sábado, 18 de novembro de 2017

Novidade na Biblioteca: O ministério da felicidade suprema

Alfragide: Asa, 2017

Num cemitério da cidade, Anjum desenrola um tapete persa puído entre duas campas. Num passeio de betão surge um bebé, como que do nada, num leito de lixo. Num vale coberto de neve, um pai escreve à filha de cinco anos, falando-lhe do número de pessoas que estiveram presentes no seu funeral.

Num apartamento, sob o olhar atento de uma pequena coruja, uma mulher solitária alimenta uma osga até à morte. E, na Jannat Guest House, duas pessoas dormem abraçadas como se tivessem acabado de se conhecer. 

Uma viagem íntima pelo subcontinente indiano, desde os bairros superlotados da Velha Deli e os centros comerciais reluzentes da nova metrópole às montanhas e os vales de Caxemira, com um elenco glorioso de personagens inesquecíveis, apanhadas pela maré da História, todas elas em busca de um porto seguro. Contada num sussurro, num grito, com lágrimas e gargalhadas, é uma história de amor e ao mesmo tempo uma provocação. Os seus heróis, presentes e defuntos, humanos e animais, são almas que o mundo quebrou e que o amor curou. E, por este motivo, nunca se renderão. 

Vinte anos após o enorme sucesso de O Deus das Pequenas Coisas surge o tão aguardado segundo romance da inigualável Arundhati Roy.

Fonte: contracapa do livro


Helena Vasconcelos in Público

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Novidade na Biblioteca: O meu nome era Eileen de Otessa Moshfegh

O Natal é uma época que tem muito pouco para oferecer a Eileen Dunlop, uma rapariga modesta e perturbada, presa a um emprego enfadonho como secretária num instituto de correção de menores e forçada a cuidar de um pai alcoólico. Eileen tempera os seus dias vazios com fantasias perversas e sonhos de fuga para uma cidade grande. Enquanto não o consegue, entretém-se a fazer pequenos furtos na loja de conveniência e a fantasiar com Randy, um guarda do reformatório com corpo de homem e cabeça de rapaz. Quando Rebecca Saint John, uma ruiva vistosa, alegre e inteligente, é contratada como a nova psicóloga do reformatório, Eileen é incapaz de resistir à sedução de uma amizade que promete transformar a sua vida. Mas, numa reviravolta digna de Hitchcock, o poder de Rebecca sobre Eileen converte a rapariga em cúmplice de um crime a que pode ser impossível escapar. Com a paisagem nevada da Nova Inglaterra como pano de fundo, a história de Eileen é arrepiante, hipnótica e divertida.
Com um primeiro romance cheio de força, que agarra e perturba o leitor até à última página, Ottessa Moshfegh faz uma entrada retumbante nas letras norte-americanas.

Fonte: contracapa do livro

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O fogo na floresta

O fogo na floresta

Adormecidas paisagens
Sombras de nostalgia;
Os mortos não são viagens
Nem os silêncios magia.

Trágica contemplação
Os sentidos vagabundos;
Olhos rasos de emoção
E os campos moribundos.

Assaltaram as serras
Maus ventos em chama
Arderam pessoas e terras
Secou a água, ficou a lama.

O negro veste os valados
A alma coberta de urtigas;
Nos penedos nús e calados
Já não se ouvem cantigas.

Carlos Maia Teixeira

O Fogo na Floresta, poema da autoria do Dr. Carlos Maia Teixeira, serve de introdução ao catálogo da exposição “Pintura solidária” e transmite em palavras simples a dor que ficou depois dos incêndios do dia 15 e 16 de Outubro.

A exposição “Pintura Solidária” é uma feliz iniciativa da Editorial Moura Pinto que chega até nós pela mão do artista benfeitense Carlos da Capela e do Presidente daquela Associação o Dr. Carlos Maia Teixeira, com a colaboração da Câmara Municipal de Arganil.

O que faz desta exposição algo muito especial é o facto de o valor da venda dos quadros reverter inteiramente a favor das Comunidades afectadas pelos recentes incêndios que destruíram 92% da área florestal do concelho de Arganil, destruíram casas e levaram várias pessoas à morte.

Composta por 18 quadros de vários artistas ligados ao ATELIER 26 no Porto, a exposição está patente até dia 30 de Novembro em dois locais distintos: Biblioteca Municipal de Arganil – Miguel Torga e Biblioteca Alberto Martins de Carvalho em Côja.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O homem das castanhas

Na Praça da Figueira,
ou no Jardim da Estrela,
num fogareiro aceso é que ele arde.
Ao canto do Outono,à esquina do Inverno,
o homem das castanhas é eterno.
Não tem eira nem beira, nem guarida,
e apregoa como um desafio.

É um cartucho pardo a sua vida,
e, se não mata a fome, mata o frio.
Um carro que se empurra,
um chapéu esburacado,
no peito uma castanha que não arde.
Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado
o homem que apregoa ao fim da tarde.
Ao pé dum candeeiro acaba o dia,
voz rouca com o travo da pobreza.
Apregoa pedaços de alegria,
e à noite vai dormir com a tristeza.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor p'ra casa.

A mágoa que transporta a miséria ambulante,
passeia na cidade o dia inteiro.
É como se empurrasse o Outono diante;
é como se empurrasse o nevoeiro.
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
ardem no fogareiro dores tamanhas.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais amor p'ra casa.

O Homem das Castanhas – letra de José Carlos Ary dos Santos, 
música de Paulo de Carvalho, 
interpretação de Carlos do Carmo.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Chegaram novidades à Biblioteca

Agora que os dias são mais curtos, 
e o tempo vai arrefecendo devagarinho, 
os serões convidam a uma boa leitura!
Viste-nos ou aceda ao nosso catálogo 
e escolha o próximo livro que vai ler!

