quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Baunilha e Chocolate de Sveva Casati Modignani


MODIGNANI, Sveva Casati - Baunilha e chocolate. 13ª ed. Porto : Asa, 2006. 415, [1] p.. ISBN 972-41-2869-5

Baunilha e chocolate é um romance que nos faz pensar sobre a vulnerabilidade das relações e a necessidade de um grande investimento nas mesmas para que de facto sejam duradouras e satisfatórias.

Sveva Casati Modignani, numa linguagem simples e com um ritmo regular, dá nos a conhecer a vida do casal Andrea e Penélope. Ela, uma mãe extremosa, dona de casa exemplar e esposa conformada. Ele, jornalista, pai amado, mas ausente e marido infiel e pouco dedicado. Os anos vão passando, permeados de grandes discussões, mas ambos vão se deixando ficar na relação, apesar desta ter perdido o encanto inicial. Como frequentemente acontece, vivem acomodados às suas vidas. Até que um dia a “bolha” rebenta e Penélope decide deixar o marido e os três filhos para fazer um balanço sobre a sua vida.

“Querido Andrea, desgraça da minha vida,
tantas vezes ameacei ir embora, e nunca o fiz. Agora, vou-me embora. Sabes como sou lenta, mas tenaz, nas minhas decisões.
Em dezoito anos de casamento fui medindo o teu egoísmo, a tua capacidade de mentir, os teus medos, a tua infantilidade.
Não quero saber como te vais arranjar sem mim, uma vez que, sozinho, não és sequer capaz de abrir uma lata de cerveja. (…)

A separação é para ambos uma oportunidade para reflectirem sobre as suas respectivas existências. A distância permitirá que façam um balanço sobre o passado, o presente e o futuro, e fará também com que ambos descubram que o amor que os uniu ainda está vivo. Será que vão a tempo de o salvar?

Um livro que nos envolve do princípio ao fim, e que muitas vezes nos faz parar para reflectir sobre os nossos próprios relacionamentos.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Boas Festas


Feliz Natal e muitas Felicidades para o próximo ano são os votos de todos os colaboradores da Biblioteca Municipal Miguel Torga – Arganil aos visitantes deste blog!

E porque a quadra natalícia é fonte inspiradora, aqui vos deixamos alguns poemas, da autoria de diversos escritores portugueses!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A dimensão económica da literacia em Portugal

Realizou-se no passado dia 2 de Dezembro, uma conferência na Fundação Calouste Gulbenkian para apresentação do estudo A dimensão económica da literacia em Portugal.

Este estudo realizado a pedido do Plano Nacional de Leitura pela empresa canadiana Data Angel, “revestiu-se de particular importância ao estabelecer uma ligação directa entre os níveis de literacia da população, associados a práticas de leitura e a competências de aprendizagem ao longo da vida e o desenvolvimento económico e social dos países.”[1]

O Jornal de Letras, Artes e Ideias na sua edição nº 1023 (16.12.2009), apresenta as principais conclusões do estudo, bem como os comentários de Teresa Calçada, directora da rede de bibliotecas escolares, Manuel Ramos dos Santos, economista e Ana Maria Rosa, professora do 1º ciclo do ensino básico.

O texto integral do estudo pode ser consultado no site do Ministério da Educação.

[1] Teresa Calçada in Jornal de Letras, Artes e Ideias nº 1023

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O Natal do Sr. Scrooge de Charles Dickens

DICKENS, Charles - O Natal do Sr. Scrooge. Mem Martins : Europa-América, [19-?]. 166, [2] p.


O Natal do Sr. Scrooge é um conto da autoria de Charles Dickens sobre o velho, frio, miserável e avarento Ebenezer Scrooge e a sua conversão secular e redenção após ter sido visitado por quatro espíritos na noite de Natal.

A história foi publicada pela primeira vez em 1843 e rapidamente obteve sucesso comercial, bem como a aclamação crítica.

Marley e Scrooge. Ilustração da primeira edição de A Christmas Carol.


O conto inicia-se na noite de Natal, 7 anos após a morte do sócio de Ebenezer Scrooge, Jacob Marley. Nessa noite, Scrooge recebe a visita do espírito de Marley que o avisa que o seu espírito jamais terá paz se ele não modificar a sua atitude gananciosa e avarenta. Marley avisa também que Scrooge receberá a visita de mais espíritos.

De acordo com a profecia de Marley, Scrooge recebe nessa noite a visita de 3 espíritos: o espírito dos Natais passados, o espírito do Natal presente e o espírito dos Natais futuros, cada um deles leva Scrooge a cenários diferentes e após a sua visita Scrooge será um homem completamente diferente, transformando-se num homem bondoso e generoso, capaz de sentir o verdadeiro espírito natalício.

Esta é uma história que merece ser lida. É uma lição para todos nós nesta quadra natalícia.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Livro do mês: A filha do pescador


Pellegrino, Nicky – A filha do pescador. – Porto: Asa, 2007. – ISBN 978-972-41-5252-3

A filha do pescador é um romance de sentimentos fortes: luta, coragem, persistência, amor e amizade.

Rafaela, a protagonista desta história consegue com a sua força interior ultrapassar os obstáculos que a vida lhe vai colocando. Filha de pescadores, a viver na pequena Triento em Itália, Rafaela Moretti casa-se com o filho mais velho de uma das mais prestigiadas famílias da Grande Triento, a família Russo. Inicialmente, a vida de casada foi tudo o que Rafaella tinha sonhado que seria. Ela e o marido tomavam conta de uma loja de linhos da família Russo e habitavam no apartamento por cima da mesma. Porém aos poucos Rafaella começa a perceber que o casamento não era o conto de fadas com que tinha sonhado. Marcello vivia obcecado pelo trabalho e revelava-se um marido pouco afectuoso, e alguns meses após o casamento começa a adoecer, definhando rapidamente e morrendo pouco tempo depois.

Rafaella, fica viúva e vê-se obrigada a regressar à casa da família. A família Russo nunca a havia aceitado e passaram a tratá-la quase como a uma desconhecida, culpando-a pela morte prematura do filho.

Os Padres de Triento têm grandes planos para a vila. Pretendem erigir no cimo de uma colina uma estátua à semelhança do Cristo Rei e mandaram vir um especialista da América para ajudar no planeamento da obra. Rafaella Moretti é convidada para assumir o lugar de cozinheira na Villa Rosa, onde o americano Eduardo Pagano ficaria alojado.

Na vila o conflito instalara-se entre os apoiantes da estátua e os que não apoiavam a sua edificação. Os habitantes da vila dividem-se em duas facções e quando finalmente as obras começam alguém as começa a sabotar. Quem será o autor das sabotagens?

Será de facto Tommaso, o pai de Rafaella?
Conseguirá Rafaella provar a sua inocência?

Com a história de Rafaella outras se vão cruzando: a de Carlotta, a filha do Jardineiro, a de Silvana, a mulher do padeiro e a de Ciro, o dono da Casa de Chá Cigana.

A filha do pescador é uma história comovente e que acima de tudo nos mostra que a esperança nunca deve morrer. É também uma história que apela aos nossos sentidos: ao longo das páginas podemos saborear a cozinha italiana, cheirar o mar, sentir o frio de um rigoroso inverno e ver belas paisagens entre a terra e o mar.

Um livro que vale a pena ler!

“Estava a contemplar o retrato do casamento que tinha nas mãos, como se nunca o tivesse visto antes, mas era impossível que não tivesse reparado nele muitas vezes durante o ano em que estivera pendurado na parede no apartamento da filha. Era a fotografia do marido preferida de Rafaella. O fotógrafo mandara Marcello subir para cima de três enciclopédias, para parecer mais alto do que ela. Talvez fosse por isso que ele estava com um ar um pouco solene. Ou talvez sentisse uma pontinha de aborrecimento por ter perdido um dia de trabalho.
Mas quando Rafaella para aquela imagem dos dois juntos não era a expressão de Marcello que notava nem o delicado bordado no seu vestido branco, mas o amor puro e luminoso que se desprendia do seu rosto. Como a vida tinha mudado num instante!”


A autora:

Nicky Pellegrino nasceu em 1964 e cresceu em Inglaterra, mas passou os verões da sua infância no Sul de Itália. Vive actualmente em Auckland, na Nova Zelândia, onde trabalha como editora da New Zealand Weddings.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Doutor Jivago de Boris Pasternak

Pasternak, Boris - O Doutor Jivago. - Mem-Martins: Europa-América, D.L. 1987

O Doutor Jivago é uma novela do século XX da autoria de Boris Pasternak, publicada pela primeira vez em 1957. É o protagonista que dá nome ao romance, Yuri Jivago, médico e poeta. O livro conta a história de um homem dividido entre duas mulheres, que tem como pano de fundo a revolução russa de 1917 e a subsequente guerra civil russa de 1918-1920. Mais profundamente a obra reflecte sobre a situação de um homem que vê a sua vida completamente destroçada e dilacerada por forças alheias à sua própria vontade.

O livro foi adaptado ao cinema em 1965 por David Lean. Apesar da história original sofrer algumas alterações na adaptação cinematográfica, esta é de grande qualidade, rica em metáforas e com imagens de uma beleza e força impressionantes.

Yuri Jivago revela-se desde o início do romance uma personagem sensível e poética, características que contrastam com a brutalidade e o horror da Primeira Guerra Mundial e da Revolução Russa. Após a morte dos pais, Jivago é acolhido por Anna e Alexander Gromeko e desde cedo afeiçoa-se a Tonia, filha destes, com quem acaba por se casar.

Lara, é filha de mãe burguesa, que vive sob a protecção de Vicktor Komarovsky, com quem Lara acaba por se relacionar, apesar de noiva de Pasha Antipov, um jovem estudante idealista que acaba por se envolver no Bolchevismo.

