quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Sugestão de Leitura: Teoria geral do esquecimento de José Eduardo Agualusa


Luanda, 1975, véspera da Independência. Uma mulher portuguesa, aterrorizada com a evolução dos acontecimentos, ergue uma parede separando o seu apartamento do restante edifício - do resto do mundo. Durante quase trinta anos sobreviverá a custo, como uma náufraga numa ilha deserta, vendo, em redor, Luanda crescer, exultar, sofrer.
Teoria Geral do Esquecimento é um romance sobre o medo do outro, o absurdo do racismo e da xenofobia, sobre o amor e a redenção.

Fonte: www.wook.pt

Teoria geral do esquecimento "é uma boa história, um romance que percorre pelos caminhos e veredas da imaginação os factos da vida coletiva angolana, da independência aos nossos dias."


"Teoria Geral do Esquecimento” consegue ser, ao mesmo tempo, um livro que tem como pano de fundo a história recente de Angola e uma viagem ao interior mais recôndito do ser humano."


Leia aqui as primeiras páginas do livro! Gostou? Requisite na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

Leia, porque ler é um prazer!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Boas festas!


Fui ver ao dicionário de sinónimos
a palavra mais bela e sem igual,
perfeita como a nave dos Jerónimos...
E o dicionário disse-me Natal.

Pergunto aos poetas que releio:
Gabriela, Régio, Goethe, Poe, Quental,
Lorca, Olegário...E a resposta veio:
E é Christmas...Natividad...Noël...Natal.

Interroguei o firmamento todo!
Cobra, formiga, pássaro, chacal!
O aço em chispa, o "pipe-line", o lodo!
E a voz das coisas respondeu Natal!

Pedi ao vento e trouxe-me, dispersos,
- riscos de luz, fragmentos de papel -
cânticos, sinos, lágrimas e versos:
Um N, um A, um T, um A, um L...

Perguntei a mim próprio e fiquei mudo...
Qual a mais bela das palavras, qual?
Para quê perguntar se tudo, tudo,
diz Natal, diz Natal e diz Natal?!

Adolfo Simões Müller - Moço, Bengala e Cão: Poemas, 
Lisboa: edição do autor, 1971

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Arquivo digital Gabriel García Márquez

O Centro Harry Ransom da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, disponibilizou um arquivo digital com cerca de 27 mil documentos do escritor Gabriel García Márquez para acesso e download gratuito. A colecção reúne cartas, manuscritos, desenhos, fotografias, anotações e áudios do aclamado escritor colombiano.

Alguns destaques são a gravação do discurso de aceitação do Prémio Nobel em 1982; fotografias de García Márquez na sua cidade natal, Aracataca, na Colômbia; e os manuscritos dos livros: “Cem Anos de Solidão” (1966), “Ninguém Escreve ao Coronel” (1957), e “Crónica de Uma Morte Anunciada” (1981).

Siga o link e explore este recurso para saber mais sobre um dos mais prestigiados escritores do século XX.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

A Cripta de Albano P. Santos

No passado dia 4 de Dezembro, por ocasião do 21º aniversário da Biblioteca Municipal Miguel Torga – Arganil, o Professor Albano P. Santos apresentou no auditório da Biblioteca o seu primeiro livro: A cripta.

Para introduzir e apresentar a obra o autor começou por ler um pequeno conto, da sua autoria, intitulado “Falsos gigantes”.
Em “A cripta”, a partir da ficção de uma sociedade secreta centenária que se reúne numa vasta rede de galerias subterrâneas numa aldeia do concelho de Arganil, o autor explora o tema de cientistas com uma visão muito à frente do seu tempo que lutaram contra a estagnação e acomodação do pensamento e do conhecimento científico.

De acordo com as palavras do autor este livro foi escrito “a partir do coração e da razão… fala de viagens, não só de viagens físicas pelas galerias subterrâneas, não só de viagens a Coimbra, Lisboa, Oxford ou a Cuidad Real… fala de viagens pelos sonhos de André Conte, fala de viagens: pela vida, pelo interior; pelo passado, pela ciência, pelas metáforas – labirintos – portas que se abrem e que fecham, criptas que vamos construindo durante a vida; pela filosofia, através das interrogações e inquietações com que o protagonista se vai deparando."

É também um livro de encontros e desencontros. De mistério, de descoberta e de revelações.

Isabel Enes Ferreira escreve no prefácio que “esta não é só a história de uma personagem em busca de si mesma e de todas as transformações e premonições da sua superior e atormentada alma. É uma história que mostra um bom trabalho de pesquisa, um conhecimento de factos históricos e científicos num campo e numa matéria ainda tão pouco explorados… Ficamos a saber muita coisa mas ficamos, principalmente com uma enorme vontade de aprofundar, de saber mais coisas. Uma narrativa aberta que temos pena de “largar”…”

No final da sessão Albano P. Santos leu o poema “de que é feito o dia” e revelou estar já a escrever um segundo livro.

Pode requisitar “A cripta” na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil ou adquirir um exemplar na livraria da Biblioteca Municipal Miguel Torga – Arganil.

