz Natal e diz Natal?!

Adolfo Simões Müller, Moço, Bengala e Cão - Poemas, 1971
Edição do autor, Lisboa

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Serão

SERÃO

Deram-me um papel
Que entretanto machuquei
Fiz nele um buraco
E logo ali espreitei.
Espreitei bem aquele mundo
E como que num baú
Espreitei bem até ao fundo.
E o que descobri?
Descobri uma bela palavra.
Sabeis qual é?
É a palavra AMOR
Lida ao contrário é Roma
Com um til fica Romã
Esse fruto tão lindo
Que brilha ao sol da manhã!
Um raio de sol
Que pode ser de inverno ou verão.
Um raio de luz
Como o que me trouxe a este serão.

Graça Moniz
Arganil, 4 de Dezembro de 2015
Auditório da Biblioteca

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O vale da paixão de Lídia Jorge

Prémios literários atribuídos ao
livro "O vale da paixão"
No início é o encontro desgarrado, em fulgor, que chama o leitor e dá o mote da ausência e da presença em múltiplos cambiantes.

O tempo rural e bruto da casa de Valmares, casa de Francisco Dias (e de como este homem envelhece) onde labutam seis filhos, três noras, uma filha, um genro (e os caminhos que estes trilham).

A maternidade nas figuras da matriarca ausente, da qual não há sinal ou memória; Maria Ema que se entregará na exuberância do corpo e que é entregue depois ao constante Custódio Dias em salvação de honra. E ainda uma serviçal, mãe do filho mais novo de Francisco Dias.

Walter Dias, o filho mais novo, que sempre se fará acompanhar do seu dom de desenhar pássaros, dom despertado por um professor iluminado cujo destino será revelado num Portugal dos anos cinquenta do século passado. Com esse dom Walter narrará as viagens, ao qual se acrescenta um testemunho antes de partir. Partirá com a icónica manta de soldado.

Walter deixará à filha uma memória que faz com que ela saiba “enfrentar o cão raivoso, o portão fechado, o enigma da Matemática, o escuro da casa, a intimidade do homem, a interpretação d’A Ilíada.”

O livro continua até aos anos oitenta no entender da filha de Walter, narradora intermitente, sem nome próprio, repetidamente filha e Walter, pois é deles o eixo desta saga familiar. 

Estamos perante um romance que se ocupa de quem parte e de quem fica.




Nota biográfica:

Romancista e contista portuguesa. Nasceu em 1946, no Algarve. Viveu os anos mais conturbados da Guerra Colonial em África. Foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. Foi professora do ensino secundário, professora convidada da Faculdade de Letras de Lisboa e publica regularmente artigos na imprensa. O tema da mulher e da sua solidão é uma preocupação central da obra de Lídia Jorge, como, por exemplo, em Notícia da Cidade Silvestre (1984) e A Costa dos Murmúrios (1988). O Dia dos Prodígios (1979), seu romance de estreia, encerra uma grande capacidade inventiva, retratando o marasmo e a desadaptação de uma pequena aldeia algarvia. O Vento Assobiando nas Gruas (2002) é mais um romance da autora e aborda a relação entre uma mulher branca com um homem africano e o seu comportamento perante uma sociedade de contrastes. Este seu livro venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores em 2003. Os memoráveis e o Organista são as suas mais recentes obras.


Para saber mais consulte: http://www.lidiajorge.com/

Aceda ao catálogo da rede de Bibliotecas de Arganil para saber que outras obras da autora temos disponíveis para si.

Leia, porque ler é um prazer!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Novidades na Biblioteca: colecção Aprender/ Fazer Ciência

No âmbito das comemorações do Dia Nacional da Cultura Cientifica que decorre nas Bibliotecas do Concelho de 18 a 27 de novembro, a Biblioteca Municipal apresenta as seguintes novidades bibliográficas da colecção aprender/ fazer ciência da Gradiva:
São 5 livros que de uma forma simples e apelativa convidam os leitores a percorrer os caminhos da ciência e da física de forma divertida e rica em imaginação. 

COLE, K. C. - Primeiro constrói-se uma nuvem : e outras reflexões sobre a física como modo de vida. 1ª ed. Lisboa : Gradiva, 2002. 234 p. ISBN 972-662-830-X 

Embora a física seja desde há muito algo misterioso e complexo, K. C. Cole transforma-a em filosofia e poesia. Cole conduz-nos numa viagem ao mundo das maravilhas da física, partilhando connosco as suas conversas com mentes científicas lendárias como Richard Feynman, os irmãos Oppenheimer, Victor Weisskopf e Philip Morrison. 

FIOLHAIS, Carlos - Nova física divertida. 1ª ed. Lisboa : Gradiva, 2007. 194 p. ISBN 978-989-616-159-0 

A Nova Física Divertida aborda a paradoxal teoria quântica e a extraordinária teoria da relatividade, revelando os avanços da física até aos nossos dias. Essas teorias, com as espantosas experiências que as confirmaram, mudaram a nossa visão do mundo - desde os núcleos atómicos às estrelas - e o modo como nele vivemos: agora vivemos melhor! 

Carlos Fiolhais recorreu à sua singular capacidade de comunicação e ao seu conhecido sentido de humor para realizar uma obra de um rigor científico e uma qualidade didáctica admiráveis. 

FISHER, Len - Como ensopar um donut. 1ª ed. Lisboa : Gradiva, 2005. 289 p. ISBN 989-616-000-7 

Como ensopar um donut é um livro que oferece respostas científicas para questões tão familiares como o melhor modo de ensopar um biscoito, a forma de verificar rapidamente uma conta de supermercado, a utilização eficaz de ferramentas de bricolage e a aplicação das leis da termodinâmica à cozedura de um ovo perfeito. Ensina o leitor a apanhar uma bola cientificamente, explica-lhe quais os vegetais que absorvem mais molho e até o modo como a ciência pode melhorar a sua vida sexual. 

A ciência está em toda a parte e este livro brilhante mostra-lhe onde a encontrar e como lhe dar bom uso. 

GAMOW, George ; STANNARD, Russell - O novo mundo do sr. Tompkins. 1ª ed. Lisboa : Gradiva, 2005. 279 p. ISBN 989-616-030-9 

O Sr. Tompkins está de volta! 

