sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Poema: na passagem de um ano












Erros nossos não são de toda a gente
Tropeçamos às vezes na entrega
Mas retomamos sempre a marcha em frente
Massa humana que nada desagrega.

Para nós o passado e o presente
São futuro no qual o povo pega
Com suas mãos de luz incandescente
Que aquece que deslumbra mas não cega.

Para nós não há tempo. O tempo é vento
Soprando ano após ano sobre a história
Que para nós é vida e não memória.

Por isso é que no tempo em movimento
Cada ano que passa é meu tempo
Para chegar ao tempo da vitória.

J. C. Ary dos Santos
Obra Poética, Lisboa, Edições Avante, 1994

Nota: O livro Obra poética de Ary dos Santos encontra-se disponível para empréstimo na Biblioteca Municipal de Arganil

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Novidades na Biblioteca

ROBERTS, Nora, pseud. - Tesouros escondidos. 1ª ed. Parede : Chá das Cinco, 2009. 366, [1] p. ISBN 978-989-8032-44-7

Dora Conroy tem uma pequena loja de antiguidades e, num leilão de arte, compra um quadro que é muito mais do que parece. Depois há o novo inquilino do apartamento por cima da sua loja, Jed Skimmerhorn, um ex-polícia que tem tanto de rude quanto de charmoso. Mas é ele quem a salva quando a loja é assaltada e Dora descobre que os outros compradores do mesmo leilão estão a ser assassinados. Juntando forças com Dora para descobrir quem está por detrás dos roubos e das mortes, Jed é atraído para a vida agitada de Dora e para o dia-a-dia da sua família excêntrica mas imensamente calorosa.
Quem ainda tem dúvidas sobre o talento de Nora Roberts para encantar e conquistar os tops de vendas, só tem de escolher um sofá confortável e descobrir estes Tesouros Escondidos.

Fonte: www.wook.pt 

FOLLETT, Ken – A queda dos gigantes. 3ª ed. Barcarena : Presença, 2010. ISBN 978-972-23-4428-9

Ken Follett, grande mestre do romance, publica uma nova obra de grande fôlego histórico, a trilogia O Século, que atravessará todo o conturbado século XX. Neste primeiro volume, travamos conhecimento com as cinco famílias que nas suas sucessivas gerações serão as grandes protagonistas da trilogia. Mas não esgotam a vasta galeria de personagens, incluindo figuras reais como Winston Churchill, Lenine ou Trotsky, que irão cruzar-se uma complexa rede de relações, no quadro da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do movimento sufragista feminino. Um extraordinário fresco, excepcional no rigor da investigação e brilhante na reconstrução dos tempos e das mentalidades da época.

 Leia, porque ler é um prazer!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Novidades na biblioteca

FARIA, Rosa Lobato de - Romance de Cordélia. 1ª ed. Porto : ASA, D.L. 2008. 217, [1] p. ISBN 972-41-1993-9

No Romance de Cordélia Rosa Lobato de Faria compraz-se em caminhar no fio da navalha, inventando um género que deliberadamente invoca, pelo avesso, o romance de cordel, forçado a figurar na primeira pessoa em algumas das passagens mais tortuosamente divertidas do livro. Livro que se constrói, em ficção, sobre uma série de histórias de vida reais, cuidadosamente recolhidas pela autora e por ela sabiamente recontadas, sem que se perca o drama, a violência, a ternura, a linguagem de um submundo forçado a ocultar-se sob a abas da nossa vergonha colectiva.(...) Mas, mais vale experimentá-lo que julgá-lo: quem, tendo-o começado, for capaz de o abandonar merece um doce. O cianeto é por minha conta.

João Bettencourt da Câmara
Doutor em Ciências Sociais.
Professor do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.
Fonte: www.asa.pt  

PICOULT, Jodi - Tudo por amor. Porto : Civilização, cop. 2007. 369, [2] p. ISBN 978-972-26-2523-4

Nina Frost é delegada adjunta do Ministério Público, acusa pedófilos e todo o tipo de criminosos que destroem famílias. Nina ajuda os seus clientes a ultrapassar o pesadelo, garantindo que um sistema criminal com várias falhas mantenha os criminosos atrás das grades. Ela sabe que a melhor maneira de avançar através deste campo de batalha vezes sem conta, é ter compaixão, lutar afincadamente pela justiça e manter a distância emocional.

Mas quando Nina e o marido descobrem que o seu filho de 5 anos foi vítima de abuso sexual, essa distância é impossível de manter e sente-se impotente perante um sistema legal ineficiente que conhece demasiado bem. De um dia para o outro o seu mundo desmorona-se e a linha que separa a vida pessoal da vida profissional desaparece. As respostas que Nina julgava ter já não são fáceis de encontrar. Tomada pela raiva e pela sede de vingança, lança-se num plano para fazer justiça pelas próprias mãos e que a pode levar a perder tudo aquilo por que sempre lutou.

Fonte: www.wook.pt

Nota: Livros disponíveis para empréstimo na Biblioteca Municipal de Arganil

Leia, porque ler é um prazer!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Divulgando o fundo local XXII: O homem e a natureza

O Homem e a natureza de Adelino Filipe dos Prazeres

Nascido na Relva Velha, localidade da freguesia da Moura da Serra, Adelino Filipe dos Prazeres “declara-se «Guarda da Natureza» e nessa condição tem poetado, com métrica e sem ela, com rima e sem ela, mas sempre poeta, que é a sua grande condição de ser humano e de coração aberto para a flora e a fauna, os rios e as montanhas da Serra do Açor.
 
Os críticos literários não terão em apreço o que ele canta sem literatura, mas de peito aberto à chuva, ao sol, ao calor e à neve. Terá falta de gosto poético? É bem possível, se considerarmos o rigor dos cânones literários. Trata-se, porém, de um poeta diferente, que canta o que lhe vai na alma, como se fosse melro, pintassilgo, rola ou cotovia. Um poeta livre de tudo fiel tão somente ao que lhe vai na alma."

João Alves das Neves in Arganilia nº 6/7

O Homem e a Natureza publicado em 1998 com apoio do Instituto da Conservação da Natureza é um pequeno livro de poesia popular onde o escritor canta e elogia os aspectos mais emblemáticos da natureza no concelho de Arganil: a serra do Açor, a mata da Margaraça e a Fraga da Pena.

“Um percurso na Mata da Margaraça”

A Mata da Margaraça
Jardim de tanta beleza
Encanta a sua graça
Que lhe deu a Natureza

Ao chegar à Casa Grande
Encontra bom ambiente
Toda a alma se expande
Ao ver um mundo diferente

À esquerda de uma cerejeira
Há um caminho seguido
Vai dar à Casa da Eira
Sem ninguém se ter perdido

É casa de tradições
Embora sejam passadas
Eram belos os serões
À noite nas desfolhadas

Mais à frente, junto a um ribeiro
Há um forno engraçado
Onde o hábil canastreiro
Faz de paus um refugado

Seguindo mais para a ribeira
Vai encontrar um moinho
Que ensina a quem o queira
Como se mói o grãozinho

Se seguir este percurso
Vá andando com cuidado
P’ra não ser da mata expulso
E ir daqui chateado
 
Leia, porque ler é um prazer!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Dia das bibliotecas (poema)

Dia das Bibliotecas

Cai a chuva no horizonte
Vejo-a através da janela
Atravessa a rua e o monte
E a brisa vai com ela…
Essa brisa do vento
Que bate leve na cara
Leva o meu pensamento
tal como uma ave rara!
E essa ave rara
Que é muito inquieta
Trouxe-me, hoje, aqui
A esta nossa biblioteca.
E nesta nossa biblioteca
Onde estamos a conviver
Como é agradável ouvir
Mais velhos e mais novos
Todos eles a ler!!!!
E se ler é uma beleza
Como podemos comprovar
Não havia melhor forma
Deste dia celebrar.