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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Universo Abierto - um recurso a explorar

Universo Abierto é o Blog da Biblioteca de Tradução e Documentação da Universidade de Salamanca, e pretende ser um referencial para o mundo profissional das bibliotecas e documentação em geral.

Neste blog podem-se encontrar inúmeros artigos e livros sobre as ciências da Informação e da Documentação, sobre a importância dos livros, da leitura e da escrita, sobre as bibliotecas, as novas tecnologias e as diversas faces da literacia, entre outros.

É sem dúvida um recurso a explorar.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Novidade na Biblioteca: Manual para mulheres de limpeza de Lucia Berlin

Manual para mulheres de limpeza reúne o melhor da obra da lendária escritora norte-americana Lucia Berlin, comparada a escritores como Raymond Carver, Richard Yates, Marcel Proust e Tchékhov. Com um estilo muito próprio, Lucia Berlin faz eco da sua própria experiência - tão rica quanto turbulenta - e cria verdadeiros milagres a partir da vida de todos os dias.
As suas histórias são pedaços de vida convulsas. Histórias de mulheres como ela, que riem, choram, amam, bebem, vivem e sobrevivem. Histórias de mães e filhas, casamentos fracassados e gravidezes precoces. Histórias de emigração, riqueza e pobreza, solidão, amor e violência. Seja em salões de cabeleireiro, lavandarias, consultórios de dentistas ou colégios de freiras, nestas páginas acontece o inesperado. Testemunham-se os pequenos milagres e tragédias da vida, que Lucia Berlin trata por vezes com humor, por vezes com melancolia, mas sempre com comovente empatia e extraordinária vivacidade, como se as personagens e os lugares - extraordinariamente reais - saltassem da página.

Fonte: contracapa do livro

"Os contos de Lucia Berlin são eléctricos, zumbem e crepitam quando os fios descarnados se tocam. E, em reacção a isso, também a mente do leitor, cativada, arrebatada, ganha vida, com todas as sinapses a disparar. É assim que gostamos de estar quando lemos - a usar o cérebro, a sentir os batimentos cardíacos.
Parte da vivacidade da prosa de Lucia Berlin está no ritmo - por vezes fluido e calmo, equilibrado, errante e solto; e, por vezes, em staccato, notacional, acelerado. (...)"

Excerto do prefácio de Lydia Davis


Para saber mais sobre a escritora e a sua obra consulte:

"Manual para mulheres de limpeza", de Lucia Berlin, vence prémios em Espanha e nos EUA - Lusa
Onde é que tu andavas, Lucia Berlin? - Ágata Xavier - Revista Sábado Lucia Berlin. A história das coisas que aconteceram - Jornal Sol

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Recordar Camilo Pessanha nos 150 anos do seu nascimento

Camilo de Almeida Pessanha nasceu a 7 de Setembro de 1867 em Coimbra e faleceu a 1 de Março de 1926 em Macau. Em 1891 concluiu o curso de Direito na Universidade de Coimbra. Em 1894 radicou-se em Macau como professor de Filosofia. A partir de 1900 exerceu ali o cargo de conservador do registo predial. De grande sensibilidade e de uma abulia que nem as misérias da vida estimulavam, refugiou-se no apagamento social e, para quebrar a sua solidão povoada de fracassos e inibições, mas vibrátil aos lampejos de beleza, recorreu ao inebriamento do ópio e à ligação afectiva com uma chinesa. Escreveu poemas e sonetos de uma perfeição modelar. O volume China. Estudos. Traduções, 1944, contém ensaios sobre a China. Tendo convivido em Coimbra com poetas como Eugénio de Castro, António Nobre, Alberto de Oliveira e A. Osório de Castro, assistiu à eclosão do movimento simbolista em Portugal (…) Escrevia poesia para si próprio para se libertar dos fantasmas que o oprimiam, daí o não cuidar da sua divulgação, nem mesmo da sua escrita, contentando-se com retê-la de memória. Os poemas do volume Clepsidra, 1920, depois de transcritos pelo futuro poeta J. De Castro Osório, vieram a lume graças à escritora Ana de Castro Osório e foram reeditados com o título Clepsidra e Outros Poemas, 1969. Pelo poder encantatório das suas palavras plenas de musicalidade e ricas de imagens que captam sugestivamente a natureza ilusória da realidade que no seu fluir nos incita à mais íntima adesão, é o representante mais genuíno do simbolismo e um dos vultos mais significativos da poesia portuguesa.

In: Portugal século XX: portugueses célebres. Coord. Leonel de Oliviera
Lisboa: Círculo de Leitores, 2003

Produção: Francisco Manso, produções





Para saber mais sobre Camilo Pessanha e a sua obra consulte:


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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Nobel da Literatura 2017 - Kazuo Ishiguro

Kazuo Ishiguro nasceu em Nagasáqui, no Japão, em 1954 e foi para Inglaterra aos 5 anos. Publicou o seu primeiro livro Colinas de Nagasaki aos 27 anos, ao qual se seguiu Um artista num mundo transitório, publicado em 1986. Embora elogiado por estes dois romances, o prestígio internacional de Ishiguro viria com o título seguinte: Os despojos do dia publicado em 1989, que venceu o Booker Prize. Seguiram-se Os inconsolados (1995), Quando éramos órfãos (2000), Nunca me deixes (2005), Nocturnos (2009) e O gigante enterrado (2015).