Este empregado bancário bem-educado, distraído e de imaginação fértil, tem inspirado, conquistado e ensinado os mais jovens e os mais velhos desde a publicação de As Aventuras do Sr. Tompkins, de George Gamow, em 1965. Ele está agora de volta num novo conjunto de aventuras em que explora os limites extremos do Universo - o mais pequeno, o maior, o mais rápido, o mais longínquo. Através das suas experiências e dos seus sonhos, estamos perto dele observando e participando na dança feliz dos mistérios cósmicos: a relatividade de Einstein, efeitos bizarros na proximidade da velocidade da luz, o nascimento e a morte do Universo, buracos negros, quarks, antimatéria, o mundo desfocado dos quanta, o jogo de demolição dos desintegradores de átomos e o mistério cósmico mais fantástico de todo... o amor. 

Os porquês dos quês : perguntas e respostas sobre ciência do quotidiano. 1ª ed. Lisboa : Gradiva, 2001. 254 p. ISBN 972-662-777-X 

A revista New Scientist, na sua mais famosa secção, «The Last Word», convida os leitores a fazerem perguntas e a darem respostas sobre questões de ciência. Neste volume, durante longo tempo nas listas dos livros mais vendidos, reúnem-se as mais interessantes dessas questões, abarcando um variadíssimo leque de assuntos, muitos deles aparentemente triviais, desde plantas e animais até ao corpo humano, aparelhagens, mecanismos, invenções, peripécias e fenómenos de «todos os dias» 

Divertido e cheio de imaginação, um livro que alimenta a curiosidade, desafia a inteligência, promove a imaginação. 

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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Dia Nacional da Cultura Científica

Hoje, dia 24 de novembro, pelas 21h00, no Auditório da Biblioteca Municipal de Arganil, vamos ter o grato prazer de ouvir o Prof. Doutor João Fernandes docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra falar sobre "Um Universo Cheio de Luz" a propósito do Dia Nacional da Cultura Científica. 

Nesta palestra será abordado o papel fundamental da luz para o conhecimento do Universo, com a apresentação de curiosidades e factos históricos e modernos da observação dos astros, do Sol às Galáxias mais distantes, passando pelos planetas e pelas outras estrelas. Propomos uma "viagem" pelo Universo, onde a luz é o fio condutor.

Ainda relacionado com esta data, partilhamos aqui uma sugestão de leitura proposta pelo Prof. Dr. João Fernandes – Um pouco mais de azul de Hubert Reeves.


Livro disponível para empréstimo na Biblioteca Municipal de Arganil.

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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Novidade na Biblioteca: a vida peculiar de um carteiro solitário de Denis Thériault


Uma história apaixonada, original e profunda sobre a perpetuidade da vida, simultaneamente cómica e trágica. Filosófico, com descrições memoráveis e repleto de pormenores, A vida peculiar de um carteiro solitário é um romance inesquecível que evoca a escrita e o imaginário de autores como Haruki Murakami e Julian Barnes.

O carteiro vive uma vida solitária, fazendo rotineiramente as suas rondas. No fim do dia, regressa ao apartamento despojado que partilha com o seu peixinho. Até que descobre uma maneira de quebrar o ciclo e o vazio. O carteiro começa a roubar a correspondência alheia, abre os envelopes com vapor e lê as cartas guardadas no seu interior.

E é assim que o carteiro Bilodo descobre as cartas de Ségolène. Ela corresponde-se com Grandpré, um mestre na arte de bem escrever poesia, e as cartas que ambos trocam são compostas por apenas três linhas. Escrevem poemas haiku um ao outro. A simplicidade e a elegância dos versos comovem Bilodo, e ele começa a apaixonar-se por Ségolène.

Um dia, durante a ronda, o carteiro testemunha um trágico acidente. Quando Grandpré se aproxima do marco do correio para enviar mais uma carta a Ségolène, é atropelado e acaba por morrer na berma da estrada. Bilodo toma então uma decisão ousada: meter-se na pele de Grandpré e continuar a escrever a Sègolène. Durante quanto tempo poderá continuar a viver aquela mentira - e aquele amor?

Num registo intimista e tocante, Thériault explora os temas do amor, da imaginação, do sonho e das dimensões inconscientes do espírito humano. A vida peculiar de um carteiro solitário é uma história de amor apaixonante e singular no cenário prosaico de um vida profundamente enraizada na rotina.

Fonte: badana do livro

“Ségolène vivia em Pointe-à-Pitre, na ilha de Guadalupe, e escrevia regularmente a um certo Gaston Grandpré, que morava num apartamento alugado na rue des Hêtres. Bilodo andava há dois anos a intercetar as suas cartas e, de todas as vezes que encontrava uma, ao separar o correio, sentia o mesmo choque, o mesmo arrepio reverente. Enfiava silenciosamente a carta dentro do casaco, e apenas se permitia mostrar alguma emoção quando se apanhava sozinho na rua, virando e revirando o envelope, tocando na excitante promessa. Claro que podia abrir o envelope de imediato e deliciar-se com as palavras que escondia, mas preferia esperar. A única coisa que se permitia era o prazer fugaz de inalar a fragrância de laranja que se desprendia da carte antes de corajosamente voltar a guardá-la, e mantinha-a ali durante todo o dia, apertada contra o coração, resistindo à tentação, contendo esse prazer até à noite (…)”

Excerto do capítulo 3

Livro disponível para empréstimo na 
Rede de Bibliotecas do concelho de Arganil

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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Novidade na Biblioteca: Até que consigas voar de José Gameiro


Um livro pessoal e profundo, em que o psiquiatra é tão humano como os pacientes; em que todos somos muito parecidos no sofrimento e na esperança.

Quando as pessoas chegam ao consultório de um psiquiatra, já esgotaram todas as suas alternativas. Sentem-se perdidas, vazias ou profundamente tristes. Neste livro, José Gameiro, psiquiatra há 40 anos, dá-nos a oportunidade de sermos os seus olhos e os seus ouvidos. Em Até que consigas voar, encontramos relatos intimistas sobre o luto, os medos, a conjugalidade e todo um conjunto de feridas que não se vêem. Mostra-nos que podemos voltar a encontrar um rumo, mesmo quando enfrentamos o pior dos desgostos.