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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Tempo para a poesia XXVII















Natal… sempre

As ruas enchem-se de Natal
O tempo é de festejar
De uma esquina a outra
É o artificial
Que ilumina a noite
Luzes, música
Correria ofegante
Tudo tão brilhante
Tão sonante

Na multidão em movimento
O Natal de tantos
É apenas olhar
A alegria das ruas
O riso dos outros
Os sacos enfeitados
Laços, presentes
Que nunca tiveram
E sempre esperaram

Mas é no olhar das crianças
Que brilha a Estrela
A indicar o caminho
Que nos mostra o Natal
Sempre num berço
De Menino

Helena Paz in Poemas da velha casa

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Novidade na Biblioteca: Para lá do Inverno de Isabel Allende

«No meio do inverno, aprendi por fim 
que havia em mim um verão invencível.»
Albert Camus 

Isabel Allende parte da célebre frase de Albert Camus para nos apresentar um conjunto de personagens próprios da América contemporânea que se encontram «no mais profundo inverno das suas vidas»: uma mulher chilena, uma jovem imigrante ilegal guatemalteca e um cauteloso professor universitário.

Os três sobrevivem a uma terrível tempestade de neve que se abate sobre Nova Iorque e acabam por perceber que para lá do inverno há espaço para o amor e para o verão invencível que a vida nos oferece quando menos se espera.

Para lá do inverno é um dos romances mais pessoais da autora: uma obra absolutamente atual que aborda a realidade da migração e a identidade da América de hoje através de personagens que encontram a esperança no amor e nas segundas oportunidades.

Fonte: contracapa do livro



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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Novidade na Biblioteca: Perto demais de Colleen Oakley

Jubilee Jenkins é bibliotecária e uma mulher muito invulgar: é alérgica a humanos. Qualquer toque pode efetivamente matá-la. E por isso se isolou de tudo e de todos durante nove anos, rodeando-se apenas de livros. Até ao dia em que uma notícia inesperada a leva a ter de enfrentar o mundo novamente. Está na hora de sair da zona de conforto! Armada com luvas de proteção e uma bicicleta, ela aventura-se finalmente porta afora, em direção ao seu futuro.

Uma das pessoas com quem Jubilee está destinada a cruzar-se é Eric Keegan. Divorciado, com uma filha que não lhe fala e um filho adotivo que acha que tem poderes sobrenaturais, ele é um homem com muita bagagem. Quando conhece Jubilee -, entre as estantes da biblioteca da sua nova cidade - ele encontra um pouco de luz na sua vida. Só não esperava que esta mulher tivesse tanto de bela como de excêntrico...

Fonte: contracapa do livro

Leia aqui as primeiras páginas do livro. Gostou? Requisite na rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil

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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

21º aniversário da Biblioteca Municipal Miguel Torga - Arganil

No próximo dia 4 de Dezembro a Biblioteca Municipal comemora o seu 21º aniversário o que constitui sempre um dia de festa, com momentos especiais. Este ano a apresentação do livro “A Cripta” de Albano P. Santos será um desses momentos.
Neste livro, a partir da ficção de uma sociedade secreta centenária que se reúne numa vasta rede de galerias subterrâneas numa aldeia do concelho de Arganil, o autor explora o tema de cientistas com uma visão muito à frente do seu tempo que lutaram contra a estagnação e acomodação do pensamento e do conhecimento científico.

O autor, nasceu em Guiné-Bissau e viveu a infância e adolescência no concelho de Arganil. Fez o ensino secundário e universitário em Lisboa. É doutorado em Ciências do Desporto e investigador na área da aptidão física funcional e fisiologia humana. Ao longo da sua carreira já lecionou em várias universidades portuguesas, públicas e privadas, o que lhe despertou o interesse pela escrita. Tem vários artigos científicos publicados e lança agora a sua primeira obra de ficção. 

Na apresentação do livro estará a autora do prefácio Isabel Enes Ferreira

Recursos online: MILD

O MILD - Manual de Instruções para a Literacia Digital é um portal que visa desenvolver as competências dos jovens dos 15 aos 18 anos nos domínios da leitura, dos media e da cidadania digitais.

A conferência de apresentação do projecto, coordenado por Elsa Conde, realiza-se hoje na Fundação Calouste Gulbenkian e o portal já está disponível na Internet.

Visitem-no, explorem-no e usem-no, certamente sairão enriquecidos!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Novidade na Biblioteca: Isto acaba aqui de Colleen Hoover

O que te resta quando o homem dos teus sonhos te magoa? Lily tem 25 anos. Acaba de se mudar para Boston, pronta para começar um nova vida e encontrar finalmente a felicidade. No terraço de um edifício, onde se refugia para pensar, conhece o homem dos seus sonhos: Ryle. Um neurocirurgião. Bonito. Inteligente. Perfeito. Todas as peças começam a encaixar-se.

Mas Ryle tem um segredo. Um passado que não conta a ninguém, nem mesmo a Lily. Existe dentro dele um turbilhão que faz Lily recordar-se do seu pai e das coisas que este fazia à sua mãe, mascaradas de amor, e sucedidas por pedidos de desculpa.

Será Lily capaz de perceber os sinais antes que seja demasiado tarde? Terá força para interromper o ciclo?


Requisite na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Daisy Chain: um filme sobre o Bullying, o poder da imaginação e da amizade


O filme Daisy Chain é baseado no livro “Dandelion” do escritor australiano Galvin Scott Davis. A história do livro surgiu porque Galvin reparou que o filho vinha da escola mais calado e desanimado do que era costume, tendo-se apercebido de que este estava a ser vítima de bullying.