Yuri e Lara, cruzam-se pela primeira vez após a tentativa de suicídio da mãe de Lara, ao descobrir o envolvimento da filha com Vicktor. Reencontram-se mais tarde numa festa de Natal da alta sociedade, onde Lara fora para encontrar Vicktor numa tentativa de recuperar alguma da sua dignidade. Apesar da impressão causada por Lara em Yuri, eles apenas se reencontram anos mais tarde, durante a 1ª Guerra Mundial. Yuri deixara em Moscovo a mulher e um filho e Lara anda à procura do seu desaparecido marido. Servindo no mesmo hospital militar, os dois acabam por se apaixonar, mas o seu amor apenas será consumado após a guerra, numa cidade chamada Yuriatin.

É também em Yuriatin que se dá o reencontro com Vicktor Komarovsky, que tendo ganho alguma influência no governo Bolchevista, oferece a Lara e Yuri a oportunidade para fugir da Rússia. Influenciada por Yuri, Lara acaba por aceitar a oferta, com a promessa de que brevemente ele a seguirá…

O Doutor Jivago é um romance comovente, que faz um excelente retrato da sociedade russa dos inícios do século XX. Apesar de se tratar de uma narrativa algo densa e rica em descrições, é sem dúvida uma leitura recomendada.

“Komarovski era a sua maldição; odiava-o. E os pensamentos de Lara seguiam todos os dias o mesmo curso.
Sentia-se prisioneira dele por toda a vida. Que fizera Komarovski para a escravizar? Como conseguia ele submetê-la, conduzi-la a satisfazer-lhe os desejos, obrigá-la a saborear os frémitos da vergonha? Triunfava graças ao ascendente da idade, à dependência financeira em que se encontrava a mãe em relação a ele, ou à habilidade com que utilizava as ameaças? Não, não e não. Tudo era absurdo.”

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Turista por acidente de Anne Tyler

Tyler, Anne – Turista por acidente. – Lisboa: Dom Quixote, 1987

Turista por acidente é um livro que incide sobre assuntos sérios da vida, tais como o divórcio e a perda de um filho. Apesar de se tratar de assuntos pesados, o livro lê-se de forma leve, a autora recorre frequentemente a momentos humorísticos ou situações caricatas, retirando assim peso da narrativa.

Macon Leary é a personagem central do livro, um homem metódico e ordenado, que tem como profissão escrever guias de viagem para homens de negócio. Macon perdera o filho há menos de um ano, raramente fala sobre o assunto e o tempo trata de o afastar de Susan, a mulher. Separam-se e Macon fica sozinho com Edward, um cão problemático e a gata Helen.

É por intermédio do cão que trava uma relação com Muriel, uma treinadora de animais. Muito mais nova de que Macon, e com uma personalidade completamente contrastante, ela consegue fazer com que Macon torne a encarar a vida de frente, mas não sem alguns percalços.

A viver sozinho com apenas dois animais Macon engendra uma serie de esquemas para simplificar a vida doméstica. Por exemplo para não ter de carregar a ração do cão, esta era depositada por um tubo de carvão directamente para a taça do cão na cave. Estas engenhocas levam a situações ridículas e à custa delas Macon parte uma perna e vê-se obrigado a ir viver para a casa dos avós onde vivem os seus irmãos também divorciados e a irmã mais nova.

Quando finalmente recupera, Macon regressa às suas viagens para a recolha de informação para os seus guias. A mulher Susan reaproxima-se e Muriel não desiste de Macon.

Qual será a melhor opção para Macon? Regressar a uma vida que já conhece, seguindo simplesmente a maré ou finalmente tomar as rédeas da sua vida nas mãos?

“Para a viagem a Inglaterra, vestiu o fato mais prático. «Um fato chega», aconselhava nos seus guias, «se levar algumas embalagens de tira-nódoas, de tamanho próprio para viagem.» (Macon conhecia todos os produtos que eram vendidos em embalagens próprias para viagem, desde desodorizantes a graxas.) «O fato deve ser cinzento. O cinzento não só encobre a sujidade, como dá jeito para funerais inesperados ou outros acontecimentos formais. Ao mesmo tempo não é demasiado triste para todos os dias.»
Emalou um mínimo de roupa e um estojo de barbear. Uma cópia do seu mais recente guia de Inglaterra. Um romance para ler no avião.
«Leve só o que puder meter numa mala de mão. Ter de verificar a bagagem é estar a pedir sarilho.(…)»”

A autora: Anne Tyler, nasceu em Mineápolis, nos EUA, em 1941. Publicou o seu primeiro romance em 1964, tendo até à data publicado 17 livros, dos quais 6 tiveram adaptação cinematográfica. Com o romance “exercícios de respiração” ganhou o prémio Pulitzer na área de ficção em 1989.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Livro do mês: O romance de Nostradamus de Valério Evangelisti






EVANGELISTI, Valerio - O romance de Nostradamus : O presságio. 1ª ed. Lisboa : Presença, 2001. 325, [3] p. ISBN 972-23-2814-X


O Romance de Nostradamus: o presságio é o primeiro livro de uma trilogia que Valério Evangelisti escreveu sobre a vida de um dos mais conhecidos profetas de todos os tempos. Como o autor refere, embora este livro seja um romance e como tal ficcionado, o autor procurou as bases cientificas da vida do profeta, consultando os raros documentos credíveis que relatam a vida de Nostradamus.

Nascido na Provença, nos primeiros anos do séc. XVI, num ambiente de grandes convulsões religiosas em pleno período inquisitorial que mata tanto como a peste que grassa em vários pontos da Europa, Michel de Nostradamus, judeu converso, que tinha sido iniciado por seu avô nos segredos da alquimia e da ciência cabalística, formado em medicina, mas que exerce uma profissão obscura de farmacêutico é perseguido, precisamente pelas suas raízes judaicas, por uma figura obcecada pela sua ruína. Numa época fascinante da História da Europa, este romance prende-nos pelas imagens construídas num emaranhado de personagens históricas como Rabelais e Du Bellay, levando-nos para uma Europa profundamente envolvida em lutas político-religiosas, de mistura com feitiçaria.

Nota biográfica:

Nascido em Bolonha, em 1952, Valerio Evangelisti revolucionou e revitalizou a literatura italiana. O êxito incontestável em que se tornaram as aventuras de Nicolas Eymerich valeram a este ex-professor de História o prémio Urania, em Itália, e, em França, O Grand Prix de L' Imaginaire e o prémio Tour-Eiffel.

Fonte: www.wook.pt

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A leitura desde o berço

Muitos estudos defendem que é saudável que a criança contacte com a leitura desde tenra idade. Para além da leitura ter um impacto positivo e crucial no desenvolvimento cognitivo da criança ela tem também impacto na sua própria personalidade. Em geral as crianças que têm contacto com o livro regularmente são crianças mais criativas, mais imaginativas, mais confiantes e com maior capacidade de reflexão e de argumentação.

A leitura não é apenas divertida, engraçada, emocionante, empolgante e prática, para a criança ela é uma das chaves de acesso ao mundo dos adultos.

Durante as últimas duas décadas um pouco por todo o mundo, e sobretudo através das bibliotecas públicas têm surgido diversos programas para a promoção da leitura. Infelizmente o enraizamento deste hábito ainda não tem o alcance pretendido, embora muito caminho já se tenha percorrido no sentido de formar bons leitores.

Os jovens hoje em dia, em geral, lêem pouco. Despendem muito tempo frente ao computador ou frente à televisão, desde muito cedo têm contacto com as novas tecnologias, que têm sobre eles um efeito fascinante. Se a leitura não for estimulada desde tenra idade, dificilmente o futuro jovem adquirirá o hábito de ler. Qualquer hábito precisa de ser incentivado. A leitura não é um dom que nasce connosco, portanto quanto mais cedo se começar a promover o contacto com o livro e a leitura, mais serão as hipóteses de criar um verdadeiro leitor.

Para desenvolver este hábito é muito importante o envolvimento da família e a criação de condições propícias ao desenvolvimento deste hábito no lar. Existem vários passos que os pais podem dar para ajudar a preparar os seus filhos a tornarem-se leitores, a par com as actividades desenvolvidas nas escolas e nas bibliotecas. Estes incluem:

- Proporcionar aos filhos uma dieta rica em experiências linguísticas ao longo do dia: falar com as crianças, contar histórias, cantar canções, recitar poemas e lengalengas e descrever o mundo que os rodeia. Dar nomes as coisas e estabelecer conexões. Encorajar a criança a conversar.

- Estabelecer o ritual de ler cerca de 30 minutos por dia em voz alta para as crianças, começando desde o berço.

- Visitar regularmente a biblioteca e deixar a criança manusear e escolher os livros da sua preferência. Participar nas actividades de promoção da leitura oferecidas pela Biblioteca.

- Acompanhar o percurso escolar da criança. É importante o diálogo com o professor para saber em que nível se encontra e qual a melhor maneira de a acompanhar em casa para o bom desenvolvimento das suas capacidades.

- Limitar o tempo de visionamento de televisão. Procurar programas adequados à idade da criança.

- Fazer da leitura um ritual. Enquanto a criança lê ou ouve uma história a televisão e/ou a rádio devem ser desligados.

- Os pais são o principal modelo para as crianças: demonstre o seu gosto pela leitura. Crianças que vêem os pais a ler, que percebem que eles têm prazer ao fazê-lo, são crianças mais interessadas na leitura do que aquelas que têm pais que não lêem e não gostam de ler.

- Demonstrar a importância da leitura na realização das tarefas do dia-a-dia. Exemplo: ver o horário dos transportes públicos, seguir uma receita de culinária, fazer compras no supermercado, são tarefas que requerem o saber ler para serem concretizadas.

- Aconselhar-se com os profissionais da biblioteca e com os professores sobre as leituras mais adequadas à faixa etária do seu filho.