Fonte: badana do livro

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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

À espera de Godot de Samuel Beckett

Encontramos dois velhos compagnons de route Estragon e Vladimir (afectuosamente Gogo e Didi), personagens desabrigadas que acreditam no início desta peça de teatro que quanto maior a espera maior a recompensa em alívio e assombro.

Entram em cena Pozzo, de chicote, que dá corpo á cruel natureza humana e Lucky, personagem que com o tempo se tornou servil, preso por uma corda, escravo desfigurado que nunca larga a carga e só obedece a Pozzo.

Existe uma reflexão sobre o género teatral. As personagens Vladimir e Estragon ‘vêm-se de fora’. Mais tarde há um jogo com a plateia quando Vladimir indica esta como ponto de fuga. Estragon recua horrorizado. Vladimir examinando o público responde “Compreendo o teu medo.” Adereços muitas vezes referidos são as botas e chapéus a lembrar Charlie Chaplin.

O 1º acto encerra com a entrada em cena de um enviado do Sr. Godot com a notícia do adiar da vinda.

O que une Gogo e Didi, eles que se encontram sitiados, é o companheirismo, a resiliência e a espera. Há um breve diálogo poético, um exemplo da cadência ritmada do texto. Há uma breve compreensão da condição humana e isso traz paz. Cito “E se passássemos a considerar-mo-nos felizes?” Mas logo se segue a pergunta que em cada época desde que esta peça estreou em 1953 tem as suas respostas. “De onde vêm todos estes cadáveres?”

No regresso de um Pozzo cego Vladimir pergunta “O que fazem quando caem?” ao que Pozzo responde “Esperamos até sermos capazes de nos levantar. Depois recomeçamos a caminhada.” Pozzo e Lucky, dois errantes em contraste com a imobilidade de Vladimir e Estragon.

À Espera de Godot, Godot com maiúscula, de raiz God, Deus em inglês. Á espera de um deus que lhes valha em súplica vaga. ... ou um portuguesíssimo D.Sebastião...

À espera de Godot que em sucessivas encenações toma também a forma de espera económica, política ou social. De quem á mercê das circunstâncias espera uma intervenção.




Nota biográfica:

Samuel Beckett (1906-1989) nasceu na Irlanda e foi na sua juventude secretário de James Joyce. Durante a Segunda Guerra Mundial viveu em Paris, tendo optado no pós-guerra pelo francês como língua de expressão literária. As suas obras expressam o absurdo da condição humana e o seu niilismo radical só será compensado pelo humor. Dos seus romances destacam-se Murphy, Molloy ou O Inominável; das obras de teatro, À espera de Godot, Fim de partida ou Dias felizes… obras despojadas dos elementos formais do teatro que tentam penetrar na circunstância elementar da pessoa.

Obras do autor disponíveis na rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil:

Malone está a morrer. 1ª ed. Lisboa : Dom Quixote, 1993. 187 p. ISBN 972-20-1129-4

Dias felizes. 2ª ed. Lisboa : Estampa, D.L. 1989. 84, [1] p. ISBN 972-33-0833-9

À Espera de Godot ; Fim de Festa ; A Última Gravação. Lisboa : Arcádia, [19-?]. 233 p.

Fim de partida. [S.l.] : Bibliotex Editor, 2003. 94 p. ISBN 84-96180-19-0

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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Livro do mês: O despertar do adormecido de Alistair Morgan


John Wraith, de 46 anos, recupera a consciência depois de um grave acidente; só então toma conhecimento de que a sua mulher e a sua filha de 5 anos morreram tragicamente no carro que ele mesmo conduzia. Por sugestão da irmã irá recuperar na casa de férias, em Nature’s Valley, um local remoto da costa sul-africana. É Inverno e a terra está quase deserta. Porém, conhece aí uma perturbada jovem de 17 anos, o seu pai e o seu irmão, e deixa-se atrair irremediavelmente por esta família disfuncional. Uma análise intensa sobre a perda e a obsessão que fazem de O Despertar do Adormecido um notável thriller psicológico.

Fonte: contracapa do livro

Um livro que aborda o sentimento de perda, as coincidências (ou não) da vida, a força de vontade de seguir em frente, o desejo e a desilusão.


Uma leitura que nos anestesia e nos prende tanto pelos sentimentos abordados como pelo tema tão difícil de aceitar na vida real: a morte de familiares chegados e como voltar a viver e a recomeçar.


O autor:

Alistair Morgan nasceu em Joanesburgo em 1971 e vive na Cidade do Cabo. Tem inúmeros contos publicados na Paris Review. É o primeiro não-americano a receber o prémio Plimpton de ficção e o seu conto “Icebergs” foi candidato ao prémio Caine de 2009. O Despertar do Adormecido é o seu primeiro romance.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Novidade na biblioteca: O outro lado da ilha de Paulo Ramalho


Num tempo histórico marcado pelas aspirações de independência das colónias portuguesas, a Guerra do Ultramar vive momentos dramáticos. No Golfo da Guiné, o Império Português jogava nas lutas internas da Nigéria e o aeroporto de São Tomé era a principal plataforma logística para o apoio dos separatistas biafrenses. Aviões mercenários partiam com mantimentos e munições, regressando apinhados de refugiados famintos. A situação era tensa e volátil.

Neste contexto, um destacamento do exército português comandado pelo alferes J. rumou à baía de São Miguel, com a missão de controlar movimentos suspeitos na remota costa sudoeste de São Tomé. Durante meses, o jovem alferes J. – poeta censurado e opositor do regime – mergulha na floresta equatorial e fica encurralado num território carnívoro e encantatório, desaparecendo misteriosamente.

Quarenta anos depois, Bernardo, o seu filho, desembarca em São Tomé para reconstruir os últimos meses de vida do pai. Vai acompanhado pelo seu amigo fotógrafo Gonzalo, que busca aves míticas são-tomenses e procurar integrar as muitas lacunas do naturalista e explorador português Francisco Newton. O que aconteceu – para lá da verdade oficial – na baía de São Miguel? Para o descobrir, terá de atravessar o lado oculto da ilha, com os seus segredos e histórias.

Com um extraordinário vigor literário, esta história leva o leitor à revelação progressiva das zonas de sombra, até expor à luz crua do dia toda a verdade sobre a tragédia africana do alferes J.