Não encontrando nenhum livro que ajudasse o filho a ultrapassar este problema, resolveu criar uma história sobre uma menina chamada Bree Buttercup. "Buttercup Bree é uma menina como tantas outras cujo passatempo preferido é apanhar margaridas e fazer coroas de flores. Como não tem amigos, decide enfeitar o parque infantil com as coroas que constrói mas o seu gesto não é visto com bons olhos por um grupo de raparigas que decide vingar-se. Buttercup é humilhada pelas raparigas que decidem fotografar o momento e espalhar as fotografias por toda a parte. Após ser salva por Benjamim, Buttercup decide dar uma lição de vida às agressoras, mostrando-lhes a importância da amizade e o significado da palavra partilha.

Daisy Chain é uma história que para além de mostrar o poder da amizade, pretende abordar um assunto que continua a inquietar o mundo: o bullying."

Para saber mais consulte:

sábado, 18 de novembro de 2017

Novidade na Biblioteca: O ministério da felicidade suprema

Alfragide: Asa, 2017

Num cemitério da cidade, Anjum desenrola um tapete persa puído entre duas campas. Num passeio de betão surge um bebé, como que do nada, num leito de lixo. Num vale coberto de neve, um pai escreve à filha de cinco anos, falando-lhe do número de pessoas que estiveram presentes no seu funeral.

Num apartamento, sob o olhar atento de uma pequena coruja, uma mulher solitária alimenta uma osga até à morte. E, na Jannat Guest House, duas pessoas dormem abraçadas como se tivessem acabado de se conhecer. 

Uma viagem íntima pelo subcontinente indiano, desde os bairros superlotados da Velha Deli e os centros comerciais reluzentes da nova metrópole às montanhas e os vales de Caxemira, com um elenco glorioso de personagens inesquecíveis, apanhadas pela maré da História, todas elas em busca de um porto seguro. Contada num sussurro, num grito, com lágrimas e gargalhadas, é uma história de amor e ao mesmo tempo uma provocação. Os seus heróis, presentes e defuntos, humanos e animais, são almas que o mundo quebrou e que o amor curou. E, por este motivo, nunca se renderão. 

Vinte anos após o enorme sucesso de O Deus das Pequenas Coisas surge o tão aguardado segundo romance da inigualável Arundhati Roy.

Fonte: contracapa do livro


Helena Vasconcelos in Público

Leia aqui as primeiras páginas. Gostou? Requisite na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Novidade na Biblioteca: O meu nome era Eileen de Otessa Moshfegh

O Natal é uma época que tem muito pouco para oferecer a Eileen Dunlop, uma rapariga modesta e perturbada, presa a um emprego enfadonho como secretária num instituto de correção de menores e forçada a cuidar de um pai alcoólico. Eileen tempera os seus dias vazios com fantasias perversas e sonhos de fuga para uma cidade grande. Enquanto não o consegue, entretém-se a fazer pequenos furtos na loja de conveniência e a fantasiar com Randy, um guarda do reformatório com corpo de homem e cabeça de rapaz. Quando Rebecca Saint John, uma ruiva vistosa, alegre e inteligente, é contratada como a nova psicóloga do reformatório, Eileen é incapaz de resistir à sedução de uma amizade que promete transformar a sua vida. Mas, numa reviravolta digna de Hitchcock, o poder de Rebecca sobre Eileen converte a rapariga em cúmplice de um crime a que pode ser impossível escapar. Com a paisagem nevada da Nova Inglaterra como pano de fundo, a história de Eileen é arrepiante, hipnótica e divertida.
Com um primeiro romance cheio de força, que agarra e perturba o leitor até à última página, Ottessa Moshfegh faz uma entrada retumbante nas letras norte-americanas.

Fonte: contracapa do livro

Siga o link e leia as primeiras páginas do livro!

Gostou? Requisite na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O fogo na floresta

O fogo na floresta

Adormecidas paisagens
Sombras de nostalgia;
Os mortos não são viagens
Nem os silêncios magia.

Trágica contemplação
Os sentidos vagabundos;
Olhos rasos de emoção
E os campos moribundos.

Assaltaram as serras
Maus ventos em chama
Arderam pessoas e terras
Secou a água, ficou a lama.

O negro veste os valados
A alma coberta de urtigas;
Nos penedos nús e calados
Já não se ouvem cantigas.

Carlos Maia Teixeira

O Fogo na Floresta, poema da autoria do Dr. Carlos Maia Teixeira, serve de introdução ao catálogo da exposição “Pintura solidária” e transmite em palavras simples a dor que ficou depois dos incêndios do dia 15 e 16 de Outubro.

A exposição “Pintura Solidária” é uma feliz iniciativa da Editorial Moura Pinto que chega até nós pela mão do artista benfeitense Carlos da Capela e do Presidente daquela Associação o Dr. Carlos Maia Teixeira, com a colaboração da Câmara Municipal de Arganil.

O que faz desta exposição algo muito especial é o facto de o valor da venda dos quadros reverter inteiramente a favor das Comunidades afectadas pelos recentes incêndios que destruíram 92% da área florestal do concelho de Arganil, destruíram casas e levaram várias pessoas à morte.

Composta por 18 quadros de vários artistas ligados ao ATELIER 26 no Porto, a exposição está patente até dia 30 de Novembro em dois locais distintos: Biblioteca Municipal de Arganil – Miguel Torga e Biblioteca Alberto Martins de Carvalho em Côja.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O homem das castanhas

Na Praça da Figueira,
ou no Jardim da Estrela,
num fogareiro aceso é que ele arde.
Ao canto do Outono,à esquina do Inverno,
o homem das castanhas é eterno.
Não tem eira nem beira, nem guarida,
e apregoa como um desafio.