Kazuo Ishiguro tem a sua obra traduzida em mais de três dezenas de países, e viu a sua obra premiada por diversas vezes. O autor foi ontem anunciado como Prémio Nobel da Literatura 2017. Para a Academia Sueca justifica-se o Nobel da Literatura devido a ter "nos seus romances uma força emocional muito grande, e ter revelado o abismo entre o sentido do ilusório e a sua ligação ao mundo".

Obras do autor disponíveis na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil:
Os despojos do dia. 2ª ed. Lisboa : Gradiva, 1995. 208 p. ISBN 972-662-209-3
Os inconsolados. 1ª ed. Lisboa : Gradiva, 1995. 425 p. ISBN 972-662-428-2
Quando éramos órfãos. 1ª ed. Lisboa : Gradiva, 2000. 308 p. ISBN 972-662-761-3

Para saber mais consulte:


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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Plano Nacional de Leitura

Ler + todas as palavras do mundo é o lema do Plano Nacional de Leitura (PNL) 2027, apresentado no dia Mundial do Livro de 2017, que começa agora a ser implementado.




Toda a informação, novidades e recursos do PNL 2027 estão disponíveis no site http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/, que se constitui sem dúvida como uma mais-valia para todos nós e merece ser explorado. No site para além de se encontrarem as listas de leitura recomendada, os utilizadores têm acesso à Biblioteca de Livros Digitais, à plataforma de E-learning e a um conjunto de estudos sobre literacia, entre diversos outros recursos.

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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Sugestão de leitura: Iluminações de uma mulher livre

Pimenta, Samuel F. - Iluminações de uma mulher livre
Barcarena: Marcador, 2017
Na aldeia onde é rejeitada e perseguida pela população, Isabel acorda com a única ideia capaz de a libertar do casamento opressor em que vive: matar o marido. Se, de início, a ideia lhe parece improvável, vai ganhando força à medida que recorda as histórias das mulheres do passado, de que a avó lhe falava quando, com outras mulheres, se reuniam em grupos femininos secretos para falarem de oráculos, curas e magia.

Isabel é moderna, sensível, curiosa e sempre quis a sua independência. Cresceu na capital, mas mudou-se para a aldeia por causa do casamento. E foi essa união que a aprisionou numa existência de medo e abuso. Só ela pode libertar-se desse homem castigador, e ao longo de vários dias Isabel confronta-se com todos os receios e dúvidas, imaginando planos e lembrando-se dos ensinamentos da avó, procurando argumentos que fortaleçam a sua decisão, enquanto cumpre com todos os rituais quotidianos da casa com beleza e empenho poético. 

Iluminações de uma Mulher Livre revisita histórias por via da tradição oral, figuras históricas, mitos e referências da literatura universal.

Fonte: contracapa

Iluminações de uma Mulher Livre "é um livro sobre a sociedade patriarcal em que ainda vivemos, sobre os movimentos de controlo e de formatação a que estamos sujeitos, grande parte deles violentos, mas também sobre o sonho – diria mesmo a utopia – de um mundo organizado horizontalmente, sem fronteiras, sem tentativas de domínio e de predação sobre as diversas formas de vida, em que comunidades circulares abertas comunicam para evoluir conjuntamente de forma a viver na Terra em harmonia."


Livro disponível para empréstimo na Biblioteca Municipal de Arganil

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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Novidade na Biblioteca: Imaculada de Paula Lobato de Faria

Portugal, 1956

Tempo da ditadura de Salazar, da censura e da PIDE. Numa família da alta burguesia, no interior do país, o lema "Deus, Pátria e Família" é sagrado. Mas a vida estremece quando na casa dos Correia bate à porta o amor e o desejo de liberdade.



Esta é uma história inspirada em acontecimentos reais em que a dualidade de ser e de parecer, da lealdade e da traição, do amor e da obrigação nos leva a caminhos imprevisíveis.


Pode requisitar o livro na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Novidade na Biblioteca: O leitor do comboio de Jean-Paul Didierlaurent

O poder dos livros através da vida das pessoas que eles salvam. Uma obra que é um hino à literatura, às pessoas comuns e à magia do quotidiano.

Jean-Paul Didier Laurent é um contador de histórias nato. Neste romance, conhecemos Guylain Vignolles, um jovem solteiro, que leva uma existência monótona e solitária, contrariada apenas pelas leituras que faz em voz alta, todos os dias, no comboio das 6h27 para Paris.

A rotina sensaborona do protagonista desta história muda radicalmente no dia em que, por mero acaso, do banquinho rebatível da carruagem salta uma pendrive que contém o diário de Julie, empregada de limpeza das casas de banho num centro comercial e uma solitária como ele… Esses textos vão fazê-lo pintar o seu mundo de outras cores e escrever uma nova história para a sua vida.

O Leitor do Comboio revela um universo singular, pleno de amor e poesia, em que as personagens mais banais são seres extraordinários e a literatura remedia a monotonia quotidiana. Herdeiro da escrita do japonês Haruki Murakami, dotado de uma fina ironia que faz lembrar Boris Vian, Jean-Paul Didierlaurent demonstra ser um contador de histórias nato.

