quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Júlio Verne: da ciência ao imaginário

Júlio Verne (08.02.1828-24.03.1905)

Na data de aniversário de Júlio Verne aproveitamos para destacar a obra Júlio Verne – Da Ciência ao Imaginário, com prefácio de Michel Serres, publicada por ocasião do centenário da sua morte.

Esta obra é por si só uma proposta de viagem. Através de uma incursão pela vida e obra de Júlio Verne vivemos uma magnífica aventura através das contradições de uma época de descobertas e dúvidas, ao mesmo tempo que descobrimos a personalidade e turbulenta vida de um dos grandes vultos da literatura mundial.

“Hoje em dia, para animar a interface entre ciência e sociedade, falta-nos um Júlio Verne. As angústias contemporâneas sobre o racional e as técnicas associadas devem-se, em parte a esta falta. Quem nos conta, nos dias que correm, como funciona esta ou aquela inovação? Par ocupar o espaço das mensagens, encontram-se apenas juízes, muitas vezes incompetentes, acusadores… Uma espécie de inquisição obscura multiplica as condenações. Ora, o filósofo ou o historiador das ciências ocupam mal esta interface, só a literatura, o romance, a narrativa, histórias, aventuras… podem fazê-lo.
A ciência torna-se rapidamente um facto social total. Começa a acontecer no século XIX. Satura a sociedade. Técnicas sofisticadas produzem uma percentagem elevada dos objectos que manipulamos: óculos, fogões, automóveis, computadores, telefones… cresce o fosso que nos separa da ciência, ao mesmo tempo que é ela que estrutura o nosso quotidiano e as nossas comunicações. Carecemos de romancistas que descrevam em tempo real esta remodelação das nossas sociedades. Para várias gerações, entre as quais a minha, Júlio Verne criou esta interface e tornou culturais tanto o quotidiano da ciência como a reestruturação das relações.
Senhor de um grande talento, Júlio Verne tentou um golpe admirável, uma viagem extraordinária: tornar a ciência cultural. (…) 
Excerto do prefácio de Michel Serres

“Quando evocamos Júlio Verne e a ciência, a primeira coisa que nos ocorre são as máquinas, as ciências físicas, as ciências da natureza. Pensamos menos vezes nas ciências humanas, que nasceram no seu tempo, e na ciência da história moderna, iniciada por Michelet e revolucionada pela filosofia alemã. No século XIX, o homem na sociedade e no trabalho torna-se pela primeira vez herói do seu destino. A mudança é profunda, Júlio Verne instaura um diálogo entre as ciências conhecidas e as recém-nascidas. Foi provavelmente o que o levou a desenvolver a tal ponto a ciência e a consciência como os dois pilares de um futuro próximo.

Júlio Verne parece sentir desde a primeira infância o apelo dos horizontes longínquos. Mais tarde, a formação de jurista, as relações que travará em Paris, a euforia perante as ciências, a indústria e as explorações que caracterizam a sua época constituirão a base das suas viagens extraordinárias."

Excerto do primeiro capítulo “Uma vida, uma obra” de Jean-Paul Dekiss




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