Fonte: badana do livro

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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Novidade na Biblioteca: Amália de Sónia Louro


Um romance extraordinário e uma verdadeira homenagem à nossa maior diva. Sónia Louro apresenta-nos uma Amália humana como nós, que rouba flores em jardins e não suporta palavrões. Uma Amália por quem estamos perdidamente apaixonados ao chegar à última página.

Este é o romance sobre a vida de Amália, a fadista mais amada e, simultaneamente, mais desconhecida em Portugal. Operária numa fábrica de rebuçados, estreia-se a cantar em 1939. Movida apenas pela vontade de cantar e sem qualquer ambição, nem sonha que um dia será a maior artista portuguesa de sempre.

Ganhando rapidamente projecção internacional, deixa multidões rendidas à sua voz. E também os corações se rendem ao seu magnetismo: do simples povo a estrelas como Charles Aznavour ou Anthony Quinn. Mas enquanto destroça corações, o seu vive apenas desilusões. Várias vezes contempla o suicídio. Recebendo propostas milionárias para ficar a trabalhar no estrangeiro, o amor a Portugal fá-la sempre regressar. Ano após ano arrebata galardões, conquista os críticos e cruza-se com as grandes personalidades do seu tempo: Édith Piaf, Hemingway, Frank Sinatra.

No final da vida, o que pode querer alguém com o mundo a seus pés? A felicidade que nunca sentiu? A autoconfiança que nunca teve? Amália deixou-nos no dia 6 de Outubro de 1999 com uma só ambição: que a chorássemos quando morresse. Uma vida tão bela quanto inspiradora.


Fonte: contracapa do livro


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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Causa amante de Maria Gabriela LLansol


Um livro de nexos interiores no ínicio com um “pensamento verdadeiro”, o nascimento de Ana de Peñalosa. Fragmentos modernistas e passagens surrealistas onde habitam a enigmática Rapariga que Teme a Impostura da Língua e um D. Sebastião hiper-romântico. E onde são representados um auto-de-fé, o Rio Tejo e partilhas antigas tão à portuguesa.

“Neste cabo (Espichel) aqueles a quem chamo gente-própria não entraram aqui à força (...) e há ainda os muitos espíritos fugitivos da gente-própria.”

“Quem sou? É pergunta de escravo.”

“Uma das artes das beguinas era a de coser almas; forrá-las com a sua própria sombra e assim despoetizavam tudo.”

Em Causa Amante encontram-se múrmurios opacos e palavras com luz própria. A consciência do limite da linguagem mas no entanto com uma confiança nela. Maria Gabriela Llansol é um ser poético com uma visão muito própria do universo.


Maria Gabriela Llansol (1931-2008) – escritora portuguesa de família com raízes em Espanha, licenciou-se em direito em 1955 e em ciências pedagógicas. 
A sua obra literária, dos domínios da ficção (conto e romance) e do diário, espaçada até aos anos 80, torna-se depois mais frequente e insistente e impõe uma personalidade singular mas relevante no panorama nacional, com textos já tachados de «herméticos e enigmáticos», porém iniciadores de vivências místicas, poéticas, musicais e com propósitos de um amor à dimensão do cosmos e de um entendimento entre os seres dos diferentes reinos da natureza. 

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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Novidade na Biblioteca: a minha vida em 23 posturas de yoga


Dez anos antes, Claire Dederer dera cabo das costas ao amamentar a sua filha bebé. Com toda a gente a dizer-lhe para experimentar o yoga, inscreveu-se na primeira aula. Mas não eram só as costas que exigiam algo diferente de Claire, que pertence à geração das filhas dos anos setenta em Seattle, educadas para serem muito, muito, boas, (compram tudo biológico, criam um ambiente enriquecedor no lar e confeccionam a sua própria comida de bebé, mesmo que isso implique sentirem-se amarradas a um pequeno mundo ansioso e cheio de escrúpulos). Surpreendida, Dederer descobriu que as posturas não eram apenas proezas acrobáticas, mas desafios às suas ideias mais básicas. Uma delas, lembrou-a que perder o equilíbrio poderia ser bem melhor do que manter os pés no chão. Espirituosa, acutilante e irreverente, esta é a história da descoberta gradual de Claire da sua necessidade de mais alegria e menos compostura.

Fonte: fnac.pt

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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Livro do mês: Quando éramos órfãos de Kazuo Ishiguro


Anos 30. Christopher Banks tornou-se o detective mais famoso do país, os seus casos são o tema das conversas da sociedade londrina. No entanto, um crime não solucionado nunca deixou de o atormentar: o desaparecimento misterioso dos pais, na Velha Xangai, quando ele era rapazinho. Agora, com o mundo a precipitar-se para a guerra total, Banks dá-se conta de que chegou o momento de regressar à cidade da sua infância e deslindar, finalmente, o mistério, cuja solução evitaria a catástrofe iminente. 

Passando-se entre as cidades de Londres e Xangai dos anos entre as duas guerras, Quando Éramos Órfãos é uma história de recordações, intriga e necessidade de regressar, de uma visão infantil do mundo que o domina, moldando indelevelmente e distorcendo a vida dos personagens.

Fonte: Badana do livro

Nota biográfica: Kazuo Ishiguro nasceu em Nagasáqui (Japão) em 1954 e mudou-se para a Inglaterra aos 5 anos. É autor, entre outros, de Os despojos do dia (1989, vencedor do Booker Prizer) e Quando éramos órfãos (2000). Em 1995 foi feito OBE (Oficial da Ordem do Império Britânico) por serviços prestados à literatura e em 1998 recebeu a condecoração de Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres da República Francesa.

Outras obras do autor disponíveis na Rede de Bibliotecas de Arganil:

- Os inconsolados

- Os despojos do dia

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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A minha empregada de Maggie Gee

A Minha Empregada

Maggie Gee
Tradução Claudete Soares

Começemos pela capa: o retrato photo-shop etno-chic em nada se aproxima da personagem da empregada de limpeza, Mary Tendo. O cliché exótico nada tem a ver com a vitalidade vivenciada.

Este é um romance de personagens que se encontram por dinheiro, por necessidade, por afecto e que chocam em cultura e classe. “Estão á distância de um sopro com o mundo inteiro entre elas.” “Como se pode comparar uma escritora a uma empregada de limpeza?”