Fonte: contracapa do livro
Siga o link e leia as primeiras páginas do livro.
A composição imobilizou-se junto à plataforma com um violento rangido de freios. Guylain afastou-se da linha branca e subiu para o estribo da carruagem. À direita da porta, aguardava-o um estreito banco rebatível. Preferia a dureza do tampo plástico cor de laranja à macieza dos bancos estofados. Com o passar dos anos, o banco rebatível acabara por fazer parte do ritual. O ato de baixar o assento tinha qualquer coisa de simbólico que o tranquilizava. À medida que a carruagem se punha em marcha, tirou a pasta de cartão da maleta de cabedal que o acompanhava sempre. Entreabriu-a com cuidado e exumou, do meio de dois mata-borrões de um rosa-bombom, a primeira folha. O papel fino, meio rasgado e esfrangalhado no canto superior esquerdo,  pendia-lhe entre os dedos. Era uma página de livro, formato 13x20. O jovem examinou-a por momentos antes de a pousar de novo no meio das folhas de papel absorvente. Pouco a pouco fez-se silêncio na carruagem. Por vezes, os «chius» de desaprovação retumbavam para fazer calar algumas conversas que custavam a morrer.E então, como todas as manhãs, depois de um derradeiro pigarrear, Guylain começou a ler em voz alta (...)
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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Novidade na Biblioteca: Memórias da Serra do Açor de António Nunes Gouveia

O livro “Memórias da Serra do Açor” é um conjunto de contos, lendas e memórias da autoria de António Nunes Gouveia.

Nascido em Sobral Magro, no ano de 1899, António Nunes Gouveia cedo rumou a Lisboa onde desempenhou diversas profissões: marçano, operário fabril, empregado de armazém. Esteve emigrado em França e no regresso a Portugal, aos 24 anos, foi estudar para Coimbra, tendo-se licenciado em Filologia Germânica aos 31 anos.

Depois de se reformar dedicou o seu tempo a escrever “tudo o que a memória guardava, da sua terra natal”. Textos que deixou em manuscrito, que “andou desparecido durante décadas”. Por esse motivo o livro “Memórias da Serra do Açor” apenas foi publicado em 2016, 31 anos após a morte do autor.

Estes apontamentos têm a sua história. Certo dia em conversa com a Maria José, manifestei pesar pela perda de acontecimentos, lendas e historietas que terão, porventura, algum interesse para o estudo da etnografia da Beira Litoral (…) No dia seguinte, encontrei sobre a mesinha de cabeceira um caderno de apontamentos… Que significado atribuir-lhe? Estímulo ou desafio?
Passaram-se dias e sempre que entrava no quarto, acordava, me levantava, lá estava o maldito caderno na mesma posição, como que a fixar-me com ar interrogativo. Eu bem me esforçava por esquecer, desviar o olhar e fazer de conta que nada existia ali. Impossível. Cada vez a sua presença se tornava mais hostil e provocante (…). Era pois necessário acabar com esta situação desagradável. (…)
Durante a insónia habitual da noite seguinte (…) lancei mão ao caderno e esferográfica e rabisquei a história «O tesouro encantado» (…) Sucederam-se o restantes assuntos (…)
Tudo isto, espécie de rascunho, necessita de ser passado a limpo e corrigido. (…) Esse trabalho enfadonho deixo-o para algum dos meus descendentes (…)
Cascalheira, 9 de Agosto de 1984
Excerto das Introdução pelo autor

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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Livro do mês: A Insustentável leveza do ser

A Insustentável Leveza do Ser da autoria de Milan Kundera, publicado em 1984, é seguramente um dos romances míticos do século XX. Neste romance Kundera explora a ideia de leveza e peso das escolhas humanas através da história de dois casais. Tomas, cirurgião, que procura a liberdade sexual como forma de alcançar a felicidade; Teresa, fotógrafa, mulher de Tomás; Sabina, pintora, amante do médico; Franz, professor universitário, amante de Sabina. Por força das suas escolhas ou por interferência do acaso, cada um dos protagonistas experimenta, à sua maneira, o peso insustentável que baliza a vida.

A Insustentável Leveza do Ser é uma tapeçaria de ideias tecidas através da vida dos personagens pela voz provocadora do autor-narrador, em que diversas vezes o leitor é interpolado diretamente provocando reflexões existenciais, religiosas, políticas sobre comportamentos estabelecidos na sociedade do século XX e sobre o amor nas suas diferentes formas.

Sobre este romance, Italo Calvino escreveu: "O peso da vida, para Kundera, está em toda a forma de opressão. O romance mostra-nos como, na vida, tudo aquilo que escolhemos e apreciamos pela leveza acaba bem cedo se revelando de um peso insustentável…” 

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Novidade na Biblioteca: O escravo de Anand Dílvar

Uma obra sobre a liberdade, o perdão e a superação pessoal, destinada a tornar-se um clássico espiritual dos nossos tempos.

Após sofrer um terrível acidente, o protagonista desta história vê-se preso a uma cama de hospital. Apesar de imobilizado e de todos pensarem que se encontra em coma, tem os olhos abertos e está consciente, vendo e ouvindo tudo o que se passa à sua volta. Incapaz de comunicar com quem o rodeia, é tomado por um sentimento de ódio e impotência que o leva ao desespero e a invocar a morte, para acabar com o seu sofrimento.

Nesse momento, ouve uma voz interior, um guia espiritual com quem conversa procurando encontrar um sentido para a vida. Começa então a compreender que, ao tentar fugir dos seus problemas e ao não controlar os seus pensamentos e emoções, se tornou escravo de si próprio, vivendo preso ao passado, infeliz e carregando um pesado fardo de ressentimentos, medos e sentimentos de culpa.

Parte então numa viagem interior para recuperar a sua liberdade, tomando consciência de que a sua felicidade depende apenas de uma reconciliação consigo mesmo.