- Oferecer livros aos seus filhos em datas festivas. A existência de livros no lar é fundamental para a familiarização com o livro e a leitura.

- Envolver os avós na educação dos seus filhos. Peça-lhes para lhes contarem histórias e cantar canções da sua geração.

A técnica da leitura, é uma técnica que se começa a desenvolver desde o nascimento, portanto quanto mais cedo iniciar o contacto da criança com o livro e a leitura, maiores serão as hipóteses de obter sucesso.

Miriella de Vocht
8 de Novembro de 2009

Bibliografia consultada:

http://www.ed.gov/pubs/startearly/ch_1.html%20acedido%20em%2007.11.2009 acedido em 07.11.2009
http://www.peuterplace.nl/peuter/voorlezen.htm acedido em 07.11.2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Morte no Nilo de Agatha Christie

Linnet Ridgeway, jovem herdeira de uma grande fortuna, casa com Simon Doyle, que até pouco tempo antes era noivo de uma das suas melhores amigas, Jacqueline de Bellefort.

O casal Doyle parte em Lua-de-mel para o Egipto, porém a tranquilidade da viagem é assombrada pela presença constante de Jacqueline que tendo-se sentido atraiçoada pelo noivo e pela amiga, resolve persegui-los.

A bordo do Karnak, Linnet é assassinada, no seu camarote, com um tiro na cabeça. Quem terá sido o seu assassino?

Cabe a Poirot, que se encontra na mesma excursão de férias, o trabalho de investigar o crime. Com a sua característica perspicácia ele vai levantando várias hipóteses sobre os motivos que cada um dos passageiros poderia ter para eliminar Linnet. Todos se tornam em potenciais culpados. Louise Bourget, a criada pessoal; Pennington, gestor da fortuna da família Ridgeway; Fleetwood, que considerava ter sido mal tratado por Linnet; Jacqueline de Bellefort, são apenas alguns dos passageiros interrogados por Poirot.

O caso adensa-se quando Poirot e Race, um coronel que se encontra a bordo no encalço de um assassino, encontram a criada Louise Bourget morta no seu camarote. Mas as mortes não se ficam por aqui.

Agatha Christie, através da sua personagem Poirot, vai revelando as informações necessárias para que também o leitor se sinta envolvido no desvendamento destes crimes. Será o leitor capaz de descobrir o assassino ou terá que acompanhar os passos de Poirot para chegar à revelação do culpado?

Um policial que merece a pena ser lido. Envolvente do princípio ao fim!

Nota: "Morte no Nilo" (Death on the Nile) foi originalmente publicado em 1937, na Grã-Bretanha. A edição americana veria a luz do dia em 1938. O filme homónimo, de 1978, conta com um elenco de luxo, de onde se destacam os nomes de Peter Ustinov (naquela que seria a sua primeira interpretação de Hercule Poirot), David Niven, Bette Davis, Angela Lansbury e Maggie Smith. A adaptação para teatro, feita pela própria autora, estreou em Londres em 1946 e subiu aos palcos americanos no mesmo ano, sob o título Hidden Horizon.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sputnik, meu amor

MURAKAMI, Haruki - Sputnik, meu amor. [S.l.] : (Sic) idea y creación, 2008. 199 p. ISBN 978-84-612-5728-7

Sputnik, meu amor é um relato íntimo sobre o desejo humano e o destino.

As personagens que povoam este romance são três: K., um jovem professor primário, Sumire, uma jovem aspirante a escritora e Miu, uma mulher casada de meia-idade e aspecto requintado.

K. nutre por Sumire uma grande paixão, porém esta não é correspondida, não obstante são grandes amigos e confidentes um do outro.

“Eu estava apaixonado por Sumire. Sentira-me atraído por ela logo na primeira vez em que falámos e rapidamente ela passou a ser a coisa mais importante na minha vida. (…) Por mais de uma vez tentei confessar-lhe o que me ia na alma, mas, não sei bem por que razão, via-me e desejava-me para traduzir os meus sentimentos nas palavras adequadas.”

Sumire abandonara a universidade após dois anos infrutíferos e com o objectivo de se tornar uma verdadeira escritora, mas não consegue encontrar inspiração para escrever, muito menos depois de conhecer Miu, por quem se apaixona perdidamente.

“Na Primavera dos seus vinte e dois anos, Sumire apaixonou-se pela primeira vez na vida. Foi um amor intenso como um tornado (…) A pessoa por quem Sumire se apaixonou, além de ser casada, tinha mais dezassete anos do que ela. E, devo acrescentar, era uma mulher.”

Pouco depois de se conhecerem, Miu convida Sumire para ser sua assistente pessoal. Sumire começa a deixar influenciar-se por Miu, muda a sua forma de vestir e de estar e até as suas prioridades na vida.

“-Nesta fase da tua vida, e mesmo que dediques dia e noite ao teu romance, não creio que consigas escrever alguma coisa de jeito – disse Miu, num tom calmo mas firme. – É óbvio que tens talento e estou certa de que um dia serás uma escritora extraordinária (…) mas ainda não estás preparada. (…) anda trabalhar comigo. É o melhor que tens a fazer e, quando sentires que chegou a hora, não hesites: deixa ficar tudo para trás e escreve os romances que te ditar o coração.”

A trabalho Sumire acompanha Miu numa viagem até à Europa, visitam alguns lugares na Itália e na França, e acabam por ir parar a uma ilha grega, onde resolvem ficar durante alguns dias a desfrutar de umas merecidas férias.

“(…) Aqui estou eu, a fazer uma viagem pela Europa na companhia de Miu. Por motivos de trabalho, Miu tinha pensado ir sozinha durante quinze dias dar uma volta por terras de Itália e França, mas acabou por pedir que viesse com ela na qualidade de secretária particular.”

Mas depois de uma noite em que finalmente, Sumire ganha coragem para demonstrar a sua paixão por Miu, esta desaparece sem deixar rasto. Miu, resolve então contactar K. que se mete quase de imediato num avião e depois de várias ligações chega finalmente à ilha. Juntos encetam a procura por Sumire.

“Aquela mulher amava Sumire, mas não sentia por ela desejo sexual. Sumire amava aquela mulher e, mais, desejava-a. Eu amava Sumire e desejava-a. Sumire gostava de mim, mas não me amava nem tão pouco sentia desejo sexual por mim. (…) era tudo muito complicado. Mais parecia o enredo de uma peça de teatro existencialista. A história acabava ali, num impasse. Não havia alternativa possível e Sumire tinha abandonado o palco sozinha."

É assim que as três personagens acabam por se interligar numa teia de afectos desencontrados, envolvendo-nos nas suas vidas e pensamentos, oferecendo uma profunda reflexão sobre a solidão, os sonhos e as aspirações do indivíduo.

Um romance que cativa desde a primeira página e que frequentemente nos obriga a parar para pensar.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Filipa nesse dia de Urbano Tavares Rodrigues

Rodrigues, Urbano Tavares – Filipa nesse dia. – Mem-Martins: Europa-América, D.L. 1988

Filipa Nesse Dia é a uma obra de complexa densidade e intensidade humana, acompanhada por uma viva e detalhada descrição das paisagens alentejanas.

Hélio, o protagonista desta história, percorre ao volante do seu automóvel, uma estrada que parece não acabar, em direcção a Montelírio, um lugar no Alentejo. Conduz horas a fio com o objectivo de tentar salvar Filipa, a sua amante, que é também sua madrasta, das mãos do seu pai, Túlio.
O percurso demora quase o dia inteiro e as horas passadas ao volante, bem como as paisagens que vai observando e as pessoas com quem se vai cruzando, dão a Hélio a oportunidade de rever a sua vida, tornando se a viagem pretexto para uma interminável reflexão sobre o seu passado e a sua relação ilegítima com Filipa.
Hélio está decidido a assumir a sua relação com Filipa e a confrontar o pai com os seus sentimentos, mas quando chega ao destino, já é tarde demais.
A história está escrita de uma forma acessível e a sua estrutura, de certa forma instantânea por se apresentar no presente, consegue fazer com que o leitor se sinta como um verdadeiro espectador.

“Quilómetros e quilómetros vão ficando para trás. Hélio estranha a paisagem, não poderia dizer concretamente porquê, talvez mais acidentada, mas não menos nua de casas, de gente. É verdade que é muito cedo. Ainda subsistem as lentas barras cor de laranja, cor de salmão, de onde o Sol vai emergir e ascender no horizonte.
Da beira do azinhal sai um grito modulado, de uma rapariga talvez a chamar o gado, o gado inexistente. Nem um ser vivo.”

Se quiser descobrir mais sobre esta obra e o seu autor consulte:

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O anjo ancorado de José Cardoso Pires

Pires, José Cardoso, 1925-1998 – O Anjo Ancorado – Lisboa: O Jornal, 1984
O anjo ancorado, obra de José Cardoso Pires, é nas palavras do próprio autor uma fábula. É uma história simples cuja acção se desenrola numa tarde. João, um homem da cidade, resolve ir fazer pesca submarina numa pequena aldeia nos arredores de Peniche, acompanhado por Guida, uma jovem com metade da sua idade, que ainda mal conhece.

Mal chegam à falésia são abordados por um rapazinho da aldeia que tenta logo fazer negócio com os forasteiros, propondo a venda de uma renda que a irmã terminará à pressa. Também um velhote que tenta caçar um pequeno perdigoto faz parte desta história, uma história repleta de contrastes. De um lado a despreocupação de João e Guida, claramente abastados, do outro lado os habitantes da pequena aldeia, vivendo à beira da miséria, dependentes dos humores do mar. Este contraste está também presente no próprio ritmo da narrativa: lento na de João e Guida, simbolizando as despreocupações, e mais acelerado na da população local, denotando a dificuldade de vida e a luta pela subsistência.

