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quinta-feira, 18 de março de 2010

A riqueza da linguagem poética

Uma das primeiras coisas que aprendemos enquanto crianças é como falar. Diariamente através da leitura de histórias as crianças vão se familiarizando com palavras e sons. Pais e educadores lêem histórias, mas também lenga-lengas e rimas infantis, que são caracterizadas como jogos de palavras que se apresentam numa estrutura rítmica agradável e de fácil compreensão. Estas rimas constituem por assim dizer o nosso primeiro contacto com a poesia.

A poesia é uma das aplicações mais vivas da linguagem, e quem melhor para entender este jogo de palavras de que as crianças? Obviamente nem todas as crianças se deixam cativar de imediato pela poesia ou pela literatura, porém por vezes a única coisa necessária para o conseguir é encontrar o poema, a rima ou o livro certo para despertar o seu interesse. Aprender poesia tem um importante papel nas nossas vidas, não só aprendemos a ler com os nossos olhos e ouvidos, mas também nos tornamos capazes de usar a nossa imaginação para extrair ou colocar em palavras sentimentos e emoções. A linguagem poética é uma das mais interessantes, porque mexe com o nosso sentimento, a nossa sensibilidade.

O contacto da criança com a poesia proporcionado pela família deve ser prolongado e aprofundado pela escola. A escola tem o papel de ajudar a formar a criança, não apenas a nível da razão, mas também a nível da emoção e a poesia é um instrumento privilegiado para proporcionar aos jovens o contacto com a beleza das palavras, os seus significados e as suas formas. O texto poético é um espaço de grande riqueza e amplitude, capaz de permitir a libertação do imaginário e do sonho das pessoas, é também um meio privilegiado para despertar o amor pela língua materna. A rima, o ritmo e a sonoridade, permitem uma descoberta progressiva das potencialidades da linguagem.

No entanto e parafraseando José António Franco em A poesia como estratégia “não basta incluir nas planificações diversos tipos de texto poético. Não basta deixar que as aulas se arrastem na leitura e interpretação de textos com os quais não foi promovida qualquer tipo de familiaridade. São necessárias a competência científica e a capacidade pedagógica para que a sua abordagem resulte, realmente, numa verdadeira educação da sensibilidade e do gosto, no desenvolvimento do espírito crítico e da criatividade, na aquisição de uma desejável mestria comunicativa construída, inevitavelmente, a partir do domínio dos mecanismos da língua materna e do prazer e realização pessoais que uma comunicação autónoma e competente pode provocar.”
Miriella de Vocht

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A leitura

Ler é uma estratégia para aprender. Para aprender a ler a simples exposição não é suficiente. “O seu domínio exige um ensino directo que não se esgota na aprendizagem, ainda que imprescindível, da tradução letra – som, mas que se prolonga e aprofunda ao longo da vida do sujeito. A respectiva mestria permite o aumento do potencial comunicativo e a expansão dos interesses individuais e é a grande facilitadora das aprendizagens escolares e do crescimento cognitivo de cada aluno.” (Sim – Sim, 1995).

A leitura, enquanto processo de aprendizagem, implica descodificar o texto, perceber o seu conteúdo e compará-lo com o conhecimento e as experiências a que ele associamos. Como resultado, formamos juízos de valor, revemos o nosso próprio conhecimento, modificamos ou ajustamos o nosso próprio pensamento, e, consequentemente «acontece a aprendizagem».

Ler é questionar o escrito como tal, usar a leitura para obter informação, organizar o conhecimento, a partir de uma expectativa (necessidade/prazer) numa autêntica situação de prazer.

O acto de ler é um encontro entre o leitor e um texto, num tempo e num espaço particulares.

Um bom leitor gosta de ler, pratica a leitura com prazer adquirindo a fluência que é entendida como a rapidez e rigor de compreensão do que é lido. Um bom leitor é aquele que é eficazmente autónomo perante um texto e que auto controla a sua própria compreensão em cada momento de leitura.