Fonte: contracapa do livro

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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Bibliotecas por Eugénio Lisboa

Sonhei, desde muito novo, com bibliotecas: as que pudesse visitar e as que eu próprio viesse a possuir. As paredes de uma sala, cobertas de estantes carregadas de livros, pareciam-me o suco da barbatana, em matéria de decoração. Adorava ler livros e adorava ter livros. Aí pelos meus 15 anos, tive finalmente a minha biblioteca, quando um generoso amigo e colega do meu pai me ofereceu um belo acervo de cerca de cem livros e uma pequena estante para lá os acomodar. Era pequena, mas boa: livros de ficção. De história, de filosofia, de teatro, de poesia… de ciência. Fiquei deliciado e não havia dia em que não lesse um pedacinho daquela excelente colecção. Os melhores escritores do mundo, ali, em concentrado. Depois, aquela pequena biblioteca foi crescendo, à medida que crescia o meu poder de compra. E foi também crescendo, em desproporção do meu poder de ler tudo aquilo que comprava. Fui tendo, por assim dizer, uma biblioteca em expansão, como são todas as verdadeiras bibliotecas, e conheci, de caminho várias bibliotecas públicas e privadas, em vários países.

As bibliotecas são, como se sabe, bons lugares para consulta, leitura e empréstimo de livros (e, hoje em dia, de livros em vários suportes, além de discos com música, DVD’s, etc.) mas as bibliotecas não servem apenas para o ato nobre de ler ou consultar: têm outras inesperadas serventias (…)”

Excerto do texto “Bibliotecas” de Eugénio Lisboa
in Jornal de Letras, Artes e Ideias nº 1224 (30.08.2017), p. 33

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Sugestão de leitura: O Senhor dos anéis de J. R. R. Tolkien

O senhor dos anéis uma saga fantástica ocorrida na Terra Média, uma coligação de povos de mundos diferentes orientada por um mago, a bênção da bela rainha dos Elfos, uma Irmandade de raças que parte para a guerra contra o Senhor das Trevas são os ingredientes de uma história que já conta com mais de 100 milhões de leitores.

O tema primeiro da trilogia de O Senhor dos Anéis, da autoria de J.R.R. Tolkien, é a luta planetária entre o Bem e o Mal, contudo este interpenetra com outro: a amizade, o combate ao preconceito, a aceitação do «outro». As personagens principais pertencem a culturas e raças diferentes mas todas partilham características humanas: a imperfeição, o orgulho, a ambição de poder, a capacidade de destruir, mas também o amor, a solidariedade, o talento criador, a admiração pelo belo. 

Sauron, o Senhor dos anéis, encarna o mal. Fabricou um anel mágico com o qual pode escravizar todos os povos. Tendo-o perdido séculos antes, procura-o desesperadamente e reúne um exército para lançar o assalto final sobre os reinos dos homens e dos elfos. É para evitar a destruição que os povos livres se coligam. Homens, hobbits, elfos e anões formam uma irmandade cujo objectivo é a destruição do Anel.

Esta é uma obra que nos apresenta um mundo fantástico, irreal mas profundamente apelativo, descrito com um rigor e pormenorização excepcionais que convida a um verdadeiro mergulho na leitura e nos conduz a uma viagem épica.

Adaptado a partir de O Senhor dos Anéis de Maria Rosário Monteiro
Artigo publicado na revista do "Expresso" nº 1518 de 01/12/2001

Pode requisitar os livros da trilogia na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil

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sábado, 26 de agosto de 2017

Tempo para a poesia XXII

Minha Natureza 

Sou todo teu. Ossos, carne, pó. 
E basta estar ao teu lado, nu 
Para me não sentir jamais só. 
Somos assim: pedaço do mundo cru. 

E quando um dia morrer... 
Aceitar-me-ás de novo; teus braços. 
Feliz estarei por sermos de novo um crer. 
Renascerei em flor, árvore, em cor, de sóis baços. 

Sou teu, é este o meu eterno verde dever. 
Folha, sol, mar, sal, amanhecer: ser.

por Rui M.

(retirado do blog "Contos das Estrelas")

Rui M. é natural da aldeia de Priados, freguesia de Pombeiro da Beira. Para além de ser autor do livro "Tales for the ones in love", mantém dois blogues, "Contos das Estrelas" e "Tales for the ones in love" onde publica artigos relacionados com cultura e literatura. 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Novidade na Biblioteca: As viúvas de Dom Rufia de Carlos Campaniço

Um romance irresistível e cheio de humor. Alentejo cheio de personagens fascinantes e inesquecíveis.

Conhecido por Dom Rufia desde moço, Firmino António Pote, criado sem recursos numa vila alentejana, promete a si mesmo tornar-se rico. Negando-se à dureza do trabalho do campo, divide durante anos a sua sobrevivência entre o ócio e alguns negócios frugais. Mas, já nos trinta, munido de assombrosa imaginação, bonito como poucos e gozando de uma enorme capacidade de persuasão, sobretudo entre as mulheres, lobriga várias maneiras de alcançar o seu objectivo, fingindo continuamente ser quem não é. Para isso, porém, é obrigado a viver em vários lugares ao mesmo tempo, dando a Juan de los Fenómenos, um velho chileno em busca de proezas sobre-humanas, a ilusão da ubiquidade. 

Quando o corpo sem vida de Dom Rufia é encontrado no meio do campo, a recém-empossada Guarda Republicana não imagina as surpresas que o funeral reserva. O aparecimento de uma estranha carta assinada pelo tio do morto é só o princípio da desconfiança de que ali há mão criminosa.

Depois do muito aplaudido Mal Nascer, finalista do Prémio LeYa em 2013, Carlos Campaniço regressa à ficção com um romance irresistível e cheio de humor, cuja acção decorre no início do século XX, num Alentejo onde pululam personagens fascinantes e inesquecíveis.



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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Opinião de leitor: Re-viva o imperador!

