O Dia Mundial da Música - 1 de Outubro – foi instituído em 1975, pelo
Internacional Music Council, organização fundada pela UNESCO, sob proposta do
grande músico e violinista Yehudi Menuhin.
Nesta data enaltece-se o valor da
música e destaca-se o seu papel na promoção da paz e da amizade.
Não queremos deixar de assinalar
esta data pelo que fizemos uma selecção de poemas em que a música tem um papel
de destaque.
Ode à música
Melodia, melodia…
Como é simples e tu vens!
Como nasces da harmonia
Das formas que nunca tens!
Como vive a eternidade
Na fugidia presença
Da tua realidade
Irreal logo à nascença!
Não se vê quem te levanta
Nem quem tece o teu destino;
Mas alguém te desencanta,
Te revela e te faz hino
Do nosso amor, melodia!
Vai cantando!
Vai passando e vai durando,
Asa branca deste dia!
Miguel Torga in Poesia Completa
Música
Vem do salão a música discreta
de Schubert… É velhíssimo o piano,
mas sinto nele um não sei quê de humano…
Serão as teclas rimas de um poeta?
E à sombra azul que o «abat-jour» projecta
e tudo veste de mistério e engano,
eu penso, comovido: há quanto ano
se ouviu, nele, o primeiro, a «Incompleta»?!
Quanta voz se prolonga assim no mundo!
Tanta harmonia esparsa pela vida:
- sonho de náufrago que vai ao fundo!
Quem sabe se o regresso dessa voz
é a música vaga, indefinida,
Que nós ouvimos quando estamos sós…
Adolfo Simões Muller in Moço, bengala e cão
Homenagem a Chopin
Como é profundo!
O poeta músico no seu mundo.
Prelúdios, mazurkas, nocturnos,
Dão-nos momentos profundos.
No seu piano toda a melodia é um encanto,
Chopin foi sem dúvida um romântico.
Escuta e sente a melodia,
Chopin poeta de alma dorida
Saudades da sua terra,
Da Polónia veio para a França por causa da guerra.
Chopin queria ser feliz,
Escreveu as suas valsas em Paris.
Chopin poeta do tristemente belo,
Sua alma é do céu e não do inferno.
José Maria Castro Ribeiro in Mais-Valia
Músico ambulante
Tocar é o seu destino.
Toca mal, com as pobres mãos doridas
De velhice e miséria.
Mas que importa? Tocar é o seu destino,
Tocar é uma coisa muito séria.
É velho e toca violino.
Passa na minha rua ao pôr-do-sol,
e quando a tarde é calma,
pára e abre a porta da gaiola
ao trémulo e cansado rouxinol
que tem na alma.
O cego toca violino
e não sei que mundos ouve
nesse estranha dissonância,
mas no seu rosto há destino
mas no seu rosto há distância
quando toca violino.
Fernanda de Castro in
70 anos de poesia
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