Uma história em que sobretudo se destacam as diferenças sociais e o desprezo dos abastados por aqueles que vivem privados de quase tudo.

“Neste meio tempo apareceu a rondar por ali um miúdo de São Romão, uma destas criaturas que trazem um casaco de homem a dar-lhes pelas canelas, a ponto de se julgar que andam nuas por baixo, só com aquilo.

O miúdo ficou de longe em face da cena que se estava a passar; e não ficou por ali por ver uma mulher a beijar um homem: isso é das tais coisas que acontecem quando menos se esperam; nem tão pouco porque se espantasse grandemente de ver uma senhora de calças e a fumar: passava por Peniche muito turista estrangeiro que fazia o mesmo ou ainda pior, e ele já tinha ido várias vezes a Peniche. Não, a verdade era outra. O garoto parara ali, sim, mas por uma razão muito dele: porque trazia um recado importante. Esperto como era, lá resolveu que o melhor que tinha a fazer era pôr-se de largo e só se apresentar quando tudo estivesse em ordem. Calma, portanto.

Se bem o pensou melhor o fez. E quando veio ao pé dos viajantes estendia uma amostra de renda na palma da mão. Era o recado.”

Leia aqui um excerto ou aqui mais informação sobre a obra.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sítio recomendado: Biblioteca Digital Camões

Uma das missões do Instituto Camões é a promoção da língua e cultura portuguesas, e no âmbito dessa missão foi criada a Biblioteca Digital Camões, que disponibiliza um vasto conjunto de textos e documentos relevantes a nível cultural e linguístico, que estão disponíveis de forma gratuita e livre na Internet.

De acordo com o Instituto Camões “A Biblioteca Digital Camões pretende ser um repositório da cultura em língua portuguesa, tendo como principal critério a publicação de obras integrais, para leitura gratuita, sem necessidade de registos ou subscrição.”

A Biblioteca Digital Camões disponibiliza já, em formato PDF, mais de 1900 obras (1974) relacionadas com diversas áreas do conhecimento, entre elas Arte, Biografia, Estudos Literários, História e Música, bem como obras literárias de escritores de língua portuguesa, tais como Antero de Quental, Agustina Bessa Luís, Luís de Camões, Fernando Pessoa, José Cardoso Pires, etc.

Um sítio que vale a pena visitar.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Herta Muller, Nobel da Literatura de 2009


Herta Müller nasceu a 17 de Agosto de 1953, na aldeia de Nitzkydorf, perto de Timisoara, na Roménia. Estudou alemão e literatura romena e trabalhou depois como tradutora numa fábrica de Timisoara, função da qual foi demitida em 1979 por se ter recusado a colaborar com a polícia política de Nicolae Ceaucescu.

A estreia literária de Herta Muller deu-se em 1982 com a colectânea de contos Niederunge, censurados na Roménia e publicados dois anos depois na Alemanha.

Proibida de publicar na Roménia por ter criticado publicamente o regime de Ceausescu, a escritora emigrou em 1987 para a Alemanha com o marido, o escritor Richard Wagner.

Müller é autora de livros como “O homem é um grande faisão sobre a terra”, editado em Portugal pela Cotovia, e “A terra das ameixas verdes”, publicado a nível nacional pela Difel. Ambos estão esgotados em Portugal.

Em 1984, foi distinguida com o Prémio Aspekte, em 1995, recebeu o prémio europeu de literatura Aristeion e foi eleita para a Academia Alemã para Língua e Poesia. Em 1998, recebeu o prémio irlandês IMPAC, no ano seguinte o Prémio Franz Kafka. Em 2003, o prémio Joseph Breitbach de literatura alemã, em 2004 o prémio de literatura da Fundação Konrad Adenauer e, em 2006, o Prémio Würth de literatura europeia.

A obra desta escritora destaca-se pelos seus relatos acerca das árduas condições de vida na Roménia sob o regime político comunista de Ceaucescu e valeu-lhe agora a atribuição do Nobel de Literatura por "com a densidade da sua poesia e a franqueza da sua prosa, retratar o universo dos desapossados”.

Se ainda não conhece a obra de Herta Muller pode ler aqui um conto da sua autoria publicado na antologia “O Melhor do Conto Alemão no Século 20” (Brasil: L&PM, 2004).

Mais informação em:

nobelprize.org

Dickinson College

Wikipedia

Público

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O tempo dos Espelhos

VAZ, Júlio Machado - O tempo dos espelhos. 1ª ed., 3ª tir. Lisboa : Texto Editores, 2006. 158, [1] p. ISBN 972-47-3110-3-3

“O tempo dos espelhos” da autoria de Júlio Machado Vaz é um romance autobiográfico escrito ao ritmo dos pensamentos e dos sentimentos, ao ritmo da vida e da morte, das angústias e das incertezas, mas também ao ritmo das memórias e das lembranças.

Publicada em 2006, esta obra foi escrita em 2005, pouco depois de o autor ter sido confrontado com um grave problema de saúde, com o objectivo de deixar um registo da sua vida.

Júlio Machado Vaz refugiou-se em Cantelães e registou a história e as particularidades da família Machado Vaz: o avô. Bernardino Machado, por duas vezes Presidente da República; o pai, o Prof. Machado Vaz, também médico; a mãe, a cançonetista Maria Clara; os filhos e os netos. Mas mais do que isso revelou-se a si mesmo: conhecido como médico psiquiatra e cara conhecida da televisão, Júlio Machado Vaz acaba por se revelar hipocondríaco e… sentimental.

A história desenrola-se a duas vozes: a voz de Júlio Machado Vaz, no papel de narrador, e a voz da consciência, autocrítica que vai esquadrinhando todos os sentimentos, traumas de infância e medos ocultos. Parece um diálogo ao espelho. Júlio Machado Vaz retrata-se tal como se vê, de forma dura e sem rodeios. Um espelho que muito mais do que reflectir uma imagem, reflecte uma vida e obriga-nos a reflectir sobre questões profundas, tais como a doença, os afectos, os nossos receios e aspirações.

Uma leitura que vale a pena…

“Aqui, a vida assumiu um outro significado para mim. Cantelães é a estação de chegada, mas a viagem ainda não terminou, sacudi alguma da apatia que me vinha invadindo. Não cortei relações com o meu andarzinho do Porto, continuo a amá-lo, somos cúmplices há tantos anos! Mas em termos simbólicos esta casa representa um salto qualitativo – é um sonho que transformei em realidade e não perdi ou estraguei. Só posso dizer o mesmo dos meus filhos. Como eles, Cantelães é um estímulo. Já não para projectos vagos ou agitação frenética de workaholic. Para, a pouco e pouco, tentar viver mais em paz comigo e com o mundo. É um objectivo por definição inacabado, mas possível de ser perseguido.”

Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Livro do mês: O afinador de pianos de Cristina Norton

NORTON, Cristina - O afinador de pianos : romance. 1ª ed. Lisboa : Dom Quixote, 2007. 221 p. ISBN 978-972-20-3269-8

O afinador de pianos da autoria de Cristina Norton relata-nos a história de Benjamin e Ângela, que unidos por um grande amor, deixam tudo para trás para poderem ficar lado a lado.

Benjamin é convidado pelo tio para durante uma semana ir ao Ferrol, uma terra na província da Corunha, para afinar alguns pianos. Benjamin aceita de bom grato esta oferta e deixa em Madrid, Rócio, a mulher fria e distante, e o tio Malaquias, seu mestre de ofício.

Pouco tempo depois da sua chegada ao Ferrol, Benjamin conhece Ângela, uma jovem professora de música por quem rapidamente se apaixona.

Apanhado pelo início da Guerra Civil, Benjamin fica retido na Corunha e sem forma de contacto com a mulher na Galiza. O tempo vai passando e a relação entre Benjamin e Ângela torna-se cada vez mais forte. Terminada a guerra, e depois de 3 anos afastado da família, Benjamin resolve contar toda a verdade sobre o seu casamento a Ângela.

“As tropas nacionalistas avançavam conquistando quase todo o território e havia sintomas de que a guerra estava próxima do fim. Não tinha tomado partido por nenhuma das forças políticas, mas em breve se veria na obrigação de decidir se voltaria para Madrid da mesma forma discreta como tinha chegado ou se encararia por uma vez a realidade e falaria da sua situação a Ângela.”

Decididos a viver como marido e mulher deixam tudo para trás e resolvem partir para Portugal. Uma vez lá chegados a vida não corre como desejaram e resolvem prosseguir viagem até Buenos Aires, onde viverão até ao fim das suas vidas.

Na Argentina, Benjamin e Ângela são felizes durante os primeiros anos. Conseguem montar um negócio próprio e levam uma vida desafogada. Mas quando a filha Cecília começa a frequentar uma escola católica, os sentimentos de culpa face aquela união pecaminosa aos olhos da igreja começa a invadir cada vez mais a vida do casal.

“(…) não precisam de contar a verdade à vossa filha nem fazer disto um drama, nem encarar a possibilidade de uma separação, não tudo deve continuar como dantes… salvo num pormenor de pouca importância (…) A partir de hoje, para não viverem em pecado mortal, vão ter de se comportar como irmãos(…)”

Os caminhos tortuosos da culpa acabam por afastar Ângela de Benjamin para sempre. Partilham o mesmo telhado mas lentamente Ângela vai-se apagando, até não passar senão de uma sombra daquilo que fora.

Esta é uma história de um amor forte e intenso. Ao longo das páginas do livro somos conduzidos por 40 anos de realidade histórica: a guerra civil na Espanha, o regime salazarista em Portugal e os anos conturbados que se seguiram ao Golpe Militar na Argentina, durante os quais decorre a história de vida deste casal, do qual nos aproximamos e com quem nos envolvemos através de uma narrativa rica, que se desenrola num ritmo vivo, esperando até ao culminar da história que Benjamin e Ângela consigam ultrapassar os obstáculos levantados pela sua consciência, reencontrando a felicidade que em tempos tinham vivido.