É um cartucho pardo a sua vida,
e, se não mata a fome, mata o frio.
Um carro que se empurra,
um chapéu esburacado,
no peito uma castanha que não arde.
Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado
o homem que apregoa ao fim da tarde.
Ao pé dum candeeiro acaba o dia,
voz rouca com o travo da pobreza.
Apregoa pedaços de alegria,
e à noite vai dormir com a tristeza.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor p'ra casa.

A mágoa que transporta a miséria ambulante,
passeia na cidade o dia inteiro.
É como se empurrasse o Outono diante;
é como se empurrasse o nevoeiro.
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
ardem no fogareiro dores tamanhas.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais amor p'ra casa.

O Homem das Castanhas – letra de José Carlos Ary dos Santos, 
música de Paulo de Carvalho, 
interpretação de Carlos do Carmo.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Chegaram novidades à Biblioteca

Agora que os dias são mais curtos, 
e o tempo vai arrefecendo devagarinho, 
os serões convidam a uma boa leitura!
Viste-nos ou aceda ao nosso catálogo 
e escolha o próximo livro que vai ler!

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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Universo Abierto - um recurso a explorar

Universo Abierto é o Blog da Biblioteca de Tradução e Documentação da Universidade de Salamanca, e pretende ser um referencial para o mundo profissional das bibliotecas e documentação em geral.

Neste blog podem-se encontrar inúmeros artigos e livros sobre as ciências da Informação e da Documentação, sobre a importância dos livros, da leitura e da escrita, sobre as bibliotecas, as novas tecnologias e as diversas faces da literacia, entre outros.

É sem dúvida um recurso a explorar.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Novidade na Biblioteca: Manual para mulheres de limpeza de Lucia Berlin

Manual para mulheres de limpeza reúne o melhor da obra da lendária escritora norte-americana Lucia Berlin, comparada a escritores como Raymond Carver, Richard Yates, Marcel Proust e Tchékhov. Com um estilo muito próprio, Lucia Berlin faz eco da sua própria experiência - tão rica quanto turbulenta - e cria verdadeiros milagres a partir da vida de todos os dias.
As suas histórias são pedaços de vida convulsas. Histórias de mulheres como ela, que riem, choram, amam, bebem, vivem e sobrevivem. Histórias de mães e filhas, casamentos fracassados e gravidezes precoces. Histórias de emigração, riqueza e pobreza, solidão, amor e violência. Seja em salões de cabeleireiro, lavandarias, consultórios de dentistas ou colégios de freiras, nestas páginas acontece o inesperado. Testemunham-se os pequenos milagres e tragédias da vida, que Lucia Berlin trata por vezes com humor, por vezes com melancolia, mas sempre com comovente empatia e extraordinária vivacidade, como se as personagens e os lugares - extraordinariamente reais - saltassem da página.

Fonte: contracapa do livro

"Os contos de Lucia Berlin são eléctricos, zumbem e crepitam quando os fios descarnados se tocam. E, em reacção a isso, também a mente do leitor, cativada, arrebatada, ganha vida, com todas as sinapses a disparar. É assim que gostamos de estar quando lemos - a usar o cérebro, a sentir os batimentos cardíacos.
Parte da vivacidade da prosa de Lucia Berlin está no ritmo - por vezes fluido e calmo, equilibrado, errante e solto; e, por vezes, em staccato, notacional, acelerado. (...)"

Excerto do prefácio de Lydia Davis


Para saber mais sobre a escritora e a sua obra consulte:

"Manual para mulheres de limpeza", de Lucia Berlin, vence prémios em Espanha e nos EUA - Lusa
Onde é que tu andavas, Lucia Berlin? - Ágata Xavier - Revista Sábado Lucia Berlin. A história das coisas que aconteceram - Jornal Sol

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Recordar Camilo Pessanha nos 150 anos do seu nascimento

Camilo de Almeida Pessanha nasceu a 7 de Setembro de 1867 em Coimbra e faleceu a 1 de Março de 1926 em Macau. Em 1891 concluiu o curso de Direito na Universidade de Coimbra. Em 1894 radicou-se em Macau como professor de Filosofia. A partir de 1900 exerceu ali o cargo de conservador do registo predial. De grande sensibilidade e de uma abulia que nem as misérias da vida estimulavam, refugiou-se no apagamento social e, para quebrar a sua solidão povoada de fracassos e inibições, mas vibrátil aos lampejos de beleza, recorreu ao inebriamento do ópio e à ligação afectiva com uma chinesa. Escreveu poemas e sonetos de uma perfeição modelar. O volume China. Estudos. Traduções, 1944, contém ensaios sobre a China. Tendo convivido em Coimbra com poetas como Eugénio de Castro, António Nobre, Alberto de Oliveira e A. Osório de Castro, assistiu à eclosão do movimento simbolista em Portugal (…) Escrevia poesia para si próprio para se libertar dos fantasmas que o oprimiam, daí o não cuidar da sua divulgação, nem mesmo da sua escrita, contentando-se com retê-la de memória. Os poemas do volume Clepsidra, 1920, depois de transcritos pelo futuro poeta J. De Castro Osório, vieram a lume graças à escritora Ana de Castro Osório e foram reeditados com o título Clepsidra e Outros Poemas, 1969. Pelo poder encantatório das suas palavras plenas de musicalidade e ricas de imagens que captam sugestivamente a natureza ilusória da realidade que no seu fluir nos incita à mais íntima adesão, é o representante mais genuíno do simbolismo e um dos vultos mais significativos da poesia portuguesa.