Graça Moniz

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Cinquenta anos de Rumor Branco


Foi há cinquenta anos que Almeida Faria, escritor português de 69 anos, publicou o seu primeiro romance.

Rumor Banco, publicado em 1962, quando o autor tinha apenas 19 anos, valeu o Prémio Revelação da Sociedade Portuguesa de Escritores, suscitando simultaneamente aplausos e polémica. 

Neste livro o autor revela uma grande ousadia formal, recorrendo a fragmentos dispersos, adaptando um processo de torrente que procura imitar a lógica anterior ao conceito de ideia organizada, e à falta de pontuação. Rumor Branco é nas palavras de Anabela Dinis Branco de Oliveira um “romance-poema, mensageiro de uma mudança social, concretizada na descrição de uma força colectiva, na denúncia de uma guerra colonial, no assumir duma revolução adormecida, abortada de perseguição, exílio, traição, prisão e suicídio.[1] Citando Maria Leonor Nunes, colaboradora do Jornal de Letras, Rumor Branco “É um grito de fúria de um jovem contra a ditadura salazarista”.

Rumor Branco pelas suas características fragmentárias pode revelar-se uma leitura algo densa, que requer concentração, mas é sem dúvida um marco na literatura pós-moderna em Portugal. 

“Quando me surgem as primeiras ideias de uma cena, de um conto, de um eventual fragmento de romance, ignoro para onde vou, que personagens virão ao meu encontro. Limito-me a pré-estabelecer uma estrutura, para que a história, como um edifício, tenha espinal medula. O que me interessa não é a história em si, é a maneira de contá-la. Esta surgiu da minha fúria adolescente contra a ditadura.”

Almeida Faria, entrevista no Jornal de Letras, Artes e Ideias nº 1099
 
Mais informação sobre a obra “Rumor Branco”:
 
Nota: o livro apresentado encontra-se disponível para empréstimo na rede de Bibliotecas de Arganil. Para saber que outras obras do autor temos para si consulte o nosso catálogo concelhio.

Leia, porque ler é um prazer!

[1] Oliveira, Anabela Dinis Branco de, “Nouveau Roman em Portugal – Máscaras políticas de uma recepção literária” in Revista de Letras, Anais da UTAD, nº 2

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Divulgando o fundo local XXI: Piódão - aldeia histórica, presépio da Beira Serra

Piódão: aldeia histórica, presépio da Beira Serra: “Histórias, lendas e tradições” de José Fontinha Pereira

Publicado em 2004, são as histórias, lendas e tradições sobre o Piódão e a sua freguesia que preenchem este livro da autoria de José Fontinha Pereira, recuperando um passado colectivo e constituindo assim “o bilhete de identidade” da freguesia.

De acordo com A. Ventura o autor “conseguiu com a enxada da palavra arrotear montes e vales em busca de factos, coisas e pessoas, compondo a mais completa galeria que até hoje foi apresentada sobre a freguesia de Piódão”

Escrito numa linguagem simples e directa, o livro é constituído por seis partes: “Ao encontro do Piódão”; “O património”; “A história”; “As lendas”; “O Piódão, as tradições e as suas gentes” e “As dificuldades de sobrevivência e o desbravar da montanha”.

“Para descrever a história desta terra escondida entre as serranias do Açor e destes heróis serranos, só um homem que as viveu o podia fazer. Podia até nem ser um grande letrado, mas tinha que ser um homem que a tivesse vivido. E disso se encarregou José Fontinha Pereira que viveu todas estas coisas desde há mais de meio século e foi investigando, anotando e gravando na memória, guardando aquilo que lhe parecia mais importante para escrever um livro notável, que precisam de ler todos aqueles que se interessam pelo passado da freguesia do Piódão, inclusivamente pela sua luta no Movimento Regionalista.”

António Lopes Machado in A Comarca de Arganil nº 11477 (19.10.2004)

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Livro do mês: A melodia do adeus de Nicholas Sparks

A melodia do adeus de Nicholas Sparks

Algum dia teve um segredo que não pudesse partilhar com alguém? Em A melodia do adeus, este é exactamente um dos dilemas que algumas das personagens principais têm de enfrentar. A história está repleta de amor, felicidade e memórias de Verão, mas também de tristezas, perdas e segredos.

Victoria Miller, mais conhecida como Ronnie, uma adolescente rebelde de 17 anos, desde o divórcio dos seus pais rejeita todas as tentativas de aproximação do seu pai Steve. Quando descobre que a mãe pretende que ela e o irmão passem as férias de Verão com o pai, imagina logo que será o pior Verão da sua vida, pois mesmo três anos passados depois do divórcio não foram suficientes para apaziguar os seus ressentimentos.

No entanto em Wrightsville Beach, lugar onde o pai vive, conhece Blaze, outra adolescente rebelde e Will, um jovem nativo por quem se apaixona. Estas duas novas amizades vão determinar o rumo da história, uma mostra-lhe o caminho que ela própria segue, a outra uma nova vida, uma oportunidade de começar de novo. Gradualmente Ronnie vai baixando as suas defesas e mudando a sua perspectiva e comportamentos face à vida… descobre o poder de amar, e ser amada…

Um livro emocionante, repleto de sentimentos e emoções que tocam qualquer leitor e envolvem desde a primeira até à última página.

Excerto:

“Ronnie deixou-se abater no assento ao lado do condutor, perguntando-se por que razão os pais a detestariam tanto.
Era o único motivo capaz de explicar por que se encontrava ali, de visita ao pai, naquele ermo esquecido por Deus, em lugar de ter ficado a passar o Verão com os amigos em Manhattan.
Não nem sequer era isso. Ela não estava apenas a visitar o pai. Visitar implicava um fim-de-semana ou dois, eventualmente uma semana. Com uma visita, ela até poderia viver bem. Mas ficar ali até ao final de Agosto? Praticamente todo o Verão? Isso equivalia ao desterro, e durante a quase totalidade das nove horas que durara o trajecto de carro, sentira-se como uma prisioneira a ser transferida para uma penitenciária rural. Nem queria acreditar que a mãe tivesse coragem de a obrigar a passar por uma experiência daquelas.”

Leia, porque ler é um prazer!

Nota: Livro disponível para empréstimo na Biblioteca Municipal de Arganil

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Divulgando o fundo local XX: Miguel Torga e a região de Arganil

Miguel Torga e a Região de Arganil é uma antologia de textos da autoria de Miguel Torga alusivos à região de Arganil organizada por Luís Valle, com prefácio de José Manuel Mendes e fotografias de Henrique Botelho.