"Sentia que lhe devia uma nova vida e uma felicidade que chegaram a conhecer e que tinham perdido nos caminhos tortuosos da culpa. Precisava de se redimir, de se sentir perdoado diante de Deus, dos homens e sobretudo de Ângela.”

A autora:

Cristina Norton nasceu em 1948 em Buenos Aires, Argentina. Reside há mais de 30 anos em Portugal e é de nacionalidade portuguesa. Publicou, entre outros livros, os romances "O Afinador de Pianos" (Europa-América), "O Lázaro do Porto" (Temas e Debates, 2 edições) e "O Segredo da Bastarda" (Temas e Debates).

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Dia Mundial da Música



O Dia Mundial da Música foi proposto pelo grande músico e violinista Yehudi Menuhin, na altura Presidente do Conselho Internacional da Música e celebrado pela primeira vez em 1975.


Os principais objectivos desta data são:

* Promover a arte musical em todos os sectores da sociedade;
* Promover a música enquanto ponto de encontro de pessoas, ideias e estéticas, celebrando a sua universalidade.

Aproveitando a ocasião vale a pena reflectir sobre a definição de Música, enquanto expressão artística, de J. A. Alegria:

“Como arte a música é a expressão social e cultural em permanente oferta gratuita à sensibilidade e à inteligência dos homens de todos os níveis e capacidades. Fenómeno vincadamente social, a música tem cada vez mais audiência nas comunidades humanas, facilitada pelos modernos meios de comunicação. Tão próxima está das preocupações que agitam cada geração que já alguém afirmou ser a música a autobiografia da sociedade mais do que do seu autor ou compositor. Parece fora de discussão poder dizer-se que a música, através da sua variedade formal, é intrinsecamente sociável.”


In: Polis : Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado.
1ª ed. Lisboa : Verbo, 1983. 5 vol.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Audiolivros… uma outra forma de “ler”

Um audiolivro é um livro em áudio também conhecido como livro falado ou audiobook. Gravado em estúdio, por profissionais a obra literária é enriquecida pela leitura que é feita e na qual o narrador deixa a sua marca através da sua interpretação. A utilização de efeitos sonoros e musicais ajudam o ouvinte a melhor imaginar a atmosfera da obra.

Este novo tipo de livro tem vindo a conquistar espaço nos últimos anos, e não se destina apenas a pessoas com problemas de visão ou a crianças.

Com o ritmo acelerado da vida nos grandes centros urbanos, as filas de trânsito, a falta de tempo para ler, muitas são as pessoas que escolhem o audiolivro para poder “ler” enquanto estão ocupados com outras tarefas. Com o desenvolvimento das novas tecnologias este meio tornou-se muito prático, já que é possível ouvir estes livros em CD, MP3 ou até mesmo no telemóvel, possibilitando assim a “leitura” em qualquer lugar ou circunstância.

Elaborados por equipas de profissionais, os audiolivros são actualmente produtos de grande qualidade, que aliam o prazer de ler ao prazer de ouvir, lembrando que as boas histórias ficam sempre no ouvido.

Em Portugal existem já diversas editoras que se dedicam à publicação de obras literárias neste suporte, entre as quais se destacam:

Boca – palavras que alimentam

“O livro era o prazer há muito tempo, escrito, lido, dito, amplificado. Decidimos, por fim, dar-lhe voz e criar uma editora de audiolivros.
Chamámos-lhe BOCA. (…)
Encontrar, para cada livro, as pessoas que saibam imaginá-lo dito, contá-lo, sonorizá-lo e produzi-lo como obra de arte, objecto que, depois de descoberto, se guarda no espaço próximo, na memória, e se transmite.”

101noites

“Escute, leia e comprove que as grandes histórias ficam no ouvido”

MHIJ.pt

“A inexistência de audiolivros de contos/ romances contemporâneos, portugueses ou estrangeiros, foi por todos encarada como uma prioridade imediata: abrir ao leitor a possibilidade de uma nova experiência, como conduzir, cozinhar, repousar ou fazer exercício… enquanto relembra ou ouve pela primeira vez, um conto ou uma história maravilhosa de autores já reconhecidos.”

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Outono já chegou!

De mansinho o Outono chegou, os dias ainda estão quentes e cheiram a Verão, mas já se notam bem mais curtinhos e as noites já arrefeceram convidando a um bom agasalho.

A maior parte das pessoas tem preferência pela Primavera e o Verão, acham o Outono sombrio, escuro, pouco colorido, triste. Mas ele faz parte do ciclo do ano e não lhe podemos escapar.
Aprendamos pois a viver ao ritmo das estações…

Pelas suas características esta estação convida à permanência no lar, à reunião de família e a horas passadas simplesmente frente a lareira a observar as chamas a subir em pequenas labaredas pela lenha… porque não fazer tudo isto na companhia de um bom livro?

Leia para si mesmo, leia para os seus filhos, leia para os seus amigos, leia para a sua família… aproveite esta estação para partilhar com aqueles de quem mais gosta os encantos de uma boa leitura!

Da nossa parte deixamos uma pequena selecção de poemas que reflectem precisamente sobre as características desta estação!

Canto de Outono

Os rouxinóis inexoráveis da primavera
trazidos até nós por certa curta carta
em que canto da noite cantarão agora
que já os frágeis frios nos vindimam?
E os lilases crudelíssimos de Junho
inalteráveis como o céu das férias grandes
talvez ainda desdobradas sobre a adolescência
de que nos valerão perante a insinuante música de Outono?
E a mãe que o filho suga ruga a rua
que mãos estenderá sobre estes rostos
onde poisaram patas implacáveis dias?
E quando o vento verga os choupos do princípio
e despe os ramos dos plátanos familiares
faltará muito que nos cubram provisoriamente
as folhas fatigadas das desoladas árvores?
Já sobre a nossos pés o cedro do silêncio
Prometa-nos o Sol que sobre os nossos rostos
hão-de na primavera ondular os trigos

Ruy Belo In Obra poética (vol. 2)

Leia mais poemas aqui!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Sítio recomendado: Culturaonline.pt

Está disponível desde o dia 8 de Setembro o Portal Cultura Online. Impulsionado pelo Ministério da Cultura, “o portal ambiciona afirmar-se como o sítio de referência na divulgação da Cultura Portuguesa, em Portugal e no Mundo. (…)

O portal http://www.culturaonline.pt/ é um espaço interactivo, dinâmico, aberto à comunidade, um ponto de encontro entre a criação e o público, que vive da participação de todos.”

Um sítio que recomendamos vivamente.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

As vindimas: vivências e tradições

Setembro já vai a meio e a época das vindimas está a porta.
Esta época marcou ao longo dos tempos vivências e tradições que foram passando de geração em geração. Às vindimas associamos ranchos de homens e mulheres que nas pequenas ou grandes vinhas transformavam esta actividade rural numa festa popular. Nas aldeias a azáfama era enorme. As pipas e os tonéis eram lavados e preparados para receber o vinho novo. Nos lagares a pisa das uvas fazia-se ao som de cantigas populares e as noites, junto aos alambiques, esperando o lento destilar das aguardentes que no Inverno aqueciam a garganta e o espírito e era remédio santo contra as gripes e constipações, eram transformadas em longos serões comunitários.

A mecanização e o abandono da agricultura familiar levou ao apagamento destas tradições. Fica-nos a memória dos que as viveram e as souberam imortalizar através das palavras. Muitos dos nossos escritores se inspiraram nestas vivências e as reproduziram em prosa e verso e por isso elas continuam vivas nas nossas memórias.

Podemos, pois, afirmar que os livros constituem a memória viva da história antiga e recente, sendo também testemunho da evolução social, económica e cultural.

Cabe às bibliotecas reunir um fundo documental abrangente que nos transporte ao passado, mas também ao futuro. Citando Bob Usherwood “ao conservarem e preservarem a documentação, as bibliotecas tornam-se o espírito e a memória colectivos da sociedade.”

Sobre esta temática aqui ficam alguns excertos de obras de escritores portugueses que testemunham isso mesmo:

“Chegado ao termo dos cultivos, vem a época das ceifas ou das vindimas – decerto os maiores trabalhos colectivos do ano -, que se fazem com azáfama e entusiasmo, e também os seus tradicionais ritos, pois desde tempos imemoriais, por toda a parte, solenes e vistosas festas consagram a bela época.(…)
De regresso a casa, em começos de Setembro, nas baixas por onde se espalha a vinha, andavam já na faina das vindimas, porque nestas terras do sul a uva amadura mais temporã. Viam-se as mesmas intermináveis fileiras de homens e mulheres, de chapéus desabados sobre os lenços com que protegem a nuca contra a queimadura mordente do sol, elas de saias presas entre as pernas, como calções de turco, e todos debruçados sobre as vindimas, na eterna atitude de quem ceifa ou vindima, pois por toda a parte estes trabalhos se executam com os mesmos gestos, que vêm de longe, do começo do mundo – são tão velhos como velho é o labor de cultivar a terra.”

Manuel Mendes in Roteiro Sentimental: a sul do Tejo

“Desde o amanhecer, mal as perdizes começaram a cacarejar pelos socalcos, que toda a Cavadinha era uma dobadoira. As mulheres cortavam, as crianças despejavam as cestas cheias, os homens erguiam sobre as trouxas os vindimeiros, e o som cavo do bombo ia abafando pelas valeiras fora o repenicado do harmónio e o tlintim dos ferrinhos. O sol erguera-se já congestionado, e mordia a pele como um sinapismo. (…)”

Miguel Torga in Vindima
Leia mais excertos aqui!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Novidade na Biblioteca: Ossos cruzados de Kathy Reichs


REICHS, Kathy - Ossos cruzados. 1ª ed. Lisboa : Texto Editores, 2006. 327 p. ISBN 972-47-3147-2

A autora: Kathy Reichs, nasceu em Chicago em 1950, é antropóloga forense e escritora de romances policiais e de mistério.