In: Portugal século XX: portugueses célebres. Coord. Leonel de Oliviera
Lisboa: Círculo de Leitores, 2003

Produção: Francisco Manso, produções





Para saber mais sobre Camilo Pessanha e a sua obra consulte:


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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Nobel da Literatura 2017 - Kazuo Ishiguro

Kazuo Ishiguro nasceu em Nagasáqui, no Japão, em 1954 e foi para Inglaterra aos 5 anos. Publicou o seu primeiro livro Colinas de Nagasaki aos 27 anos, ao qual se seguiu Um artista num mundo transitório, publicado em 1986. Embora elogiado por estes dois romances, o prestígio internacional de Ishiguro viria com o título seguinte: Os despojos do dia publicado em 1989, que venceu o Booker Prize. Seguiram-se Os inconsolados (1995), Quando éramos órfãos (2000), Nunca me deixes (2005), Nocturnos (2009) e O gigante enterrado (2015).

Kazuo Ishiguro tem a sua obra traduzida em mais de três dezenas de países, e viu a sua obra premiada por diversas vezes. O autor foi ontem anunciado como Prémio Nobel da Literatura 2017. Para a Academia Sueca justifica-se o Nobel da Literatura devido a ter "nos seus romances uma força emocional muito grande, e ter revelado o abismo entre o sentido do ilusório e a sua ligação ao mundo".

Obras do autor disponíveis na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil:
Os despojos do dia. 2ª ed. Lisboa : Gradiva, 1995. 208 p. ISBN 972-662-209-3
Os inconsolados. 1ª ed. Lisboa : Gradiva, 1995. 425 p. ISBN 972-662-428-2
Quando éramos órfãos. 1ª ed. Lisboa : Gradiva, 2000. 308 p. ISBN 972-662-761-3

Para saber mais consulte:


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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Plano Nacional de Leitura

Ler + todas as palavras do mundo é o lema do Plano Nacional de Leitura (PNL) 2027, apresentado no dia Mundial do Livro de 2017, que começa agora a ser implementado.




Toda a informação, novidades e recursos do PNL 2027 estão disponíveis no site http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/, que se constitui sem dúvida como uma mais-valia para todos nós e merece ser explorado. No site para além de se encontrarem as listas de leitura recomendada, os utilizadores têm acesso à Biblioteca de Livros Digitais, à plataforma de E-learning e a um conjunto de estudos sobre literacia, entre diversos outros recursos.

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Leia porque ler é enriquecer!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Sugestão de leitura: Iluminações de uma mulher livre

Pimenta, Samuel F. - Iluminações de uma mulher livre
Barcarena: Marcador, 2017
Na aldeia onde é rejeitada e perseguida pela população, Isabel acorda com a única ideia capaz de a libertar do casamento opressor em que vive: matar o marido. Se, de início, a ideia lhe parece improvável, vai ganhando força à medida que recorda as histórias das mulheres do passado, de que a avó lhe falava quando, com outras mulheres, se reuniam em grupos femininos secretos para falarem de oráculos, curas e magia.

Isabel é moderna, sensível, curiosa e sempre quis a sua independência. Cresceu na capital, mas mudou-se para a aldeia por causa do casamento. E foi essa união que a aprisionou numa existência de medo e abuso. Só ela pode libertar-se desse homem castigador, e ao longo de vários dias Isabel confronta-se com todos os receios e dúvidas, imaginando planos e lembrando-se dos ensinamentos da avó, procurando argumentos que fortaleçam a sua decisão, enquanto cumpre com todos os rituais quotidianos da casa com beleza e empenho poético. 

Iluminações de uma Mulher Livre revisita histórias por via da tradição oral, figuras históricas, mitos e referências da literatura universal.

Fonte: contracapa

Iluminações de uma Mulher Livre "é um livro sobre a sociedade patriarcal em que ainda vivemos, sobre os movimentos de controlo e de formatação a que estamos sujeitos, grande parte deles violentos, mas também sobre o sonho – diria mesmo a utopia – de um mundo organizado horizontalmente, sem fronteiras, sem tentativas de domínio e de predação sobre as diversas formas de vida, em que comunidades circulares abertas comunicam para evoluir conjuntamente de forma a viver na Terra em harmonia."


Livro disponível para empréstimo na Biblioteca Municipal de Arganil

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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Novidade na Biblioteca: Imaculada de Paula Lobato de Faria

Portugal, 1956

Tempo da ditadura de Salazar, da censura e da PIDE. Numa família da alta burguesia, no interior do país, o lema "Deus, Pátria e Família" é sagrado. Mas a vida estremece quando na casa dos Correia bate à porta o amor e o desejo de liberdade.



Esta é uma história inspirada em acontecimentos reais em que a dualidade de ser e de parecer, da lealdade e da traição, do amor e da obrigação nos leva a caminhos imprevisíveis.


Pode requisitar o livro na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Novidade na Biblioteca: O leitor do comboio de Jean-Paul Didierlaurent

O poder dos livros através da vida das pessoas que eles salvam. Uma obra que é um hino à literatura, às pessoas comuns e à magia do quotidiano.