Nas páginas que compõem este livro de Homenagem a Miguel Torga “rumorejam rios e sensações, recortam-se fragas, recantos, figuras que apagam a palidez do efémero. A Beira surge percepcionada nos contrastes profundos. Esconjuram-se o fascismo, as oratórias que nenhum sobressalto desencadeiam, a malha das inércias. Esboça-se o mapa das vivências: uma ida à caça, o Natal em Côja, um acto cirúrgico, a intervenção política, a homenagem ao companheiro que o coração elegeu, o tumulto do verso a acontecer. E a perda, luto, a romagem aos sítios onde a harmonia é uma madrugada sobre a úlcera da finitude.” (1)

A vida de Miguel Torga cruzou-se com a região de Arganil onde exerceu funções como médico e soube criar relações de amizade, ligação que ficou para sempre registada nos seus textos.

“Quando, já lá vão muitos anos, a inventariar coisas da pátria, vi Arganil pela primeira vez e me enamorei da sua rústica capelinha de São Pedro, honradamente construída de pedra rolada, estava longe de supor que esta terra viesse a figurar tão grata e repetidamente no meu itinerário existencial. Mas a vida é uma surpresa quotidiana, mesmo se não damos por isso. A minha, pelo menos. Aqui tratei o melhor que pude, na sua Misericórdia, milhares de doentes; aqui venho acordar o Alva nas madrugadas cinegéticas; aqui acompanhei à última morada os restos mortais, quase abandonados, de Veiga Simões, um dos seus filhos mais ilustres, que os esbirros dum déspota perseguiram até à cova; aqui me trouxeram, e continuam a trazer, cuidados cívicos.”

Leia, porque ler é um prazer!

Nota: livro disponível para empréstimo na Biblioteca Municipal de Arganil


(1) Excerto do prefácio de José Manuel Mendes

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Recordando Pessoa

 
No dia em que passam 77 anos da morte de Fernando Pessoa, um dos maiores poetas de língua portuguesa e inequivocamente, a mais complexa personalidade literária portuguesa e europeia do século XX, aproveitamos para divulgar os livros do autor disponíveis na Biblioteca e convidamos à leitura de dois dos seus poemas:
 
À noite
O silêncio é teu gémeo no Infinito.
Quem te conhece, sabe não buscar.
Morte visível, vens dessedentar
O vago mundo, o mundo estreito e aflito.
Se os teus abismos constelados fito,
Não sei quem sou ou qual o fim a dar
A tanta dor, a tanta ânsia par
Do sonho, e a tanto incerto em que medito.
Que vislumbre escondido de melhores
Dias ou horas no teu campo cabe?
Véu nupcial do fim de fins e dores.
Nem sei a angústia que vens consolar-me.
Deixa que eu durma, deixa que eu acabe
E que a luz nunca venha despertar-me!
 
In: Poesia I: 1902-1929
 
Porque esqueci quem fui quando criança?
Porque deslembra quem então era eu?
Porque não há nenhuma semelhança
Entre quem sou e fui?
A criança que fui vive ou morreu?
Sou outro? Vejo um outro em mim viver?
A vida, que em mim flui, em que é que flui?
Houve em mim várias almas sucessivas
Ou sou um só inconsciente ser?
 
In: Poesia II: 1930-1933
 
Alguns dos livros do autor disponíveis na Biblioteca:
  • A procura da verdade oculta : textos filosóficos e esotéricos. Mem Martins : Europa-América, D.L. 1986 
  • Aviso por causa da moral. Lisboa : Hiena, 1986 
  • Mensagem de Fernando Pessoa. Lisboa : Comunicação, 1986 
  • O Livro do Desassossego. Linda-a-Velha : Abril/Controljornal, 2000. ISBN 972-611-630-9 
  • O louco rabequista. 1ª ed. Lisboa : Presença, 1988 
Consulte o catálogo concelhio para saber que outros livros do e sobre o autor existem na rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil!
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Stefan Zweig: escritor inquieto

Stefan Zweig (Viena, 28 de Novembro de 1881 — Petrópolis, 23 de Fevereiro de 1942) foi um escritor, romancista, poeta, dramaturgo, jornalista e biógrafo austríaco. Foi um dos escritores do mundo mais conhecidos na década de 1920-1930, sobretudo nos EUA, na América do Sul e na Europa. A sua ficção conheceu grande êxito no seu tempo, porém foi o género biográfico que mais o distinguiu.
 
Escritor representativo do chamado «espaço Viena», pôde testemunhar o ocaso do Império Austro-Húngaro, e daí a amarga tomada de consciência de que também as civilizações são mortais. Quando Stefan Zweig entrou na cena literária, na viragem do século XIX para o XX, respirava-se ainda o fino clima estético do simbolismo. Mas o espectáculo das ruínas da Primeira Guerra Mundial aproximou-o de uma visão catastrófica do homem e da história.
 
Nas vésperas da Segunda Guerra Mundial Stefan Zweig abandonou a Áustria. Em 1934 foi para a Inglaterra onde se naturalizou cidadão britânico. Em 1940, assustado com a queda de Paris e o avanço nazista, Zweig resolveu viajar para o Brasil, a fim de colher material para o “livro brasileiro”. Depois de dar várias conferências no Brasil e na Argentina, fixa-se em 1941 em Petropólis. 
 
Desgostoso com os rumores de que se teria “vendido” ao governo brasileiro para escrever o seu livro sobre o Brasil e com a sombria situação do mundo mergulhado em guerra, Zweig foi se tornando cada vez mais deprimido. Nos cinco meses que viveria em Petrópolis, ainda produziu muito: terminou a sua autobiografia, escreveu a novela Uma partida de Xadrez, iniciou a biografia de Montaigne e retocou outras obras. Mas a sua depressão aumentou e na noite de 22 para 23 de fevereiro de 1942 Zweig consumou com Lotte, a sua segunda mulher, o seu pacto de morte cuidadosamente preparado. 
 
Obras do autor disponíveis na Biblioteca:
 
  • Contos
  • Os construtores do mundo : três poetas da própria existência: Casanova, Stendhal, Tolstoi
  • José Fouché
  • Os Construtores do Mundo: O Combate com o Demónio
  • Castelio contra Calvino
  • Fernão de Magalhães
  • Maria Stuart
  • Noite Fantástica
  • O medo
  • Caleidoscópio: (Lendas)
  • Um Segredo Ardente
  • Amok : (O Doido da Malásia)
  • Três paixões
  • Sigmund Freud : la guérison par l'esprit 
Mais informação em:
 
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Divulgando o fundo local XIX: Coja, à descoberta de uma vila

 
Coja: à descoberta de uma vila é nas palavras do seu autor, Nuno Mata, um inventário artístico sobre alguns aspectos monumentais e paisagísticos da vila de Coja. Foi intenção do autor “deixar um testemunho perene do que actualmente Coja tem para mostrar, mais no aspecto da cultura popular e artesanal (…)”. 

Ao longo de 77 páginas Nuno Mata faz sobressair vários aspectos do património histórico e artístico da vila que no dia-a-dia passam despercebidos aos transeuntes, com a intenção de deixar um testemunho perene sobre os mesmos e com o objectivo de sensibilizar os leitores para a riqueza patrimonial que a vila tem.

Detalhes captados por um olhar atento, tais como “os espelhos de fechadura e outros ornamentos
em ferro”, “a utilização do granito”e “janelas” são fixados neste livro em texto fluído e com desenhos do próprio autor.