O enredo centra-se em Vanessa Henman e Mary Tendo; de Uganda a Londres. Mary regressa a Inglaterra respondendo ao apelo de Vanessa para cuidar do filho deprimido de quem Mary tinha sido ama enquanto fora também empregada de limpeza. Em tempos idos Mary era submissa e explorada; agora é senhora de si, faz frente a Vanessa e devolve a Justin o ânimo perdido.

A chegada de Mary traz estímulos e a mudança dá-se na vida de todos. Mary celebra a vida; Vanessa, neurótica, responde em cinísmo. Mas para ser justo, a empregada é romanceada sem mácula e com uma perda trágica que desperta sem hesitação a empatia do leitor. Enquanto Vanessa carece de características redentoras que despertem simpatia.

É de surpresa em surpresa que a narradora vai desenvolvendo a relação de cada mulher com a família e amigos. Relações complexas tratadas com desenvoltura e bom humor numa tradução límpida e fluída. Uma história de segundas oportunidades. Um triunfo da esperança sobre o desespero.





Nota biográfica:

Maggie Gee (n. 1948) é uma romancista britânica e professora de escrita criativa. 
Foi escolhida como uma das mais originais “Melhores Jovens Romancistas Britânicas” do Granta’s e os seus romances têm sido aplaudidos internacionalmente.
É a primeira mulher Presidente da Royal Society of Literature e vive em Londres.

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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Amândio Galvão: memórias que um amigo me deixou (III)

Um Grupo de Amigos, com o apoio da Câmara Municipal de Arganil, quer dar a conhecer melhor a Personalidade Arganilense que foi o Engº Amândio Galvão. 

No dia 18 de Setembro tiveram início diversas iniciativas com o objetivo de reviver e conhecer melhor Amândio Galvão. 

O blog Leituras Cruzadas associa-se a esta iniciativa divulgando o autor e a sua obra.

Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil


Escrito por Amândio Galvão, com ilustrações de Carlos Dias, este roteiro propõe um passeio cultural pelo centro histórico de Arganil. 

A partir da toponímia do centro da vila, os autores conseguiram evocar e resumidamente biografar figuras de referência no meio arganilense e revelar como, por quê e por quem surgiram certos monumentos e alguns edifícios mais relevantes.

Jardim do Hospital,
um dos locais com história a visitar em Arganil
Consulte aqui o programa completo desta homenagem.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Amândio Galvão: memórias que um amigo me deixou (II)

Um Grupo de Amigos, com o apoio da Câmara Municipal de Arganil, quer dar a conhecer melhor a Personalidade Arganilense que foi o Engº Amândio Galvão. 

No dia 18 de Setembro tiveram início diversas iniciativas com o objetivo de reviver e conhecer melhor Amândio Galvão. 

O blog Leituras Cruzadas associa-se a esta iniciativa divulgando o autor e a sua obra.

Crónicas da minha terra (memórias de um Arganilista)


Com o subtítulo Memórias de um Arganilista, o livro Crónicas da minha terra, publicado em 1996, é uma compilação de textos publicados sobretudo na década de 90 do século XX no Jornal A Comarca de Arganil e de três ensaios da autoria de Amândio Galvão. As ilustrações são da autoria de Alberto Péssimo e de A. Nunes Pereira.

As crónicas reunidas neste volume têm como tema as figuras, as instituições e acontecimentos ligados à vida dos Arganilenses, encontrando-se organizados em vários capítulos: Esta palavra Arganil; Ecos de um passado longínquo; Recantos, sítios e arrebaldes; Famílias; Valores tradicionais; Um caso exemplar; Estruturas de interesse social; Desenvolvimento imperfeito; Notas breves sobre figuras notáveis da região e Vária.

Excerto do capítulo Recantos, sítios e arrabaldes.

Consulte aqui o programa completo desta homenagem.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Amândio Galvão: memórias que um amigo me deixou

Um Grupo de Amigos, com o apoio da Câmara Municipal de Arganil, quer dar a conhecer melhor a Personalidade Arganilense que foi o Engº Amândio Galvão. 

A partir do dia 18 de Setembro têm início diversas iniciativas com o objetivo de reviver e conhecer melhor Amândio Galvão. 

O blog Leituras Cruzadas associa-se a esta iniciativa divulgando o autor e a sua obra.

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Uma breve biografia de Amândio Galvão

Nasce a 9 de junho de 1922 no Prazo, em Arganil.

Em 1947 termina a licenciatura em Agronomia, no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa.

De 1947 a 1948 faz o estágio complementar do curso na Estação Agrária de Viseu.

Durante dez anos desempenha funções em vários organismos.

Em 1958 ingressa na Fundação Calouste Gulbenkian até ao final da sua carreira. Dedica-se à investigação e em 1960 é nomeado chefe de departamento.

Publica vários trabalhos. É convidado a deslocar-se a muitos países.A sua obra profissional é reconhecida internacionalmente.

Em 1986 desvincula-se da sua atividade na Fundação Calouste Gulbenkian, para iniciar, com empenho e entusiasmo, um trabalho de estudo e investigação sobre Arganil.

A divulgação da sua obra, ao longo de vários anos, deve-se à publicação de crónicas em A Comarca de Arganil.

De 1987 a 2005 publica os seguintes trabalhos:

Em Torno das Origens de Arganil, Veiga Simões – Algumas Notas Biográficas, Breve Evocação de Veiga Simões no Ano do Seu Centenário, Arganil a Festa e a Feira, Para a História de Argus – Parte I,em colaboração com Ângelo Ventura e Mário Valle,Crónicas da Minha Terra, Nota Acerca do Estado do Desenvolvimento do Ensino Primário Público na Região de Arganil no Ano de 1964, Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil e Novas Crónicas.


Participa no nº 1 da Revista Arganília com o texto: Esta Palavra Arganil.

A 10 de junho de 1998 é homenageado e recebe a Medalha de Mérito (prata) concedida pela Câmara Municipal de Arganil.

De tanto gostar do sol que ilumina o verde das serras de Arganil, levou consigo a luminosidade e o calor do verão.

Partiu a 26 de julho de 2005.

Cumpriu sonhos que o projetaram para um espaço intemporal.

Que a memória o guarde!