O livro:

Quando um judeu ortodoxo é encontrado assassinado em Montreal, a Dr.ª Temperance Brennan é chamada a examinar o corpo. Inesperadamente, um estranho faz-lhe chegar uma fotografia de um esqueleto, assegurando-lhe que é a chave para a morte da sua vítima. Sem que dê por isso, Temperance vê-se envolvida num mistério que pode levar à reescrita de dois mil anos de história religiosa.

À medida que investiga, Temperance descobre que a fotografia é de um esqueleto descoberto numa escavação arqueológica. Temperance viaja então até Israel para examinar a antiga cripta onde o esqueleto foi encontrado e faz uma descoberta que levanta questões radicais acerca da Morte de Cristo.

Com o seu ritmo vertiginoso, a sua trama intricada e os modernos e interessantes pormenores forenses, Ossos Cruzados é um empolgante e dramático romance.

Fonte: contra-capa do livro

Excerto:

“Fiquei a olhar para o telefone.
O que é que podia ser tão importante a ponto de fazer Jake alterar planos que andava a fazer havia meses?
Centrei a foto em cima da minha pasta de secretária.
Se estava certa em relação ao pincel, o corpo estava orientado de norte para sul, com a cabeça voltada para este. Os pulsos estavam cruzados em cima da barriga e as pernas completamente estendidas.
Salvo uma ligeira deslocação do osso pélvico e dos pés, tudo parecia anatomicamente correcto.
Demasiado correcto.
Na ponta de cada fémur havia uma rótula. Não era possível que as rótulas estivessem tão bem postas no lugar.
Faltava mais uma coisa.
O perónio direito estava do lado de dentro da tíbia direita e deveria estar do lado de fora.
Conclusão: a cena fora preparada.”

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Fahrenheit 451 de Ray Bradbury


BRADBURY, Ray - Fahrenheit 451. Porto : Público Comunicação Social, imp. 2003. 159 p. ISBN 84-96200-92-2

Fahernheit 451, escrito por Ray Bradbury, foi editado pela primeira vez em 1953. Ray Bradbury, escritor norte-americano, nasceu em 1920.

Fahrenheit 451 é uma novela distópica, que retrata uma sociedade ficcional no século XXI, onde o regime totalitário está determinado a garantir a felicidade dos seus súbditos, e para a alcançar proíbe severamente a posse e a leitura de livros. O livro é considerado pelos governantes, e consequentemente, pela opinião pública como fonte de problemas e teorias conflituosas, os livros são vistos como fonte de infelicidade, levando as pessoas a sentir ansiedade, tristeza e até ódio.

As ideias expostas nos livros são consideradas heréticas e são contratados bombeiros para os queimar e destruir.

No entanto há pessoas que se lembram do tempo em que se podiam ler livros e pensar livremente. Há livros escondidos e pessoas que fogem para zonas onde ainda é possível ler.

Este é um livro interessantíssimo que retrata uma sociedade altamente tecnológica e embrutecida, mas onde não há felicidade, apenas esquecimento e escuridão.

Como convite à leitura deste livro, segue-se a seguir um breve excerto do mesmo!

“Ele sentia-se de facto à vontade, eufórico.
- Porque não está nas aulas? Vejo-a todos os dias a passear.
- Oh! Não faço lá falta. Sou anti-social, parece. Não me misturo com os outros. É estranho. Porém, para mim, acho que sou muito social. Tudo depende do sentido que se dá à palavra, não acha? Ser social, para mim, é falar-lhe como lhe estou a falar, por exemplo, ou falar do estranho mundo em que vivemos. É agradável encontrarmo-nos com outras pessoas. Não vejo o que há de social em pôr uma quantidade de pessoas juntas para as impedir de falar. Não é da mesma opinião? Uma hora de aula televisada, uma hora de basquetebol, de basebol ou de corridas a pé, uma outra hora de transcrição de história ou de pintura e mais uma vez desportos mas, sabe, nunca ninguém faz perguntas ou, pelo menos, a maior parte de nós não as fazem; contentam-se em meter as respostas na cabeça, bing, bing, bing, e ficam sentados quatro horas seguidas perante filmes educativos. Isso nada tem de social, para mim. Faz-me lembrar um barril onde se deite por um lado água que torne a sair pelo outro e que depois nos digam que é vinho. Eles embrutecem-nos de tal forma que, ao fim do dia, apenas nos sentimos capazes de ir para a cama ou para um parque de atracções empurrar pessoas, partir vidros na barraca do “Quebra Vidros”, virar automóveis no “demolicar” com a grande bala de aço ou ainda de sair num carro e seguir em grande velocidade pelas ruas, rasando os candeeiros, tentando matar galinhas. No fundo devo ser aquilo que me acusam de ser. Não tenho um único amigo. Isso chega, parece, para provar que sou anormal. Mas todos quantos conheço passam o seu tempo a gritar, a saltar como selvagens ou a baterem-se.”

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Os meus livros

Durante o curso das nossas vidas, por razões pessoais e profissionais, vamos adquirindo livros, que se vão avolumando ao longo do tempo nas nossas casas. Há pessoas que se conseguem desfazer deles, oferecê-los, vendê-los, outras apegam-se e não se conseguem desapossar dos seus livros de forma alguma.
A casa vai se apinhando, as estantes estão cheias… mas continuamos sempre a arranjar espaço para mais um inquilino: uma edição especial, a obra completa de determinado escritor, um achado numa feira do livro ou num alfarrabista…
A nossa biblioteca pessoal gradualmente vai-se construindo tornando-se íntima e até um reflexo do nosso próprio percurso de vida.

Em deambulação pelo mundo dos blogues encontrámos um interessante texto de António Barreto com o título “os meus livros” que vem ao encontro desta reflexão.

“Na verdade, o que distingue a minha biblioteca de uma qualquer biblioteca pública é exactamente isso: visto-a. Como um casaco usado. Vivo com ela na pele. Ela tem tanto a minha marca, como eu tenho a dela. É mesmo uma união a sério, para a vida, para o melhor e o pior.”

Leia o texto completo de António Barreto aqui!

Nota:

António Barreto nasceu a 30 de Outubro de 1942, é político e sociólogo, É autor, entre outras obras, de Anatomia de uma Revolução. A Reforma Agrária em Portugal, 1974-1976 (1987), Sem Emenda, Tempo de Mudança (1997), A Situação Social em Portugal (1996), A Situação Social em Portugal, vol. II (2000) e Tempo de Incerteza (2002).

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Filhos brilhantes, alunos fascinantes de Augusto Cury



CURY, Augusto Jorge - Filhos brilhantes, alunos fascinantes : a importância do pensamento, da criatividade e dos sonhos. 4ª reimpressão. Cascais : Pergaminho, 2007. 153, [7] p.



No livro Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes, Augusto Cury reflecte sobre a educação como uma ferramenta de transformação da humanidade. Ao longo das páginas do livro relata-nos a história de Romanov, um professor “incendiário, agitador, e superinteligente… capaz de despertar os alunos alienados e de os transformar em sonhadores, capaz de contagiar os alunos tímidos, convertendo-os em alunos intrépidos e corajosos…”.

Romanov é colocado numa escola conhecida como a “Escola dos Pesadelos”. Ele e outros professores da escola, pela forma como ensinam, aos poucos e poucos vão introduzindo mudanças nas suas próprias vidas, bem como nas dos seus alunos, devolvendo-lhes a capacidade de sonhar e de construir uma vida melhor.

A história passa-se toda ela em contexto da aula, e como leitor sentimo-nos também como alunos. Escutamos atentamente e paramos para reflectir e tentar responder às várias questões lançadas.

Um livro que de acordo com o prefácio do autor foi escrito principalmente para falar com os “pré-adolescentes, adolescentes e jovens universitários sobre as suas mentes, os seus conflitos e os seus desafios”, mas que pode ser lido por “jovens dos nove aos noventa anos”.

Excerto:

“A juventude era bombardeada diariamente com publicidade para consumir produtos e não ideias. Esse bombardeamento perturbava milhões de pais e professores em todo o mundo, em especial Romanov. O sistema «gritava», na publicidade que passava na TV e nos demais sectores dos média, que os jovens deviam consumir telemóveis, ténis, computadores, Ipods, mas não dizia, nem sequer timidamente, que eles deviam expandir a sua consciência crítica e a arte de pensar, para serem livres dentro de sim mesmos.
O veneno do consumismo criado pelos adultos era tão poderoso que os jovens não o contestavam. Pelo contrário, queriam bebê-lo em doses cada vez maiores. Desejando apenas o prazer imediato, os jovens sufocavam os seus projectos de vida. Não sabiam debater ideias, filosofar sobre a vida e pensar nos mistérios da existência. Não reflectiam sobre o facto de ávida ser belíssima, mas brevíssima.”


Quem é Augusto Cury?

“Sou apenas um psiquiatra, um simples pensador da filosofia e um pesquisador da inteligência, que procura ansiosamente entender o complexo teatro da mente humana.”

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Eduardo Lourenço em entrevista à Ler

Eduardo Lourenço, ensaísta português, nasceu a 29 de Maio de 1923, em S. Pedro de Rio Seco, Almeida. Formado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, onde foi professor entre 1947 e 1953, leccionou depois em várias universidades, como a da Baía, no Brasil, e nas Universidades de Hamburgo, Heidelberg, Montpellier, Grenoble e Nice.