Coja: à descoberta de uma vila foi o primeiro livro publicado por Nuno Mata, que desde então manteve sempre o interesse sobre a Vila e a região envolvente. 

Outras obras do autor disponíveis na Biblioteca:

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coja : subsídios para a sua história. 1ª ed. [S.l. : s.n.], 2005. 36 p.

Uma vez por mês. 1ª ed. [S.l.] : Edição, cop. 2005. 69 p. ISBN 972-99497-0-0

A princesa da travessa. Coja : Corpo Nacional de Escutas-Agrupamento 696, 1994. 59 p. ISBN 972-96022-1-2

Ruas de Coja : traçado e toponímia. [S.l. : s.n.], 1995. 94 p.

Coja : roteiro de visita. 1ª ed. [S.l. : s.n.], 2010. 26 p., [1] f. desdobr. ISBN 978-972-99497-5-3

Pelourinhos da Beira Serra. Coja : Rancho Infantil e Juvenil de Coja, 2000. 56 p.

Alberto Martins de Carvalho : o homem, o autor, a biblioteca. 1ª ed. [Coja] : Os Castiços, D.L. 2006. 91 p. ISBN 978-972-99497-1-5

Memória da freguesia de Coja na 1ª página de A Comarca de Arganil : 1901-1950. [1ª ed.]. [S.l.] : NGMN, 2008. 367 p. ISBN 978-972-99497-2-2
 
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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

300º aniversário do nascimento de Jean-Jacques Rousseau

Em 2012 assinala-se o 300º aniversário do nascimento do escritor e filósofo humanista Jean-Jacques Rosseau.

Nascido em Genebra a 28 de Junho de 1712, e falecido em Ermenonville a 2 de Julho de 1778, Rosseau antagonizou os princípios do Iluminismo, anunciando já aqueles que viriam as ser os valores centrais do romantismo, ao recentrar a reflexão sobre a natureza humana nos temas da sensibilidade, do sentimento e da paixão em detrimento da razão.

Rosseau divulgou a sua filosofia não só através de escritos filosóficos formais, mas também através de romances, cartas e na sua autobiografia. É autor de: Discursos sobre as ciências e as artes (1749); Discurso sobre a origem da desigualdade (1755); Contrato social; Emílio (1762), entre outros.

Obras do autor disponíveis na Biblioteca Municipal de Arganil:

- Emílio

«Emílio não passa de um tratado sobre a bondade original do homem e destina-se a demonstrar como o vício e o erro – estranhos à sua constituição – se introduzem nele, vindos do exterior, e o alteram insensivelmente.» Estas palavras de Jean-Jacques Rousseau sobre Emílio, publicado pela primeira vez em 1762, não reflectem o escândalo por ele provocado através da exposição das ideias religiosas do autor, nem tampouco a importância história que veio a adquirir no domínio da pedagogia. Tratado sobre a educação, segundo princípios «naturais», e obra de revolta contra o barbarismo da educação dada às crianças, Emílio, foi condenado à fogueira e Rousseau teve de abandonar a França para fugir à prisão.
O propósito de Emílio é o de formar um homem livre; e o verdadeiro amor pelas crianças e pela liberdade nele revelado tornam-no um livro para todas as épocas e gerações de educadores.

Fonte: contra-capa

- Os devaneios do caminhante solitário

Este grande testamento inacabado combina o argumento filosófico com anedotas saborosas da própria vida e descrições poéticas de um homem que se sente afastado de todos. O livro é um fascinante retrato do autor, que aqui encontra espaço para analisar o passado e se defender dos críticos que o condenaram à solidão.


- Ensaio sobre a origem das línguas

“Este ensaio, que só foi publicado depois da morte de Rousseau, inclui-se, presumivelmente, entre as obras de seu período inicial de produção. Indicam-no o estilo, a própria organização da matéria e, sobretudo, os assuntos de que trata. (…)
Distinguem-se no Ensaio três partes bem caracterizadas e correspondendo a três interesses bem definidos: a) a origem da linguagem — estudo da necessidade de comunicação no homem natural; b) diferenciação das línguas — estudo da evolução dos grupos humanos e dos meios de expressão; c) estudo particular das questões musicais relacionadas com a evolução linguística e social.”

Paul Arbousse-Bastide e Lourival Gomes Machado

- Contrato social

“Se eu apenas considerasse a força e o efeito que dela deriva, diria: «quando um povo é obrigado a obedecer, faz bem; mas se sacode o jugo, logo que o pode sacudir, faz melhor: porque, ao recuperar a sua liberdade, usa o mesmo direito que lha arrebatou e se é justo que a retome, é injusto que lha tirem». Mas a ordem social é um direito sagrado que serve de base a todos os outros. Contudo, este direito não veio da natureza; apoia-se em convenções. Trata-se de se saber que convenções são estas. Mas antes de lá chegar, devo demonstrar o que afirmo».

Jean-Jacques Rousseau
Fonte: contra-capa

- Confissões

Confissões marca uma data na literatura intimista. É além disso uma obra-prima literária, na qual se desenvolve em plena maturidade o estilo vibrátil, incisivo, animado por contrastes que fizeram de Rousseau um dos maiores escritores de língua francesa. Este livro eterno é a súmula da experiência humana do autor, das suas ilusões e desilusões; aí se retrata a sociedade tal qual a viu e sentiu: documento de uma época, portanto: mas que a transcendeu e permanece jovem.

Fonte: contra-capa

Mais informação em:


http://www.culturabrasil.pro.br/rousseau.htm
ttp://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Jacques_Rousseau
http://www.infopedia.pt/$jean-jacques-rousseau

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Divulgando o fundo local XVIII: Para além da esperança

Para além da esperança é uma obra da autoria de Maria Leonarda Tavares, com prefácio de Maria Rosa Colaço, editada pela A.D.F.A. (Associação dos Deficientes das Forças Armadas), publicada em 1988.

“A história é a de um paraplégico, vítima da guerra colonial, que seria mais um entre milhares não fosse o encontro com uma mulher que, de forma quase inacreditável, empurra a vida, e os desaires, teimosamente acende a esperança. (…) É uma história-testemunho de casos e tempos reais.(…) O livro é a história de um grande amor, mas é sobretudo, o caminho firme de quem avança acreditando que, na vida, o mais importante é a vida. ”. (1)

Esta obra foi de acordo com a própria autora escrita de forma simples e sem grandes preocupações literárias com o objectivo de despertar a atenção da sociedade para os problemas que os deficientes da guerra colonial enfrentam. De acordo com as palavras do apresentador da obra, o poeta Melchior Silva, esta história constitui um “apelo às mulheres e a todos nós para que saibamos viver para além da esperança.”

Para além da esperança foi o primeiro livro publicado por Maria Leonarda Tavares.

Outros livros da autora disponíveis na Biblioteca:

- Glicínias;
- A princesa de Porto Santo;
- Sonhar é preciso;
- Um grito de revolta 30 anos depois.