Consulte aqui o programa completo desta homenagem.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Novidade na Biblioteca: Ferney de James Long


Mike Martin, um professor de História, em Londres, e a mulher, Gabriela (Gally), estão à procura de uma casa de campo com o objectivo de mudar o rumo das respectivas vidas, e que Mike fervorosamente espera que ajude a superar a tristeza de Gally consequência do aborto que sofreu e dos frequentes terrores nocturnos que a vitimam.

Numa viagem de reconhecimento, a intuitiva e, por vezes impulsiva Gally é inexplicavelmente atraída por uma casa de pedra na mais completa ruína em Penselwood, e Mike concorda em comprá-la, apesar das reservas que lhe são suscitadas.

Mike e Gally Martin deviam encontrar-se idilicamente felizes com esta mudança, mas depois de Gally conhecer Ferney, um camponês idoso que parece saber tudo acerca da casa e do seu passado, esta é dominada por uma estranha fixação e a amizade entre eles aprofunda-se de tal maneira que põe o casamento em risco.

Como Ferney e Gally estão ligados é algo que se torna evidente ao longo do livro, mas o enigma dos pesadelos recorrentes de Gally e o mistério do desaparecimento de Athe Ferney mulher de Ferney há 57 anos, e outros mistérios não são revelados até ao fim deste surpreendente romance.

O que atrai Gally e Ferney como ímanes? Porque se sente que há um misterioso elo entre eles? Ferney sabe que o tempo escasseia e que tem de a fazer compreender qual a ligação entre ambos: um laço que resistiu ao teste do tempo, que é mais profundo do que a vida ou a morte.

Texto adaptado a partir da sinopse disponível em wook.pt


Livro disponível para empréstimo na Biblioteca Municipal de Arganil.


Leia, porque ler é um prazer!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

100 anos de "A Metamorfose" de Franz Kafka

Capa da 2ª edição de A Metamorfose
O livro A Metamorfose não podia começar de maneira mais crua e estranha: “certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa viu-se transformado num gigantesco insecto.” Franz Kafka introduz assim a história de Gregor Samsa, um incansável caixeiro-viajante que sustenta os pais e a irmã, que se entregam descaradamente à ociosidade. 

Parasitado pela família até àquela manhã em que ao acordar, já atrasado para o trabalho, viu uma carapaça dura, uma barriga castanha abaulada e muitas pernas magrinhas, Gregor Samsa é quem parasitará a família a partir daí. 

Mas esta obra conta mais do que a história de um homem que acordou insecto: fala de como o ser humano pode viver alienado pelo trabalho, o dever familiar ou pela austeridade do pai, e alerta para os comportamentos humanos. Ao mesmo tempo, reflecte alguns aspectos da vida do autor.

Franz Kafka escreveu a Metamorfose em apenas três semanas, em finais de 1912, quando tinha 29 anos. Não gostou do resultado, que considerou imperfeito e com final ilegível. O certo é que, 100 anos após a publicação pela primeira vez desta obra é uma das mais conhecidas do escritor checo. (…)

Um acontecimento tão insólito como seja a transformação de um homem em insecto é relatado de forma tão realista, apesar de impossível, que o leitor aceita-o como factual e é forçado a procurar sentidos mais profundos. O que causou então a metamorfose do caixeiro-viajante, que o levou a perder a figura humana e a ficar com a voz roufenha de animal, a gostar de comida apodrecida, a rastejar pelas paredes e pelo tecto, e a ver cada vez menos? Desengane-se o leitor se está à espera de encontrar uma resposta explícita – o que está lá é uma metáfora de muitas coisas.”

Excerto do Guia de Leitura da Colecção Mil Folhas - Público 

Franz Kafka nasceu em 1883, como cidadão austríaco, em Praga, onde viria a falecer, em 1924, já com nacionalidade checa. Pouco publicou em vida e pouco deveria ter chegado às nossas mãos, uma vez que antes de morrer pediu ao seu amigo Max Brod que queimasse todos os seus manuscritos. Tal não aconteceu, o que fez com que Kakfa se tornasse um dos grandes vultos da literatura de expressão alemã e da literatura universal. 

Obra:

Em vida do autor foram publicados os contos: Reflexão (1913); O Fogueiro (1913); América, 1.° capítulo (1913); A Metamorfose (1916); A Sentença (1916); Na Colónia Penitenciária (1919); Médico de Aldeia (1919); Jejuador (1924, ano da sua morte). 

Depois da morte do escritor, e graças à dedicação e ao interesse de um seu amigo, o romancista checo Max Brod (1884-1968), foram publicados os romances Processo (1925); O Castelo (1926); e América (1927); e o conto Na Construção da Muralha da China (1931). Da obra literária de Franz Kafka fazem ainda parte um Diário íntimo e a Carta ao Pai, que constituem documentos de importância fundamental para o mundo literário do século XX.

Nota: Durante o mês de Setembro está patente na sala de adultos da Biblioteca Municipal de Arganil uma pequena mostra sobre o autor e a sua obra. Visite-nos para descobrir mais.

Leia, porque ler é um prazer!

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O tempo entre costuras de María Dueñas


O enigmático primeiro parágrafo faz eco do título e entender-se-á no último parágrafo dum romance que decorre em causa e consequência. 

É-nos dado a conhecer Sira Quiroga nascida no verão de 1911 em Madrid; filha de uma modista, será esse também o seu destino. Trabalham num ateliê chique que não se vê abalado com a Primeira Grande Guerra mas que não resiste à Segunda Républica.

Seguem-se tempos de arrebatamento, fortuna, desgosto e desgraça que a levarão a outras geografias. O tempo centra-se nas costuras exímias. São constituídas narrativas do quotidiano a partir de personagens verosímeis: Candelaria, a Candongueira. Felix Aranda, em jeito de Pigmaleão, Jamila, a leal auxiliar, Marcus Logan em amorosa aproximação.

É uma Sira diferente que irá pisar outros palcos em missões arriscadas numa cativante mistura de realidade e ficção. O período histórico e o espaço geográfico mas sobretudo social permitem refletir sobre a História e os modos de registá-la.

A reter: o belíssimo interior da capa e bandanas com réplicas de mapas, postais, fotografias e selos das rotas de Sira Quiroga.






Leia, porque ler é um prazer!

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Sugestão de leitura: A História interminável de Michael Ende



"Encontramos Bastian Baltasar Bux, um rapaz que rouba um livro, atraído pelo título A História Interminável, acreditando que ele sempre lhe pertençera."