É conhecido pela sua constante presença na reflexão sobre os acontecimentos, a literatura e a vida, sobre Portugal e a Europa, tendo ao longo dos seus 86 anos de vida dado um grande contributo “para pôr Portugal a pensar”.

Em entrevista à revista Ler: livros & leitores nº 72 (Setembro 2008), Eduardo Lourenço faz o balanço de uma vida dedicada a ler a obra dos outros e a pensar o passado e o destino de Portugal. Da entrevista destacamos o seguinte pensamento:

«… Nós somos muito menos livres em relação à imagem do que éramos em relação ao livro. No livro a gente pode voltar atrás, andar para a frente. Também podemos fazer isso com a imagem, provavelmente, mas há sobretudo esse tempo que é transportado fisicamente pelos livros. Esse pó que fica nos livros. O pó do tempo. Nos novos instrumentos não haverá pó. É só o que lhes falta. Esse pó quer dizer o tempo, a própria essência da nossa vida.»

Eduardo Lourenço em entrevista a Carlos Vaz Marques, revista Ler n.º 72.


Se desejar ler a entrevista na íntegra visite a Biblioteca Municipal de Arganil!

Se desejar obter mais informação sobre Eduardo Lourenço visite a página oficial!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Um é pouco, dois é demais de Paulo Nogueira


NOGUEIRA, Paulo - Um é pouco, dois é demais : romance. 1ª ed. Lisboa : Bizâncio, 2001. 199 p. ISBN 972-53-0116-1

Um é pouco, dois é demais é um romance sobre o amor e a paixão, as felicidades e as tristezas de pessoas comuns, como qualquer um de nós.

André Portela é um bibliotecário, apaixonado pelos livros e tudo o que lhes diz respeito. “Sempre que possível, André Portela gostava de ser o primeiro a franquear a pesada porta de vidros duplos da entrada da biblioteca, usando a sua própria chave, logo pela fresquinha. Não era de todo por um sentimento de propriedade, do barão no seu castelo, mas antes a impetuosidade de um batedor que desbrava o caminho para os legítimos colonizadores.” Embora casado vive sozinho com a sua filha Alice, uma adolescente rebelde. Luísa, a esposa, saíra de casa há dois anos, não deixando mais de que um bilhete a anunciar a sua partida. Será que ela voltará?

Clara é outra das personagens centrais deste livro, a dois meses do casamento encontra o namorado no cinema com outra rapariga, e termina o noivado, entregando-se por completo à sua profissão de ilustradora e a uma vida de recolhimento. “Realizava o seu trabalho exclusivamente em casa – o seu lar era também a sua oficina e o seu estaleiro. Lá tinha tudo o que precisava… Não estava isolada coisíssima nenhuma: do seu refúgio podia comunicar-se com o mundo todo – só que era ela quem controlava o sentido dessa comunicação”.

Paolo, um jovem italiano, apaixonado pela música de Bob Marley e as ideologias do rastafarianismo viaja até a Jamaica para descobrir mais sobre a sua paixão, mas nem tudo corre tão bem quanto esperava e prossegue viagem até Portugal. No Algarve cruza-se com Alice Portela, por quem se apaixona.

Alice Portela é uma adolescente típica, com 16 anos que vive com o pai, mas com quem tem pouco contacto, as conversas entre ambos não passam de troca de monossílabos. Ela vive no seu mundo próprio, tentando manter-se o mais afastada possível do mundo do pai.

À medida que a acção avança, os quatros personagens acabam por se encontrar nos mesmos espaços geográficos e temporais, e as suas vidas cruzam-se. Utilizando uma linguagem lúdica, e recorrendo frequentemente a um tom irónico e jocoso, o autor conduz-nos pelas páginas deste romance de modo estimulante, e através das sensações e emoções de cada um dos intervenientes da história mostra que na vida cada medalha tem duas faces.

O autor:

Paulo Nogueira nasceu no Brasil, mas está definitivamente radicado em Portugal há mais de vinte anos. Em 1995 publicou o seu primeiro romance, O Homem Que Foi para o Céu. Licenciado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo, trabalhou como jornalista cultural em inúmeras publicações portuguesas, entre elas O Independente, O Diário Económico, Elle, Icon, A Capital, Egoísta, etc.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O leitor de Bernhard Schlink



SCHLINK, Bernhard - O leitor. 3ª ed. Porto : Asa, 2007. 143, [1] p. ISBN 978-972-41-2009-6





Michael Berg é alemão da segunda geração após a 2ª Guerra Mundial. Na sua adolescência conheceu uma mulher que o iniciou nos segredos da sexualidade e de quem se tornou amante. Nos seus encontros, tornou-se hábito o rapaz ler em voz alta para a amante. Um dia Hanna Schmitz desaparece. Anos mais tarde durante a sua licenciatura em Direito, Michael participa num Seminário sobre os campos de concentração nazis. Aí tem oportunidade de assistir ao julgamento de um grupo de ex-guardas que prestou serviço em Auschwitz. Qual não foi o seu espanto quando entre elas reconhece Hanna. Conhece então uma nova faceta da mulher que foi sua amante. As atitudes que ela toma em tribunal intrigam-no já que Hanna parece não se querer defender, pelo contrário os argumentos que usa prejudicam-na. De raciocínio em raciocínio Michael descobre que Hanna não sabe ler tendo escondido ao longo da vida a sua ignorância. Michael percebe então muitas das atitudes de Hanna ao longo do período em que se amaram e durante o julgamento, onde preferiu ser condenada a permitir que descobrissem a realidade.

No dia em que deveria ser libertada Hanna suicidou-se na sua cela. Quando Michael aparece para a levar é um cadáver que lhe apresentam.

Ao conhecer melhor a vida que levou na prisão percebe como a vida daquela mulher foi condicionada pelo facto de não saber ler e como ao ter aprendido tomou consciência da monstruosa realidade em que ela própria participou.

O seu extremo orgulho levou-a a rejeitar empregos que a obrigariam a denunciar o seu analfabetismo e acabou aceitando o que lhe restava ao alistar-se no exército alemão para trabalhar nos campos de concentração.

Um livro onde duas gerações se confrontam e onde a vergonha pelos acontecimentos ocorridos durante a segunda guerra mundial levam a questionar a geração anterior responsável pelos crimes praticados.

O autor:
Bernhard Schlink nasceu em 1944 em Bielefeld na Alemanha. É jurista de formação. Em 1988 tornou-se juiz do tribunal Constitucional da Renânia Setentrional – Vestefália. É professor de Direito Público e de Filosofia do Direito na Universidade Humboldt, em Berlim, desde 2006.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Inquérito ao perfil dos nossos visitantes

Está em curso neste blog um inquérito ao perfil dos nossos visitantes. A análise dos dados obtidos permitirá determinar que tipo de pessoas nos visita e a partir daí procuraremos adequar os conteúdos dos posts ao interesse das mesmas. Claro que partimos sempre do principio de que é o prazer da leitura que nos une neste blog.

Assim, pedimos a gentileza a todos que por aqui passam que respondam ao referido inquérito.

Qualquer comentário ou sugestão adicional poderá ser enviado por correio electrónico para: adultos@bib-arganil.org

Gratos pela sua colaboração!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Recordando Adolfo Simões Muller


Adolfo Simões Muller (Lisboa, 18.8.1909 – ibid., 17.4.1989)


Adolfo Simões Muller nascido em Lisboa a 18 de Agosto de 1909 foi poeta, contista, tradutor literário e jornalista.

Estreou-se como escritor, em 1926 com o livro de versos Asas de Ìcaro. No entanto, foi a literatura infantil que o celebrizou, tendo escrito obras como Caixinha de Brinquedos, em 1937 e O Feiticeiro da Cabana Azul, em 1942, ambas galardoadas com o Prémio Nacional de Literatura Infantil.

Trabalhou no secretariado Nacional da Informação e na Emissora Nacional e foi produtor de diversos programas para a rádio, tendo sido o autor do primeiro folhetim de rádio As Pupilas do Senhor Reitor.

Foi secretário de redacção do jornal Novidades, fundador e director até 1941 do jornal infantil O Papagaio e director do Diabrete.

Adolfo Simões Müller desempenhou, sobretudo nos anos quarenta e cinquenta, uma notável acção pedagógica em Portugal quer através das biografias que publicou na colecção “Gente Grande para Gente Pequena” por ele dirigida, quer através das adaptações, dirigidas a um público infanto-juvenil, que fez de grandes clássicos da literatura portuguesa e universal, tais como Os Lusíadas, A Peregrinação ou a Morgadinha dos Canaviais.

Em 1982 foi distinguido com o «Grande Prémio de Literatura Infantil» da fundação Calouste Gulbenkian pelo conjunto da sua obra.

Adolfo Simões Muller faleceu a 17 de Abril de 1989, e no ano seguinte a Editorial Verbo instituiu um prémio com o nome do escritor, como homenagem à memória desse grande vulto da literatura infantil e como estímulo à revelação de novos autores.


Para saber mais consulte:

site da DGLB
Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura : Edição Sec XXI. Lisboa ; Sao Paulo, imp.1998. ISBN 972-22-1850-6
Biblos : Enciclopédia Verbo das Literaturas de Lingua Portuguesa. [Lisboa] : Verbo, 1995.

No tempo em que os homens falavam

Quisera uma palavra virginal,
uma palavra em flor, novinha em folha
- minha, para meu uso pessoal,
em vez dos mil milhões que tenho à escolha…

As palavras perderam o sentido,
perderam os sentidos, num desmaio…
Se a gente pensa corpo, diz vestido;
e se diz música é trovão e é raio!

Depois, sabe-se tudo. Porco é tó…
Chefe etíope é rãs… Amor e ódio
são sinónimos… Letras grega? É ró…
N-A é o símbolo do sódio…

Ai as palavras cruzam-se no espaço
(só o que é surdo e cego o não descobre):
eléctricos fluviais, ponto e traço
- como nos versos de António Nobre.