Jean-Paul Didier Laurent é um contador de histórias nato. Neste romance, conhecemos Guylain Vignolles, um jovem solteiro, que leva uma existência monótona e solitária, contrariada apenas pelas leituras que faz em voz alta, todos os dias, no comboio das 6h27 para Paris.

A rotina sensaborona do protagonista desta história muda radicalmente no dia em que, por mero acaso, do banquinho rebatível da carruagem salta uma pendrive que contém o diário de Julie, empregada de limpeza das casas de banho num centro comercial e uma solitária como ele… Esses textos vão fazê-lo pintar o seu mundo de outras cores e escrever uma nova história para a sua vida.

O Leitor do Comboio revela um universo singular, pleno de amor e poesia, em que as personagens mais banais são seres extraordinários e a literatura remedia a monotonia quotidiana. Herdeiro da escrita do japonês Haruki Murakami, dotado de uma fina ironia que faz lembrar Boris Vian, Jean-Paul Didierlaurent demonstra ser um contador de histórias nato.

Fonte: contracapa do livro
Siga o link e leia as primeiras páginas do livro.
A composição imobilizou-se junto à plataforma com um violento rangido de freios. Guylain afastou-se da linha branca e subiu para o estribo da carruagem. À direita da porta, aguardava-o um estreito banco rebatível. Preferia a dureza do tampo plástico cor de laranja à macieza dos bancos estofados. Com o passar dos anos, o banco rebatível acabara por fazer parte do ritual. O ato de baixar o assento tinha qualquer coisa de simbólico que o tranquilizava. À medida que a carruagem se punha em marcha, tirou a pasta de cartão da maleta de cabedal que o acompanhava sempre. Entreabriu-a com cuidado e exumou, do meio de dois mata-borrões de um rosa-bombom, a primeira folha. O papel fino, meio rasgado e esfrangalhado no canto superior esquerdo,  pendia-lhe entre os dedos. Era uma página de livro, formato 13x20. O jovem examinou-a por momentos antes de a pousar de novo no meio das folhas de papel absorvente. Pouco a pouco fez-se silêncio na carruagem. Por vezes, os «chius» de desaprovação retumbavam para fazer calar algumas conversas que custavam a morrer.E então, como todas as manhãs, depois de um derradeiro pigarrear, Guylain começou a ler em voz alta (...)
Gostou? Requisite na rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil!

Leia, porque ler é um prazer! 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Novidade na Biblioteca: Memórias da Serra do Açor de António Nunes Gouveia

O livro “Memórias da Serra do Açor” é um conjunto de contos, lendas e memórias da autoria de António Nunes Gouveia.

Nascido em Sobral Magro, no ano de 1899, António Nunes Gouveia cedo rumou a Lisboa onde desempenhou diversas profissões: marçano, operário fabril, empregado de armazém. Esteve emigrado em França e no regresso a Portugal, aos 24 anos, foi estudar para Coimbra, tendo-se licenciado em Filologia Germânica aos 31 anos.

Depois de se reformar dedicou o seu tempo a escrever “tudo o que a memória guardava, da sua terra natal”. Textos que deixou em manuscrito, que “andou desparecido durante décadas”. Por esse motivo o livro “Memórias da Serra do Açor” apenas foi publicado em 2016, 31 anos após a morte do autor.

Estes apontamentos têm a sua história. Certo dia em conversa com a Maria José, manifestei pesar pela perda de acontecimentos, lendas e historietas que terão, porventura, algum interesse para o estudo da etnografia da Beira Litoral (…) No dia seguinte, encontrei sobre a mesinha de cabeceira um caderno de apontamentos… Que significado atribuir-lhe? Estímulo ou desafio?
Passaram-se dias e sempre que entrava no quarto, acordava, me levantava, lá estava o maldito caderno na mesma posição, como que a fixar-me com ar interrogativo. Eu bem me esforçava por esquecer, desviar o olhar e fazer de conta que nada existia ali. Impossível. Cada vez a sua presença se tornava mais hostil e provocante (…). Era pois necessário acabar com esta situação desagradável. (…)
Durante a insónia habitual da noite seguinte (…) lancei mão ao caderno e esferográfica e rabisquei a história «O tesouro encantado» (…) Sucederam-se o restantes assuntos (…)
Tudo isto, espécie de rascunho, necessita de ser passado a limpo e corrigido. (…) Esse trabalho enfadonho deixo-o para algum dos meus descendentes (…)
Cascalheira, 9 de Agosto de 1984
Excerto das Introdução pelo autor

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Livro do mês: A Insustentável leveza do ser

A Insustentável Leveza do Ser da autoria de Milan Kundera, publicado em 1984, é seguramente um dos romances míticos do século XX. Neste romance Kundera explora a ideia de leveza e peso das escolhas humanas através da história de dois casais. Tomas, cirurgião, que procura a liberdade sexual como forma de alcançar a felicidade; Teresa, fotógrafa, mulher de Tomás; Sabina, pintora, amante do médico; Franz, professor universitário, amante de Sabina. Por força das suas escolhas ou por interferência do acaso, cada um dos protagonistas experimenta, à sua maneira, o peso insustentável que baliza a vida.

A Insustentável Leveza do Ser é uma tapeçaria de ideias tecidas através da vida dos personagens pela voz provocadora do autor-narrador, em que diversas vezes o leitor é interpolado diretamente provocando reflexões existenciais, religiosas, políticas sobre comportamentos estabelecidos na sociedade do século XX e sobre o amor nas suas diferentes formas.