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[1] Excerto do prefácio de Maria Rosa Colaço

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

90 anos de José Saramago

Assinala-se hoje, dia 16 de Novembro, os 90 anos do nascimento de José Saramago. A Biblioteca Municipal de Arganil associa-se às comemorações desta data com o intuito de celebrar a literatura e a obra do escritor que um dia disse “escrevo para desassossegar, não quero leitores conformados, passivos, resignados” e que foi galardoado com o prémio Nobel da Literatura em 1998, precisamente por com “as suas parábolas sustentadas pela imaginação, compaixão e ironia” agitar e despertar a consciência crítica dos seus leitores.

Na Sala de Adultos da Biblioteca está patente uma mostra bibliográfica das obras de Saramago, bem como de diversos livros e artigos sobre o autor e a sua obra. Os nossos visitantes poderão também ler várias frases da autoria de José Saramago, descobrindo assim um pouco mais sobre as suas opiniões pessoais, que tantas vezes agitaram o meio político, social e religioso.

Se quiser saber quais as obras do e sobre o autor que temos disponíveis consulte o catálogo concelhio.

Para saber mais sobre as iniciativas que decorrem no país consulte:

Blog 90 anos de José Saramago

Para saber mais sobre José Saramago e a sua obra consulte:

Colecção José Saramago – Biblioteca Nacional
Saramago no Projecto Vercial
Saramago na Infopédia

Leia, porque ler é um prazer!

16 de Novembro - Dia Nacional do Mar

No dia 16 de Novembro celebra-se em Portugal o Dia Nacional do Mar. Neste dia, em 1994, entrou em vigor a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) que estabeleceu um novo quadro jurídico para o direito do mar. Ao ratificar a CNUDM, a 14 de Outubro de 1997, Portugal assumiu responsabilidades numa das áreas marítimas mais extensas da Europa, e a maior da União Europeia, com uma dimensão 18 vezes superior ao território nacional.

Em 1998, o dia 16 de Novembro foi institucionalizado pela Resolução de Conselho de Ministros n.º 83/1998, de 10 de Julho, como o Dia Nacional do Mar e, desde então, tem vindo a ser evocado através de uma série de eventos e iniciativas.

O mar e a literatura

O mar reveste uma importância de relevo para a sociedade portuguesa, não apenas a nível social, económico e turístico, mas também como elemento presente na cultura e consequentemente na literatura. O mar e os mistérios das suas profundezas inspiraram e continuam a inspirar muitos escritores.

Muitas são as obras em que a influência do mar está bem presente: Os lusíadas de Luís de Camões; A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto; o Sermão de Santo António aos Peixes; Histórias da terra e do mar e a Menina do Mar de Sophia de Mello Breyner Andresen; As naus de António Lobo Antunes; As naus de verde pinho de Manuel Alegre, entre outras são disso exemplo.

Se esta temática lhe desperta a atenção sugerimos a leitura dos seguintes trabalhos:

O mar, as descobertas e a literatura portuguesa/ J. Cândido Martins. Disponível em:

Presença do Mar na Literatura Portuguesa de Annabela Rita. Disponível em:

O mar na literatura infanto-juvenil: topos mítico-simbólico de Maria João Lopes Gonçalves. Disponível em:

Os escritores e o mar de João Vaz. Disponível em: http://maritimo.blogspot.pt/

Aproveitamos também para recordar que a sétima edição da Semana da Leitura promovida pelo PNL (Ler+escolas), que decorrerá em Março, propõe como tema central o Mar.

Procure no catálogo on-line ou nas bibliotecas do concelho livros e vídeos sobre esta temática.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Dia Mundial da Filosofia - 15 de Novembro

O Dia Mundial da Filosofia é celebrado anualmente na terceira quinta-feira de Novembro e foi estabelecido em 2005 pela UNESCO com o objectivo de mostrar a importância desta disciplina, sobretudo para os mais jovens, como uma disciplina que encoraja o pensamento crítico e independente e que nos dá ferramentas para melhor compreender o mundo e promover a tolerância e a paz.

“Muitos pensadores afirmam que a “admiração” é a raiz da filosofia. De facto a filosofia nasce da tendência natural do homem de se surpreender a si mesmo e de se deixar surpreender pelo mundo em que vive.
A filosofia, considerada como uma forma de “sabedoria”, ensina-nos a reflectir sobre a própria reflexão, a questionar continuamente as verdades estabelecidas, a verificar as hipóteses e a encontrar conclusões.
Ao longo de séculos, em cada cultura, a filosofia fez nascer conceitos, ideias e análises, e assim estabeleceu as bases para um pensamento crítico, independente e criativo.”

Adaptação a partir do texto em inglês de Mika Shino, UNESCO
Disponível em:
http://www.unesco.org/new/en/social-and-human-sciences/themes/philosophy/philosophy-day-at-unesco/why-a-philosophy-day/

O tema para o dia Mundial da Filosofia 2012 é: Gerações Futuras. Um tema pertinente na medida em que este ano se assinala o 15º aniversário da adopção pela UNESCO da Declaração sobre as Responsabilidades das Gerações Presentes para com as Gerações Futuras, bem como 300º aniversário do nascimento de Jean-Jacques Rosseau.

Para saber mais sobre esta temática consulte:

http://www.unesco.org/new/en/unesco/events/major-events/?tx_browser_pi1%5BshowUid%5D=5629&cHash=2c003f9e28

http://www.unesco.org/new/en/social-and-human-sciences/themes/philosophy/philosophy-day-at-unesco/

Se gosta de filosofia visite a Biblioteca Municipal e consulte a nossa estante de filosofia. Temos disponíveis mais de 600 livros sobre esta temática.

Poderá também consultar o nosso catálogo concelhio para ficar a saber que obras temos disponíveis para si!
Leia, porque ler é um prazer!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Divulgando o fundo local XVII: Peninsulares

Peninsulares de J. Simões Dias

Peninsulares, obra publicada pela primeira vez em 1863, é a compilação dos trabalhos poéticos de José Simões Dias escritos sobretudo entre os seus 18 e 28 anos. Versos amorosos e elegíacos de carácter subjectivo e sabor popular são as características dos poemas que constituem esta obra.

Como escreve Sanches de Frias, biografo e amigo de Simões Dias, a poesia de Simões Dias “é terna, amorosa e acentuadamente nacional e humana” que não envelhecerá nunca “porque tem o selo da beleza eterna. Entretanto acima de todos os juízos, nossos e alheios, está o juízo do povo, que, em rapsódias de larga vulgarização, espalha pelos cegos ambulantes e pela gente dos campos os versos do menestrel (…) quando um poeta, como ele, chega a traduzir em formulas espontâneas, quase inconscientes, profundamente populares, o espírito tradicional da sua raça, corporizando em versos a alma anónima da multidão, esse poeta, que, com tanta justeza, sabe interpretar o sentimento colectivo, conquistou um lugar indisputável na história literária do seu país, a que pertence mais que a si próprio.”

Simões Dias, foi a par de Brás Garcia Mascarenhas, o único poeta da Beira Serra, no século XIX, cuja obra teve repercussão nacional.

Sonata

Acorda, meu amor, abre a vidraça,
Vem ver a noite como é bella agora!
Emquanto a lua nas alturas passa,
Ouve a guitarra que soluça e chora!

Dormes acaso, pomba branca mansa?
Quem te acordará, meu amor perfeito!
Só nunca dorme, nem sequer descança
A immensa fragua que me escalda o peito!