“Compete à escola adoptar uma pedagogia do oral proporcionando aos alunos um saber de ordem linguística, cognitiva e social que lhe permita exprimir as suas interrogações e os seus pontos de vista considerando o contexto, as reacções dos seus interlocutores, as suas expectativas e valores, e ter uma imagem de si próprio que o faça sentir um interlocutor de si próprio de pleno direito.” (Sim–Sim,I., Duarte, I., Ferraz, M.J. 1997). E podemos concluir que a leitura é um acto complexo, simultaneamente linguístico, cognitivo, social e afectivo.
Maria João Cavaleiro
Professora bibliotecária

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A linguagem, a leitura e a escrita

1 – A Linguagem

O ser humano inicia a sua aprendizagem a partir do momento em que nasce. Nos primeiros contactos com o ambiente que o rodeia, com a mãe, com o meio familiar e, mais tarde, com o ambiente escolar e social, estabelece-se uma inter-relação que se vai aprofundando e modificando, de acordo com o próprio desenvolvimento. Nessa inter- relação actua a criança e o adulto, que “ensina”.

A linguagem é muito importante em todo o processo de desenvolvimento da criança, uma vez que vai ser o suporte de todas as aprendizagens e aquisições. Daí a criança ser capaz de comunicar, recorrendo a todo o tipo de linguagem oral, escrita, corporal e gestual.

A aquisição da linguagem pela criança processa-se de forma natural e espontânea, basta que seja exposta à língua da comunidade a que pertence, isto é, que ouça falar à sua volta e que falem. A linguagem adquire-se e desenvolve-se através do uso, do ouvir falar falando. Esta aquisição processa-se em várias fases e é condicionada por diversas influências, pelo que nem todas as crianças do mesmo nível etário apresentam o mesmo grau de desenvolvimento linguístico.

A linguagem vai progredindo e aperfeiçoando-se, à medida que são vencidas as várias fases, mas esta evolução necessita da intervenção do adulto, quer seja da família ou do professor. As alterações da linguagem podem surgir em qualquer umas das etapas e podem ser devidas a deficiências congénitas, mas também a factores de ordem sócio- cultural e sócio - económico do meio de onde provêm os alunos.

As dificuldades que algumas crianças apresentam no início da vida escolar manifestam-se nas matérias fundamentais, a leitura e a escrita, tendo como consequência dificuldades noutras áreas de aprendizagem traduzindo-se em fraco rendimento escolar. É ao iniciar a sua escolaridade (Ensino Básico) que se manifestam essas dificuldades na aprendizagem, dado que é no 1ºe 2º anos do Ensino Básico que criança deve aprender a ler e a escrever, tarefa escolar que poderá transformar-se numa verdadeira angústia e numa enorme dificuldade caso não tenham sido adquiridos certos requisitos.

Estas dificuldades poderão levar a criança a rejeitar as aulas, a perturbar o ambiente da sala de aula, a recusar realizar as tarefas, falta de estímulo para estar na sala de aula, podendo mesmo conduzir ao desenvolvimento de uma personalidade conflituosa.

“Para que os alunos que chegam à escola, com uma variedade de origem diferente, alcancem o nível de mestria necessário no Português padrão, não pode esquecer-se que a simples exposição ao modelo fornecido pelo professor e por outros colegas não é suficiente, havendo que promover, na sala de aula, estratégias de ensino diferenciadas, direccionadas para este propósito específico”.(Sim - Sim, I., Duarte, E Ferraz, M.J.1997).

Este processo é simples e natural, mas exclui por completo o imobilismo. Para o professor consiste em ter ao mesmo tempo, e em interacção permanente, dois cuidados: o de conhecer sempre melhor os “recursos” do aluno e o descobrir, sem cessar novos itinerários para os seus saberes.

O trabalho em conjunto, professor - aluno, é uma forma de conseguir uma aprendizagem significativa para a criança, pois parte das necessidades do actor principal do processo pedagógico, que é a criança. Neste processo, a responsabilidade e a autonomia dos alunos são essenciais dado que eles são membros activos da sua aprendizagem.

A linguagem individualiza-nos enquanto espécie e constrói-nos como sujeitos na medida em que nos permite conhecer, pensar, agir argumentar, sentir, abrindo-nos as portas do conhecimento.
Maria João Cavaleiro
Professora Bibliotecária do Agrupamento de Escolas de Arganil