Bastian refugia-se no sotão da escola para ler. O livro decorre em Fantasia, povoado por uma miríade de espécies onde reina a aceitação da diversidade. 

Há uma relação secreta entre a doença da misteriosa Imperatriz Criança e o nada que alastra e que ameaça de extinção Fantasia. É preciso embarcar na Grande Busca para encontrar o remédio para a Imperatriz e para Fantasia. Caberá, em primeira instância, a tarefa a uma figura de sonho, uma invenção do reino da poesia, de Fantasia, Atreiú munido do amuleto AURIN. São muitos os confrontos terríveis e muitos os encontros maravilhosos (a descoberta do outro em viagens perpétuas é tema recorrente) em territórios de abismo e encanto.

A narrativa de Bastian inscreve-se na narrativa de Fantasia; ao que conduzirá a ponte entre o mundo dos homens e um real irreal? Que propósito levará Bastian a Fantasia? Que caminhos percorrerá? Que desejos se realizarão e com que consequências? Que seres encontrará e como o ajudarão a alcançar a sua ‘ Verdadeira Vontade’?

Este livro chama para a leitura os leitores mal-amados, uma maneira de confirmar o poder da literatura para alguem tão solitário como Bastian.




Nota biográfica:

Michael Ende (1929-1995) nasceu na Baviera, Alemanha, e era filho do pintor surrealista Edgar Ende. Estudou na Escola de Teatro de Munique e durante alguns anos trabalhou como ator. Mais tarde, abandonou o teatro para se dedicar à literatura. A sua obra, que inclui vários títulos infantis e juvenis – entre eles o bestseller internacional A História Interminável, também publicado pela Presença -, recebeu variadíssimos prémios literários. Momo foi distinguido com o Prémio de Literatura Juvenil Alemã e o Prémio Europeu de Livros para a Juventude.


Para saber mais sobre o escritor e a sua obra consulte:

http://www.michaelende.de/en

Livros do autor disponíveis para empréstimo na rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil:
  • A história interminável de A a Z. 3ª ed. Lisboa : Presença, 1993. 308 p. ISBN 972-23-1736-9
  • Momo ou a estranha história dos ladrões do tempo e da menina que devolveu aos homens o tempo roubado. Lisboa : Presença, 1987. 198 p.
  • Jim Botão e Lucas, o maquinista. Lisboa : Meridiano, 1966. 246, [2] p.
  • Jim Botão e os 13 selvagens. Lisboa : Meridiano, 1967. 286, [2] p.
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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Novidade na Biblioteca: O Lobo de Wall Street de Jordan Belfort

 
 
Esta é a autobiografia de Jordan Belfort, o jovem corretor de Wall Street que nos anos 90 se sobrepôs à lógica da economia, manipulou o mercado bolsista e ganhou uma fortuna incalculável. Uma história verídica e fulgurante, escrita num registo confessional mas com muito humor, onde Belfort relata ao pormenor a sua ascensão prodigiosa e a inevitável queda. Ganhou largas dezenas de milhões de dólares, mas o seu estilo de vida absurdamente megalómano levava-o a gastar à noite os milhares que ganhava de dia. Chamavam-lhe «O Lobo de Wall Street», e a própria máfia colocou operacionais na sua empresa para aprenderem com os seus métodos. Uma leitura atual e aliciante, que nos dá a conhecer os meandros do universo da bolsa nova-iorquina.

Fonte: Presença
 
 «Uma autobiografia que se lê como um romance.» | Publishers Weekly

 «Um livro impressionante.» | Kirkus Review

 «Uma espécie de cruzamento entre a Fogueira das Vaidades, de Tom Wolfe, e Tudo Bons Rapazes, de Scorsese. Extremamente divertido.» | The Sunday Times
 
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sábado, 1 de agosto de 2015

As cidades invisíveis


São 55 as cidades em 11 grupos, entre elas: As Cidades e a Memória: em encantamento e armadilha; As Cidades e o Desejo: em que quase nos perdemos nos caminhos gerados; As Cidades Contínuas onde Calvino reune os casos extremos das megalópoles, questões ambientais, e ordenamento do território.

Encontramos redes de passagem em cidades suspensas; figuras que se sucedem como numa partitura musical; olhares que se trocam desenhando setas e estrelas; uma cidade de palácios de filigrana e um pavão branco que é também uma cidade de fuligem e gordura; a cidade triste que desconhece o seu reverso feliz; o equívoco do lugar que o céu e o inferno ocupam e o que os compõe.

Italo Calvino nasceu em Santiago de Las Vegas, Cuba em 1923. Filho de um engenheiro agrónomo, cedo foi viver para San Remo onde passou parte da sua infância. Segue em Turim os mesmos estudos do pai, mas a guerra vem interromper a sua carreira académica. Em 1944 filiou-se no Partido Comunista Italiano.

Publica o seu primeiro livro em 1947 “A Trilha dos Ninhos de Aranha” em que retrata a sua experiência na guerra enquanto parte da resistência contra o fascismo.
No final da guerra retoma os seus estudos na universidade de Turim, onde seguiu estudos literários e se licenciou com uma tese sobre Joseph Conrad.
Foi apresentado e conviveu com grandes intelectuais de esquerda do seu tempo. Logo que se formou, passou a trabalhar no jornal comunista L’Unità e na editora Einaudi. 

Foi na década de 1950 que publicou os livros que o tornariam famoso internacionalmente. O primeiro deles, de 1952, foi O Visconde Partido ao Meio, que seria acompanhado pelo clássico O Barão nas Árvores, de 1957, e O Cavaleiro Inexistente, de 1959. A partir daí, o trabalho de Italo Calvino ganharia muita repercussão e ele publicaria outros importantes textos nas décadas seguintes, com destaque para O Castelo dos Destinos Cruzados, de 1969, As Cidades Invisíveis, de 1972, e Palomar, de 1983.

A sua obra foi reconhecida tendo recebido vários prémios em universidades importantes do mundo. Quando preparava uma coleção de textos literários que iria ser apresentada na Universidade de Havard, sentiu-se mal tendo sido internado no hospital de Santa Maria della Scala, em Siena. Morreu a 19 de setembro de 1985 vítima de uma hemorragia cerebral.