Sobre este romance, Italo Calvino escreveu: "O peso da vida, para Kundera, está em toda a forma de opressão. O romance mostra-nos como, na vida, tudo aquilo que escolhemos e apreciamos pela leveza acaba bem cedo se revelando de um peso insustentável…” 

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Novidade na Biblioteca: O escravo de Anand Dílvar

Uma obra sobre a liberdade, o perdão e a superação pessoal, destinada a tornar-se um clássico espiritual dos nossos tempos.

Após sofrer um terrível acidente, o protagonista desta história vê-se preso a uma cama de hospital. Apesar de imobilizado e de todos pensarem que se encontra em coma, tem os olhos abertos e está consciente, vendo e ouvindo tudo o que se passa à sua volta. Incapaz de comunicar com quem o rodeia, é tomado por um sentimento de ódio e impotência que o leva ao desespero e a invocar a morte, para acabar com o seu sofrimento.

Nesse momento, ouve uma voz interior, um guia espiritual com quem conversa procurando encontrar um sentido para a vida. Começa então a compreender que, ao tentar fugir dos seus problemas e ao não controlar os seus pensamentos e emoções, se tornou escravo de si próprio, vivendo preso ao passado, infeliz e carregando um pesado fardo de ressentimentos, medos e sentimentos de culpa.

Parte então numa viagem interior para recuperar a sua liberdade, tomando consciência de que a sua felicidade depende apenas de uma reconciliação consigo mesmo.

Fonte: contracapa do livro

Leia aqui as primeiras páginas do livro. Gostou? Requisite o livro na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Bibliotecas por Eugénio Lisboa

Sonhei, desde muito novo, com bibliotecas: as que pudesse visitar e as que eu próprio viesse a possuir. As paredes de uma sala, cobertas de estantes carregadas de livros, pareciam-me o suco da barbatana, em matéria de decoração. Adorava ler livros e adorava ter livros. Aí pelos meus 15 anos, tive finalmente a minha biblioteca, quando um generoso amigo e colega do meu pai me ofereceu um belo acervo de cerca de cem livros e uma pequena estante para lá os acomodar. Era pequena, mas boa: livros de ficção. De história, de filosofia, de teatro, de poesia… de ciência. Fiquei deliciado e não havia dia em que não lesse um pedacinho daquela excelente colecção. Os melhores escritores do mundo, ali, em concentrado. Depois, aquela pequena biblioteca foi crescendo, à medida que crescia o meu poder de compra. E foi também crescendo, em desproporção do meu poder de ler tudo aquilo que comprava. Fui tendo, por assim dizer, uma biblioteca em expansão, como são todas as verdadeiras bibliotecas, e conheci, de caminho várias bibliotecas públicas e privadas, em vários países.

As bibliotecas são, como se sabe, bons lugares para consulta, leitura e empréstimo de livros (e, hoje em dia, de livros em vários suportes, além de discos com música, DVD’s, etc.) mas as bibliotecas não servem apenas para o ato nobre de ler ou consultar: têm outras inesperadas serventias (…)”

Excerto do texto “Bibliotecas” de Eugénio Lisboa
in Jornal de Letras, Artes e Ideias nº 1224 (30.08.2017), p. 33

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Sugestão de leitura: O Senhor dos anéis de J. R. R. Tolkien

O senhor dos anéis uma saga fantástica ocorrida na Terra Média, uma coligação de povos de mundos diferentes orientada por um mago, a bênção da bela rainha dos Elfos, uma Irmandade de raças que parte para a guerra contra o Senhor das Trevas são os ingredientes de uma história que já conta com mais de 100 milhões de leitores.

O tema primeiro da trilogia de O Senhor dos Anéis, da autoria de J.R.R. Tolkien, é a luta planetária entre o Bem e o Mal, contudo este interpenetra com outro: a amizade, o combate ao preconceito, a aceitação do «outro». As personagens principais pertencem a culturas e raças diferentes mas todas partilham características humanas: a imperfeição, o orgulho, a ambição de poder, a capacidade de destruir, mas também o amor, a solidariedade, o talento criador, a admiração pelo belo. 

Sauron, o Senhor dos anéis, encarna o mal. Fabricou um anel mágico com o qual pode escravizar todos os povos. Tendo-o perdido séculos antes, procura-o desesperadamente e reúne um exército para lançar o assalto final sobre os reinos dos homens e dos elfos. É para evitar a destruição que os povos livres se coligam. Homens, hobbits, elfos e anões formam uma irmandade cujo objectivo é a destruição do Anel.

Esta é uma obra que nos apresenta um mundo fantástico, irreal mas profundamente apelativo, descrito com um rigor e pormenorização excepcionais que convida a um verdadeiro mergulho na leitura e nos conduz a uma viagem épica.

Adaptado a partir de O Senhor dos Anéis de Maria Rosário Monteiro
Artigo publicado na revista do "Expresso" nº 1518 de 01/12/2001

Pode requisitar os livros da trilogia na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil

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sábado, 26 de agosto de 2017

Tempo para a poesia XXII

Minha Natureza 

Sou todo teu. Ossos, carne, pó. 
E basta estar ao teu lado, nu 
Para me não sentir jamais só. 
Somos assim: pedaço do mundo cru. 