Há-de chegar um dia… Dor secreta:
onde li isto? Assim se gera o plágio.
Há-de chegar um dia que o poeta,
Impassível, assista ao seu naufrágio.

Nesse mundo sem versos e sem alma,
lembrar-se-á (allegro ma non troppo…)
quando os homens falavam: doce e calma
era de fábula, de Fedro e Esopo.
In: Moço, Bengala e Cão


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Novidade na Biblioteca: Nómada de Stephenie Meyer




Nómada/ Stephenie Meyer
Alfragide, Edições Gailivro, 2009
ISBN 978-989-557-577-0




Nómada é um livro surpreendentemente envolvente e arrebatador. A história está escrita de forma soberba e envolve o leitor do princípio ao fim, como se de um personagem se tratasse. É impossível não nos deixarmos tocar. Os sentimentos das personagens principais, misturam-se com os nossos, somos tomados de alegrias, dúvidas, hesitações, felicidades e tristezas consoante a história vai evoluindo e nos vamos familiarizando com Noa e Melanie, Jared e Jamie, Jeb e Ian.

O mundo, tal como o conhecemos, foi invadido pelas Almas, uma espécie de alienígenas que fazem dos humanos seus hospedeiros. Fisicamente tudo se mantém, mas a mente dos hospedeiros é subjugada pelas Almas.

Depois de um traumático acidente Melanie foi sujeita a uma inserção. Uma alma foi implantada na base do seu crânio, porém, contrariamente ao esperado a sua mente resiste e não se deixa subjugar por Nómada, a Alma invasora à qual o seu corpo fora entrega. As duas coabitam no mesmo corpo. Nómada tem por missão descobrir nas memórias de Melanie pistas sobre humanos resistentes, e Melanie por seu turno quer cumprir a promessa de reencontrar o seu irmão Jamie e o seu amado, Jared.

“A Alma deslizou com suavidade para o espaço que lhe era oferecido. Vade admirou a destreza com que ela se apossava da nova casa. Os filamentos enroscavam-se firmemente onde deviam, em torno dos centros nervosos, e alguns alongavam-se para alcançar pontos que ele não conseguia ver, mais profundos, subindo até ao cérebro, aos nervos ópticos e aos canais auditivos.”

O desenrolar da história faz de ambas aliadas involuntárias e juntas encetam a busca pela resistência humana, fugindo a um inimigo comum. As memórias de Melanie conduziram Nómada e Melanie ao deserto, onde acabam por sucumbir sob o calor e a sede e são capturadas por um grupo de resistentes, liderado por Jeb, que fizeram do subsolo o seu lar e refúgio.

Era necessário decidir o que fazer com o corpo de Melanie, invadido por uma Alma. A sua captura era já motivo de discórdia entre a comunidade e a sua presença ali poderia significar uma ameaça para todo o grupo. O que fazer? A decisão sobre o futuro de Nómada e Melanie cabe a Jared.

“- A decisão cabe ao Jared. (…)
- Jeb, eu não… - começou Jared a retorquir.
- Ela é da tua responsabilidade, Jared – afirmou Jeb, num tom firme. – É evidente que podes contar com a minha ajuda (…). Mas, no que respeita a decisões, a tarefa é exclusivamente tua.”

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Um livro que ainda não li!

O livro é um organismo vivo. Quando está na estante, ele permanece apenas um conjunto de folhas de papel com tinta. Todavia, logo que se abre ganha vida e passa a ser o companheiro de horas boas quando a leitura é agradável, ou de horas difíceis quando a leitura é por obrigação. Num caso e no outro ele transmite ideias, conhecimento, sonho, tristeza, alegria; faz-nos rir ou chorar; contagia-nos com a boa disposição e leva-nos a ver o mundo com outros olhos.

Os escritores, aqueles seres que têm a rara capacidade de saber usar as palavras certas no sitio certo para transmitir todos os sentimentos que o homem é capaz de sentir, têm também a rara virtude de viver para além da vida mortal. Lemos Hemingway e é como se ele fizesse ainda parte do mundo dos vivos; quando abrimos um livro de Sophia de Mello Breyner não nos lembramos que ela já partiu, o livro é o mesmo e as suas palavras têm a mesma força. Isto acontece porque as palavras são imortais e quem as escreve e as sabe escrever bem, torna-se também imortal.

Este raciocínio leva-me a discorrer sobre a actualidade da escrita de ficção e pensar qual é a diferença entre os livros já com alguns anos de edição, que nunca lemos e os livros recentemente publicados que gostaríamos de ler.

A verdade é que nunca conseguiremos ler tudo aquilo que queremos. Verdade que nos últimos anos a velocidade editorial aumentou significativamente, o que torna a coisa ainda mais difícil, mas é também verdade que muitas vezes corremos a comprar a última novidade do autor X ou Y e a leitura se torna uma enorme desilusão. O contrário também acontece quando numa qualquer biblioteca nos deparamos com o “chamamento” de um livro que encontramos num corredor de estantes. Já foi editado há uns anos, mas ainda não o lemos. O título, o autor, a capa, a sinopse faz-nos escolher aquele livro para levar para casa e ler. Quantas vezes encontramos nesse livro o prazer que não encontramos noutros bem recentes?

Essa é a grande riqueza da literatura, não passar de moda, poder reviver sempre que a solicitamos e proporcionar-nos o prazer da leitura.

Margarida Fróis

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O Historiador

O Historiador é o primeiro romance de Elizabeth Kostova. Apoiado numa sólida base documental, o livro trata a questão do vampirismo de uma forma absolutamente apaixonante.
Num ambiente académico de investigação histórica algo de anormal se passa quando subitamente Bartolomeu Rossi desaparece misteriosamente.
Um livro de páginas em branco tendo nas páginas centrais a figura de um dragão e as cartas que Rossi escreveu levam o seu aluno Paul a desenvolver uma investigação sobre Vlad III, o Empalador, conhecido desde o século XIX como Drácula.
As pistas que vai seguindo para encontrar o seu mentor, que suspeita se encontre prisioneiro do vampiro leva-nos ao mundo medieval e às suas raízes mais profundas de crenças, tradições e temores, através de documentos antigos em bibliotecas de vários países como: Inglaterra, Estados Unidos, Turquia, Holanda, França, Bulgária, Roménia e Hungria.
Conventos e mosteiros são outros lugares por onde esta narrativa se espraia. A acção desenrola-se num entrelaçar de informação epistolar em três fontes principais que se vão completando numa narrativa que une a cada momento o século XX com documentos mais antigos que nos levam até aos tenebrosos primeiros séculos da Idade Média.
O ambiente politico e social na Europa de Leste dominada pela toda poderosa União Soviética é aqui descrito numa perspectiva de medo e de obscurantismo que completam os cenários onde o romance se vai desenrolando.
O Historiador é efectivamente um livro apaixonante, onde o emoção, a coragem e a racionalidade se unem na fronteira entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos – vivos.

A autora

Elizabeth Kostova nasceu em New London nos Estados Unidos em 1964. Licenciou-se pela Universidade de Yale e fez um Mestrado em Arte na Universidade de Michigan. O Historiador é o seu primeiro romance, que levou dez anos a escrever.

terça-feira, 28 de julho de 2009

A papisa Joana de Donna Woolfolk Cross


CROSS, Donna Woolfolk - A papisa Joana.
7ª ed. Barcarena : Presença, 2005. 458 p. ISBN 972-23-2641-4


A Autora

Donna Woolfolk Cross é licenciada em Literatura. É autora das obras Word Abuse e Mediaspeak. A Papisa Joana é o seu primeiro romance.

Sinopse

A autora reuniu, numa perfeita combinação, aspectos lendários com factos históricos do qual resultou um romance sobre Joana de Ingelheim. Filha de um missionário inglês e de uma mãe saxónica, Joana, nascida a 814, sente-se frustrada pelas limitações impostas à sua vida pelo simples facto de ter nascido com o sexo errado. O seu irmão Mateus começou a ensiná-la a ler e escrever quando Joana contava apenas seis anos. Com a sua morte, Joana recorre a toda a sua astúcia e capacidade de ludibriar de modo a continuar a dar largas à sua paixão pelo saber. Mais tarde, Joana foge de casa para seguir os passos do seu irmão João, a caminho da escola religiosa na Catedral de Dorstadt, onde ela se torna a única presença e estudante feminina tolerada. O irmão morre e Joana, usando as roupas e identidade do irmão, foge e entra para o mosteiro de Fulda, onde ela se passa a chamar João Anglicus. Trilhando o caminho de monge a padre, enquanto apurava o seu conhecimento e técnicas de cura, Joana começa a traçar a sua rota direita a Roma. É nos meandros de várias intrigas políticas no meio eclesiástico que Joana ascende ao posto de pontífice máximo da Igreja Católica.

Excerto

"(…) Encontrou João deitado, tal como o tinha deixado, estirado no interior escuro da catedral. O seu corpo estava mole e não ofereceu resistência, quando ela o virou de lado. Ainda não tinha chegado à rigidez da morte.
- Perdoa-me – murmurou ela, ao despir João do seu manto.
Quanto terminou, tapou-o com o manto que ela tinha despido. Fechou-lhe os olhos docemente e colocou-o numa posição o mais decente que lhe foi possível. Levantou-se, esticando os braços, adaptando-se ao peso e à sensação causada pelas suas novas vestes.(…) Apalpou a faca de cabo de osso que tinha tirado do cinto do João.
A faca do pai. (…)
Dirigiu-se ao altar. Tirando a touca, colocou o cabelo sobre o altar. Ele espalhou-se por cima da pedra macia, quase branco à luz pálida.
Levantou a faca.
Lenta e deliberadamente, começou a cortar. (…)”