Porto: Porto Editora, 2017
Mantido em perfeito estado de conservação pelas águas glaciais do mar do Norte, respescado por uma traineira e depois descongelado, Napoleão Bonaparte, oficialmente morto no dia 5 de maio de 1821, regressa à vida em pleno século XXI, no momento dos atentados jihadistas de Paris, mesmo a tempo de salvar o mundo…

“Napoleão não podia deixar os Franceses naquela situação. Nunca tinha abandonado o seu país e não era agora que ia começar. (…) o destino trouxera-o uma segunda vez à vida por uma razão.” Assim, Napoleão toma como objectivo lançar-se na guerra contra os jihadistas e salvar a França. Decide construir o seu próprio exército. Procura um genealogista com o propósito de encontrar os seus descendentes e os recrutar e traça um plano para derrotar definitivamente o inimigo.

Se a princípio o livro parece frívolo, o avanço das páginas permite-nos ver que este romance é muito mais de que uma simples comédia. Como se pode ler na contracapa esta obra é uma reacção do autor, Romain Puértolas, aos tempos sombrios que se vivem. 

Importante ao longo da leitura, e tal como o narrador faz questão de relembrar amiúde, é que “Napoleão era muito inteligente”.

Boas leituras!

Miriella de Vocht

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Novidade na Biblioteca: Os meninos de Irena de Tilar Mazzeo

Em plena Segunda Guerra, nos sussurros desesperados dos judeus, um nome passa de boca em boca: o de Irena Sendler, a jovem assistente social que está disposta a tudo para salvar as crianças judias dos campos de concentração. 

Quando, em 1942, Irena entrou no gueto de Varsóvia, o que viu dilacerou-lhe o coração. Ela sabia o destino de cada um dos judeus com quem se cruzava todos os dias. E foi incapaz de ficar indiferente. Começou a percorrer as ruas do gueto, bateu a todas as portas e pediu aos pais que lhe confiassem os seus filhos. Sob a vigilância apertada do regime nazi, Irena começou a levar as crianças para fora do gueto, e rumo à liberdade. Escondidas em caixões ou debaixo de sobretudos, em fuga pelo sistema de esgotos ou por passagens secretas entre edifícios, não havia nada que ela não estivesse disposta a fazer… Com a ajuda das mães, do seu amante judeu na Resistência, de amigos e vizinhos, Irena salvou cerca de 2500 crianças. 

Mas Irena fez mais ainda: manteve sempre um registo da verdadeira identidade de todos os meninos e meninas, para que um dia pudessem reencontrar os seus entes queridos. Receando ser descoberta, enterrou a lista sob uma macieira no jardim de uma amiga. Não podia imaginar que cerca de 90% das famílias dessas crianças não sobreviveria ao Holocausto. 

Irena Sendler correu riscos inimagináveis para salvar inocentes da barbárie nazi. É uma heroína da Segunda Guerra, considerada a versão feminina de Oskar Schindler. Foi nomeada para o Prémio Nobel da Paz em 2007, o ano que antecedeu a sua morte aos 98 anos. Esta obra é a devida homenagem à sua humanidade e bravura.

Fonte: contracapa do livro


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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Novidade na biblioteca: O que viram as flores de Julia Heaberlin

Sou estrela de cabeçalhos de jornal e de histórias assustadoras à roda da fogueira. Sou uma das quatro raparigas das susanas-de-olhos negros. A que teve sorte. 

Aos 16 anos, Tessa foi encontrada num campo do Texas, quase morta e só com alguns fragmentos de memória em relação à sua chegada ali. A imprensa chama-lhe a única «rapariga das susanas-de-olhos negros» que sobreviveu a um serial killer. O testemunho de Tessa mandou um homem para o corredor da morte. 

Passados 20 anos, Tessa é artista e mãe solteira. Num dia de fevereiro, abre a janela do seu quarto e depara com um magnífico canteiro de susanas-de-olhos-negros diante de si, embora se trate de flores de verão. 

Será que o homem que espera a morte é inocente? E andará o serial killer atrás dela? Ou, pior ainda, da sua filha?

Fonte: contracapa do livro


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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Livro do mês: O alienista de Machado de Assis

"Não há consenso quanto ao género. Novela ou um conto longo. O Alienista é um dos mais perfeitos exemplares do génio de Machado de Assis. Apesar de não ter o fôlego de romances como Memórias Póstumas de Brás Cubas ou Dom Casmurro, nem ser narrado na primeira pessoa, contém as marcas que fazem de Assis um dos maiores escritores da história da literatura. Ironia, atenção à mente humana, sátira moral e de costumes e uma refinada arte narrativa.

A acção de [o Alienista] decorre numa pequena cidade do interior do Brasil, Itaguaí, para onde foi viver Simão Bacamarte. Este dedicava a sua existência ao estudo, desviando-se de tudo o que pudessem ser distracções ao seu objectivo: o avanço da Ciência. Por isso, aos 40 anos, casou com uma mulher "não bonita nem simpática", D. Evarista da Costa e Mascarenhas, que "reunia condições fisiológicas e anatómicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista". A avaliação clínica revelou-se desastrosa, mas não impediu Simão Bacamarte de se empenhar na que considerava ser a mais elevada das missões de um médico: o estudo da saúde mental. Com a ironia como grande ferramenta, Assis serve nesta obra breve uma boa dose de inquietação, seduzindo o leitor do princípio ao fim numa teia sem mácula.

Fonte: Revista Visão nº 1265 (01.06.2017)


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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Tempo para a poesia XX

Algarve

Levo-te emoldurada na retina,
Terra que Portugal sonhou e sonha ainda,
Que imagina depois de conhecer.
Só na retina poderei reter
Um mar que é outro mar,
Um sol que é outro sol,
Gente que é outra gente,
E casas que parecem de repente
Albornozes de pedra.
Magias naturais como a paisagem
Aberta à luz do dia,
Sempre real e sempre uma miragem
Táctil e fugidia.