E quando um dia morrer... 
Aceitar-me-ás de novo; teus braços. 
Feliz estarei por sermos de novo um crer. 
Renascerei em flor, árvore, em cor, de sóis baços. 

Sou teu, é este o meu eterno verde dever. 
Folha, sol, mar, sal, amanhecer: ser.

por Rui M.

(retirado do blog "Contos das Estrelas")

Rui M. é natural da aldeia de Priados, freguesia de Pombeiro da Beira. Para além de ser autor do livro "Tales for the ones in love", mantém dois blogues, "Contos das Estrelas" e "Tales for the ones in love" onde publica artigos relacionados com cultura e literatura. 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Novidade na Biblioteca: As viúvas de Dom Rufia de Carlos Campaniço

Um romance irresistível e cheio de humor. Alentejo cheio de personagens fascinantes e inesquecíveis.

Conhecido por Dom Rufia desde moço, Firmino António Pote, criado sem recursos numa vila alentejana, promete a si mesmo tornar-se rico. Negando-se à dureza do trabalho do campo, divide durante anos a sua sobrevivência entre o ócio e alguns negócios frugais. Mas, já nos trinta, munido de assombrosa imaginação, bonito como poucos e gozando de uma enorme capacidade de persuasão, sobretudo entre as mulheres, lobriga várias maneiras de alcançar o seu objectivo, fingindo continuamente ser quem não é. Para isso, porém, é obrigado a viver em vários lugares ao mesmo tempo, dando a Juan de los Fenómenos, um velho chileno em busca de proezas sobre-humanas, a ilusão da ubiquidade. 

Quando o corpo sem vida de Dom Rufia é encontrado no meio do campo, a recém-empossada Guarda Republicana não imagina as surpresas que o funeral reserva. O aparecimento de uma estranha carta assinada pelo tio do morto é só o princípio da desconfiança de que ali há mão criminosa.

Depois do muito aplaudido Mal Nascer, finalista do Prémio LeYa em 2013, Carlos Campaniço regressa à ficção com um romance irresistível e cheio de humor, cuja acção decorre no início do século XX, num Alentejo onde pululam personagens fascinantes e inesquecíveis.



Gostou? Requisite na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Opinião de leitor: Re-viva o imperador!

Porto: Porto Editora, 2017
Mantido em perfeito estado de conservação pelas águas glaciais do mar do Norte, respescado por uma traineira e depois descongelado, Napoleão Bonaparte, oficialmente morto no dia 5 de maio de 1821, regressa à vida em pleno século XXI, no momento dos atentados jihadistas de Paris, mesmo a tempo de salvar o mundo…

“Napoleão não podia deixar os Franceses naquela situação. Nunca tinha abandonado o seu país e não era agora que ia começar. (…) o destino trouxera-o uma segunda vez à vida por uma razão.” Assim, Napoleão toma como objectivo lançar-se na guerra contra os jihadistas e salvar a França. Decide construir o seu próprio exército. Procura um genealogista com o propósito de encontrar os seus descendentes e os recrutar e traça um plano para derrotar definitivamente o inimigo.

Se a princípio o livro parece frívolo, o avanço das páginas permite-nos ver que este romance é muito mais de que uma simples comédia. Como se pode ler na contracapa esta obra é uma reacção do autor, Romain Puértolas, aos tempos sombrios que se vivem. 

Importante ao longo da leitura, e tal como o narrador faz questão de relembrar amiúde, é que “Napoleão era muito inteligente”.

Boas leituras!

Miriella de Vocht

Livro disponível para empréstimo na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Novidade na Biblioteca: Os meninos de Irena de Tilar Mazzeo

Em plena Segunda Guerra, nos sussurros desesperados dos judeus, um nome passa de boca em boca: o de Irena Sendler, a jovem assistente social que está disposta a tudo para salvar as crianças judias dos campos de concentração. 

Quando, em 1942, Irena entrou no gueto de Varsóvia, o que viu dilacerou-lhe o coração. Ela sabia o destino de cada um dos judeus com quem se cruzava todos os dias. E foi incapaz de ficar indiferente. Começou a percorrer as ruas do gueto, bateu a todas as portas e pediu aos pais que lhe confiassem os seus filhos. Sob a vigilância apertada do regime nazi, Irena começou a levar as crianças para fora do gueto, e rumo à liberdade. Escondidas em caixões ou debaixo de sobretudos, em fuga pelo sistema de esgotos ou por passagens secretas entre edifícios, não havia nada que ela não estivesse disposta a fazer… Com a ajuda das mães, do seu amante judeu na Resistência, de amigos e vizinhos, Irena salvou cerca de 2500 crianças. 

Mas Irena fez mais ainda: manteve sempre um registo da verdadeira identidade de todos os meninos e meninas, para que um dia pudessem reencontrar os seus entes queridos. Receando ser descoberta, enterrou a lista sob uma macieira no jardim de uma amiga. Não podia imaginar que cerca de 90% das famílias dessas crianças não sobreviveria ao Holocausto. 

Irena Sendler correu riscos inimagináveis para salvar inocentes da barbárie nazi. É uma heroína da Segunda Guerra, considerada a versão feminina de Oskar Schindler. Foi nomeada para o Prémio Nobel da Paz em 2007, o ano que antecedeu a sua morte aos 98 anos. Esta obra é a devida homenagem à sua humanidade e bravura.

Fonte: contracapa do livro


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