Acorda, acorda, amor; abre a vidraça
A noite é bella, os corações enleia!
Emquanto a lua nas alturas passa,
Ouve a guitarra que por ti anseia!
Leia, porque ler é um prazer!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Manuel António Pina

Manuel António Pina, um dos grandes poetas portugueses e um dos nossos maiores cronistas e autores de literatura infanto-juvenil, faleceu no passado dia 19 de Outubro, aos 68 anos.

Como se pode ler na edição nº 1098 do Jornal de Letras, Artes e Ideias, “ao correr de quatro décadas, de literatura e jornalismo”, Manuel António Pina “construiu uma ‘casa de palavras’, uma obra singular e intensa”.

Como forma de evocação do autor e da sua obra aproveitamos para destacar três dos seus livros como convite à leitura e à descoberta do homem que um dia afirmou “Escrevo o livro comigo mesmo, com o meu sangue, com a minha vida, com a minha memória.”

Ainda não é o fim nem o princípio do mundo calma é apenas um pouco tarde

Trata-se do livro de estreia do autor, publicado em 1974.
“Os primeiros poemas de M. A. Pina, não sendo estritamente políticos, documentam uma certa "paz dos cemitérios" e sugerem que "não é possível dizer mais nada mas também não é possível ficar calado". Embora seja tarde, talvez não seja ainda demasiado tarde. A dimensão crítica desses poemas assume um registo surrealizante, lúdico e desconstrutivo, fazendo inventários, parodiando a linguagem oficial, em versos inesperados, inventivos, recorrendo a exclamações, interjeições, a súbitas apoteoses líricas contrabandeadas no meio do sarcasmo.”

Pedro Mexia in expresso nº 2083 (29.09.2012), suplemento actual

Aquilo que os olhos vêem ou o Adamastor

“Trata-se de um texto dramático sobre a passagem do cabo Tormentório pelas caravelas portuguesas e o encontro (lendário) com o Gigante Adamastor, criado por Camões, nos seus Os Lusíadas. O protagonista é um jovem portuense que mora na angra de S. Brás, próximo do cabo da Boa Esperança, e a acção passa-se em 1501. A história é contada, a bordo, por Mestre João, físico e astrónomo, e recorre-se, por vezes, a várias retrospectivas, em casa do jovem Manuel, em contracenas com os pais e a irmã. A intenção do dramaturgo não é suficientemente clara, em termos teatrais, mas a linguagem é fluente e com beleza literária. Todavia, os arcaísmos do auto ensaiado a bordo brigam com a escrita empregue na peça. Foi preocupação do autor dar informações históricas sobre a vida a bordo das nossas caravelas, durante os Descobrimentos. As fotografias do espectáculo convencem-nos sobre a qualidade da representação.”

António Couto Viana - http://www.leitura.gulbenkian.pt

O Anacronista

Publicado em 1994 é uma compilação de crónicas que Manuel António Pina escreveu no Jornal de Notícias, na Marie Claire e em O Jornal, crónicas às quais o autor deu uma arrumação temática. Nas páginas de O Anacronista “passam as perplexidades, os gestos, os rostos, os pequenos e torpes personagens e as grandezas e infâmias de que todos os dias se fazem e, depois em memória e em esquecimento se desfazem, a vida dos homens e a vida dos jornais.”

Se quiser saber mais sobre o autor consulte:



- Jornal de Letras, Artes e Ideias nº 303, nº 556, nº 899, nº 1035, nº 1066 e nº 1098

Consulte o catálogo concelhio da rede de bibliotecas do concelho de Arganil para saber que outras obras do autor temos disponíveis para si!

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Divulgando o fundo local XVI: Teia de emoções

TEIA DE EMOÇÕES DE MARIA ALBERTINA DINIS JORGE

Teia de emoções é o quarto livro da autoria de Maria Albertina Dinis Jorge. “De escrita simples, mas com uma sensibilidade extravagante”, a escritora “leva-nos para um mundo onde a poesia nos cativa e nos faz desabrochar”, mais de que um livro Teia de emoções “é um tratado de sentimentos, nos quais se espraiam os afectos, os sentidos e as estórias de momentos de uma vida vivida na serenidade de quem ensina e aprende.” (1)

“Ao terminar a leitura deste livro (…) sente-se a corrente da vitalidade, da força e de coragem que atravessam a vida da autora. Tem uma alma quente e comunicante; respira afeições que o tempo refresca e desperta. São tudo questões de coração; intensas, vivas e inquietantes.
Percorremos uma imensidão de experiências com o carisma de épocas acumuladas. Divagamos por um itinerário de sensibilidade sem que nada manche a pureza do caminho.
A poesia, como a sua alma, é límpida e transparente. (…) (2)

Maria Albertina Dinis Jorge nasceu em 1938 na Quinta do Péguinho no Sarzedo. Foi professora do ensino primário e depois da sua aposentação dedicou-se às artes decorativas (estanho e pintura) e à escrita. Para além da obra apresentada publicou: Senti e escrevi; Flores e sonhos e Rumos e rimas.

Mata…

Na minha terra há uma mata!
Ou por outra,
na minha terra há muitas matas…
Mas esta é especial.
Sabem porquê especial?
Por todos nós é amada,
conhecida e explorada:
- é a Mata do Hospital!
À sombra das suas árvores
dormem mil recordações…
Do chão vem o cheiro a barro,
no ar a seiva dos pinheiros,
essência que se desprende,
enche e lava os pulmões.
És berço da passarada
Que faz chegar seus trinados
ao coração de Arganil.
Inspiração de poetas…
És geradora de sonhos,
dos que em anos mais risonhos
miram o teu céu anil.
És a testemunha muda
de amores e devaneios.
Nos teus trilhos e carreiros
tantas, tantas gerações
deram saudosos passeios.
Bem-haja a toda a equipa
que com saber e ciência,
arte amor e persistência,
desenvolveu esforços mil
p’ra mais beleza criar
e tanto valorizar
este brinco de Arganil.

(1) Miguel Gonçalves in A Comarca de Arganil nº 11896 (17.03.2011)
(2) Leonarda Tavares in A Comarca de Arganil nº 11901 (21.04.2011)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Livro do mês: Histórias da terra e do mar

Histórias da Terra e do Mar é um livro da escritora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, publicado em 1984.

É composto por cinco contos - "História da Gata Borralheira", "O Silêncio", "A Casa do Mar", "Saga" e "Vila d'Arcos" - que nos transportam para o universo da infância. Cada um deles tem uma harmonia própria que vive de alargadas descrições, de personagens encantadas e de metáforas expressivas.

“Cinco pequenas estórias, a ilustrar a beleza intemporal dos espaços habitados por seres humanos, enquanto espelhos das almas que os habitam. Uma mão cheia de contos, em cujo âmago extraímos o desejo de liberdade de pensamento, liberdade de expressão e liberdade de escolha.”

Claúdia Sousa Dias

“O mundo da infância foi assim, para Sophia, além do Porto e da Granja, das tradições nórdicas e da língua portuguesa, o caminho para um encontro aos doze anos com Homero e a luz mediterrânica, a nostalgia do «divino como convém ao real», tornado-a «uma mistura de Norte e Sul», uma mistura de Atlântico e Mediterrâneo, de um veio nórdico e de um veio helénico, que um mesmo sangue fez inseparáveis.”