Miguel Torga in Poesia Completa
Lisboa: Dom Quixote, 2002

terça-feira, 25 de julho de 2017

Novidade na Biblioteca: Nos passos de Santo António de Gonçalo Cadilhe

Lisboa: Clube do Autor, 2016
Em Nos passos de Santo António Gonçalo Cadilhe refaz a grande viagem do Santo Português de Pádua que viajou durante dez anos numa época em que as estradas tinham desaparecido, o sistema cambial ainda não fora inventado, os idiomas não se traduziam em dicionários e os mapas não existiam.

Nesta obra Gonçalo Cadilhe transmite toda a atmosfera do início do século XII, como a Reconquista Cristã, o espírito das Cruzadas, a guerra civil entre o Papa e o Imperador e a amizade com São Francisco de Assis. O autor transmite-nos um olhar inédito sobre o santo português. É o olhar de um viajante que, oito séculos depois, reconstitui o itinerário fundamental da vida do santo recorrendo a várias fontes históricas e aos percursos consagrados na época.

Adaptado do Diário de Coimbra nº 29622 (24.07.2017), p. 12


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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Biblioterapia: como é que os livros curam?

A biblioterapia é geralmente tida como um método que utiliza a leitura como coadjuvante no tratamento de pessoas acometidas por alguma doença física ou mental. É aplicada como educação e reabilitação em indivíduos de diversas faixas etárias, e entre outros assenta no pressuposto de que a leitura é um processo dinâmico, sempre em alteração e movimento. Ou seja a leitura é susceptível de provocar a mudança. 

Embora ainda de forma embrionária, em Portugal esta forma de terapia complementar começa já a ganhar adeptos, como se pode ler no artigo "Biblioterapia como é que os livros curam?" de Catarina Lamelas Moura na edição online do jornal Público.

O aproveitamento da leitura para fins terapêuticos vem do tempo dos gregos e dos romanos. Ao longo da história, há relatos de médicos que utilizavam passagens da Bíblia para ajudar à cura e, ao longo do século XX, começaram a surgir os primeiros estudos nesta área. Um dos grandes impulsionadores da prática foi o filósofo Alain de Botton, que em conjunto com outros colegas, fundou, em 2008, The School of Life (...) Num dos vídeos do YouTube, que soma mais de 2,6 milhões de seguidores, é explicado em menos de cinco minutos por que é que a literatura é importante para o ser humano: “Dá-nos um leque de emoções e eventos que levaríamos anos, décadas, milénios, para sentir directamente.” Ou seja, é um “simulador de realidade” que nos permite de forma segura sentir na pele, por exemplo, como é passar por um divórcio, matar alguém e ter remorso e abandonar o emprego para fazer uma viagem à volta do mundo.
 Para saber mais sobre este assunto pode ainda consultar:

A leitura como tratamento: diversas aplicações da biblioterapia/ Geyse Maria Almeida
Biblioterapia: estado da questão/ Ana Cristina Abreu; Maria Ángeles Zulueta, Anabela Henriqes
A Historical Review of Bibliotherapy/ William K. Beatty
A leitura como função terapêutica/ Clarice Fortkamp Caldin

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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Bicentenário da Morte de Jane Austen

Único retrato original de Jane Austen,
aguarela feita por Cassandra Austen, 1810.
Autora de clássicos como Orgulho e preconceito, Sensibilidade e Bom Senso e Emma, Jane Austen foi uma das mais importantes romancistas inglesas. Nasceu a 16 de Dezembro de 1775 e faleceu a 18 de Julho de 1817, celebrando-se este ano o bicentenário da sua morte.

O que há em Jane Austen que a mantém mais viva do que o foi no seu próprio tempo?
"Os enredos das seis obras-primas que deixara completas, aparentemente tão semelhantes entre si, poderiam ficar-se pela inóspita categoria de ‘literatura leve’, não fosse a complexidade verbal entre linhas, entre páginas, a análise fulgurante e intrincada das relações sociais e familiares, o retrato de tantas personagens inesquecíveis, tudo acompanhado pelo som da música dos bailes e das festas, amarfanhado nas pregas dos vestidos ou na poeira dos caminhos, atordoado nas deslocações pelas estradas de Inglaterra, no caos do tempo e das paixões, mas destinado a uma harmonia final e longamente desejada", escreve Helena Vasconcelos, crítica literária do PÚBLICO, grande conhecedora da obra de Jane Austen. É um excerto de Não Há Tantos Homens Ricos Como Mulheres Bonitas que os Mereçam (Quetzal, 2016), uma ficção/ensaio de Vasconcelos a partir da vida e da obra da autora que entrou no cânone com livros como Orgulho e Preconceito, Sensibilidade e Bom Senso, Emma ou Mansfield Park. 
Fonte: Público
Para saber mais sobre a escritora e a sua obra consulte:

Talento e ironia. Jane Austen, 200 anos depois por Maria João Marques - Observador
Jane Austen's facts and figures – in charts por Adam Frost, Jim Kynvin and Amy Watt - The Guardian

Aceda ao catálogo da Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil e veja quais os livros da autora que temos disponíveis para si.

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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Sugestão de leitura: O homem domesticado de Nuno Gomes Garcia

Nuno Gomes Garcia, finalista do Prémio Leya 2015 com um romance histórico dotado de grande poder de fabulação, O Dia em que o sol se apagou, regressa com O Homem Domesticado, uma das raras distopias escritas por autor português. (...)
O Homem domesticado explora um futuro regido por um Estado Totalitário mas desenvolve-se no sentido do labirinto de complexos sentimentais e do tradicional esquema da intrigas policial (...)
Uma bela distopia de natureza policial - empolgante e enigmática como todos os romances policiais. 