Italo Calvino deixou um imenso legado para a Literatura mundial. Nas Bibliotecas do Concelho de Arganil, para além de “As Cidades Invisíveis” poderá ainda requisitar os seguintes títulos:

- A nuvem de Smog e a formiga argentina. Lisboa : Teorema, D.L. 2001
- A vida difícil. Lisboa : Arcadia, imp. 1962
- Cavaleiro Inesistente. Lisboa : estórias, 1986
- O atalho dos ninhos de aranha. Lisboa : Dom Quixote, 1992
- O barão trepador. Lisboa : Portugália, [19-?]
- O castelo dos destinos cruzados. Lisboa : Bertrand , 1973
- Os amores difíceis. Lisboa : Arcadia, imp. 1968
- Os idílios difíceis. Lisboa : Arcádia, [imp. 1964]
- Palomar. Lisboa : Teorema, [D.L. 1987]
- Se numa noite de Inverno um viajante. Porto : Bibliotex, S.L, 2002
- Sobre o conto de fadas. Lisboa : Teorema, imp. 1999
- O Visconde cortado ao meio. Lisboa : Teorema, imp. 1986

quinta-feira, 9 de julho de 2015

AGORA E SEMPRE







É verdade que Agora e Sempre de Danielle Steel foi um guilty pleasure
 Não exigir que me demorasse na profundidade de um tempo de dor e perda; enredada que estou num tempo de medo a exigir transfiguração. 
Aqui se apresenta um amor vivido em posse, em desequilíbrio, na aceitação de um deslize sexual. Sequências e consequências, em pesadelo, que testam esse amor mas não o fazem vacilar.  Quando se acumulam dívidas, no revés, logo surge resposta no desafogo dum encontro afortunado. Identidades convenientes.  Na fórmula não falta um episódio em que laço conjugal se desfaz; surge um galã que ameaça o ‘agora e sempre'.  Os caminhos psicológicos percorridos pela Jessie, figura central, e a ambição do marido ao realizar-se, permitem que tudo se componha e que se encontre a união fortalecida que promete o ‘felizes para sempre’.
Uma história onde não existe o afrontamento do impasse.



Danielle Steel nasceu em Nova Iorque em 1949, tendo passado grande parte da sua infância em França. Quando regressou aos Estados Unidos estudou Literatura Francesa e Italiana na Universidade de Nova Iorque.
Escreveu mais de 30 romances, publicados em cerca de 80 países, que venderam mais de 300 milhões de exemplares traduzidos em mais de 50 línguas.

Nas Bibliotecas da Rede do Concelho de Arganil podem os leitores encontrar muitos dos romances escritos por Danielle Steel.

Procure os livros de Danielle Steel no Catálogo on-line da Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil e requisite-os para ler nas suas férias. Aqui fica a lista das opções:

- A honra do silêncio. [Lisboa] : Círculo de Leitores, 2002
- A luz que brilha : a história do meu filho. Lisboa : Bertrand , 2012
- Jewels. Londres : Transworld Publishers, cop. 1992
- Mensagem do Vietname. Lisboa : Temas e Debates, 2001
- O palacete. [Lisboa] : Círculo de Leitores, imp. 2005
- Querido papá. Lisboa : Temas e Debates, 2001
- Uma vez na vida. Lisboa : Bertrand, 2011
- Um longo caminho para casa. Lisboa : Bertrand, 2007
- Bittersweet. London : BCA, 1999
- Irresistible forces. London : BCA, 1999
- Malice. London : Corgi Books, 1997
- Safe Harbour. London : Corgi Books, 2004
- Tempo para amar. Lisboa : Bertrand, 2009
- The wedding. London : BCA, 2000


segunda-feira, 15 de junho de 2015

O velho que lia romances de amor


Antes de surgir em cena o nosso herói que dá título ao livro encontramos Rubicundo Loachim, dentista, que abomina todo e qualquer governo e que esporadicamente se desloca para realizar tratamentos aos habitantes desta isolada aldeia.  É das mãos do dentista que António José Bolivar Proaño recebe os livros, livros esses de muito sofrimento por amor e com final feliz.  A pedido e a gosto do velho António José Bolivar.

Ao chegar, houvera muito tempo a El Idilio, deparara o velho Bolivar Proanõ com fraca terra. Permanece o conhecimento dos xuar.  Com eles aprende o idioma, a mover-se na floresta amazónica, a pescar e a caçar com zarabatanas.  Atingido por uma víbora é socorrido pelos xuar.  Luis Sepúlveda revela o profundo conhecimento que estes têm quanto aos recursos que colhem da floresta, sempre em equilibrio com esta, os ritos, segredos e rituais.  Mas com o tempo chega o momento de partir da irmandade de sangue que forjara. “Ele era como os xuar mas não era um deles.”

Um fio narrativo começa com um xuar que entrega o corpo de um gringo morto pelas garras duma onça que o perseguiu por ele assasinar as suas cinco crias.  As peles estão em posse do gringo  e ao analisar o corpo o velho insiste nesta verdade, em defesa do xuar condenado pelo detestável administrador de alcunha Babosa, sabendo que a onça atacará mais vezes.


Ao se encontrar outro colono rasgado pelas garras da onça o administrador obriga o velho a participar numa expedição de caça.  É sózinho que acaba por se dar o combate com mestria de suspense, entre o velho leitor dos romances que falam de amor com palavras bonitas e que às vezes o fazem esquecer a barbárie humana.

de Luis Sepúlveda
Edições ASA, 2000 (17ª edição)



Do autor:

Luis Sepúlveda nasceu em Ovalle, no Chile, em 1949, e tornou-se conhecido com O Velho que Lia Romances de Amor, romance que continua a fascinar milhões de leitores em todo o mundo. 
Desde 1993 que a Asa vem publicando toda a obra do autor: além deste romance, Mundo do Fim do Mundo, Nome de ToureiroPatagónia Express, História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a VoarEncontro de Amor num País em Guerra e Diário de um Killer Sentimental, livros que conheceram sucessivas reedições e transformaram Luis Sepúlveda num dos escritores latino-americanos mais queridos do leitor português. 

Fonte: badana do livro


Para saber quais os livros de Luís Sepúlveda disponíveis para empréstimo, na Rede de Bibliotecas do Concelho siga a hiperligação e faça pesquisa orientada por autor.