Miguel Serras Pereira in «Jornal de Letras»

“A casa está construída na duna e separada das outras casas do sítio. Esse isolamento cria nela uma unidade, um mundo. O rumor das ondas, o perfume do sal, o vidrado da luz marinha, o ar varrido de brisas e vento, a cal do muro, os nevoeiros imóveis, o arfar ressoante do mar estabelecem em seu redor grandes espaços vazios, tumultuosas e limpos onde tudo se abre e vibra.
A casa é construída de pedra e cal e a sua frente está virada para o mar.
No andar de cima da fachada há três janelas e uma varanda com grades de madeira. No andar de baixo há três janelas e uma porta. Essa porta, as janelas e as grades da varanda estão pintadas de verde. No chão, ao longo da parede, corre um passeio de pedra que separa a casa das areias da duna.
Para além das dunas a praia estende-se a todo o comprimento da costa e só o limite do olhar a limita. E, de norte a sul, ao longo das areias, correm três linhas escuras e grossas de algas, búzios e conchas, misturados com ouriços, pedaços de cortiça e pedaços de madeira que são restos de bóias e de barcos. Sobre a areia molhada que a maré cheia alisou o poisar das gaivotas deixa finas pegadas triangulares, semelhantes à escrita de um tempo antiquíssimo.
As traseiras da casa dão para um jardim inculto e rude e áspero onde o vento que dobra os arbustos se precipita e dança em volta do poço redondo. O chão está coberto de pequenas pedras soltas que rangem e saltam sob os passos. Presa num arame a roupa lavada a secar ao sol estala e palpita como as velas de um navio.”

Excerto de “A casa do mar”

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sugestões de leitura com espírito de Halloween

Aproxima-se a passos largos a noite mágica do Halloween, também conhecida como noite das bruxas.

O dia das bruxas, é festejado na noite de 31 de Outubro e teve origem nos antigos povos da Grã-Bretanha e Irlanda, que acreditavam que, na véspera do Dia de Todos os Santos, os espíritos voltavam para as suas casas. Levado para os Estados Unidos pelos colonizadores, o Halloween é, hoje em dia, uma das festas mais populares do país, e também em Portugal já vai ganhando raízes.

No nosso país é sobretudo uma noite para as crianças onde reina a fantasia e a imaginação.

Como para muitos dos nossos leitores este será um fim-de-semana prolongado, e o tempo já convida a serões frente à lareira, nada melhor do que a companhia de um bom livro. Aqui ficam as nossas sugestões:

Anne Rice é uma autora consagrada de best-sellers, na área da literatura de fantasia e gótica. Alcançou a notoriedade com Entrevista com o Vampiro, A Rainha dos Malditos e A Hora das Bruxas, entre outros êxitos.

Obras da autora na Biblioteca:

• Entrevista com o vampiro
• História do Ladrão do corpo
• Lasher
• Merrick
• A hora das bruxas
• Rainha dos malditos

Marion Zimmer Bradley nasceu em Nova Iorque, em 1930. Começou desde cedo a escrever para revistas e antologias, mas foi na década de 60 que iniciou uma carreira de sucesso como romancista. A sua série mais popular iniciou-se com a publicação de As Brumas de Avalon, uma recriação da lenda arturiana que tem conquistado gerações. Faleceu em 1999.

Obras da autora na Biblioteca:

• A casa da floresta
• Salto mortal
• As brumas de Avalon
• A Fonte da Possessão : O Poder Supremo
• As Forças do Oculto
• A Senhora de Avalon
• Tambores na noite
• As mulheres da casa do Tigre
• A queda da Atlântida

Stephenie Meyer nasceu na véspera de Natal, em Hartford, Connecticut, mas vive em Phoenix, no estado do Arizona desde os quatro anos de idade. Licenciou-se em Literatura Inglesa, pela Brigham Young University. Após a publicação do seu primeiro romance, Twilight, Stephenie Meyer foi considerada "como uma das mais promissoras novas escritoras de 2005" (Publishers Weekly).

Obras da autora na Biblioteca:

• Nómada
• Crepúsculo
• Lua Nova
• Eclipse
• Amanhecer
Outras sugestões:

Histórias de Vampiros. Lisboa : Editorial Estampa, 1988.
BAROJA, Júlio Caro - As bruxas e o seu mundo. 1ª ed. Lisboa : Vega, [19-?].
BRITO, Farias - O mundo interior : ensaio sobre os dados gerais da filosofia do espírito. 3ª ed. Lisboa : Imp. Nac.-Casa da Moeda, 2003. ISBN 972-27-1285-3
KILPATRICK, Nancy - Vampiros. 1ª ed. [Vila Nova de Gaia] : Rosto, 2011. ISBN 978-989-8520-02-9
MAUSS, Marcel - Esboço de uma Teoria Geral da Magia. Lisboa : Edições 70, D.L. 2000. ISBN 972-44-1049-8
PAIVA, José Pedro - Bruxaria e Superstição : Num Pais Sem «Caça as Bruxas» 1600-1774. 1ª ed. Lisboa : Noticias, 1997. ISBN 972-46-0882-4
PAIVA, José Pedro - Práticas e crenças mágicas : o medo e a necessidade dos mágicos na Diocese de Coimbra (1650-1740). 1ª ed. Coimbra : Livraria Minerva, 1992. ISBN 972-9316-38-4
STOKER, Bram - Drácula. Mem Martins : Europa-América, D.L. 1994. ISBN 972-1-03551-3

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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Divulgando o fundo local XV: Assim vivo!...

Assim vivo!... de António Mota

António Pires Fernandes Mota nasceu em Arganil a 8 de Agosto de 1927 e faleceu a 9 de Novembro de 1981, vítima de um acidente enquanto andava na caça, modalidade da qual era grande entusiasta. Trabalhou na “A Comarca de Arganil”, passou pela Mercantil e foi proprietário da mercearia “A favorita da Beira”.

António Mota tinha também o gosto pela palavra e pela poesia, tendo deixado como “herança” aos filhos o seu espólio poético, que foi entregue pela sua esposa Alzira Dias Cruz Pereira a José Ramos Mendes, que os reviu e fez publicar.

Assim em 1995 surgiu o livro Assim Vivo!... onde ao longo de 96 páginas se revela a sensibilidade apurada de António Mota enquanto poeta.

“Poeta da liberdade, a sua palavra ressoou por montes e vales de Arganil, animada pelo espírito guerreiro de quem não teme: «Escravo fui como vós na minha Pátria»!
Como poucos, António Mota soube e quis gritar que a liberdade é a condição primeira de um poeta e que por ela deve lutar até à morte.”1

(1) In Revista Arganilia nº 6/7


Por quem choram os teus olhos?

Oh, os teus olhos,
Que tonalidade têm?
São verdes, pretos, azuis,
Castanhos,
Cor do céu, do mar,
Ou das estrelas?
São olhos que olham nos olhos?
Há os que falam,
Os que riem,
Os que amam,
E os que sofrem!
Há olhos que vertem lágrimas de dor,
Outros que choram de amor!
Há olhos despertos na noite,
Outros fechados no dia,
Olhos que choram os mortos,
Olhos que choram de alegria!
Há olhos que choram por outros olhos,
Por quem choram os teus olhos?!