Miguel Real in Jornal de letras nº 1220
E se a sobrevivência da humanidade dependesse da absoluta submissão do homem à mulher?

Desde o tempo em que Marine alcançou o poder, dando início a uma nova era, a sociedade foi-se progressivamente desumanizando: os conceitos de amor e de amizade deixaram de fazer sentido, os prazeres são malvistos e o sexo está proibido pelo novo regime totalitário, até porque a reprodução passou a ser padronizada e desenvolvida artificialmente em laboratórios. As mulheres tornaram-se senhoras do mundo e submeteram os homens à condição de escravos – machos domesticados que, vivendo no medo e na ignorância, lavam, cozinham, obedecem, calam, saem à rua cobertos da cabeça aos pés.

A cidadã Francine Bonne é aconselhada pelas autoridades a escolher um segundo marido, depois de Pierre ter sido considerado um peso morto; mas desconhece que, ao trazer para casa um macho que foge ao cânone e cuja origem está envolta em mistério, a sua vida e a de Pierre sofrerão uma absoluta transformação. A ponto de o regime se sentir abalado com a possibilidade de um suposto retrocesso civilizacional...

Amores proibidos, subversão, crime, reeducação coerciva – tudo se combina magnificamente neste romance a um tempo sensual e cerebral: uma distopia à maneira de 1984, de George Orwell, que reflete de forma lúcida e desafiante sobre as problemáticas que caracterizam a sociedade atual.

Fonte: www.leya.pt


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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Novidade na Biblioteca: A rainha Ginga de José Eduardo Agualusa

Personalidade originalíssima da história de África e do Mundo, ao mesmo tempo arcaica e de uma assombrosa modernidade a rainha Ginga tem fascinado gerações, desde o Marquês de Sade até as feministas afro-americanas dos nossos dias.

Através deste romance, José Eduardo Agualusa conta a história de uma relação de amor e de combate permanente entre Angola e Portugal, narrada por um padre pernambucano que atravessou o mar e recorda personagens maravilhosos e esquecidos da nossa história - tendo como elemento central a Rainha Ginga e o seu significado cultural, religioso, étnico e sexual para o mundo de hoje.

Leia aqui as primeiras páginas do livro.

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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Tempo para a poesia XIX

Letra de Fernando Araújo Muralha, música de Ferrer Trindade
In: A Comarca de Arganil nº 3639 (09.05.1950), p. 2

(clique sobre a imagem para aumentar)

terça-feira, 4 de julho de 2017

Novidade na Biblioteca: No país das últimas coisas de Paul Auster

Esta é a história de Anna Blume e da sua jornada em busca do irmão desaparecido numa cidade sem nome. Mas tal como a cidade, a sua tarefa está condenada. A cidade transformou-se num campo de batalha onde imperam a miséria, violência e a selvajaria. Todos procuram algo ou alguém que desapareceu. Todos lutam para suprir a fome: no sentido literal, uma vez que os alimentos são escassos; e fome também no sentido abstracto, pois os últimos resquícios de humanidade impelem os cidadãos a procurar o amor e a partilha de linguagem e significado. 

Através da solidão de Anna, Paul Auster conduz-nos a um mundo indeterminado e devastado no qual o eu desaparece entre os horrores a que o lento apagar da moral humana conduz. Não se trata apenas de um mundo imaginário e futurista - mas de um mundo que reflecte o nosso e, ao fazê-lo, lida com algumas das nossas mais sombrias heranças. Nesta visão apocalíptica de uma cidade despojada da sua humanidade, pulsa um inesquecível romance sobre a condição humana.

Fonte: contracapa do livro

"Quando caminhamos pelas ruas, prosseguiu ela, há uma coisa que temos de ter sempre bem presente: dar apenas um passo de cada vez. Caso contrário, a queda é inevitável. Os nossos olhos têm de estar constantemente abertos, apontados para cima, apontados para baixo, apontados para a frente, apontados para trás, atentos ao eventual aparecimento de outros corpos, sempre de sobreaviso contra o imprevisível. Chocar com alguém pode ser fatal. Quando duas pessoas chocam, desatam logo ao murro uma à outra. Ou então caem redondas no chão e não fazem nenhum esforço para se levantarem. Mais tarde ou mais cedo, surge um momento em que uma pessoa já não faz nenhum esforço para se levantar. É a dor imensa dos corpos, compreendes e para isso não há cura. E, aqui, o sofrimentos dos corpos é mais atroz do que em qualquer outro lugar."
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terça-feira, 27 de junho de 2017

Novidade na Biblioteca: Natural - o grande livro da cozinha vegetariana

A alimentação vegetariana é rica e diversificada, um universo de cores, sabores e texturas que nos permitem ir do mais simples ao mais sofisticado dos pratos e explorar os limites da imaginação.

Joana Alves, autora do blogue Le Passe Vite, apresenta-nos Natural, um livro com mais de 100 receitas vegetarianas, vegan e raw, que nos explica que é essencial o regresso a uma cozinha mais saudável, sem alimentos processados e refinados. Aqui tudo é feito com ingredientes verdadeiros, desde os leites vegetais, germinados ou alimentos fermentados, que a autora ensina a fazer em casa, até opções para pequenos-almoços mais saudáveis, como a Granola de Maçã, as Panquecas de Sarraceno e as populares Overnight Oats, passando por deliciosos pratos principais como o Caril de Grão-de-bico e Abóbora ou os Hambúrgueres de Feijão Preto, óptimos para impressionar os amigos. Nas sobremesas surpreenda-se com o "Cheesecake" de Caju e Mirtilos e a irresistível Mousse de Chocolate e Abacate e, no capítulo das bebidas, aprenda a fazer sumos verdes e batidos energéticos.

Fonte: contracapa do livro

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