                             António Mota, 03.06.1978

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Dia internacional das Bibliotecas Escolares. Da informação ao conhecimento

 
Da informação ao conhecimento
 
Vivemos no mundo da informação tecnológica. A Galáxia de Gutenberg consistentemente assente na escrita e no suporte papel, cede lugar a uma nova era, a era tecnológica, baseada na informação virtual que inunda totalmente o nosso quotidiano. A sua presença é de tal forma avassaladora que viver fora dela é uma forma de exclusão.

O acesso à informação que as novas tecnologias permitem está ao alcance das nossas crianças, dos nossos jovens, de todos nós em locais públicos e cada vez mais em casa de cada um, nas mais recônditas localidades. No entanto, aquilo a que acedemos é apenas informação. Como transformar essa informação em conhecimento?

Neste processo é fundamental dispor de ferramentas intelectuais que permitam fazer o “caldeamento” da informação recolhendo no “cadinho” da pesquisa e da investigação, o que essa informação acrescentou ao nosso conhecimento.

Na base de todo este processo estão as competências de leitura e de escrita. Sem saber manejar perfeitamente estas ferramentas, não será possível aceder ao mundo da informação com espírito crítico sabendo retirar desta amálgama o que de bom nos interessa para os nossos objectivos. Sem dominar perfeitamente a leitura e a escrita, todo o edifício intelectual fica sem alicerces e facilmente se desmorona.

Neste processo, onde entram as Bibliotecas? Jules Ferry, advogado e político, ministro francês da educação entre 1879 e 1881, que instituiu em França o ensino primário obrigatório, gratuito e laico, escreveu em documentos oficiais que “podemos fazer tudo pela escola, pelos liceus, se não tivermos bibliotecas ainda não fizemos nada”. Sem bibliotecas as nossas escolas ficam amputadas de um elemento essencial para que cumpram com eficácia as suas funções educativas.

A esta frase de Jules Ferry, eu acrescento: no entanto poderemos ter as melhores bibliotecas, com o melhor fundo documental, bem organizadas, dinâmicas e agradáveis. Se não desenvolvermos o hábito, o gosto e o prazer de ler nas nossas crianças, ainda não fizemos nada.

O insucesso e o abandono escolar são um problema com muitas vertentes de causa e efeito: causas económicas, sociais, do nível cognitivo, familiar. Contudo, é também um problema de falta de hábitos de leitura. A criança que termina o 1º ciclo do ensino básico sem dominar perfeitamente a mecânica da leitura e da escrita tem muita dificuldade em acompanhar a maior exigência e complexidade das matérias que vai encontrar no 2º ciclo e se, chegado aí, não conseguir recuperar essas competências então é um potencial candidato ao fracasso escolar.

A criança quando termina o 1º ciclo do ensino básico deve ter atingido níveis muito elevados de competência da leitura. É fundamental que ela esteja em condições de passar do estado de ledor para o estado de leitor. Segundo Edmir Perrotti em “Leitores, ledores e outros afins” (1999), os ledores são «sujeitos que se relacionam apenas mecanicamente com a linguagem, não se preocupando em actuar efectivamente sobre as significações e recriá-las. (…) Os leitores, ao contrário, são seres em permanente busca de sentidos e saberes». Quer dizer que se alcançou um nível muito elevado da mecânica da leitura e que também se adquiriu o hábito, o gosto e o prazer de ler.

Estas competências de leitura vão permitir passar do “como” ao “porquê”. O “como” é o estado bruto em que a informação se nos apresenta. Para que ela se transforme em novos conhecimentos é necessário passar ao “porquê”, estado em que o leitor se interroga sobre o significado da informação que analisa e ao mesmo tempo faz a ligação a outros textos que já leu. O leitor recorre à sua “biblioteca” interior onde tem armazenado o conhecimento adquirido anteriormente: palavras, significados, imagens. Esta intertextualidade, este recorrer à sua biblioteca interior, vai-lhe permitir fazer a ligação à informação que analisa e transformá-la em novos conhecimentos. Isto só acontece porque há já um suporte intelectual preparado para acolher novos conhecimentos.

Todo o processo de transformação da informação em conhecimento está dependente da capacidade de ler, interpretar, sintetizar.

Se não dominar a mecânica da leitura, se não lê habitualmente, terá mais dificuldade em dominar o texto escrito. Por outro lado se ao longo da sua vida não teve um contacto intenso com a leitura, principalmente a leitura literária, o seu vocabulário é muito reduzido. A pobreza vocabular e a falta de um percurso de leitura impede a organização objectiva das ideias e a capacidade de fazer a síntese, o que se traduz num empobrecimento do trabalho intelectual que pode ser determinante para a exclusão do indivíduo nesta sociedade de informação tecnológica.

Tudo isto a propósito do Dia Internacional das Bibliotecas Escolares. Parceiras fundamentais para as literacias devem ser, nas Escolas, o centro nevrálgico de todas as estratégias para o sucesso escolar.
22 de outubro de 2012 
Margarida Custódio Fróis
 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Divulgando o Fundo Local XIV: na ondulação da maré

Na ondulação da maré é o quarto livro editado por Jaime da Costa Lopes, natural da aldeia de Sobral Gordo. Um livro de poesia que se centra na concepção da liberdade do autor e no desejo de acertar contas com a vida.

Jaime Lopes nasceu a 11 de Outubro de 1946. Cedo rumou para Lisboa – Cova da Piedade, trabalhando como marçano numa mercearia. Em 1963 alistou-se como voluntário na Marinha de Guerra Portuguesa, fazendo diversas viagens de serviço sobretudo às antigas colónias. Reformou-se em 2004, quando desempenhava as funções de Patrão-Mor na Capitania de Ponta Delgada, lugar onde escreveu grande parte dos poemas que compõem a obra Na ondulação da Maré.

De acordo com palavras proferidas pelo autor, neste livro “poderão apreciar os três vértices poéticos do meu triângulo mais favorito: o mar, a natureza e, obrigatoriamente, os pedaços desta minha aldeia (Sobral Gordo)”

De acordo com E. S. Tagino, prefaciador do livro, este fala-nos essencialmente de ternura. “Em cada verso, como em cada onda, nós sentimos que o “comandante” que nos guia nesta aventura poética tem um Mundo dentro de si muito maior que esse mundo terreno, em que humanamente se revela. (…) Mundo que está plasmado em palavras de esperança e optimismo que configuram, desde o início, o mais essencial da vida do poeta." 
Os poemas contidos no livro revelam uma coerência estética, quer no conteúdo, quer na forma e em cada poema Jaime Lopes faz uma viagem que começa no mundo exterior, físico e palpável, em direcção a riqueza interior da pessoa, enquanto indivíduo.

Um livro que vale a pena ler e que revela a imensa sensibilidade de Poeta de Jaime Lopes.
Escrever um livro
é viver
à luz das horas íntimas
de momentos espreguiçados
é mergulhar
em vales de melancolia
e ouvir tristes lamentos
que nos faz chegar o vento

Escrever um livro
é escutar
os murmúrios aveludados
do zumbido das letras
que formam palavras
sempre em viagem
sem odor do medo

Escrever um livro
é continuar
vivo para além da morte
depois de entrar na escuridão
e no silêncio desamparado
de um sonho acabado
 
Leia, porque ler é um prazer!